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‘Eixo da esperança’ enfrenta a grande mídia, diz pesquisador

Bolívia, Equador e Venezuela formam o “eixo da esperança”, com seus erros e acertos, na mudança do sistema de comunicação, redimensionando o campo em bases mais pluralistas a fim de permitir a inclusão de vozes silenciadas na história.

A reportagem é de Edelberto Behs e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 05-04-2010.

“Percebi que uma outra mídia é possível, que é possível enfrentar os monopólios midiáticos”, disse o professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dênis de Moraes, em palestra, na segunda-feira, 29 de março, para alunos de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Dênis viajou por países da América Latina para pesquisar como governos da região estão operando mudanças no campo da comunicação.

Ele levantou, na pesquisa, câmbios na legislação para alterar o sistema de concessão de canais de rádio e de televisão, apoio à produção nacional, apoio aos meios comunitários alternativos de comunicação e criação de emissoras públicas ou estatais.

O processo de mudança é lento, árduo e difícil, definiu o pesquisador, mas ele vem carregado de esperança e coragem na promoção das mudanças. A título de exemplos do paradigma que não seja o midiático, Dênis arrolou iniciativas que estão sendo desenvolvidas nos países do “eixo da esperança”.

No Equador, uma nova legislação não permite a concentração de mídias nas mãos de uma empresa. O governo equatoriano está apoiando, também com recursos, a constituição de redes culturais itinerantes, envolvendo comunidades que desenvolvem um sistema de informação alternativa, fugindo do monopólio informativo da grande mídia.

Na Bolívia, o governo de Evo Morales financiou a criação de cadeia de 30 emissoras de rádio comunitárias voltadas aos povos originários, para a transmissão de sua cultura, valores e tradições. A programação das emissoras é decidida em assembléias comunitárias.

O governo do presidente Hugo Chávez é o que vem sofrendo ataques da “mídia burguesa”, não só do seu país, mas de toda a imprensa da América Latina, porque decidiu enfrentar o problema da concentração da mídia, afirmou Dênis.

Rádio e televisão, lembrou, são concessões do Estado, na Venezuela, no Brasil, em qualquer país do continente, e como tal são passíveis de renovação. O governo Chávez não renovou a concessão para a RCTV, que apoiou o golpe de Estado em 2002.

A Venezuela aprovou uma nova lei de cinematografia com o intuito de incentivar produções locais e combater o cartel de Holywood, que controla a produção e a distribuição de 85% dos filmes que são assistidos em salas de cinema da América Latina. Agora, o Estado quer saber o que é exibido e determinou patamares para a margem de lucro das empresas exibidoras.

O palestrante defendeu uma comunicação “desemercantilizada”, criticou a concentração da mídia nas mãos de “dinastias familiares”, que “vendem sonhos e informações”, e defendeu o fortalecimento da sociedade civil.

No Brasil, disse, os avanços no campo da comunicação são tímidos. Ele aplaudiu a realização da Conferência de Comunicação, em dezembro do ano passado, a coragem do governo Lula na implantação da TV Brasil, mas lamentou a vigência, ainda, de uma legislação de radio e teledifusão totalmente anacrônica, a omissão do Congresso Nacional nas aprovações quase que automáticas das concessões de rádio e televisão no país.

“Não se trata de não renovar as concessões, mas de avaliar como essas redes de rádio e de televisão se comportaram no período de vigência da concessão que receberam do Estado”, explicou o pesquisador da UFF. O que as empresas de comunicação menos querem é prestar contas de suas ações, agregou.

Também não se trata, enfatizou, de não contar com empresas comerciais de mídia, mas de ter um leque de alternativas, como a implantação de fortes redes de TVs públicas, estatais e comunitárias, que traduzam a pluralidade da sociedade brasileira.

“Não se trata de alijar o contraditório, mas de colocar os interesses sociais e comunitários acima dos interesses comerciais”, definiu. Denis. Ele frisou que, apesar de alguns parcos avanços no sistema de comunicação do país, o governo Lula foi o que, paradoxalmente, mais perseguiu rádios comunitárias e renovou, quase que automaticamente, as concessões de rádio e TV para empresas de comunicação nas capitais brasileiras.

Pontos de Mídia Livre se reunem na Teia 2010

Além de várias atividades ligadas à Cultura, a Teia Brasil 2010: Tambores Digitais também reuniu em Fortaleza, entre os dias 25 e 28 de março, os projetos de comunicação premiados pelo primeiro edital de Pontos de Mídia Livre do Ministério da Cultura (MinC). Apesar de apenas 40 dos 82 pontos terem comparecido ao encontro, foi possível discutir todas as questões previstas e produzir um documento que sintetiza as propostas que surgiram na capital cearense.

Assim como ocorreu nos outros dois encontros dos pontos de mídia livre promovidos pelo MinC (em Pernambuco e Espírito Santo), a conversa centralizou-se em torno de alguns interesses comuns entre os projetos, como a importância de uma constante formação técnica e política dos midialivristas e a necessidade de tornar a prática da mídia livre mais sustentável.

Os debates também giraram em torno dos eixos de políticas públicas, plataformas digitais, articulação em rede e mapeamento das iniciativas. “Acho que o encontro foi positivo, mesmo que algumas questões precisariam de mais tempo para serem aprofundadas”, avaliou o consultor de Mídias Livres do MinC, Zonda Bez.

Edital

Pensando em ampliar o número de projetos contemplados, o MinC lançou o segundo edital de Pontos de Mídia Livre. Serão 20 prêmios, no valor de R$ 100 mil cada, destinados às iniciativas que alcançarem repercussão regional e nacional, e 40 prêmios, de R$ 50 mil cada, para as iniciativas de visibilidade local e estadual. No total, o recurso destinado ao prêmio é de R$ 4 milhões. As inscrições se encerram em 9 de abril.

Segundo o edital, “são consideradas iniciativas de mídia livre toda e qualquer iniciativa que articule comunicação e outras áreas do conhecimento, fazendo uso de suportes analógicos e/ou digitais, não possuindo financiamento direto e subordinação editorial a empresas de comunicação legalmente constituídas, e que agreguem e priorizem ações colaborativas e participativas, interatividade e atuação em rede na produção e difusão de conteúdos em formato livre, através de diferentes suportes de mídia (áudio, imagem, texto, vídeo e multimídia)”.

A diferença deste edital para o primeiro é basicamente os valores dos prêmios. “Ampliamos o valor do prêmio local pra 50 mil, acreditando na necessidade de chegar mais junto dos pequenos projetos, e diminuímos o valor do prêmio nacional para 100 mil, pois são organizações com maior capacidade de articulação para a sustentabilidade”, explica Zonda.

Para Zonda, um passo importante a ser dado para proliferar a política adotada pelo MinC deve ser o de descentralizar as ações, como aconteceu com os Pontos de Cultura, que passaram a ter uma relação de conveniamento com os estados. “Os Pontos de Mídia Livre devem utilizarem-se do selo/chancela que receberam para também atuarem junto aos governos estaduais e municipais afim de incluírem a comunicação e a mídia livre como área essencial a ser fomentada nos editais de incentivo à cultura. Afinal, como podemos desligar cultura e comunicação?”

Brasil registra 58 casos de violência contra jornalistas em 2009

No ano de 2009 foram registrados 58 casos de violência contra jornalistas no Brasil, segundo estudo realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas. O número é similar aos anos anteriores. O último levantamento, realizado no biênio 2007/2008, registrou 115 casos.

“O relatório 2009 revela que o jornalismo e os jornalistas ainda sofrem em consequência dos desmandos cometidos, da violência e da falta de compreensão do significado de uma imprensa livre, regulamentada em bases democráticas”, diz o estudo.

O perfil dos casos também se manteve semelhante aos anos anteriores. A agressão física ou verbal é o tipo de violência mais comum, muitas vezes cometida por agentes do Estado ou a mando deles.


As ações judiciais ocupam o segundo lugar no ranking de tipificação de casos de violência. O relatório destaca o episódio do Estadão, que foi proibido judicialmente de publicar informações sobre uma operação da Polícia Federal que investiga o empresário Fernando Sarney.

O estudo mostra ainda que as vítimas são, em sua maioria, homens, que trabalham em veículo impresso e cobrem temas ligados à política e administração pública ou realidade urbana, rural e social.

Homem usa nome da Carta Maior para espionar manifestação

PORTO ALEGRE – Um homem, apontado por manifestantes como sendo agente da P2, o chamado serviço secreto da Brigada Militar (a PM gaúcha), usou indevidamente o nome da Carta Maior ao infiltrar-se, hoje (30), em uma manifestação de servidores públicos contra o governo Yeda Crusius (PSDB), em Porto Alegre e fazer fotos dos manifestantes.

O servidor foi surpreendido no ato por pessoas que conhecem a Carta Maior e que ficaram surpresas ao vê-lo portando um crachá (falso) da agência. A Carta Maior interpelará as autoridades responsáveis sobre o lamentável episódio que configura falsidade ideológica e documental, dois crimes previstos no Código Penal brasileiro.

Não é de hoje que servidores de órgãos de segurança disfarçam-se de fotógrafos no Rio Grande do Sul, identificando-se como profissionais de imprensa para espionar manifestações de sindicatos e movimentos sociais. Imaginem o estardalhaço que causaria um agente disfarçado da Abin ou da Polícia Federal “cobrindo” uma reunião do PSDB com um crachá falso da Folha de São Paulo…

O ato de hoje foi convocado pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul (FSPE/RS) e por um conjunto de outras entidades para denunciar o desmonte do Estado patrocinado pelo governo Yeda Crusius (PSDB).

Diversas categorias de servidores públicos concentraram-se em frente ao Gigantinho, onde estava acontecendo a assembléia geral do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato). De lá, os manifestantes seguiram em caminhada até o Palácio Piratini, na praça da Matriz, para mais um protesto da campanha “Fora Yeda!”

Além do FSPE/RS, o ato público foi convocado pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), CUT, CTB, Conlutas, Intersindical, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Via Campesina, Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e diversos grêmios estudantis e DCEs.

Comissão do Senado aprova novo fundo para telecomunicações

Os prestadores de serviços de telecomunicações e os fabricantes de equipamentos para o setor poderão receber apoio financeiro do Fundo de Investimentos em Telecomunicações (Fitel). A criação desse novo fundo está prevista no Projeto de Lei do Senado 6/10, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que recebeu, nesta quarta-feira (31), parecer favorável da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O projeto ainda será examinado, em decisão terminativa, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

De acordo com o autor da proposta, que também é presidente da CCT, o objetivo do projeto é o de "redistribuir os tributos associados a fundos setoriais já existentes". Em sua opinião, a arrecadação do atual Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) está superdimensionada – em aproximadamente R$ 1,5 bilhão – em relação à sua finalidade.

Por outro lado, ressaltou, a maior parte da arrecadação de dois outros fundos – o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) – estaria sendo direcionada à formação de superávit primário pelo governo.

“Proponho realocar parcela expressiva dos tributos hoje recolhidos em favor desses fundos para um novo modelo de aplicação que facilitará os investimentos produtivos”, explicou Flexa.

Entre as medidas do projeto encontra-se a autorização para que se aplique em cada exercício até 20% dos recursos do Fitel, na forma de capital de risco. Constituem ainda recursos do novo fundo, de acordo com a proposta, 20% dos saldos patrimoniais do Fust e do Funttel. O agente operador do Fitel seria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O projeto contou com voto favorável do relator, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que elogiou a destinação de pelo menos 30% dos recursos do novo fundo às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Durante a discussão, o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) anunciou que pedirá vistas da proposta apenas quando esta chegar à CAE.