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No lugar de metas para banda larga, teles querem autorregulação

No intuito de consolidar uma argumentação em contraponto à proposta da Anatel de medição da qualidade dos serviços de internet, as empresas de telecomunicações organizaram um seminário que, em essência, buscou afirmar dois pontos: a definição de metas específicas – ou seja, garantia de percentuais mínimos de velocidade – não encontra paralelo no mundo e um eventual sistema de medição deve ser fruto do consenso e evitar “interferências” alheias às redes das operadoras.

Em outras palavras, a proposta de regulamento de qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia, que se encontra em consulta pública, deve ser alterada. Para demonstrar o primeiro ponto, o Sinditelebrasil contratou um estudo da PriceWaterhouse Coopers que avaliou qual o tipo de regulação sobre internet existente em 10 países selecionados – EUA, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, Coreia, Austrália, Nova Zelândia, Chile e Índia.

As conclusões são de que em nenhum desses mercados foram implantadas metas de padrões de qualidade, preferindo-se a adoção de medidas de fomento à transparência que, como consequência, conduziram a um sistema de autorregulação movida pela concorrência.

O segundo ponto contou com a apresentação da consultoria britânica SamKnows, responsável por testes de qualidade da internet promovido pelas agências reguladoras OfCom e FCC, na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Nessa questão, há duas principais distinções entre a metodologia utilizada naqueles países e a sugerida pela Anatel. De um lado, a defesa de que os testes precisam eliminar as interferências potenciais do uso doméstico, ao concentrar a medição “do modem para fora” e até determinado trecho da rede sob relativo controle dos provedores.

De outro, a defesa de que isso deve ser feito com a conexão de um equipamento e não com apenas um programa instalado no computador dos usuários, como propôs a agência brasileira, exatamente na lógica de minimizar os efeitos das diferentes máquinas, eventuais vírus, tipo de uso, etc.

Competição

Mas embora as apresentações tenham garantido ingredientes que ajudam a tese das operadoras brasileiras, também ficou evidenciado que outros órgãos reguladores dispensaram a adoção de metas por entenderem que existe competição suficiente nesses mercados para que medidas de transparência alcancem os resultados almejados.

No Brasil, apesar do aparente grande número de provedores – há cerca de 1,5 mil licenças de SCM emitidas pela Anatel – a infraestrutura para a disponibilização do acesso está nas mãos de poucos grupos econômicos: Oi, Net/Embratel, Telefônica e GVT concentram, juntas, 90% das ofertas disponíveis.

Além disso, mesmo em um mercado um pouco mais assemelhado ao brasileiro, como é o caso dos Estados Unidos, a qualidade do acesso a internet é superior, como indicou o estudo organizado pela FCC. Nessa avaliação dos serviços de 13 provedores de acesso fixo, mesmo durante os horários de pico as conexões DSL entregaram, em média, 82% da velocidade prometida.

 

Mercado de cinema bate recordes no Brasil em julho

Confirmando o bom momento vivido pelo cinema no Brasil, levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual revela que vários recordes foram quebrados em julho, considerando-se as três últimas décadas. Além disso, o ano de 2011 tem mostrado mais freqüência do público brasileiro ao cinema que os anos anteriores.

Com cinco finais de semana, o mês de julho teve uma venda total de 19,749 milhões de ingressos, 900 mil a mais que o recorde mensal anterior, de julho de 2010.

Para agosto, a previsão é que se estabeleça novo recorde, com a ampliação do número de ingressos vendidos para filmes nacionais em 12 meses e com a quantidade total de bilhetes vendidos.

A seguir, outros dados extraídos do OCA:

– Junho marcou um novo recorde para o número de ingressos vendidos em 12 meses: cerca de 144 milhões de espectadores; no ano de 2011, até julho foram vendidos aproximadamente 89 milhões de ingressos.
– Em 12 meses, os filmes brasileiros venderam 30 milhões de ingressos – 1,4 milhão a mais do que o recorde anterior para o período, de março de 2011.
– Nos sete primeiros meses deste ano, o cinema nacional vendeu cerca de 12 milhões de ingressos, superando em 600 mil ingressos o recorde anterior, dos sete primeiros meses de 2009.
– No primeiro semestre de 2011, o desempenho dos filmes brasileiros foi 28% superior ao de 2010, o que projeta um desempenho no ano superior ao recorde anterior, de 2009.

 

Fonte: Boletim da Ancine

Planejamento do governo para 2012-2015 prevê R$ 11,7 bi em infraestrutura de comunicação

O Ministério do Planejamento divulgou nesta quarta, dia 31, o planejamento de investimentos do "PPA 2012 – 2015 – Plano Mais Brasil", com metas de investimentos em infraestrutura e planejamento para setores estratégicos. A área de comunicação ganhou espaço, sob a rubrica " Comunicações para o Desenvolvimento, a Inclusão e a Democracia", cujo objetivo é investir até 2015 R$ 11,7 bilhões em ações que visam "expandir a infraestrutura e os serviços de comunicação social eletrônica, telecomunicações e serviços postais, promovendo o acesso pela população e buscando as melhores condições de preço, cobertura e qualidade", "promover o uso de bens e serviços de comunicações, com ênfase nas aplicações, serviços e conteúdos digitais criativos para potencializar o desenvolvimento econômico e social do País" e "promover o desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira das comunicações e sua inserção internacional a partir do fomento à pesquisa, desenvolvimento, inovação e do estímulo ao uso de bens e serviços com tecnologia nacional".

As metas estabelecidas para este plano incluem os seguintes pontos:

  • Chegar a 40 milhões de domicílios com Internet banda larga de qualidade por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)
  • Instalar Telefone de Uso Público (TUP) em todos os postos de saúde públicos e escolas públicas, ambos localizados em área rural.
  • Cobrir 91,5% da população brasileira com o serviço de telefonia móvel
  • Atender todas as escolas públicas rurais com Internet banda larga
  • Atender 100% dos distritos, com população igual ou superior a 500 habitantes, com atendimento postal básico
  • Ofertar banda larga fixa a 10 Mbps e móvel em redes 4G nas cidades-sede da Copa das Confederações de 2013, da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, bem como atender aos requisitos de qualidade necessários à realização dos eventos
  • Garantir que 70% da população faça uso da internet banda larga e discada (seja em casa, no trabalho, em telecentros), levando em consideração desigualdades regionais e socioeconômicas.
  • Elevar para 70% a participação da produção nacional no mercado nacional de equipamentos e aparelhos de telecomunicação.

 

Os objetivos e o descritivo do PPA 2012-2015 estão disponíveis no site do Ministério do Planejamento.

 

Secretaria Marta Porto pede demissão

A secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura entregou nesta tarde sua carta de demissão ao secretario executivo do ministério, Vitor Ortiz. Toda a sua equipe teria decidido sair em solidariedade. A secretaria de Marta Porto é a que se relaciona com o programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura.

Marta e Ana de Hollanda estão em rota de colisão há algum tempo. Este blog chegou a informar que o presidente da Funarte Antonio Grassi articulou a substituição da ministra por Marta.

Nos últimos dias, porém, a crise se tornou pública. A ministra havia impedido Marta de representar o ministério em eventos e passou a não comparecer em solenidades da secretaria.

Representantes dos Pontos de Cultura que estão em Brasília consideram que a substituição de Marta Porto tem de ser discutida de forma ampla. O nome com maior força no movimento é o de Célio Turino. Mas nas articulações internas do MinC há quem aposte em Cláudia Leitão, da secretaria de Economia Criativa, deve substitui-la. Fala-se também no nome de Américo Córdula, da equipe de Sérgio Mambertti.

A saída de Marta Porto significa uma perda de espaço para o grupo de petistas do ministério, principalmente para os que se articulam em torno de Grassi.

Quem também está numa situação bastante delicada é ex-secretaria nacional de Cultura do PT, Morgana Eneille. A ministra não repassa funções a ela e tem demonstrado que não confia no seu trabalho.

Há gente apostando que outras demissões devem ocorrer nos próximos dias. No Planalto o constrangimento é geral quando se discute o ministério. A avaliação do desempenho de Ana de Hollanda é péssima. Mas a sua demissão é sempre tratada como um problema por conta da “dívida histórica” que o PT e a presidenta julgam ter com a família Buarque de Hollanda.

 

Projeto de lei sobre TV por assinatura põe em risco as TVs comunitárias

A aprovação do Projeto de Lei nº 116 (PL 116), que cria uma nova regulação para a TV por assinatura no país, pode comprometer a existência das TVs comunitárias brasileiras. Essa é a avaliação das duas entidades que organizam esse setor, a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) e a Frente Nacional pela Valorização das TVs do Campo Público (Frenavatec). Ambas estão solicitando à presidenta Dilma Rousseff o veto a alguns parágrafos do artigo 32 do projeto de lei, que tratam principalmente da publicidade nesses canais e da obrigatoriedade de serem disponibilizados pelos prestadores do serviço.

Um dos problemas centrais está no parágrafo 8º do artigo 32. Nele está dito que “em caso de inviabilidade técnica ou econômica comprovada, a Anatel determinará a não obrigatoriedade da distribuição de parte ou da totalidade dos canais de que trata este artigo nos meios de distribuição considerados inapropriados para o transporte desses canais em parte ou na totalidade das localidades servidas pela distribuidora”. Os canais em questão são o da Câmara, o do Senado, o da Justiça, TV Brasil, Canal NBR, dos legislativos locais, os comunitários, os universitários, um canal educativo-cultural e o canal da cidadania. Esses dois últimos foram criados por lei, em 2008, mas ainda não existem.

Na prática, o referido parágrafo abre uma brecha para as empresas (NET, Sky, TVA, etc) não distribuírem esses canais. Não fica claro no projeto de lei como seria aferida essa inviabilidade técnica ou econômica. Na atual lei que regula o cabo (nº 8.977, 95), apenas as empresas que operam nas outras duas tecnologias (MMDS e DTH) não são obrigadas a distribuir esses canais, mas as que atuam no cabo precisam disponibilizá-los. Já o PLC 116/2010, amplia a transmissão dos canais do campo público para todas as tecnologias, mas cria essa regra de exceção.

Não será fácil conseguir esse veto por parte da presidenta, já que o PLC 116 foi resultado de um difícil acerto que durou mais de três anos no Congresso. Além disso, outros grupos como as programadoras internacionais também estão pedindo vetos de outros artigos da lei à Dilma e o Ministério das Comunicações já afirmou que deseja a sanção do projeto sem vetos. No entanto, sobre o parágrafo 8º do artigo 32, as TVs comunitárias contam com um apoiador importante dentro do planalto. “É um absurdo tirar essa conquista da Lei do Cabo (da distribuição obrigatória ou must carry). A TV pública digital saiu perdendo”, criticou o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho.

Financiamento

O outro ponto bastante questionado pelas entidades que representam as TVs comunitárias está no parágrafo 5º do mesmo artigo 32 que proíbe “a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de seus intervalos, assim como a transmissão de publicidade comercial, ressalvados os casos de patrocínio de programas, eventos e projetos veiculados sob a forma de apoio cultural”.

Essa é uma briga antiga das emissoras comunitárias. A Lei do Cabo, de 1995, não proíbe diretamente a publicidade nesses canais. Por isso, as emissoras comerciais fizeram pressão e conseguiram que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) instituísse em 1997 a Norma 13, que deixa expressa a proibição. Desde então as televisões comunitárias vêm questionando tal regra até que por meio de uma ação da Associação Comunitária dos Canais Comunitários de São Paulo (ACESP) a Justiça Federal entendeu que as emissoras podem sim colocar publicidade em suas programações. No entanto, uma decisão ainda não definitiva.

Se aprovado o PLC 116, as emissoras comunitárias vão ter que passar a questionar uma lei em vez de uma norma da Anatel, o que vai dificultar sua luta. “Só quem pode utilizar o canal é uma associação sem fins lucrativos, mas ela precisa se manter. Sem publicidade e sem recursos públicos, qual seria a forma de sustentação financeira dos canais comunitários de televisão?”, questiona o presidente da ABCCOM, Edivaldo Farias. A criação de um fundo de fomento para esses canais também é uma reivindicação da associação.

“A quem interessa que as TVs Comunitárias não tenha publicidade? Ao governo? Claro que não, e sim as empresas da mídia perversa que não quer perder seus quinhões para um trabalho árduo que vem sendo realizada pelas 68 emissoras comunitárias espalhadas por todo o Brasil”, diz carta da Frenavatec endereçada à presidenta.

A presidenta Dilma Rousseff tem até a semana que vem para se manifestar sobre o PLC 116. Caso o sancione sem vetos, as duas organizações das TVs comunitárias estudam entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal.