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Ministério Público quer anular concessão de TV de Jader Barbalho

O Ministério Público Federal no Distrito Federal propôs, na segunda-feira (16/7), Ação Civil Pública, com pedido de liminar, para anular a transferência de concessão da emissora de TV Rede Brasil Amazônia de Televisão (RBA) para o Sistema Clube do Pará de Comunicação, ambas do deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA).

Segundo o MPF, a concessão da RBA deveria ter sido extinta e um novo processo licitatório realizado. A ação tramita na 1ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

Os procuradores alegam que, de acordo com a Constituição, os atos de concessão erenovação de outorga para exploração de serviços de radiodifusão devem ser aprovados pelo poder Executivo e pelo Congresso Nacional.

Argumentam que no caso da RBA, a apreciação do pedido de renovação de concessão da RBA pelo Congresso foi impedida por uma manobra política dogoverno, que solicitou a devolução de 225 processos que tramitavam na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados ao Ministério das Comunicações, em junho do ano passado.

Segundo o procurador Rômulo Moreira Conrado, o pedido de renovação de concessão da RBA seria negado na Comissão de Ciência e Tecnologia porque a emissora estava em débito com o fisco federal.

Com a devolução do processo ao Ministério das Comunicações, contudo, a emissora aderiu temporariamente ao regime de parcelamento de dívidas do governo federal e teve a concessãode outorga transferida ao Sistema Clube do Pará, cujos sócios são os mesmos da RBA.

Para o procurador, a transação violou os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade, uma vez que “o Sistema Clube do Pará de Comunicação foi concedido por favorecimento político, com uma concessão de serviço público sem ter participado de qualquer processo licitatório, concessão essa que deveria ter sido extinta”, disse o procurador.

Na ação, o MPF pede a anulação do ato que resultou na transferência da concessão da Rede Brasil Amazônia de Televisão em benefício do Sistema Clube do Pará de Comunicação, bem como a não-renovação da outorga em benefício da RBA e a realização de um novo processo licitatório para a concessão.

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Para operadoras de celulares, Fust poderia ser extinto

Ercio Zilli, presidente da Acel (Associação Nacional das Operadoras Celulares), disse hoje que o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) deveria ser extinto, já que não foi utilizado para o fim criado e acabou virando o grande problema de tudo que se discute no setor. Zilli defendeu essa posição ao participar da 3ª Jornada Nacional de Direito das Telecomunicações da Associação Brasileira de Direito de Informática e Telecomunicações (ABDI).

Segundo o presidente da Acel, a universalização da telefonia fixa foi feita de forma distorcida. O modelo original previa que, a cada ano, se definiria as metas, se arrecadaria os recursos e, por último, faria a implementação. “Nos fizemos ao contrário. A obrigação foi imposta às concessionárias e depois se criou o Fust, que não foi usado porque não precisava mais”, enfatizou. O Fust acumula hoje R$ 5 bilhões. 

Banda larga

Zilli também comentou sobre a universalização da banda larga e disse que o tema tem que ser analisado com seriedade, observando os gastos, quanto cada um dos envolvidos terá que desenbolsar e discutir com sociedade se ela está disposta a pagar ou não essa conta. “Não faz sentido impor isso a um agente econômico, achando que ele vai resolver o problema”, disparou.

Outro tema abordado por Zilli foi a questão da convergência. De acordo com ele, o Congresso Nacional precisa tratar esse assunto com cuidado, para que não haja mudanças de rumos não desejáveis. Segundo Zilli, quando se discutiu a LGT (Lei Geral de Telecomunicações) há dez anos atrás, havia um foco e se construiu uma visão que foi implementada. Se a discussão sobre convergência estiver disfocada, os debates sobre a proteção ao conteúdo podem acabar contaminando o serviço de telecomunicações”, avaliou.

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Banda larga na UE: preço caiu 19%, velocidade subiu 29%

Estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, órgão que engloba os países mais industrializados do mundo) observa que os preços das conexões ADSL diminuiram 19% no último ano, enquanto no mesmo período as velocidades aumentaram 29%.  O documento aponta que a  Espanha está entre os países com a conexão banda larga mais cara da UE. Segundo o documento, a conexão mais barata no país custa € 32,75 por mês, € 7,89 mais caro do que o preço praticado na Suécia, país que detém a conexão mais barata, contra € 11,87 na França ou € 12,79 na Itália.

O estudo informa que 60% dos usários de internet dos 30 países que compõe a OCDE utilizam banda larga, sendo que os países que adotaram a fibra óptica possuem maiores velocidades e preços melhores.  No Japão os usuários possuem 100 Mbps, dez vezes mais que a média da OCDE. O preço da banda larga no Japão é o mais baixo, considerando-se a quantidade de dados transmitidos, sendo que o megabit por segundo custa € 0,16 no país, enquanto na Turquia a mesma velocidade custa mais de € 58, o preço mais alto dentre os países analisados. O custo médio na UE é de € 2,30. 

No Japão a velocidade de upload é a mesma do download, graças à fibra óptica, o que não ocorre com a ADSL e com conexões por cabo. Suécia, Coréia do Sul e Finlândia também oferecem conexões de mais de 100 Mbps, por utilizarem a mesma tecnologia.

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Para CNBB, classificação é oportuna e necessária

São Paulo – Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a portaria publicada essa semana sobre a classificação indicativa para os programas de televisão é “não só oportuna, como necessária”. Em nota à imprensa assinada pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Dimas Lara Barbosa, a CNBB diz que “o acesso das crianças e adolescentes a programas de TV contendo cenas de violência e de sexo, impróprias à sua faixa etária, precisa ser melhor regulamentado”.

Segundo Barbosa, “é fundamental, porém, adotar métodos que evitem que a classificação indicativa seja submetida a critérios políticos ou ideológicos ou que fique à mercê de grupos que não considerem a criança e o adolescente como prioridade absoluta conforme o artigo 227 da Constituição Federal”.

A CNBB também disse encarar com “simpatia” a proposta de se criar um conselho, composto por representantes de diversos segmentos da sociedade civil e das emissoras do país para acompanhar os programas e a sua classificação indicativa. Outra proposta vista positivamente pela entidade é o cumprimento da Lei 10.359, de 2001, que obriga as indústrias de aparelhos televisivos a instalarem um dispositivo (o chamado v-chip) para bloquear canais ou programas considerados inadequados pelos pais.

"Incentivamos cada emissora, como veículo de informação, entretenimento e cultura, a elaborar e divulgar com clareza seu próprio código de ética e os critérios que usa na construção de sua programação”, diz a nota.

 

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Articulação nacional de quilombolas protesta contra a Globo

A CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas se prepara para realizar no próximo dia 5 de outubro um ato para questionar o papel das concessões públicas de televisão e o oligopólio das comunicações no país. O principal alvo da manifestação é a Rede Globo de Televisão, acusada de criminalizar e deslegitimar o movimento dos quilombolas. O ato pretende agregar outras entidades e movimentos sociais,  e a idéia é que nesse dia haja um boicote à programação da Globo e que se realizem atividades nos quilombos sobre análise de mídia. Outras organizações que defendem a democratização da comunicação planejam manifestações para o mesmo dia para reivindicar transparência na outorga e renovação das concessões de rádio e televisão. A data foi escolhida pelas entidades pois nesse dia vencem as concessões da Rede Globo, TV Bandeirantes e TV Record.

A manifestação dos quilombolas é motivada por matérias recentes veiculadas na imprensa com conteúdo discriminatório e que contestam tanto a legitimidade das comunidades quanto o reconhecimento, pelo Incra, de territórios que foram ocupados por quilombos durante a vigência do regime escravocrata no Brasil. O estopim da indignação foi uma reportagem veiculada no Jornal Nacional do dia 14 de maio deste ano, onde a emissora acusa a comunidade remanescente de São Francisco do Paraguaçu, em Cachoeira – BA, de falsificar documentos e, portanto, fraudar seu processo de legalização enquanto comunidade descendente, já aprovado pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura. Em nota divulgada na época (leia aqui), a CONAQ acusava a Rede Globo de manipular os fatos em benefício dos fazendeiros locais.

A primeira iniciativa da CONAQ foi entrar com um pedido de direito de resposta contra a Rede Globo, que ainda não teve retorno. Agora, do ponto de vista jurídico, a entidade pretende procurar o Ministério Público para tomar as medidas cabíveis. “A reportagem veiculada pela Globo foi forjada. As entrevistas com o nosso povo foram simplesmente ignoradas. Até a Rede Record chegou a fazer uma reportagem negando o que havia passado na Globo, mas por pressão dos fazendeiros, ela nem chegou a ir ao ar”, descreve Clédis Souza, uma das coordenadoras da CONAQ.

Segundo os organizadores, a manifestação do dia 5 de outubro é mais uma oportunidade para demonstrar a insatisfação dos movimentos sociais com a mídia conservadora e suas investidas contra os setores populares. Clédis Souza diz que vários movimentos já foram contatados, como o MST e o movimento negro no sentido de se agregarem ao ato. “É importante, no dia 5 de outubro, que mostremos que também temos força para questionar esta emissora, fazendo um boicote que crie repercussão”, conta.

 

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Confira o manifesto elaborado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas:

 

CARTA CONVOCATÓRIA

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ, entidade representativa das comunidades quilombolas de todos os estados da Federação, convoca todas as entidades e movimentos sociais para construir o Dia Nacional de Repúdio à Emissora Rede Globo de Televisão. 

A nossa proposta é que o próximo dia 05 de outubro de 2007 fique marcado pela manifestação "GLOBO, A GENTE NÃO SE VER POR AQUI!", que irá expressar a indignação dos movimentos sociais criminalizados, direto ou indiretamente, por essa emissora.  

Nós, quilombolas, estamos vivenciando, como outros movimentos, de uma investida da REDE GLOBO com matérias que negam a nossa identidade étnica e contra o decreto 4887/03, que regulamenta o processo de titulação dos territórios de quilombos. 

Questionamos: 

. O jornalismo da Rede Globo, pois possui uma postura tendenciosa a serviço das oligarquias, cujos interesses sempre entram em conflito com os interesses das classes populares;
. A formação da opinião pública dessa mídia, já que essas matérias acabam contribuindo para um maior desconhecimento da luta dos quilombolas e de outras lutas, desarticulando os diversos movimentos;
. O ineficiente controle que todos os poderes públicos e sociedade possuem em relação a esta emissora, já que não se sabe quando se renova as suas concessões, não há fiscalização se os Direitos de Respostas são cumpridos, não há punições em relação às distorções cometidas, entre outras.

Sugerimos que neste dia (05 de outubro) sejam realizadas atividades, nas quais se discutam sobre o papel da Rede Globo na sociedade brasileira, analisando como essa emissora desrespeita a diversidade dos movimentos sociais e de entidades. 

A nossa postura política representa um ato de repúdio ao abuso de um grupo de mídia privado que se utiliza da concessão pública para descredibilizar aqueles e aquelas, que há mais de 500 anos, constroem a história desse país.

Contamos com a sua adesão. 

 

 

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