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Record é suspeita de falsidade ideológica na aquisição de emissoras

O Superior Tribunal de Justiça confirmou o desmembramento do processo que investiga crimes de falsidade ideológica nos contratos que envolvem a aquisição de ações de emissoras da Rede Record. Com a decisão, caberá à Justiça Federal de Minas Gerais analisar o inquérito que apura a suspeita de crimes praticados por pessoas ligadas à Rede Record, a partir de notícias de que pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, embora formalmente acionistas das emissoras da rede, não passariam de “laranjas” da instituição. A suspeita é a de que a Igreja é a verdadeira gestora do canal de comunicação.

O posicionamento da 3ª Seção do STJ foi firmado no Conflito de Competência apresentado pela Justiça Federal de São Paulo, onde tramita a Ação Penal Originária. A pedido do Ministério Público, cópias dos autos deste inquérito policial haviam sido encaminhadas para Varas Federais das localidades que são sede das emissoras da Rede Record, sob a justificativa de ser o local de consumação dos crimes eventuais.

A 9ª Vara Criminal de Minas Gerais entendeu haver conexão entre os delitos do processo desmembrado e do processo originário, de São Paulo, e devolveu os autos à 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Desta divergência, surgiu o conflito que chegou ao STJ.

Na 3ª Seção, o relator, ministro Arnaldo Estevs Lima, esclareceu que o caso se enquadra na hipótese do Código de Processo Civil (artigo 80) de desmembramento facultativo, por se referir à prática de infrações em diversos estados, com participação de inúmeras pessoas.

Segundo o relator, o desmembramento é conveniente por serem complexas as ações apuradas no inquérito policial originário. A demora na instrução só beneficia os criminosos, de acordo com ele.

Brasileiro vai pagar mais que europeu e japonês por conversor

Os brasileiros terão de desembolsar um valor bem mais alto que europeus e japoneses para terem acesso à TV digital. O conversor (set top box) que será responsável por permitir que os televisores analógicos possam captar o sinal digital transmitido pelas emissoras deverá custar algo em torno de 800 reais, segundo representantes da Philips e da Semp Toshiba, duas das empresas que deverão colocar no mercado o equipamento no final do ano. Durante reunião do fórum de TV digital, realizada na última segunda-feira em Brasília, chegou-se a aventar a que o aparelho custaria até 1.700 reais, possibilidade descartada por boa parte dos participantes. Na Europa, paga-se hoje pelo conversor entre 60 e 90 euros (153 a 230 reais), dependendo do país. Já os japoneses desenbolsam cerca de 75 dólares (143 reais).

O preço brasileiro também está bem acima do previsto pelo ministro Hélio Costa (Comunicações), de 100 dólares (191 reais). Uma das explicações dos fabricantes nacionais é tecnológica. "Teremos no país o melhor conversor do mundo", afirma Walter Duran, diretor de Tecnologia da Philips. "Obviamente que é impossível que seja o mais barato." De acordo com as normas definidas pelo governo federal, o set top box será equipado com um chip de última geração, o H264, capaz de receber sinais em alta definição. A norma favorece as emissoras de TV, que poderão, daqui a alguns anos, produzir programas com a qualidade necessária para exportá-los para qualquer país do mundo. "Poderemos ser produtores, e não consumidores, de conteúdo audivisual", afirma o professor Marcelo Zuffo, especialista em TV digital da Poli-USP.

Outras explicações da indústria para os preços altos são a falta de escala nos primeiros meses de produção do conversor e a necessidade de amortizar os investimentos realizados no desenvolvimento do equipamento. Com o passar do tempo, entretanto, a tendência é de que os chips fiquem mais baratos. "Acredito que o preço do conversor poderá cair 10% ao ano e até mais do que isso nos primeiros 12 meses de comercialização", diz Roberto Barbieri, diretor técnico da Semp Toshiba.

Cientes de que o preço de 800 reais ainda deve ser proibitivo para boa parte dos brasileiros, os fabricantes de conversores negociam com o governo incentivos fiscais para baratear a produção e também linhas de crédito para facilitar a aquisição dos aparelhos pelos consumidores. A lei 11.484/07, que estabeleceu incentivos para os investimentos em TV digital, não incluiu os conversores. Os benefícios se restringiram à construção de uma fábrica de chips no Brasil – o que não aconteceu até o momento – e ao desenvolvimento de equipamentos transmissores de sinais. Por esse motivo, é provável que todas as empresas que decidirem produzir o conversor no Brasil – em sua maioria fabricantes de televisores ou de componentes – deverão criar linhas em suas plantas na Zona Franca de Manaus, onde terão incentivos para importar peças e pagarão menos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Sem interatividade

Para não atrasar o início das transmissões da TV digital, esperadas para dezembro, o mais provável é que os primeiros conversores colocados no mercado não estejam equipados com o Ginga, software que será a base para as funções de interatividade do equipamento. O Ginga está sendo desenvolvido por centros de pesquisa brasileiros, mas, segundo fabricantes, só terá sido testado e poderá ser acoplado ao conversor com a confiabilidade necessária para a comercialização em meados do próximo ano. O custo para a inclusão do Ginga no conversor ainda não está claro porque as normas técnicas de sua estrutura ainda não foram definidas. Para Takashi Tome, pesquisador da diretoria de TV digital do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), a inclusão do Ginga elevaria o preço do conversor para cerca de 1.000 reais. Já Zuffo, da USP, acha que o custo de inclusão seria de apenas um ou dois dólares.

Sem o Ginga, a TV digital brasileira perderá um de seus atrativos: a interatividade. Em um primeiro momento, a interatividade permitiria ao telespectador, por exemplo, escolher o ângulo em que gostaria de assistir uma partida de futebol ou a cor da roupa de um ator da novela. No futuro, a interatividade evoluiria e incluiria também um canal de retorno. Dessa forma, além de escolher o que quer receber o telespectador também poderia enviar informações para a emissora de TV por meio de seu próprio aparelho. Isso seria útil, por exemplo, em um programa em que um dos participantes possa ser eliminado a partir de votação do público.

Sem a interatividade, a principal atração da TV digital será a melhor qualidade de imagem e som. Para aproveitar esse avanço, além do conversor, o consumidor brasileiro deverá possuir também um televisor capaz de exibir imagem e som de alta definição, como alguns modelos de plasma e LCD. Outra vantagem será a possibilidade de gravar programas dentro do conversor e assisti-los em horários diferentes. Todo o potencial da TV digital, entretanto, só poderá ser mensurado quando o governo oficializar as normas técnicas que vão caracterizar aparelhos receptores e transmissores. Por enquanto, o principal ponto de consenso entre fabricantes e pesquisadores é que será necessário reduzir os preços para popularizar a TV digital no Brasil. "Se os preços não caírem, em breve estaremos importando conversores da Ásia", alerta Zuffo, da USP.

Edir Macedo pede veto a vídeo no You Tube em que ensina a tirar dinheiro dos fiéis

Dono da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo entrou com ação na Justiça pedindo a proibição de vídeos no site YouTube, do Google, em que ele e a Igreja Universal do Reino de Deus são 'alvo de difamação, calúnia e injúria'. Embora a ação atinja todos os vídeos considerados difamatórios, a meta de Macedo é proibir material da Globo, veiculado pelo 'Jornal Nacional' em 1995, em que o líder da Universal aparece ensinando pastores, em intervalo de um jogo de futebol, a tirar dinheiro dos fiéis da igreja evangélica.

Esse vídeo aparece em dezenas de cópias e versões no YouTube _há até legendadas e musicadas. O atual campeão deaudiência foi visto por quase meio milhão de pessoas em menos de três dias no site. A ação corre desde fevereiro. Macedo pediu a proibição dos vídeos com urgência, mas a Justiça negou liminar. Em uma outra ação, o bispo conseguiu no final do ano passado uma liminar obrigando o Google abloquear todas as mensagens difamatórias no Orkut (site de relacionamentos).

No entanto, ontem era possível acessar várias mensagens agressivas. Felix Ximenes, diretor de Comunicação do Google Brasil, diz que essas mensagens são novas e que serão excluídas. Ele afirma que o Google cumprirá as decisões da Justiça e que no caso dos vídeos bastaria um pedido da Globo, pois os direitos de imagem são dela.

Portaria não viola liberdade das emissoras, afirma MJ

A polêmica que envolve a Portaria 264 do Ministério da Justiça, que regulamenta a Classificação Indicativa dos programas de tevê aberta, continua acessa. No centro dos debates está José Eduardo Elias Romão, diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça (Dejus), órgão responsável pelo documento.

Em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje (dia 18), Romão, defendeu a autonomia das emissoras. De acordo com ele, a classificação é somente indicativa e o Dejus não tem nenhum poder de policiar nem punir, somente de monitorar os conteúdos que são transmitidos. O diretor defende que não é verdadeira acusação de que o Ministério da Justiça pretenda se colocar no lugar dos pais e nem cercear a liberdade das emissoras. Em casos de inadequação, o Poder Público classifica ou reclassifica o produto e o encaminha ao Ministério Público, que irá analisar sua procedência e pode encaminhar ao Judiciário.

Se o programa já foi classificado, a emissora terá duas advertências, para que justifique a razão pela qual aquela inadequação foi ao ar. Se a emissora diz que não há inadequação ou tenta rechaçar, o ministério pode reclassificar o programa. As emissoras que descumprirem uma classificação do Ministério da Justiça não sofrerão qualquer punição e não terão de mudar o programa de horário, inicialmente. Somente depois de uma decisão do judiciário é que elas terão de responder pelo ato.

Segundo Romão, os critérios que regulam a classificação foram definidos por lei e os indicadores são objetivos. De acordo com ele, a autonomia dos conteúdos noticiosos, independente da qualidade do jornal, também está assegurada.

No dia 9 de fevereiro, o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça publicou a Portaria 264, que regulamenta a Classificação Indicativa dos programas de tevê aberta. Desde então, a redação do documento tem gerado polêmica.

De um lado estão membros de organizações da sociedade civil, que, do dia 30 de maio, entregaram carta aberta favorável à política, assinada por 93 especialistas, autoridades e entidades; de outro, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que questiona alguns pontos do documento.

Os artigos da Portaria que mais têm gerado polêmica são o 15, o 19, o 20 e o 21, que dispõem sobre a padronização dos símbolos que informam a classificação dos programas de TV, a necessidade de informar a faixa etária em chamadas e traillers da programação e a vinculaçãoentre faixa etária e horária. Este último item, inclusive, está suspenso por decisão do Superior Tribunal de Justiça, que concedeu mandado de segurança em favor da Abert.

Na próxima quarta-feira (dia 20), ocorre audiência pública na sede do órgão federal. O encontro irá reunir representantes das empresas de comunicação que questionam os pontos do documento e organizações da sociedade civil favoráveis à política. Esta é a terceira audiência pública promovida pelo Ministério desde a publicação da Portaria 264.

A audiência ocorre no AuditórioTancredo Neves, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, das 14h às 17h.

 

 

 

 

Emissoras recusam reivindicações de feministas

SÃO PAULO – Tudo parecia caminhar para um consenso, até os interesses comerciais se imporem. Em abril passado, após uma audiência pública convocada pela Procuradoria dos Direitos do Cidadão em São Paulo, entidades do movimento feminista e emissoras de televisão aceitaram abrir um diálogo para debater as formas de representação da mulher na mídia. A audiência foi resultado de uma representação entregue pelas entidades ao Ministério Público Federal (MPF) solicitando direito de resposta nas TVs. De acordo com as organizações, além de muitos perfis de mulher serem invisíveis à mídia, aquele que é reforçado as retrata de forma estereotipada. Teve início então uma série de encontros das entidades com cada uma das emissoras, para discutir sua grade de programação. Participaram desta rodada Bandeirantes, Gazeta, Globo, MTV, Cultura, Record, SBT e Rede TV!

Na última quinta-feira (14), todas se reuniram no MPF em São Paulo para um acordo extra-judicial, mediado pela procuradoria. As organizações feministas abriram mão do direito de resposta solicitado inicialmente e apresentaram às emissoras uma proposta alternativa, baseada no seguinte tripé:

– um calendário de cobertura de pautas e campanhas institucionais, que dessem visibilidade a datas e temas importantes para as mulheres, como a questão da violência doméstica, da desigualdade de gênero no trabalho e da mortalidade materna.

– um ou dois programas para discutir um tema de interesse mútuo às organizações e emissoras

– uma mesa de diálogo permanente, que já havia sido proposta na audiência pública, de forma que as organizações pudessem contribuir constantemente no debate sobre a representação da mulher na TV. A mesa também seria um espaço de retorno para as emissoras de como a sociedade recebia sua programação.

“Percebemos que uma semana de direito de resposta, de certa forma, assustava as emissoras; isso interromperia sua programação de forma brusca. Então, para atingir o objetivo de resgatar a auto-estima da mulher e de fazê-la se sentir representada da melhor forma, fizemos uma proposta para compatibilizar a programação de cada emissora, seu público, e nossa reivindicação”, explicou a psicóloga Raquel Moreno, do Observatório da Mulher, uma das entidades envolvidas no processo. Segundo ela, durante as reuniões, muitas emissoras se mostraram aberta a esta proposta.

No momento de selar o acordo diante do Ministério Público Federal, no entanto, as emissoras recuaram. Representadas pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras e Rádio e Televisão) e pela Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores) elas afirmaram que não aceitam nenhuma “interferência externa” na organização da sua programação. Falando em nome da Bandeirantes e da Rede TV!, o assessor da Abra disse que a prerrogativa da organização da programação é das emissoras.

“O diálogo com a sociedade civil é fundamental e tem que ser estimulado. Mas ninguém pode interferir no que as emissoras desejam. Por isso elas não vêem como acatar um direito de resposta ou qualquer monitoramento da programação”, explicou Walter Vieira Ceneviva.

Rodolfo Machado, assessor da Abert – que na ocasião representava a Globo, o SBT, Gazeta, Rede Mulher, Rede Vida, Record e Grupo Abril –, também disse que as emissoras não acatariam nenhum dos pedidos. “Queremos manter o diálogo com a sociedade civil, mas sem passar pelo Ministério Público. Nos sentimos sobre a mira de algo que querem nos impor que temos condições de acatar sem um procedimento administrativo”, disse.

A posição das associações foi corroborada individualmente por cada uma das emissoras. “A Globo já tem um canal de comunicação com o telespectador para receber sugestões e trabalhar de forma voluntária com a programação. Sempre estivemos abertos, mas vamos receber e utilizar ou não sugestões de acordo com o interesse da Globo”, disse Juliana Martins. “Não pretendemos assinar nenhum documento que nos obrigue a fazer alguma coisa. Os conteúdos são relevantes, temos apreço em receber o material. Mas tudo será analisado no aspecto do interesse da emissora e nunca de forma compulsória”, concordou Marinês Rodrigues, superintendente de programação da Gazeta. “Estão usando o MP para intimidar as emissoras. Não aceitamos ingerência e fiscalização constante, como se isso fosse Cuba ou Venezuela”, retrucou Alexandre Barros, da Bandeirantes.

Concessões públicas

De acordo com a Procuradoria dos Direitos do Cidadão, a idéia não é promover ingerência alguma na programação das emissoras, que são concessões públicas, mas chegar a um ponto comum de interesses. “A Constituição Federal veda qualquer forma de preconceito contra a mulher. Sabemos que na TV há vários grupos estigmatizados. Buscamos aqui um acordo que valorize imagem da mulher na televisão”, explicou a procuradora Adriana Fernandes.

“Buscamos um espaço de compatibilização. Se um movimento procura o Ministério Público é porque não está se sentindo representado. As mulheres adaptaram ao máximo seu pedido; agora estamos vendo como conciliar interesses. Se o discurso do diálogo se concretizasse na prática, não precisaríamos estar aqui. Já sabemos o que as emissoras fazem em termos de programação. A idéia agora é fazer mais, levando em conta o interesse das organizações da sociedade civil”, completou a procuradora Inês Virgínia.

A MTV foi mais flexível, e se dispôs a realizar campanhas de interesse das mulheres e programas que discutissem assuntos importantes para a igualdade de gênero. A emissora já trabalha da mesma forma em parceria com organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente. No entanto, também se recusou a assinar qualquer documento que estabelecesse como esta parceria pode ser estabelecida. A TV Cultura acaba de trocar sua direção e se comprometeu a realizar uma reunião em agosto com as entidades para discutir como melhor contemplar a questão feminina em sua programação.

Na opinião das entidades feministas, há um receio das emissoras em se abrir um precedente deste tipo. Outros movimentos se sentiriam, com razão, legitimados a procurar o Ministério Público para reivindicar outra forma de representação nos meios de comunicação. Como não houve acordo de início, a Procuradoria dos Direitos do Cidadão se reunirá separadamente com cada uma das partes. Ao término da reunião, as organizações decidiram apresentar uma nova proposta: a sugestão de quatro temas para campanhas e de dois temas para programas, que ficariam à escolha das emissoras. Seria necessário, no entanto, que elas assumissem o compromisso de veiculá-los.

“Isso é o mínimo que elas podem fazer. Quando nos reunimos, acreditamos na boa vontade demonstrada. Mas hoje vimos a prova de que as emissoras não estão realmente abertas. Nos sentimos desrespeitadas. Fizeram ao vivo o que fazem conosco diariamente na televisão. Isso só mostra que nossa reivindicação é legítima e que seguiremos lutando por isso”, concluiu a jornalista Terezinha Vicente Ferreira, da Marcha Mundial das Mulheres.

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