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Radiodifusores manobram para tirar relatoria de Jorge Bittar

As emissoras de televisão pediram, e tudo indica que conseguiram do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), o compromisso de que os projetos de lei que tratam de conteúdos em meios convergentes que estão apensados ao PL 29/2007, de Paulo Bornhausen, DEM/SC, tramitem antes na comissão de desenvolvimento econômico, indústria e comércio.

Foi uma manobra política motivada pelo fato de que o relator da matéria na comissão de comunicação é o deputado Jorge Bittar (PT/RJ), que os radiodifusores identificam com o setor de telecomunicações.

O requerimento para a mudança na rotina de tramitação é do deputado Albano Franco (PSDB/CE). A nova "escala" na tramitação dos projetos deverá ser confirmada na primeira reunião da mesa diretora, que acontece nas próximas horas.Além do projeto 29/07, de Bornhausen, tramitam apensados também o PL 70/07, do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), e o PL 332/2007, dos deputados Peulo teixeira (PT/SP) e Walter Pinheiro (PT/BA).

Movimento contrário

Observadores familiarizados com o Congresso avaliam que uma estratégia possível para as teles, caso não queiram o projeto em uma comissão em que os radiodifusores se sentem mais confortáveis, seria articular a tramitação em comissão especial.

Para isso, o projeto precisaria ser requisitado por mais uma comissão (atualmente ele tramitará na Comissão de Constituição e Justiça; Ciência e Tecnologia e, possivelmente; Desenvolvimento). Foi o que aconteceu na Lei Geral de Telecomunicações. Mas isso, certamente, fará com que a tramitação fique ainda mais longa (e mais ampla).

 

 

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Rede pública terá autonomia de gestão, diz Franklin Martins

Confira uma síntese do que defendeu o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, em entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura no último dia 23/4, sobre a proposta de criação de uma rede pública nacional de televisão.

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A televisão pública que está sendo preconizada pelo Governo Federal certamente não é uma TV estatal. Não é uma TV que vai ficar fazendo comunicação do governo, jornalismo chapa branca ou procurando passar os pontos de vista do governo para a sociedade. É uma TV pública, no sentido de que ela não vai se guiar pela lógica comercial. Isso significa que ela não precisa estar reunindo, perseguindo e mantendo altíssimos índices de audiência e, portanto, repetindo a mesma programação sempre. A TV comercial está condenada à repetição. A TV pública pode experimentar. Pode ter os vários Brasis dentro do Brasil que é a televisão e pode fazer o que se faz no mundo todo — ou seja, é uma TV que tem cultura, tem jornalismo isento, tem debates de assuntos de maneira aprofundada. É aberta para a produção independente, é aberta para a produção regional. E para garantir que não seja o governo controlando tudo isso, ela tem uma forma de gestão pública.  

O decreto que previu a criação da TV digital prevê ainda a possibilidade de quatro canais de TV pública – um de governo, um outro de cidadania, outro de cultura e um último de educação. Evidentemente nós não vamos começar com quatro canais. Nós não temos condições de fazer isso. Nós vamos começar com uma TV que vai ter um pouco disso tudo. Ela vai ser basicamente uma TV que vai ter jornalismo, debate, aprofundamento de questões. Vai ter cultura dentro dela, uma abertura para a produção independente que é fundamental. Ou seja, não é apenas uma estrutura central ou mesmo televisões regionais que produzem conteúdo. Ela tem que ter uma abertura para essa renovação que a produção independente traz e vai ter que estar aberta para a produção das diferentes regiões, dos diferentes estados. No primeiro momento ela será uma TV de certa forma generalista. Aos poucos pode ser que a gente possa ir dividindo. Evidentemente, já no primeiro momento, ela deverá ter algo também de TV educativa no primeiro momento. É talvez a primeira TV que possa se desmembrar dessa TV mãe, digamos assim.  

O Governo Federal está discutindo exatamente três questões que são essenciais para em função delas você ter uma TV pública, um modelo de gestão, um modelo de financiamento e um modelo de rede pública. Mas a idéia é partir do que o Governo Federal tem no momento atual, isto é, a Radiobras e a TV educativa do Rio e do Maranhão. A idéia é fundir essas estruturas, dar a espinha dorsal para uma programação que ao mesmo tempo se abra para a parceria com um conjunto de TVs culturais, educativas, universitárias já existentes.  Então a idéia é estabelecer uma parceria que vá aos poucos formando uma rede pública de televisão. Nós ainda não temos uma rede pública de televisão estruturada no Brasil. Nós temos o quê? Várias TVs públicas, universitárias, culturais, mas que você não pode dizer que constituem uma rede pública com um projeto próprio, com uma parceria definida e é isso que o Governo Federal pretende: exercer um papel de liderança dentro disso, quer dizer, que seja capaz de convocar, trazer para o mesmo movimento o conjunto de emissoras com esse caráter e ser capaz de constituir uma rede pública.

Qual a diferença entre esse modelo, descrito em linhas gerais, e o modelo seguido por exemplo pela TV Cultura? Eles são modelos semelhantes, só que a TV Cultura é uma TV do Estado de São Paulo e uma TV que dificilmente conseguirá exercer esse papel nacional de agrupar o conjunto das televisões. É preciso ver que o Governo Federal joga um papel de liderança dentro disso. Vai ter que ter parceria com a TV Cultura? Claro, e com a rede Minas, com a TV da Bahia, com cada uma delas, mas evidentemente só o Governo Federal possui condições para poder nuclear esse processo.        

Nós temos que ter um modelo de gestão, um modelo de gestão público. Ou seja, não é o estado quem manda. O governo, evidentemente, nomeia, compõe os comitês, compõe os conselhos etc., mas ele faz isso levando em conta a representação da sociedade, como faz a TV pública no mundo todo. E no mundo todo ela funciona assim e sempre funciona, de vez em quando, tendo problemas, tendo crises. Não existe um modelo perfeito que evita qualquer tipo de coisa. Agora, interferência na linha política do jornalismo, isso você também tem na TV comercial, vamos ser claros. Não é que a TV comercial faz o jornalismo sempre isento e não tem pressão e a TV pública tem. O problema existe para todo mundo. Como é que você resolve isso? Tendo um modelo de gestão pública e, principalmente, tendo um telespectador, um ouvinte, um leitor atento, vigilante que cobra e exige atenção. Eu acho que a sociedade quer isenção do jornalismo. Ele não quer um jornalismo chapa branca e ele não quer também um jornalismo que considere como sua missão a de fazer a oposição ao governo. Ele quer um jornalismo que se baseie naquilo que é o bom e velho jornalismo, baseado em fatos e não em preconceitos ou notícia embrulhada.

Não chegamos ainda ao seu modelo de financiamento. A TV pública, ela vai precisar ter um financiamento que garanta que ela vá funcionar independentemente da pressão do governo. Porque não é apenas no modelo de gestão que ela garante a sua independência, é também na questão do financiamento. Então, parte virá de dotações orçamentárias, parte virá de prestação de serviços que ela possa cumprir, mas parte virá do patrocínio de grandes empresas. Eu, por exemplo, sou contra comercial na TV pública. Mas sou a favor do patrocínio, ou seja, onde se associa a marca da estatal a determinado programa. Isso já vem sendo feito no Brasil, não tem nenhuma novidade.        

Também acho que há dotações orçamentárias que ela irá receber, isso tanto do Governo Federal como da rede pública, e também de governos estaduais que eventualmente se somem a essa rede. Teremos prestações de serviço, porque, por exemplo, a Radiobrás, hoje em dia faz comunicação de governo. Ela continuará uma parte dessa empresa, dessa estrutura que vai surgir com a fusão da Radiobras e da TV e prestará comunicação, continuará a fazer a comunicação de governo. Mas isso é um departamento à parte que vai ser remunerado. Haverá a prestação de serviços, por exemplo, de programas educativos que são feitos para o Ministério da Educação. Agora, a TV pública vai precisar de patrocínio e vai precisar também se abrir para outras formas possíveis. No Brasil nós não temos muita tradição de doação. Nos Estados Unidos, por exemplo, boa parte do orçamento da TV pública é mantido com doação.        

Acho que o governo tem que liderar a criação de uma rede pública, a rede pública vai fazer muito bem ao país. No mundo todo onde tem rede pública ela ajuda a televisão, inclusive comercial, a ter uma melhor qualidade. Vou te dar um exemplo. Nós temos um país em que 30% das pessoas vieram da África, têm origem na África. Qual é o programa sobre a África que existe na TV comercial brasileira? Digo mais. Qual é a televisão brasileira que tem um correspondente em algum país da África? Por que é que nós vivemos de costas para a África?   Eu acho que a TV comercial, pela sua dinâmica, provavelmente jamais fará isso. Ela não pode fazer isso porque muitas vezes ela está comprometida a determinados índices de audiência, ela arrisca pouco e aí petisca pouco. Acho que nós temos que fazer isso. Agora, por outro lado, eu acho que o governo tem que sempre procurar informar melhor.   

O Estado Brasileiro tem que procurar informar melhor. Eu acho que informação pública deve ser de domínio público. Evidentemente isso é um processo que não é um estalo ar de dedos. Você tem que ir aos poucos, construindo. O governo tem que ir sendo criticado. O governo tem que ir se abrindo. Agora eu acho que uma coisa não elimina a outra, acho que tem que estruturar e liderar uma TV, uma rede pública e, ao mesmo tempo, tem que sempre botar à disposição da sociedade, e através da mídia, de modo geral, a informação que é de domínio público. Há uma série de questões que não se discutem na nossa TV comercial. Por quê? Porque isso de se discutir, num primeiro momento, tira a audiência. Então eu acho muito importante que possa se aprofundar o debate.  

Eu acho que podemos fazer um jornalismo muito melhor, aprofundar muito mais. Debater muito mais as questões. Não é apenas publicar uma opinião. Por exemplo, a questão do etanol — eu não tenho visto grandes debates. Você vê reportagem, uma "falinha" de um, sonorinha do outro, mas grandes debates, grandes debates sobre a questão de crescimento econômico, meio ambiente, como eu estava dizendo não tenho visto. Acho que podemos avançar muito mais. Eu não estou com essa satisfação toda em relação à qualidade do que nós já fazemos como jornalismo. Nós podemos fazer muito mais.        

Eu quero ainda dizer o seguinte, que essa história de que a publicidade e a relação com a imprensa não podem estar na mesma estrutura, tem nela um pouco de hipocrisia. Primeiro porque no país inteiro é assim. A começar aqui por São Paulo. Ou seja, quem cuida das verbas de publicidade do governo do Estado de São Paulo é também a estrutura que cuida da relação com a imprensa. Não é uma coisa dividida. Foi assim sempre no país. Por exemplo, no governo Fernando Henrique era assim. Sérgio Amaral foi porta-voz durante 5 anos, e durante 3 anos e acho que 9 meses ele também, ao mesmo tempo, foi o Secretário da SECOM. Quer dizer, então, que esse é um modelo que existe. Mais do que isso, eu acho que podem se manter os guichês separados. Os grandes jornais do país, as grandes televisões, as grandes rádios, as grandes empresas de comunicação, elas têm uma redação e têm um departamento comercial. Os dois respondem ao mesmo dono. Se os donos conseguem manter os departamentos separado eu não entendo por que é que a gente acha que o governo não vai conseguir. Agora, se errar, se houver promiscuidade, se houver confusão, que haja a crítica. Agora, por antecipação, eu acho um pouco demais.                   

O governo e a imprensa tiveram uma relação muito dura, muito difícil nos últimos tempos. Nós atravessamos uma crise política brutal no último ano e meio. Eu diria que essa crise política não foi apenas brutal, foi selvagem, valeu tudo, o esfola e mata, o linchamento, paulada para tudo que é lado. O importante era desqualificar antes para não ter que discutir depois. Quer dizer, essa crise envenenou o país. E quem é que decidiu que ia desintoxicar o país? O eleitor. O eleitor não apenas elegeu o Presidente Lula pelo segundo mandato com a votação de 61%, mais ou menos o mesmo índice que ele teve na eleição anterior. Mais do que isso, o eleitor deixou claro longo de toda a campanha que ele queria um debate público qualificado e que não queria que a desqualificação prevalecesse sobre o debate.        

Vamos dar exemplos: todos os candidatos que partiram para um tipo de enfrentamento que passaram do ponto caíram imediatamente nas pesquisas. Aconteceu isso com a candidata Heloísa Helena, aconteceu isso com o candidato Geraldo Alckmin. Todos os candidatos que recusaram o debate sofreram, cairam imediatamente nas pesquisas. Aconteceu isso com o candidato Lula quando ele não foi ao debate e caiu nas pesquisas. E aconteceu isso com o candidato Alckmin quando ele se recusou a defender os pontos-de-vista históricos do partido na questão da privatização e despencou nas pesquisas. O que o eleitor mostrou o ao longo disso? Ele disse: eu quero um debate qualificado, eu quero discussão dos grandes problemas nacionais. Eu não quero viver nesse clima de esfola e mata. Isso foi um freio de arrumação para todos nós na sociedade. Foi para o governo, que está obrigado a ter uma relação mais tranqüila, mais profissional, mais evoluída com a imprensa e com a oposição. Foi para a oposição que está tendo de procurar o seu rumo porque está ficando claro que não basta aquele velho negócio que dizia, sangrar o Lula até à morte, isso não leva a lugar nenhum. Era obrigado a ter proposta. E a mídia também está tendo de refletir sobre o seu papel.   

Eu não vou aqui, hoje como Ministro, querer falar sobre o que a mídia fez ou deixou de fazer. Mas todos nós, jornalistas, sabemos que a mídia está na berlinda. E a mídia quando vai para a berlinda é ruim para ela. É como juiz de futebol que aparece demais em campo, se percebe a presença dele, mais do que a dos jogadores, há algum problema.   

Então, o que é que vai acontecer? Eu acho que a mídia vai sair melhor disso. Porque a crítica que a sociedade vai fazer, que o ouvinte, o leitor vai fazer, vai forçá-la a fazer uma reflexão e se sair melhor. Então, esse freio de arrumação é bom para todo mundo. A relação do governo com a mídia melhorou já nos últimos meses. Melhorou por quê? Porque a sociedade determinou que melhorasse.        

No mundo, a BBC de Londres é o modelo mais conhecido de TV pública. Independente do estado, é administrada por um conselho formado por integrantes da sociedade e mantida pela própria população. Criou uma marca de qualidade e reconhecimento com uma programação mais rica de conteúdo que as TVs comerciais. No Brasil, o modelo mais próximo de TV pública é o da TV Cultura de São Paulo. Administrada por um conselho Curador e mantida por um misto de verbas públicas, de publicidade e de prestações de serviços, ela também tem uma programação diferenciada com ênfase em cultura e cidadania.   A discussão sobre a televisão pública, que não é nova, é retomada agora com o fórum nacional de TVs públicas que articula para o mês que vem uma definição sobre o papel, a programação, as formas de financiamento e como montar uma rede nacional de TV pública no Brasil. A idéia é ter essas definições até o final do ano, antes da transição para a TV digital. A mudança de tecnologia pode abrir espaços para mais canais de TV. E é essa a oportunidade para ampliar os canais alternativos, oferecendo programação de qualidade, mais voltada ao interesse público do que ao interesse do mercado.        

Uma das questões fundamentais, a meu ver, dentro da TV pública é a criação de um espaço para a produção independente de um projeto que seja capaz de financiar, atrair, organizar a produção independente em todo o país. Um dos problemas da televisão comercial no Brasil é que ela, basicamente, produz praticamente tudo ou quase tudo daquilo que ela veicula, diferentemente de outros países no mundo. Por exemplo, nos Estados Unidos as emissoras são obrigadas por lei a veicular um percentual elevado de produção independente – embora, muitas vezes, a produção independente lá não tenha nada de pequena, seja uma produção de grandes substituídos e etc. Mas se separa a figura de quem produz e quem veicula, de quem dissemina.   

Eu acho que no nosso caso, nós temos que procurar ter não só um fundo como ter uma programação para que você possa ter produção independente enquanto fornecedor regular de boa parte da grade da TV pública. Isso é fundamental para quê? Porque você tem criatividade, inovação. Você traz padrões novos. Você arrisca mais. Quer dizer, a televisão pública, ela tem que ser também o local de experimentação. Ela tem que ter um local onde a novidade encontra espaço e não apenas a repetição que é, de certa forma, um padrão da TV comercial.     

Entidades cobram caráter público das emissoras de TV

Para feministas, meios de comunicação devem ser plurais, abertos às críticas da sociedade e cumprir o papel de concessionários públicos que possuem.  

SÃO PAULO – A convenção da ONU que trata da eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher não traz nenhum artigo em específico sobre a mídia, mas expõe de forma clara os papéis da sociedade e do Estado na luta contra padrões culturais que reforçam preconceitos e estereótipos. No caso das emissoras de rádio e TV, portanto, este papel é duplo. Por um lado, por serem empresas e, por outro, por serem concessionárias de um serviço público, elas não podem atuar de forma a reforçar as desigualdades presentes na sociedade.  

“Existe uma discriminação estrutural milenar contra a mulher. Sua subalternação é histórica e atual, no Brasil e no mundo”, avalia Silvia Pimentel, professora de Filosofia do Direito na PUC-SP, conselheira do Comitê Latino-Americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e membro do Cedaw, comitê da ONU responsável pelo cumprimento da convenção das Nações Unidas sobre o tema. “Por isso, não estamos pedindo nenhum favor, gentileza ou concessão aos meios de comunicação. Estamos exigindo um direito”, afirma.  

Para as feministas, a mídia é o espaço onde as reivindicações das mulheres encontram menos ressonância – se comparado, por exemplo, aos poderes Executivo, Legislativo e até Judiciário.  

“Parece que falamos sozinhas, somos ignoradas. A maioria dos veículos é impermeável, trilha seu caminho sozinha. Não têm diversidade e não têm crítica”, afirma Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia. “Eles dizem que o controle remoto é um equipamento forte de controle de qualidade, mas uma sociedade democrática exige mecanismos participativos não somente em relação ao Estado mas também aos meios de comunicação de massa, em especial à TV. No Brasil não há espaço público de debate sobre estas questões, espaços de soma e articulação das críticas à programação. Isso é perverso, porque, assim, nossa crítica é silenciada. Por isso viemos ao Ministério Público Federal”, explicou Jacira durante a audiência pública realizada nesta segunda (23). 

Para as feministas, as emissoras deveriam ser, inclusive, responsáveis pelas propagandas que veiculam quando essas ofendem a imagem da mulher brasileira e atingem níveis “exorbitantes” de explicitação da mercantilização da mulher. Se a lógica das emissoras é ser sustentada pela propaganda, os canais deveriam, portanto, ser responsabilizados também pelos anúncios que veiculam.  

Uma questão de direitos humanos

A questão da invisibilidade da diversidade feminina na mídia e sua estereotipação nos grandes meios de comunicação é considerada por especialistas como uma forma de violência e de violação de direitos humanos. No caso da mulher negra, a situação é ainda mais grave, porque envolve componentes de racismo, que acabam por determinar o lugar que as negras ocupam na televisão. 

“Quando não é invisível, a mulher negra consegue uma visibilidade perversa na mídia. Nas novelas, por exemplo, elas nunca estão no núcleo principal. Surgem no secundário, desempenhando um papel subalterno aos brancos. Aparecem trabalhando muito, mas em posições inferiores”, relata a advogada Rebeca Duarte, da Articulação de Mulheres Negras. “O que ocorre na TV é, portanto, um crime perpetuado pela naturalização deste papel. A sociedade racista naturalizou o fato das pessoas assistirem à novela, com a mulher negra sempre desempenhando este tipo de papel, sem se indignar”, completa. 

Ou seja, se, por um lado, a condição da mulher negra na mídia é uma reprodução constante da violência sexista e racista que existe na sociedade brasileira, por outro, avaliam, há uma relação direta entre a reprodução midiática feita das negras e a violência e preconceito permanentes que sofrem na sociedade. 

“A forma como as mulheres são retratadas na mídia é inconcebível e humilhante para qualquer ser humano. Temos que mostrar essas humilhações e as possibilidades dos meios de comunicação, que são concessões públicas, cumprirem com sua responsabilidade social e respeitarem os limites da legislação pátria”, defende Teresa Cristina Nascimento Souza, da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.
 

“A comunicação é um direito humano, que pressupõe falar e ouvir, ver e ser visto. Se vemos TV, queremos nos ver na TV. Não somos só a zona sul do Rio de Janeiro. Um retrato mais fiel acusa a nossa realidade: uma diversidade maior do que a mostrada na TV. Somos diversas em conflitos, em reivindicações. Mostrar tudo isso amplia o espectro de formação da nossa subjetividade e é um passo pra consolidação da nossa democracia”, conclui Raque Moreno, do Observatório da Mulher.

 

A matéria original está disponível clicando aqui.

 

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Feministas e emissoras de TV iniciam diálogo

SÃO PAULO – Uma mobilização que teve início no 8 de março deste ano, Dia Internacional da Mulher, resultou num momento considerado histórico pelas feministas na tarde desta segunda-feira (23). Em audiência pública promovida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, dezenas de entidades do movimento de mulheres conseguiram abrir um diálogo importante com as emissoras de radiodifusão acerca da representação feminina naquele que é o meio de comunicação em massa com maior influência no país: a televisão.  

No mês passado, diversas entidades iniciaram a coleta de assinaturas para uma representação feita junto ao Ministério Público Federal solicitando que, durante uma semana, as emissoras de TV exibissem um direito de resposta que garantisse a veiculação de concepções e representações das mulheres alternativas às tradicionalmente pelos canais comerciais. A representação foi entregue, foi aberto um procedimento administrativo e a procuradora Adriana Fernandes decidiu então pela realização de uma audiência pública para coletar subsídios para uma eventual ação contra a programação de TV. 

“Defendemos a liberdade de expressão e valorizamos a tv, que faz parte do cotidiano das mulheres. Por outro lado, nos valorizamos diante da TV: somos 52% da população, compomos a maioria da audiência e somos responsáveis por 80% das decisões de consumo das famílias. No entanto, mesmo assim, não nos vemos representadas na televisão em toda a nossa diversidade”, explica a psicóloga Raquel Moreno, do Observatório da Mulher. 

“Sabemos que a TV não inventa comportamentos, tendências ou valores. Mas ela captura comportamentos e decide a quais dar visibilidade, legitimidade, importância. A partir daí, produz apelos eficientes e valora estilos de vida. De acordo com esses valores, vende produtos, modelos de beleza, vende até felicidade. Faz isso através de personagens de novela, de entrevistadas, de matérias jornalísticas. Como formamos opinião a partir do que vemos e como a televisão exerce uma influência fundamental na formação da subjetividade – posso não ser igual à Gisele Bunchen, mas quero ser um pouco –, é fundamental que a mulher seja retratada de acordo com esta diversidade”, afirma Raquel.  

De acordo com as organizações que participaram da audiência, além de muitos perfis de mulheres serem invisíveis à mídia – somente em 16% das reportagens a mulher é centro das notícias e somente 15% das matérias destacam a desigualdade de gênero –, aquele que é reforçado as retrata de forma estereotipada. Para elas, o modelo feminino disseminado é o da mulher bonita e burra. Há, por exemplo, mais loiras na televisão brasileira do que na francesa. 

As conseqüências desta prática são seríssimas. As brasileiras são as que mais se sacrificam para serem belas. Em 2003, R$ 17 bilhões foram gastos no país em cosméticos e produtos. Os levantamentos recentes sobre número de cirurgias plásticas colocam o Brasil no topo do mundo. Em paralelo, as tramas novelísticas seguem retratando a mulher com base nas relações afetivas que constroem, enquanto o trabalho, por exemplo, não é valorizado como forma de realização da mulher.  

“Ao mesmo tempo em que, no jornalismo, há um aumento de matérias esclarecedoras sobre o papel da mulher, as novelas e os programas de TV mantêm padrões de 30 anos atrás. Ainda passam para os jovens o casamento e a maternidade como únicos objetivos de vida das mulheres. A realização da menina se dá, portanto, quando ela arrumar um homem. Que sociedade é essa que estamos construindo quando passamos para os adolescentes que a mulher só vale pelo seu corpo, pelo que compra ou pelo homem que tem do lado?”, questiona a jornalista Terezinha Vicente Ferreira, da Marcha Mundial das Mulheres. 

Na opinião de Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia, a televisão não precisa ser 24 horas por dia educativa, mas é intolerável que seja anti-educativa diante da influência que exerce nas novas gerações. “Uma coisa sou eu assistir a imagem de uma loira magra na TV como modelo de beleza. Outra são crianças vendo essa imagem e os estereótipos de subordinação representados na mídia. Como o Brasil vai vencer a violência contra a mulher quando a TV sempre coloca a mulher em uma relação de subordinação diante do homem? Se queremos um outro Brasil, se queremos enfrentar a violência contra a mulher, a desigualdade e o preconceito, temos que brigar muito com o padrão de mulher apresentado na TV”, acredita.  

O outro lado

As emissoras presentes à audiência pública desta segunda – a única que não enviou representante foi a Rede Globo, principal alvo das críticas das feministas – foram unânimes ao afirmar que não existe nenhuma política de discriminação à mulher dentro de suas respectivas programações.  

“Nosso jornalismo é feito com total isenção. Cerca de 79% das pessoas que trabalham na emissora são mulheres. Na produção, 174 de 274 funcionários são mulheres”, disse o representante do SBT. “Posso até concordar que as agências de publicidade utilizem formas erradas de representação da mulher, mas às vezes somos obrigados até a veicular o que não queremos”, justificou.  

Record, Rede TV! e TV Bandeirantes, assim como as demais, se disseram abertas ao diálogo. Mas somente a Rede Mulher e a TV Gazeta já se dispuseram a participar de uma mesa de trabalho permanente, com participação do Ministério Público Federal, para analisar a programação das emissoras. As demais enviarão uma resposta do MPF. Nenhuma, no entanto, se dispôs a abrir sua grade para o direito de resposta solicitado pelas entidades feministas. 

“Comercialmente é difícil conseguir espaço pra isso na grade. Temos espaços abertos pra fazer este debate no jornalismo e em programas de mediação. Tenho orgulho de falar com certa tranqüilidade da TV Gazeta, onde trabalho, porque lá não seguimos nem reforçamos os estereótipos da TV comercial”, afirmou a advogada Nicole Hoedemaker, do departamento jurídico da emissora. 

Na avaliação das feministas, é “óbvio” que as emissoras não têm a intenção de discriminar as mulheres, “mas discriminam, porque essa é a ideologia discriminatória da sociedade, que os meios de comunicação absorvem de forma acrítica”, disse Tatau Godinho. “Se esta audiência pública não servir para os representantes das emissoras pensarem como reproduzem estes preconceitos, avançamos pouco”, completa.

 

Para ter acesso à matéria original, clique aqui.

 

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Comunidades criminosas no Orkut

(Esta denúncia foi encaminhada ao Ministério Púbico Federal pela equipe do Observatório do Direito à Comunicação. A pedido da denunciante, seus dados não serão revelados).

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RESUMO
No site Orkut, da empresa google, existem comunidades que fazem apologia à violência contra criancas portadoras de Sindrome de Down; contra mulheres e animais, e de racismo contra mulheres judias.

DENÚNCIA
Venho por meio deste alertar e posicionar-me contra o comportamento conivente e irresponsável da empresa GOOGLE – proprietária do site ORKUT, que se tratando de um veîculo de comunicação da magnitude da Internet deveria ser submetido ao mesmo julgo das leis que regem os demais meios de comunicações.

Assim sendo, não deveria permitir que usuários do ORKUT criassem comunidades de apologia à violência sexual contra mulheres e crianças portadoras de deficiências, ao racismo, à crueldade contra animais, e que pregam discriminações de qualquer natureza.

É com enorme tristeza que relato que a referida empresa vem fazendo vistas grossas ao comportamento ilícito de seus usuários.

Algumas comunidades criminosas:

ANIMAL EU MATO COM FACA II na qual a pagina exibe a foto de um cão sendo esfaqueado;

– TARA EM DOWN, que faz apologia à violência sexual contra crianças portadoras de síndrome de Down.

– AS JUDIAS SÃO AS MAIS PUTAS, de teor nazista e anti-semita com incentivo ao estupro.