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Diretor da MTV defende classificação indicativa

Brasília – A emissora de televisão MTV adotou desde sábado (12) as novas regras para a classificação indicativa de programas televisivos do Ministério da Justiça. Apesar do adiamento da entrada em vigor de três artigos e da suspensão de um outro, a portaria que trata do tema passou a vigorar desde ontem (13). A norma determina que seja divulgada nos programas a classificação por faixa etária e por horário, por meio de símbolos padronizados, incluindo informações na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). 

O diretor de programação da emissora, Zico Góes, disse que as novas normas não são uma "novidade", como argumentam algumas emissoras que são contra a medida. Segundo ele, a portaria, publicada em fevereiro regulamenta normas definidas pela Constituição e discutidas com a sociedade "a exaustão". "Isso não foi uma coisa que caiu do céu, não foi uma canetada do Ministério da Justiça", afirmou, acrescentando que tão pouco as normas podem ser consideradas com censura. 

“Aceitamos [a classificação indicativa] porque concordamos. Sempre discutimos com o ministério a adequação dos critérios. Quem não quis debater na época tinha outros interesses”, disse Góes. “Entendemos que a motivação não é controle do governo e achamos que a portaria está certa e serve para proteger crianças e adolescentes.” 

O diretor da MTV cita que em outros países como Estados Unidos e Inglaterra não existem portarias de classificação de programas televisivos como a brasileira. No entanto, o controle da social sobre o conteúdo da TV é maior. “Nesses lugares o controle é enorme, muitas vezes são sociedades até mais conservadoras. Nos Estados Unidos, por exemplo, não passam palavrões no ar.” 

Zico Góes informou que desde fevereiro, quando a portaria da classificação indicativa foi publicada, a emissora procurou se adequar as novas regras. “Deu trabalho, mas já estávamos esperando por isso.” 

A época, a emissora exibia símbolos estipulados pelo Ministério da Justiça na grade da programação. Com a entrada em vigor de parte da portaria, a MTV ampliou a exibição dos símbolos e adotou libras nas indicações. 

O processo que definiu a classificação de programa televisivos começou há três anos no Ministério da Justiça. Um grupo de trabalho formado por representantes do governo federal, de emissoras de televisão e da sociedade civil discutiu as novas regras, que ainda foram debatidas em audiências e consultas públicas. Normas de classificação indicativa de programação para o cinema foram publicadas em julho de 2006.

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Plano da Anvisa prevê restrições à bebidas alcoólicas

A regulamentação da propaganda comercial de bebidas alcoólicas é uma das medidas previstas na Política Nacional sobre o Álcool (PNA) que deverá ser lançada através de um decreto presidencial nos próximos dias. A PNA prevê, através de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a proibição da veiculação de propaganda de bebidas com teor alcoólico acima de 0,5 graus entre 8h e 20h e a inclusão de frases de alerta contra os males causados pelo álcool mais contundentes. As emissoras de rádio e televisão terão 180 dias para se adaptar à nova regra. 

Também está prevista a proibição da vinculação do consumo de bebidas alcoólicas ao prazer, ao sucesso, à juventude e aos esportes. O ministro da saúde, José Gomes Temporão, inclusive, defende a proibição da participação de pessoas famosas nas campanhas. O objetivo do governo com a PNA é reduzir os danos causados por conta do uso indevido do álcool. 

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) apóia a restrição à publicidade de bebidas alcoólicas através da resolução da Anvisa.  O conselheiro da organização, Vidal Serrano Nunes Júnior, argumenta que a resolução da Anvisa estará, certamente, amparada pela Constituição e pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC)”. Diz Serrano: “É anti-ético fazer dos jovens o alvo principal das campanhas de bebidas. É enganosa a propaganda que vincula cervejas a mulheres bonitas, esportes, sucesso e êxito na vida e, ao mesmo tempo, não informa os males à saúde que o consumo do álcool provoca”.

 “A publicidade comercial tem como objetivo vender produtos, o que a diferencia da informação, amplamente protegida pela lei. É um equívoco afirmar que restringir a propaganda de bebidas alcoólicas é ferir a liberdade de manifestação. Nesse caso da resolução da Anvisa, não serão atingidos direitos fundamentais, mas respeitados os termos do capítulo da ordem econômica da Constituição”, afirma Serrano.  

Resistência natural

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), divulgou, na semana passada, nota afirmando que a Anvisa não tem competência para legislar sobre restrições à propaganda comercial de bebidas alcoólicas. Onze entidades assinaram a nota, entre elas associações de anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação. O Conar sustenta que o artigo 220 da Constituição prevê que compete à lei federal impor restrições à propaganda de tabaco, bebidas alcoólicas, medicamentos, agrotóxicos e terapias.

 

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Padrão norte-americano não serve para o Brasil, diz Frente

A Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital apresentou na última segunda-feira (14/05) documento em resposta à Consulta Pública nº 771, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que propõe Critérios e Procedimentos para Avaliação do Sistema de Rádio Digital IBOC. Foi a primeira vez que a Anatel colocou sob consulta o tema da digitalização dos sistemas de rádio.

Entre outras questões, o texto aponta que não há justificativas para a Consulta se referir exclusivamente ao padrão norte-americana IBOC, já que o padrão livre DRM (Digital Radio Mondiale) também recebeu autorização da própria Anatel para ser testado. 

Especificamente em relação ao padrão, o documento destaca a preocupação das entidades na interferência que uma emissora IBOC causa em outras emissoras de baixa potência, notadamente em rádios comunitárias. Outra questão que afeta diretamente a sobrevivência de algumas rádios é o fato do padrão ser proprietário e possui uma lógica de licenciamento que é “economicamente inviável para emissoras públicas e mesmo as comerciais de pequeno porte”.

Fato consumado e metodologia

O documento das entidades também alerta sobre o potencial “fato consumado", na medida em que as grandes emissoras já estão comprando equipamentos pertencentes ao padrão norte-americano. As entidades da Frente afirmam que “num futuro próximo, esse parque de transmissores ‘já instalados’ pode se tornar um argumento para inviabilizar a definição por qualquer outro padrão”.

Outra questão apontada pelas entidades se refere à metodologia de avaliação, que “indica a realização de testes pulverizados, em lugar de um teste mais amplo realizado por um consórcio de entidades”, citando como exemplo a ser seguido o método realizado com a TV Digital em São Paulo. Ainda no âmbito da metodologia, o documento critica a falta de clareza em relação à amostragem nas diversas etapas dos testes. “Na falta deste plano, qualquer resultado ‘quantitativo’ terá um aspecto tecnicamente frágil, pois um resultado num caso específico não será indicador seguro de que aquele comportamento se dará em todas ou pelo menos na maioria das situações”.

A Frente também reivindica transparência, equidade e publicidade na realização dos testes, por meio de uma maior participação de outros atores da sociedade. Ela também questiona o fato da Consulta tratar o tema como uma mera substituição dos receptores analógicos por outros de melhor qualidade, digitais. De acordo com o documento, “trata-se de uma mudança de paradigmas (…) rumo a um mundo mais convergente e integrado”.

O documento é assinado pelas entidades do Grupo de Trabalho Nacional da Frente: Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social; Fittel – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações; Sintpq – Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia SP; Amarc – Associação Mundial de Rádios Comunitárias – Brasil; Abraço – Associação Brasileira de Rádios Comunitárias; FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e; Comunicativistas (RJ).

 Para fazer o download do documento, clique aqui.

 

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Microsoft acusa comunidade de software livre de violar 235 patentes

Em entrevistaà revista Fortune, vice-presidente de propriedade intelectual e licenças da Microsoft, Horacio Gutierrez, disse que a comunidade de desenvolvedores de software livre, violou 235 patentes registradas pela companhia, que quer que distribuidores e usuários desses programas comecem a pagar royaltiespor essas patentes. Segundo ele, o kernel do Linux viola 42 patentes e a interface gráfica de distribuições Linux viola outras 65 patentes. “Não é o caso de algumas infrações acidentais. Há um grande número de patentes sendo quebradas”, disse Gutierrez.

Na mesma entrevista, odiretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, outras 45 patentes são violadas pela comunidade OpenOffice.org. O advogado afirmou ainda que foram violadas outras 15 patentes relativas a programas de e-mails e 68 relacionadas a programas diversos, mas não deu detalhes sobre quais tecnologias foram supostamente copiadas, mas garantiu que a empresa tem todas as informações sobre o caso documentadas.

Desde novembro do ano passado, a Microsoft trabalha em parceria com a Novell no desenvolvimento de soluções de interoperabilidade entre produtos para Windows e para Linux, após a assinatura de um acordo em novembro do ano passado por meio do qual a Microsoft vai oferecer licenças do sistema operacional Windows como parte de um pacote de manutenção e suporte à plataforma SuSE Linux, da Novell, que havia sido alvo de uma ação da Microsoft envolvendo seus sistema. Na semana passada, a Dell entrou no acordo, se tornando a primeira grande fabricante a se alinhar às duas empresas.

A Microsoft fez outros acordos com fabricantes de hardware. Em abril, a Samsung e a empresa assinaram um acordo de compartilhamento de licença que inclui uma cláusula que indenizaria a Samsung contra acusações de quebra de patente envolvendo Linux.

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Brasil tem maior número de desenvolvedores de software livre

O cenário do impacto do software livre no mundo começa a se desenhar com a divulgação dos primeiros resultados do projeto Free Libre Software Open Source (FLOSSWorld), patrocinado pela União Européia.

Estudo apresentado na sexta-feira (11/5), último dia do 2º Workshop Internacional do projeto FLOSSWorld, em Bruxelas, na Bélgica, por técnicos da Universidade de Maastricht, da Holanda, mostra que o Brasil tem o maior número de desenvolvedores de softwares de código aberto, dentre os países que participaram da pesquisa.

O levantamento feito no Brasil chegou ao número de 541 desenvolvedores, que responderam ao questionário sobre seu grau de envolvimento com o tema software livre. O segundo país com maior número de desenvolvedores foi a Argentina, onde 115 responderam ao questionário. As perguntas foram elaboradas pela universidade holandesa, que ficou responsável por compilar os dados levantados por instituições acadêmicas, de governo e não-governamentais dos países participantes –– Brasil, Argentina, China, Bulgária, Malásia, Tailândia, África do Sul e Croácia.

De acordo com o técnico da Universidade de Maastricht, Ghott Rüediger, que apresentou os dados sobre os desenvolvedores e empregadores da área de tecnologia da informação, a média de idade dos desenvolvedores é de 29,6 anos, sendo que a idade média desse grupo no Japão foi a maior encontrada. Naquele país, os desenvolvedores têm, em média, 32,6 anos. E na China os mais jovens dominam o segmento. O país tem a menor média de idade no segmento desenvolvedores, 25,5 anos. Os dados do Japão foram anexados à pesquisa, segundo Rüediger, devido a uma colaboração voluntária de um desenvolvedor, que aplicou o questionário no país com o apoio de uma empresa privada.

Em termos de gênero, a participação feminina entre os desenvolvedores, na média dos países, ficou em 6%. A maior média foi a da Malásia, que tem 23% de desenvolvedores mulheres e a menor comunidade de desenvolvedoras está na China, 11% do total. “Parece que a representatividade feminina é pequena no mundo do software livre, mas ainda temos que ouvir as instituições, ter um retorno para entender esses e outros dados. Por isso, pedi aos participantes do projeto que nos ajudem a interpretar os dados encontrados relativos a cada segmento, empresas, desenvolvedores e universidade”, disse Rüediger.

Entre os desenvolvedores, dois terços têm nível superior de formação, 61% deles estão empregados, 21% trabalham por conta própria, 16% são estudantes e 2% fazem parte da comunidade de software livre. Uma das conclusões do estudo é que o fato de saberem trabalhar com software livre faz com que desenvolvedores tenham um melhor salário. Os melhores salários de desenvolvedores que trabalham com software livre estão na África do Sul, Brasil e Argentina.

Rüediger ressaltou que os dados compilados podem não representar totalmente a realidade do software livre nos países pesquisados, já que nem todas as instituições contatadas responderam aos questionários. De qualquer forma, os participantes do projeto FLOSSWorld, em geral, ressaltam a importância do estudo que, pela primeira vez, traz à luz dados sobre o impacto do software livre com uma dimensão tão extensa e um grau de cooperação entre tantos países. “Sequer sabíamos dados sobre o desenvolvimento do software livre no Japão, ou mesmo na China. Agora, há cenário sobre o qual podemos nos debruçar”, destacou.

Active Image publicação autorizada.