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Repórter-fotográfico é agredido em Brasília

O repórter-fotográfico do Jornal de Brasília, Davi Zócoli, em ato público pela cassação do deputado distrital Pedro Passos (PMDB) ocorrida na tarde do dia 24/5/07 em frente à entrada principal da Câmara Legislativa, foi atingido por socos de cabos eleitorias do deputado. A truculência foi coordenada pelo filho do deputado, Fernando Passos.

O agressor chegou a ser detido por policiais militares que estavam na viatura 1721. Os policiais prometeram encaminhá-lo para a 2ª DP, mas, estranhamente, não o fizeram. Davi Zócoli registrou queixa contra o agressor na 2ª DP e depois foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exame de corpo delito. Na delegacia, ele esteve acompanhado pelo editor-executivo do Jornal de Brasília, Marcelo Agner, e secretário geral do Sindicato, Paulo Miranda.

Em conversa com o delegado Antônio Romeiro, Agner e Miranda pediram prioridade para a apuração da ocorrência a fim de agilizar a identificação do agressor e a sua punição.

Igrejas evangélicas querem incentivos da Lei Rouanet

A classe artística e grande parte do setor cultural, depois da polêmica criada recentemente com a Lei de Incentivo ao Esporte, teme agora ter que dividir recursos com as igrejas. A ameaça vem de um Projeto de Lei que tramita no Senado que propõe incluir os templos religiosos entre os beneficiários da Lei Rouanet de incentivo à cultura. Para o autor da matéria, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), as religiões e seus templos devem ser reconhecidos como elementos do patrimônio cultural. Crivella é sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.  

A controvérsia espalhou-se rapidamente na internet por meio de diversos textos de protesto que rechaçam a idéia do senador, e ainda na forma de uma petição eletrônica endereçada ao Congresso pleiteando que a Lei Roaunet continue a ser usada em favor da cultura brasileira e não para “trampolinagens pseudo-religiosas”, conforme argumenta o documento que já teve a adesão de milhares de pessoas. Se o projeto for aprovado, prossegue o texto, “templos de qualquer natureza ou credo religioso, também poderão ser beneficiados”.  

Procurado por esta reportagem, Crivella por meio de sua assessoria, afirmou que a emenda apenas sugere uma alteração conceitual. “A religiosidade também é uma manifestação cultural, o texto propõe esse reconhecimento”, observou um assessor que não concordou em ser identificado. O senador, no entanto, parece esboçar um recuo ao pedir atenção para um detalhe do texto que, segundo ele, especificaria que os recursos apenas poderiam se utilizados em templos do século passado, tombados como patrimônio histórico.  

Para a classe artística a defesa apresentada pelo político é uma forma de camuflar a verdadeira intenção. “O que o senador Crivella quer é um absurdo, se fosse realmente para preservação de patrimônio histórico então não seria necessário, já está na lei. Claro que a intenção é de abrir uma brecha”, ressalta Jô Soares. Ele aproveita para reclamar da falta de políticas que tornam o setor cada vez mais vulnerável. “Apesar do Ministério da Cultura estar sob a direção do [Gilberto] Gil, um dos maiores artistas brasileiros, e meu amigo, a atenção dada ao teatro e à classe artística é muito pequena”.  

Outra voz indignada com o projeto do senador Crivella é a do ator e autor Juca de Oliveira. Ele observa que os recursos da Lei Rouanet são atualmente insuficientes para as demandas da cultura, e adverte para a as graves mazelas do setor. “Bibliotecas estão sucateadas, obras de arte encontram-se abandonadas em porões de museus, por falta de recursos para recuperação, jovens não conseguem realizar seus sonhos, não me refiro apenas ao teatro, mas à dança, à música e a outros meios de expressão artística, ainda assim o senador quer dar uma ‘mordidinha’ na Lei Roaunet”.  

O senador Crivella procura justificar sua idéia afirmando no texto do Projeto de Lei que “nada expressa melhor a formação da cultura brasileira que o caldeamento das diversas religiões, seitas, cultos e seus sincretismos, que, durante séculos, moldaram o processo civilizatório nacional”. Por meio de seus assessores afirma ainda que os recursos seriam provenientes do mecenato, e que, portanto, não disputariam com a cultura. Para o produtor artístico Nilson Raman, o argumento só indica outro obstáculo a ser enfrentado: as distorções da Lei Roaunet. “Ela foi criada em um tripé: Fundo Nacional de Cultura [FNC], para os projetos que não tem visibilidade comercial; Mecenato para parcerias público-privadas e o Fundo de Incentivo Cultural à Arte [Ficarte], para atender grandes produções. Apesar disso, todos ficam no Mecenato, parece que só existem recursos do Mecenato”. O Projeto de Lei do senador Crivella aguarda para ser votado no plenário do Senado, se for aprovado segue para a Câmara, segundo informações da Subsecretaria de Comissões Permanentes do Senado.

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Teles e elétricas brigam por cálculo para compartilhamento de postes

A consulta pública que propõe uma metodologia de cálculo para um preço de referência em contratos de compartilhamento de infra-estrutura recebeu 94 manifestações do setor de telecomunicações, entre operadoras de TV por assinatura, concessionárias e autorizatárias. De maneira geral, as empresas elogiaram a iniciativa de buscar um valor a ser usado na solução de eventuais conflitos entre as empresas do setor elétrico, donas da infra-estrutura, e de telecomunicações, mas fizeram uma série de ressalvas ao texto. A mais recorrente delas recai sobre o repasse de parte do custo de instalação da infra-estrutura usada na distribuição de energia elétrica às empresas solicitantes de compartilhamento do setor de telecomunicações. Várias manifestações criticaram a medida, considerada injusta e improcedente.

”O único custo que poderia ser repassado às empresas solicitantes é o custo relativo ao incremento das despesas de manutenção preventiva e corretiva decorrente diretamente do compartilhamento”, destaca a Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp). A entidade pondera que a metodologia que foi à consulta pública ainda necessita de ajustes para alcançar um justo equilíbrio entre os dois setores.

A Telefônica destaca em sua manifestação a necessidade de que a livre negociação entre as distribuidoras de energia elétrica e as prestadoras de telecomunicações continue a existir. “A presente proposta metodológica de cálculo de preço deve ser válida exclusivamente como referencial para resolução de conflitos, não ensejando revisão dos contratos vigentes e tampouco motivando disputas na renegociação de contratos”, diz a concessionária em sua contribuição. A empresa se diz preocupada com a possibilidade de transferência de valor do setor de telecomunicações para o setor de energia elétrica e reclama da assimetria de informação entre as empresas dos dois setores envolvidos.

A Telefônica propõe a adoção de uma metodologia de custo incremental no lugar da apresentada na consulta pública, que prevê a divisão dos custos entre os setores. O pleito é repetido pela Abrafix, que reúne as concessionárias de telefonia fixa, e por todas as demais associadas. “Este modelo vem sendo largamente aplicado na precificação de elementos de infra-estrutura de setores regulados em todo o mundo”, justificam as empresas.

BNDES aprova financiamento de R$ 1,5 bilhão para a Vivo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta segunda-feira (28/5), a aprovação de R$ 1,5 bilhão para financiar a implantação da rede GSM da Vivo. Parte dos recursos também será usada para a expansão da capacidade de tráfego nos 19 estados atendidos pela operadora. A Vivo é a única companhia do país a apostar na tecnologia CDMA para celulares de terceira geração, enquanto suas concorrentes optaram pelo GSM.

A rede GSM ficará sobreposta à atual CDMA, que hoje cobre 2.295 municípios. A empresa possivelmente não ampliará a cobertura CDMA para outras cidades, mas investirá na melhoria de qualidade e na expansão de capacidade para suportar o crescimento da base de assinantes.

O projeto da Vivo prevê que até julho deste ano todos os municípios estejam cobertos pela tecnologia GSM, igualando a área de cobertura da rede original CDMA. A empresa concentrará os investimentos em 2008 no aumento gradual da capacidade de tráfego da nova rede GSM em função do crescimento da base de assinantes.

A operadora também vai usar o empréstimo do BNDES para atualização tecnológica da rede. A implantação da rede GSM permitirá, no futuro,a migração dos serviços do grupo para a terceira geração da telefonia móvel, conhecida como 3G. A principal vantagem 3G, já em uso em diversos países da Europa e Ásia, reside na capacidade de tráfego em faixa larga de freqüência, se comparada com a tecnologia atualmente utilizada no Brasil, possibilitando acesso à Internet em alta velocidade e outras aplicações como videoconferência.

Apesar de ainda liderar o mercado brasileiro de telefonia móvel, a Vivo vem perdendo espaço nos últimos meses. Em abril de 2006, por exemplo, a Vivo respondia por 33,35% dos 90,584 milhões de celulares ativos do país, segundo a Anatel. No mês passado, a participação caiu para 28,34% dos 102,875 milhões de linhas existentes. Segundo os especialistas, a opção pelo CDMA é um dos fatores que comprometeram a competitividade da companhia.

O BNDES já aprovou financiamentos no valor de R$ 19,5 bilhões para as empresas de telecomunicações desde a privatização do setor, em 1998. O apoio do Banco gerou investimentos de cerca de R$ 60 bilhões na economia brasileira, no período. No ano passado, foram aprovados R$ 4,5 bilhões para a área de telecomunicações, destinados a projetos de expansão da rede e atualização tecnológica.

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Provedores de internet se queixam do predomínio das teles no mercado

O Brasil já teria feito a inclusão digital se houvesse concorrência e isonomia no tratamento entre as concessionárias de telecomunicações, e os prestadores de serviços de comunicação multimídia (SMC) e provedores de internet. Assim pensa Manoel Santana, presidente da Abramulti, associação brasileira que reúne os prestadores de serviços de comunicação multimídia (SCM) e provedores de Internet. Ele afirma que todas as concessionárias adquiriram provedores de intenet gratuitos, promovendo uma concorrência desleal com os provedores não-subsidiados, diminuindo drásticamente a concorrência. “Até 2000 tínhamos 3 mil provedores de acesso no país, número que crescia rapidamente, e, com a entrada dos provedores gratuitos fornecidos pelas operadoras, que contam com subsídios que não foram oferecidos também aos provedores independentes, houve uma quebradeira geral. Hoje as operadoras dominam mais de 90% do mercado de internet discada”, avalia Santana.

A Abramulti é contrária à aquisição, pelas concessionárias, de mercados adjacentes ao mercado das teles (STFC), ou mesmo à implantação de novas empresas no mesmo grupo, para atuação nestes mercados. A justificativa, segundo Santana, seria a dificuldade de entrada em operação de novas empresas em um setor que vem sendo dominado pelas concessionárias de telecomunicações. Segundo Santana, a cláusula 3.1 do contrato das concessionárias as impede de prover Serviços de Valor Adicionado (SVA). E afirma que as dúvidas quanto ao provimento de acesso à internet ser ou não um SVA foram “dissipadas quando o Supremo Tribunal de Justiça transformou em súmula a decisão de que considera o provimento de acesso à internet um SVA”. Ele ressalta que as concessionárias, ao contrário do que prega a legislação vigente, especialmente o Art. 86 da Lei Geral de Telecomunicações, vêm recebendo autorizações para atuar em todas as áreas vetadas por lei, por meio da constituição de novas empresas para prestar esse serviço.

Mas a Abramulti contesta esse procedimento, alegando que as empresas criadas permanecem no mesmo grupo econômico das concessionárias. “Nós avaliamos que uma lei não teria qualquer eficácia se, para ser burlada, bastasse constituir uma nova empresa”, salientou. Segundo o presidente da entidade, a intenção do legislador, quando formulou o Art. 86 da LGT, foi evitarque os mercados adjacentes fossem contaminados por quem detém todos os meios de transmissão. E reforça que “essa intenção tem que ser levada em conta. Isso não pode ser burlado simplesmente pela criação de uma nova empresa.” Santana considera que a solução seria as concessionárias venderem a porta ADSL abertamente a todos os provedores, da mesma foram que vendem a porta dial (de conexão discada). “Dessa forma haveria dezenas de provedores concorrendo por serviços melhores e com menor preço, em um mercado saudável.” Mas lembra que, para tanto, seria necessária a desagregação de rede e serviços das concessionárias. A Abramulti entrou com uma ação, na Justiça Federal, contra a prestação de SVAs pelas concessionárias ou por empresas do mesmo grupo econômico.

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