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Operadoras, perplexas, taxam de “surreal” a proposta de 107 mil conexões do Gesac

A proposta de edital de licitação do Ministério das Comunicações que pretende aumentar de 12 mil para mais de 107 mil pontos de presença, com aumento da capacidade de conexão do Gesac, foi considerada como “surreal”, em audiência pública realizada nesta terça-feira (6). Segundo o gerente de vendas ao governo da Intelig, Eduardo Ferreira, com a escassez de recursos satelitais no Brasil, nem se juntasse todas as operadoras do setor, seria possível implantar 107 mil pontos em quatro anos.

Ferreira disse que para atender ao pedido do Minicom, seriam necessários de 13 a 14 satélites de banda KU, que não estariam disponíveis nem nos próximos quatro anos, levando-se em conta o planejamento de lançamento de novos satélites. Além disso, criticou o prazo máximo do contrato, de cinco anos, para implantação dos pontos de conexão num prazo máximo de quatro anos. “Não há como amortizar os investimentos”, salientou, recomendando ao ministério que separasse o social do técnico.

Ele propôs que o Minicom chame as operadoras separadamente, com a lista de endereços dos pontos de conexão, e pergunte a cada uma delas quantos dos pontos podem atender. “A partir daí, devem ser elaborados lotes distintos, com o número máximo de conexões já redimensionado, capazes de ser disputados por uma ou mais concorrentes”, disse.

R$ 300 milhões/ano

A ideia inicial do coordenador-geral de Acompanhamento de Projetos Especiais do ministério, Carlos Paiva, responsável pelo edital, era receber as sugestões ao edital até sexta-feira e publicar a licitação na semana seguinte. Diante da perplexidade dos representantes das operadoras ante o edital, ele resolveu estender a consulta até o dia 31 de julho e se mostrou aberto à realização de mais uma audiência.

As novas conexões, que teriam de ter capacidade de 2 Mbps, com obrigação de entrega de 20%, serviriam basicamente para atender 75 mil escolas rurais, além dos telecentros. A previsão de gastos com as novas conexões é de R$ 300 milhões ao ano, recursos muito além do que o orçamento do Minicom dedica à inclusão digital. Em 2009, por exemplo, foram destinados R$ 32 milhões ao programa.

Paiva disse que o edital não está direcionado para conexões apenas via satélite, mas reconhece a dificuldade em atender as escolas rurais com outra tecnologia. Ele disse que além de ampliar as conexões, o edital foi elaborado de forma a corrigir os problemas existentes nas conexões atuais do Gesac. “Hoje, os telecentros não tem capacidades de funcionar com a velocidade contratada”, disse.

Nas conexões atuais, a maior de 512 Kbps, a operadora vencedora da licitação anterior, a Embratel, tem a obrigação de entregar apenas 6,7%, no caso do uso de satélite, e 10%, no caso de ADSL. “Como um telecentro com 11 máquinas pode funcionar com 40 Kbps”, questiona Paiva. Ele disse que a operadora até entrega mais do que isso, em torno de 150 Kbps, que também são insuficientes para atender aos usuários. “Dessa forma, estamos jogando dinheiro público fora”, disse.

Cerca de 30 representantes de operadoras participaram da audiência pública, porém, a maioria não se manifestou, alegando estar sem palavras diante do propopsto. Foi o que fizeram os representantes da Oi, da Telefônica, da Embratel e da TIM. O diretor da ViaSat, Carlos Brutti, disse que teria como resolver as conexões com o lançamento de um único satélite, em banda KA, com 135 Gbps de capacidade. "Mas só o lançamento demoraria três anos", disse.

Anatel ratifica inexigibilidade de licitação para TV a cabo

A Anatel está, oficialmente, caminhando em direção ao licenciamento de novas outorgas de cabo. Um novo passo nesse sentido foi dado na última sexta, dia 2, quando a agência publicou a ratificação da "inexigibilidade de licitação para exploração do Serviço de TV a Cabo, nos termos da decisão proferida no Despacho no 3.911/2010-CD, datado de 20 de maio de 2010, publicado no Diário Oficial da União de 21 de maio de 2010." Na prática, a Anatel está oficializando os efeitos da decisão cautelar que suspendeu o planejamento de TV a cabo, acabando com a necessidade de licitação para o serviço.

A agência ainda deverá publicar nos próximos dias um caderno de habilitação, em que as empresas que já manifestaram interesse por outorgas de cabo e outras que venha a ter interesse apresentem os documentos necessários e conheçam a minuta do contrato de concessão. Os documentos serão analisados e os processos, quando finalizados, serão encaminhados ao conselho diretor da agência, que então decidirá pela outorga. O conselho, contudo, depende de uma definição sobre como será o novo planejamento para poder expedir as novas concessões.

Mercado de telecom cresce puxado por celulares e TV paga, diz Telebrasil

A Telebrasil divulgou nesta segunda-feira, 5, seu tradicional balanço do setor e os números mostram que o segmento mantém altos níveis de crescimento no primeiro trimestre de 2010. O documento "Desempenho do Setor de Telecomunicações no Brasil" dos primeiros três meses deste ano mostra que o Brasil fechou o mês de março com 240,2 milhões de assinantes de serviços de telecomunicações como um todo. O número representa um crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período de 2009, o que demonstra que o setor mantém a forte trajetória de crescimento apresentada nos balanços anteriores.

Em números absolutos, o segmento de mercado que mais contribuiu com esse crescimento foi a telefonia móvel, como sempre. A telefonia móvel concluiu o primeiro trimestre de 2010 com 179,1 milhões de consumidores, com um acréscimo de 5,2 milhões na comparação ano a ano (16,6% de crescimento). Mas o destaque com relação ao crescimento relativo foi a TV por assinatura. Este mercado teve um aumento de 20,8% no número de clientes entre o 1º trimestre de 2009 e o 1º trimestre de 2010, chegando a um total de 7,89 milhões de assinantes em março.

Os serviços de banda larga também continuam em alta, com um crescimento de 13,8% na comparação entre trimestres, atingindo um total de 11,8 milhões de clientes. Esse número não inclui equipamentos celulares 3G e modems de banda larga móvel. Considerando essas duas modalidades de oferta, o total sobre para 23 milhões.

A telefonia fixa continua estável na casa dos 41,4 milhões de clientes ao fim de março de 2010, o que significa um crescimento marginal de 0,2% em comparação ao mesmo período no ano anterior. Ainda assim, é o setor que apresenta a maior receita entre todos: R$ 19,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2010. A telefonia móvel segue em segundo lugar na rentabilidade do serviço, tendo obtido uma receita de R$ 17,9 bilhões nos primeiros meses do ano.

Apesar da receita modesta em comparação com outros segmentos de telecomunicações, os serviços de trunking (Serviço Móvel Especializado) merecem destaque pelo crescimento expressivo de sua receita. Na comparação ano a ano, a receita do SME (onde a Nextel é a principal operadora) subiu 37,5%, com um faturamento bruto de R$ 1,4 bilhão. As TVs por assinatura também tiveram um bom crescimento de receita, de 8,9%, fechando o trimestre com um faturamento de R$ 2,8 bilhões, segundo a Telebrasil.

Considerando toda a indústria de telecomunicações, o setor teve uma receita operacional bruta de R$ 45,6 bilhões no 1º trimestre, valor 4,8% superior à receita obtida no mesmo período do ano passado. Este montante inclui a performance da indústria de equipamentos, que faturou R$ 4,6 bilhões no período.

Impostos

O balanço divulgado pela entidade serve também para reforçar a atual bandeira do setor de redução da carga tributária. De acordo com o documento, as prestadoras de telefonia fixa e móvel arrecadaram aos cofres públicos R$ 10,5 bilhões em impostos, o que representa 43% da receita operacional dos dois segmentos somados. "Esta é a maior carga tributária do mundo (mais que o dobro do segundo colocado) incidente sobre o valor pago pelo usuário de serviços de telecomunicações", destaca o relatório.

A equipe da Telebrasil, em parceria com a Teleco (responsável pelo levantamento), responsabilizou o ICMS, estadual, pelo forte impacto tributário nas contas telefônicas. "Cumpre assinalar que a maior parcela desta carga tributária é imposta pelos Governos Estaduais (ICMS sobre Serviços de Comunicações) que, deste modo, trabalham contra a Política de Universalização dos Serviços de Telecomunicações adotada pelo Governo Federal pois, onerando o valor pago pelo usuário, inibem o acesso dos usuários de menor renda aos serviços, inclusive os celulares pré-pagos e nos terminais de uso público (orelhões)", afirmam o estudo.

Sudeste consome mais de 60% do conteúdo online

De todo o conteúdo online consumido no Brasil, 66% vêm da região Sudeste, que inclui os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A região é responsável, ainda, por 67% do total de usuários da internet brasileira – são 73 milhões de internautas, de acordo com os dados da ComScore -, e pelo consumo de 65% dos minutos totais gastos online pelo brasileiro.

A ComScore é uma consultoria norte-americana especializada no meio digital e agora dispõe de capacidade de segmentar o uso da internet no Brasil com base nas cinco regiões geográficas do País – Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

No mesmo levantamento, a consultoria concluiu que os usuários entre 6 a 14 anos (que representam 12% do total de internautas brasileiros) gastam 60% do tempo conectados em sites de entretenimento e comunicação como mensageiros instantâneos (Messenger) e redes sociais (Twitter, Facebook e Orkut, por exemplo).

Em maio, 40,7 milhões de usuários acessavam a internet de casa ou do trabalho. Os 73 milhões de usuários computados pela comScore incluem os usuários que acessam a internet em locais públicos como cafés, universidades e outros, como as LAN houses.

Ainda na faixa dos 6 aos 14 anos, os sites de entretenimento são responsáveis por 25% do tempo de acesso, os mensageiros instantâneos ocupam 22% dos acessos e as redes sociais, 15% do tempo total.

Vai à Câmara projeto que dá ao Senado poder de aprovar presidente da EBC

As indicações feitas pelo presidente da República dos futuros diretores-presidentes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil, podem passar a ser submetidas ao Senado Federal. A medida consta do Projeto de Lei do Senado (PLS) 529/09, de autoria do senador Renato Casagrande (PSB-ES).

Aprovada no dia 16 de junho em decisão terminativa, pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), a matéria não recebeu recurso para análise em Plenário e seguiu nesta segunda-feira (05) para a Câmara dos Deputados.

O projeto modifica a Lei 11.652/08, que criou a EBC, para incluir um parágrafo ao artigo 19, que trata da composição da diretoria da empresa. Segundo o parágrafo, o diretor-presidente será nomeado pelo presidente da República, após aprovação do Senado, nos termos da alínea f do inciso III do artigo 52 da Constituição. Ou seja, a nomeação do diretor-presidente da EBC passa a necessitar do aval do Senado, da mesma forma que as nomeações do presidente e de diretores do Banco Central e do procurador-geral da República, entre outros cargos.

A inclusão do cargo de diretor-presidente da EBC entre os que precisam de aprovação do Senado permitirá que as futuras nomeações "não sejam resultantes unicamente da vontade soberana do governante ou baseadas em critérios de conveniência política", na opinião do relator do projeto, senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA).

– Pretende-se garantir, portanto, que tais cargos sejam ocupados apenas por pessoas com comprovada idoneidade e capacidade para o exercício das funções a eles afetas – disse o relator.

Atualmente a EBC é presidida pela jornalista Tereza Cruvinel. Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), é mestre em Comunicação Social, com orientação para Mídia e Política, pela mesma universidade. Trabalhou na TV Brasília, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Globo.