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Em agosto, tarifa de telefone fixo vai subir de 1,9% a 2,1%

As tarifas de telefonia fixa vão subir entre 1,9% e 2,1%. O índice já foi apurado, mas ainda depende do aval de parte dos conselheiros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para ser implementada. Este é o primeiro ano em que todo o reajuste será balizado pelo Índice de Serviços de Telecomunicações (IST), criado junto com a assinatura dos novos contratos de concessão, em dezembro de 2005.

De junho de 2006 a maio de 2007, o IST acumulado ficou em 2,91%. A variação é menor do que a taxa acumulada em 12 meses do IGP-DI, antigo indexador dos contratos de telefonia, cuja alta foi de 4,38%. No mesmo período, o IPCA alcançou 3,18%. Conforme o previsto nos contratos, será aplicado ainda um índice de produtividade – o chamado 'fator X' – sobre o IST dos últimos 12 meses. Aplicando-se o fator X, que compartilha os ganhos de produtividade das operadoras com o usuário, a taxa de reajuste recua para cerca de 2%, variando conforme a empresa.

De acordo com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, a agência discute com as operadoras para que o reajuste só entre em vigor em agosto. O objetivo é evitar que os consumidores façam confusão com as novas tarifas, nummomento em que se faz a transição do modelo de cobrança por pulso para minuto.

Segundo a Anatel, o reajuste nas ligações locais, de telefone fixo a fixo, deverá ser linear – sem diferença de índice entre o valor do minuto e o valor da assinatura básica. As operadoras podem pedir a aplicação diferenciada do índice, desde que ele fique na média estabelecida pela agência reguladora. Mas cabe à Anatel dar a palavra final. Também é esperado o reajuste para as tarifas de ligações de fixo para celular.

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ECAD avança na arrecação sobre os exibidores

Há cerca de 17 anos o Grupo Severiano Ribeiro deixou de pagar ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) os valores sobre a arrecadação de suas salas de cinema referentes aos direitos autorais dos artistas representados pela empresa. Foi o começo do embate mais recente de uma querela entre diversas exibidoras de filmes, em especial as grandes exibidoras, as “majors”, e o Ecad, que representa os interesses de artistas organizados em associações nacionais e internacionais, em especial cantores e compositores.

A legislação brasileira prevê, como mecanismo de compensação do direito autoral do artista, o recolhimento de taxa para a exibição pública de músicas, independente da cobrança já prevista na mídia para exibição privada. O universo desta cobrança vai de festas públicas ou grandes festas privadas, como de empresas e ONGs, até a exibição de um filme, sobre o qual é cobrado o direito para exibição da trilha sonora, independente da quantia já paga para a utilização da música na trilha sonora.

Em relação ao cinema, a “mania” é internacional, e o direito de exibição do filme não engloba o de reprodução das músicas em exibição pública. Além de se aplicar a filmes em cinema, a lógica vale para as novas mídias de exibição em massa, como a TV a Cabo e a TV por satélite, e o Ecad estuda formas para fazer a cobrança para a exibição de sites na Internet, de acordo com Márcia Melo, gerente executiva do órgão.

Nesta briga entre empresas de entretenimento, a vitória pende para o Ecad, e parece rumar para uma definição, ao menos parcial. Depois de 17 anos, o Grupo Severiano Ribeiro (GSR), maior rede nacional de exibidores, atrás apenas do grupo Cinemark, de capital estadunidense, fechou acordo judicial com o Ecad para o pagamento dos direitos autorais não recolhidos nestes anos, prevendo pagamento por um total de 198 salas, e pagou recentemente a segunda parcela deste débito. Desde fevereiro de 2006, o GSR, que envolve ao todo dez empresas exibidoras, paga ainda 2,5% da receita bruta de bilheteria pelas músicas nacionais e estrangeiras executadas em suas salas.

Além da vitória e acordo com o GSR, o Ecad espera resultado de ação contra a rede UCI, terceira maior rede exibidora no país, que está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal. Redes pequenas, como a Iporanga, que tem três salas em um shopping center na Baixada Santista, também enfrentam processos semelhantes. Há duas semanas, a rede perdeu ação em primeira instância. A justificativa do Ecad perspassa o conceito de que o direito autoral é inalienável em quaisquer mídias, e coloca que: “A Empresa Cinematográfica Iporanga, contudo, vem se apropriando dos direitos autorais dos artistas e desafiando o judiciário”.

Samuel Fahel, gerente jurídico do Ecad, coloca que do ponto de vista teórico não há empecilhos para as vitórias do órgão nos tribunais, mesmo no que se refere a gigantes do ramo como o Cinemark, que até o momento não aceitou acordo, embora no Ecad não creiam que demorará muito para tal acordo ocorrer. “Em parte, os empresários do Cinemark estavam esperando os resultados dos processos sobre os outros grupos. O reconhecimento deste direito é inevitável. Na prática, é fazer valer a lei”, complementa Fahel.

Direito de quem?
“O Ecad surgiu da necessidade de um órgão gerir coletivamente as relações de direitos autorais, com uma tabela centralizada dos custos.

Até a sua existência, quando havia necessidade de uma licença de uso havia grande dificuldade pois era necessário pedir as licenças de forma separada para cada entidade ou artista, titular a titular tendo de dar a autorização de uso da obra sonora. Num mundo globalizado, buscar pessoa a pessoa na cadeia da música é impossível”. Desta forma, Márcia Melo resume a função do Ecad. Fahel vai mais longe,ligando o órgão diretamente à diversidade cultural: “você não pode efetivar a cultura sem efetivar a sobrevivência do artista, através da cobrança de direitos autorais, e por isso mesmo o titular, e somente ele, pode autorizar a exibição pública de suas peças. Depois que autoriza, nos comunica e nós verificamos o cumprimento. É a nossa função social, de grande relevância”.

No cumprimento de tal função, a entidade distribuiu, no último ano, R$ 206 milhões para 59 mil titulares de música (compositores, intérpretes, músicos, editores musicais e produtores fonográficos), de algo em torno de 250 milhões que arrecadou, com uma média de 22 milhões arrecadados por mês. Representa mais de 228 mil titulares, e emite mensalmente cerca de 40 mil boletos bancários de pagamento para usuários de música no Brasil. Quando o assunto é somente cinema, vale ressaltar que 53% do valor arrecadado e remetido é de filmes estrangeiros.

A aparente igualdade, inexistente dada a supremacia dos filmes estrangeiros nas salas comerciais de exibição, a ponto de necessitarmos de um instrumento como a cota de tela para fomentar o cinema nacional, explica-se por alguns bons resultados individuais, como o de Dois Filhos de Francisco, e com a demora das gravadoras internacionais de pedirem a remessa de valores para os detentores dos direitos autorais fora do país.

Discussão Federal
Em dezembro de 2003, foi apresentado, pelos senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Paulo Octávio (PFL-DF), o Projeto de Lei nº 532, que modificava as regras do pagamento de direitos autorais de trilhas sonoras de filmes estrangeiros exibidos em salas de cinema do país. Após alteração, a proposta tem hoje o sentido de isentar os exibidores do pagamento dos direitos autorais de músicas que compõe a trilha sonora de um filme. Recentemente, compositores e representantes do ECAD foram ao Senado para protestar contra o projeto.

O Ecad, por sua vez, acredita que o projeto não vingará. “Eles tentaram o lobby no apagar das luzes, mas foram flagrados. Todos pagam direitos por exibição, e o cinema não é diferente dos outros”, coloca Fahel, que diz ainda que o projeto viola a Constituição. Apesar de contar com o apoio da Associação Brasileira dos Multiplex e do Grupo Severiano Ribeiro, Fahel acredita que o projeto não tem mais força para ser aprovado. A Motion Pictures Association, representante dos maiores produtores de cinema do mundo, é contrária ao projeto.

Até o momento, porém, o projeto não foi extinto, e há ainda diversos outros projetos que propõe alterações na legislação que rege os direitos autorais. Exemplo é um decreto recente, do município do Rio de Janeiro, que liberava do pagamento de direitos autorais os eventos sem fins lucrativos, e contra o qual o Ecad conseguiu mandato de segurança recente.

Além dos lobbystas e das empresas exibidoras, outros setores da sociedade discordam da posição do Ecad, por motivos diversos dos exibidores. A advogada Cristiane Olivieri, especialista em produção cultural entende que “deveria ser criada uma nova regulamentação que previsse concessões de direitos para determinadas produções de poucos recursos”. Como pode ser visto por coberturas recentes do CulturaeMercado (leia aqui), movimentos como o Creative Commons (leia mais) têm proposto alternativas ao modelo de direito autoral proposto pelo Ecad, e artistas como o ministro Gilberto Gil gravaram recentemente diversas músicas protegidas de outras formas. Pesa, deste lado, a concepção de que o direito autoral é um fator que limita a produção científica e artística e sua circulação.

A visão dos exibidores
A direção do Grupo Severiano Ribeiro disse não ter nenhuma informação a acrescentar sobre este tema, a não ser que fechou acordo com o Ecad e está cumprindo o que foi acertado.

Nossa reportagem procurou ainda as redes Cinemark, UCI e Moviecom, que até o momento do fechamento não se manifestaram sobre o tema.

Active Image publicação autorizada, desde que citada a fonte original (100canais).

Sociedade precisa contribuir com classificação indicativa, defende Andi

Brasília – Ao comentar as novas regras para a classificação indicativa na televisão, o secretário-executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Veet Vivarta, defendeu que a será necessária uma união de entidades da sociedade civil para acompanhar o processo de implementação das exigências. Os canais de televisão têm 180 dias para adequar sua programação à nova portaria.

"Vai ser necessário um esforço, uma articulação de entidades da sociedade civil para acompanhar o processo nos próximos meses e se fortalecer para dar a contribuição que se espera dela [sociedade]”, disse em entrevista à Agência Brasil. Sobre como a sociedade civil pretende monitorar a auto classificação, Vivarta acredita que o Brasil “amadureceu” sobre a questão da criança e do adolescente, mas ainda não tem as condições e a “maturidade” que se encontra em países que já tratam a questão há vários anos.

Sobre os fusos horários, Vivarta acha que a portaria deixou a questão bem clara e o governo deu mais uma prova de boa vontade, concedendo mais 180 dias para que as emissoras se adeqüem tecnicamente. “As pessoas, às vezes, não percebem que quando o horário de verão entra em vigor, 26 milhões de crianças e adolescentes brasileiros são atingidos por uma programação inadequada, que foge daquilo que é estabelecido pela legislação. É isso que esse artigo da portaria [artigo 19, parágrafo único] vem corrigir”.

Quando falou sobre o ECA, Vivarta, lembrou que a sociedade brasileira avançou muito nos direitos da infância e da adolescência. Ele destacou a proposta do estatuto na década de 80 e início de 90, em relação as políticas implementadas hoje, os avanços conquistados e os direitos da criança em temas no debate público. Para ele, ao mesmo tempo que se comemora avanços, há uma lista de problemas que são um desafio como a qualidade da educação, a violência e a exploração sexual.

“O Estatuto fez diferença, como a Constituição Federal coloca, a criança e o adolescente são prioridade absoluta, e nesse sentido nós avançamos. Por outro lado, a complexidade de um país como o Brasil, visto entre os mais desiguais do mundo, sendo apontado internacionalmente como exemplo negativo de distribuição de renda, isso acaba gerando problemas que não são facilmente contornáveis, mas que demandam um posicionamento concreto do Estado e da sociedade”.

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Classificação indicativa não é censura, diz diretor da MTV

O diretor de programação da MTV, Zico Góes, apóia as novas regras para classificação indicativa na televisão, em vigor desde a última quinta-feira (12), e acha que o objetivo principal é proteger crianças e jovens. Para ele, quem fala em censura esconde o medo de perder dinheiro com possíveis mudanças em programas de audiência alta, como telenovelas.

“Essa história de classificação indicativa tem simplesmente a ver com a preservação do direito do menor. Não tem nada a ver com liberdade de expressão ou volta da censura”, disse Góes em entrevista à Agência Brasil, acrescentando que a MTV adota algumas regras desde 12 de maio.

Uma das mudanças estabelecidas pelo governo federal é a obrigação de exibir a recomendação etária durante cinco segundos antes do início de cada programa. Com relação à análise prévia do material, agora a emissora deve preencher um formulário e encaminhá-lo ao ministério, que autoriza a publicação no Diário Oficial da União (DOU) com a classificação estabelecida pela própria empresa.

Caso a emissora descumpra a classificação, o Ministério da Justiça encaminha as informações ao Ministério Público, que poderá acionar o Poder Judiciário e mover uma ação judicial. As emissoras terão 180 dias para se adequar.

O que a MTV achou das novas regras?
Zico Góes: Isso já era tendência. A gente já sabia, já estava acompanhando de perto. A mudança é que as TVs ficam elas próprias responsáveis pela classificação. Acho que é o ideal e isso seria ideal se as TVs não fossem raposas tomando conta do galinheiro – em sua maioria, pelo menos. Existe esse risco, mas o ideal mesmo é que o setor se auto-regulamentasse e tivesse a responsabilidade de classificar os programas de acordo com o bom senso.

Você acredita que as TVs podem prejudicar a classificação, de alguma forma?
Góes: Não tenha dúvida que o lobby das TVs comerciais foi bastante forte e o governo acabou tendo que ceder. Isso foi uma pena, no meu entender. A única coisa legal disso tudo é que as TVs passam a ser as responsáveis pela classificação, não precisam submeter o programa ou mandar fita para o ministério. É um bom passo. Mas precisa ver se as TVs realmente vão cumprir isso. Se vão classificar os programas de acordo com o bom senso, com aqueles critérios que o próprio ministério tinha divulgado e que a gente concorda plenamente. Essa história de classificação indicativa tem simplesmente a ver com a preservação do direito do menor. Não tem nada a ver com liberdade de expressão ou volta da censura.

No caso de descumprirem a portaria, as TVs deveriam ser punidas?
Góes: Acho que sim, talvez seja uma falha nessa lei: uma lei que não prevê punição não é uma lei. Enfim: você é obrigado a fazer isso, mas se você não fizer, não acontece nada. Então não sou obrigado a fazer, ninguém vai fazer. A MTV vai continuar a fazer, e não porque é obrigada, mas porque acredita que tem que fazer, para preservar o direito da criança e do adolescente. Isso a sociedade combinou e as televisões têm de entender. Mas não entenderam. Gritaram e alegaram que era contra a liberdade de expressão, o que é uma balela, e acabaram conseguindo ficar por isso mesmo [referindo-se às reivindicações da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que acabaram atrasando a entrada em vigor das novas regras].

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Nova emissora pública já prepara estrutura em São Paulo

A TV Brasil, nome da TV pública em fase de montagem pelo Governo Federal, não ficará sediada apenas em Brasília e Rio, onde estão, respectivamente, as sedes da Radiobrás e TVE (embriões da emissora). Uma estrutura considerável deve ser montada em São Paulo. Fala-se em uma estrutura de até 85 pessoas, mas fontes da Secretaria de Comunicação Social do governo (responsável pela formatação do projeto) dizem que este número deverá ser menor inicialmente. Várias opções de sedes estão sendo buscadas. A que parece estar melhor encaminhada são as antigas instalações da rede CNT, que seriam alugadas, inclusive com parte dos equipamentos. Há outras opções em que seriam necessários investimentos maiores em infra-estrutura, de modo que nesse momento o governo tenta negociar a melhor opção financeira.

A ênfase em São Paulo deve-se, além da importância óbvia do Estado, ao fato de que é na capital paulista que começarão as primeiras transmissões de TV digital. Ainda não está definido onde será a sede geral da TV Brasil, mas é provável que seja no Rio, onde a TVE tem grande estrutura. A tendência é que lá fique baseada a parte de produção de programas de cultura e educação. Brasília deverá ter um papel mais central na produção jornalística, e a estrutura de São Paulo navegará nos dois universos.

No próximo mês (agosto) termina o prazo para que o projeto da TV pública esteja concluído para ser encaminhado ao Congresso. A consultoria responsável pela formatação do marco legal que criará a TV Brasil já trabalha no Palácio do Planalto e a expectativa é que, no momento político adequado, o texto saia em forma de Medida Provisória.

O Planalto aguarda, também, uma solução para a formatação legal da TV Brasil, e a expectativa é que seja uma das primeiras Fundações Estatais, conforme os moldes do projeto de lei no Congresso enviado para atender a um pedido do Ministério da Saúde. A Fundação Estatal funcionará como as atuais fundações públicas de direito privado, mas sem perder o vínculo patrimonial com o Estado. A idéia é garantir à TV Brasil flexibilidade e independência para montar uma estrutura de televisão compatível com a realidade de mercado, manter o vínculo com a União sem, no entanto, torná-la uma estatal.

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