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Com câmeras na mão, indígenas lutam para manter tradição

O jovem Takumã Kuikuro, parado ao lado de uma câmera sobre um tripé, com o rosto e o corpo pintados, entrevistava o cacique dos nafukuá no meio da aldeia Ipatse, da etnia kuikuro, no Alto Xingu. Também nu e pintado, o chefe revezava o olhar entre a lente e o jovem cineasta, enquanto contava que se arrepiou ao ver os filmes feitos pelos índios. "Ele gostou do filme, achou bonito, e disse que a gente pode levar isso adiante para nossos filhos e netos", afirmou Takumã, 23, traduzindo os comentários do cacique sobre o que viu projetado em um imenso telão, com a ajuda de um gerador, no centro da aldeia na noite de sábado.

Takumã é um dos seis jovens realizadores, como se chamam na aldeia os iniciados na arte de filmar, que com suas duas câmeras digitais registravam incansavelmente todos os momentos da festa do lançamento do DVD "Cineastas Indígenas".

O evento no final de semana também comemorou a inauguração do centro de documentação da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu, na aldeia do Parque Indígena do Xingu, que reúne 14 etnias e uma população de cerca de 5 mil indígenas em 27 mil quilômetros quadrados, no Mato Grosso.

Ao olhar dos jovens índios não escapavam nem os visitantes brancos, também com suas câmeras de filmar ou fotográficas, e apontavam a filmadora impiedosamente, invertendo o foco, até então centrado só neles.

Os curtas-metragens "Imbé Gikegü" ("Cheiro de Pequi", 2006) e "Nguné Eu" ("O Dia em que a Lua Menstruou," 2004), ambos premiados em festivais nacionais e internacionais, foram aplaudidos no sábado por uma platéia de habitantes locais e convidados de outras etnias espalhada pelo chão da parte central da aldeia, circundada por malocas. Os filmes contam, em kuikuro mas com legendas, lendas do seu povo.

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MySpace tira do ar 29 mil perfis de agressores sexuais

O site de relacionamentos MySpace registrou um aumento de quatrovezes no número de pessoas condenadas por crimes sexuais que usam o serviço.

A empresa descobriu que mais de 29 mil pessoas condenadas por crimes sexuais nos Estados Unidos têm perfis no site. Esse número é quatro vezes maior que o calculado pela empresa em maio, de 7 mil pessoas. Esses perfis foram retirados do site pela empresa. Os novos números foram divulgados por autoridades dos Estados americanos de Carolina do Norte e Connecticut, que vinham pressionando o MySpace a revelar dados de agressores sexuais que usam o site.

'Esse número inclui apenas agressores que se registraram no site com seus nomes verdadeiros. Não estão incluidos aqueles que usaram nomes falsos ou que ainda não foram condenados', disse o secretário de Justiça da Carolina do Norte, Roy Cooper.

'O explosivo número de agressores sexuais com perfis no MySpace – 29 mil até agora – exige ação', afirmou o secretário de Justiça de Connecticut, Richard Blumenthal.

O secretário de Justiça da Carolina do Norte quer a criação de uma lei estadual que exija permissão dos pais para que uma criança possa criar um perfil em sites como o MySpace. Os sites seriam obrigados a verificar a identidade dos pais antes de permitirem que as crianças criassem o perfil.

Segundo Cooper, uma lei assim significaria 'menos crianças em risco, porque haverá menos crianças nesses sites'. Pelas leis atuais, os usuários do MySpace devem ter idade mínima de 14 anos.

O MySpace divulgou um comunicado oficial sobre a informação.

'Estamos satisfeitos por ter identificado e removido de nosso site agressores sexuais e esperamos que outros sites de relacionamento façam o mesmo', diz a nota.

Há cerca de 600 mil agressores sexuais nos Estados Unidos, segundo cálculos das autoridades.

Mais de 80 milhões de pessoas têm páginas no MySpace. Em 2005, o site site foi comprado pelo grupo News Corp, de Rupert Murdoch, por US$ 580 milhões.

Críticos do MySpacee de outros sites desse tipo dizem que são necessárias leis mais rígidas para garantir a segurança das crianças que usam esses serviços.

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Agência coloca em consulta canais provisórios para rádios comunitárias

A Anatel tentará mais uma vez conciliar a migração das rádios comunitárias atuantes no país. A agência reguladora publicou nesta terça, 24, consulta pública para alterar o plano de referência de distribuição de canais do serviço para atender uma série de reclamações dos radiodifusores localizados nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A proposta prevê a liberação de três canais – 252, 292 e 300 – para uso temporário das rádios comunitárias em operação nas regiões metropolitanas e adjacências das capitais.

O motivo da discórdia em torno do tema é que o principal canal designado inicialmente para a abrigar todas as rádios comunitárias, o 200, está com mais da metade de sua capacidade já ocupada com transmissões em FM e com o canal 6 de televisão aberta. Segundo informações presentes na justificativa da consulta publicada pela Anatel, essa falta de espaço para a migração comprometeu 67 propostas de alteração do plano de canais desenhadas anteriormente pela agência reguladora.

A idéia da agência, descrita na nova minuta, é alocar as rádios comunitárias nos canais provisórios até que o canal 6 de TV seja devolvido à União como resultado da digitalização das transmissões. O texto da consulta pública n.º 807 já está disponível na página da Anatel e receberá contribuições até às 24h do dia 17 de agosto.

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Ségolène Royal vai à Justiça contra Paris Match

A capa do Paris Match de 12 de julho é a foto de uma bela mulher, de perfil, sorrindo dentro do mar azul, de óculos escuros. Voyeurismo vulgar ou informação?

Atentado à vida privada, pensa a principal interessada, Ségolène Royal, primeira mulher a chegar ao segundo turno da eleição presidencial da França.

A capa de Match e as fotos da reportagem, que a mostram numa praia da Córsega com sua filha Clémence, indignaram Ségolène Royal e reabriram o debate sobre o direito à privacidade. Imediatamente, o advogado da ex-candidata entrou com uma ação na Justiça contra a revista, pedindo a retirada dos cartazes nas bancas e exigindo uma reparação financeira "substancial", não divulgada.

Uma revista tem o direito de publicar fotos de uma personagem política de maiô, na praia, sem o seu consentimento? A publicação dessas fotos é informação, como pretende o diretor da publicação, ou é "voyeurismo vulgar", como entende o advogado da interessada?

Lendo revistas e tomando suco

"As fotos não têm relação com o texto publicado por Paris Match. Trata-se, pois, de voyeurismo sem relação alguma com o desejo de informar. É uma ilustração sem sentido para um texto pretensamente político", pensa Jean-Pierre Mignard, advogado de Ségolène Royal, que tentou, sem sucesso, impedir a publicação da foto na capa da revista.

O advogado chamou atenção para um desvio, que considera perigoso, e aconselha os jornalistas a maiores exigências éticas. Ele vê na publicação um atentado à dignidade de uma mulher política visando a reduzi-la a uma dimensão people (de celebridade).

Paris Match foi lançada em 1949 e tem como divisa a frase: "O peso das palavras, o impacto das fotos." Em matéria de impacto, a publicação atingiu o objetivo. São apenas quatro fotos. A da capa, repetida em uma página interna, e mais três em que Ségolène aparece com sua filha dentro d’água (que ocupa duas páginas), lendo revistas e tomando um suco de melancia. É bem verdade que as fotos são favoráveis, do ponto de vista estético. Em todas, a ex-candidata aparece bonita, descontraída e seu corpo, protegido por um belo maiô inteiro, parece bastante elegante para seus 53 anos.

A ira de Sarkozy

Mas há um problema: as fotos foram "roubadas", são fotos de paparazzo. E Ségolène Royal não admite que sua vida privada seja invadida a esse ponto e exposta aos leitores da revista.

A ex-candidata se disse "escandalizada" pelo fato de ela e sua filha terem sido exibidas "sem qualquer respeito à privacidade". Esta é a segunda vez que fotos de Ségolène Royal na praia são publicadas em uma revista francesa. No ano passado, fotos dela, de biquíni, foram publicadas por Closer e VSD, revistas de celebridades.

O diretor de redação de Paris Match, Olivier Royant, defendeu a publicação das fotos dizendo que as férias de verão das grandes personalidades políticas são um assunto de informação legítima, tanto na França como em outros países.

Mas na França – onde a linha de demarcação entre vida privada e vida pública dos políticos foi até pouco tempo muito clara e estritamente respeitada pela mídia – a situação mudou não faz muito tempo. Sarkozy foi um dos políticos que tentaram misturar os dois campos. Até o dia em que a mesma Paris Match publicou (em 2005) na capa a foto de Cécilia Sarkozy, então separada do marido, com um namorado, em Nova York. Quem pagou a ira de Nicolas Sarkozy foi Alain Genestar, então diretor de redação de Paris Match.

Controle da imagem

Genestar foi demitido algum tempo depois da publicação da foto e deu entrevista ao Monde atribuindo sua demissão ao então ministro do Interior. Por acaso, o proprietário de Paris Match é Arnaud Lagardère, um dos melhores amigos de Sarkozy e que, na época, desmentiu qualquer responsabilidade pela saída de Genestar da revista.

Neste novo episódio, o emprego de Olivier Royant não está ameaçado. Ségolène Royal não é amiga de Lagardère e se dirigiu à Justiça. Em breve, o juiz vai determinar se uma pessoa pública pode ter o controle total de sua imagem.

Se ganhar a causa, poderemos saber qual foi a "soma substancial" exigida pelo advogado da política. E a mídia francesa vai ter mais cuidado com fotos de políticos que não querem passar por "celebridades".

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Ato pede que TVE-RJ seja cabeça da nova rede pública de TV

Ao passo em que o governo federal começa a definir qual será o modelo de gestão da futura emissora de tevê pública, que deverá se chamar TV Brasil, cresce nos estados a corrida por um lugar de destaque na estrutura a ser implantada. Exemplo dessa disputa foi o ato público que reuniu na noite de segunda-feira (23) mais de 200 pessoas no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para pedir ao governo que faça da TVE Brasil, emissora federal com sede no Rio de Janeiro, a cabeça da futura rede nacional. 

Segundo o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, a intenção do governo é construir uma rede de alcance nacional que tenha como base a emissora oriunda da fusão das estruturas da Radiobrás, que hoje opera a TV Nacional em Brasília, e da TVE, que é exibida no canal 2 da tevê aberta no Rio de Janeiro.  Cientes de que a tendência natural do governo federal é situar em Brasília a sede e a cabeça de rede da futura emissora, algumas entidades criaram o Comitê Pró-TV Pública no Rio de Janeiro. No primeiro ato de grande porte realizado pelo comitê, jornalistas, políticos, empresários, estudantes e sindicalistas aprovaram o texto de um manifesto que será encaminhado nos próximos dias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Participaram da organização do ato em defesa da escolha da TVE como cabeça de rede, além da própria ABI, três sindicatos (dos Jornalistas, das Empresas de Informática do Rio de Janeiro e dos Radialistas) e outras entidades, como o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e as organizações Viva Rio, Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e Pacs (Política Alternativas para o Cone Sul), entre outras. 

Os principais argumentos em defesa da cabeça de rede da TV Brasil no Rio são: o acúmulo de conhecimento existente na TVE após trinta anos de funcionamento, a presença no estado de universidades e centros de pesquisa na área de tecnologia da informação, a possibilidade de o estado se tornar também um pólo de excelência em termos tecnológicos (softwares, etc) com a chegada da tevê digital e, finalmente, a salutar distância do centro do poder em Brasília, que ajudaria na independência do trabalho da futura emissora. 

O manifesto que será enviado a Lula afirma que a estrutura já existente no Rio ajudará a futura rede de tevê pública a não repetir velhos erros do passado: “Com a escolha da TVE Brasil como cabeça da TV Pública, o presidente fortalecerá o conceito de uma tevê cidadã e aberta, com um jornalismo e uma produção cultural distantes do conceito de chapa branca que, por décadas, comprometeu a imagem das emissoras estatais no país, limitando seu alcance, influência e compromisso com a pluralidade”, diz o documento. 

Sem citar a “rival” Radiobrás, o manifesto sugere ainda que a distância entre a futura sede da TV Brasil e a capital federal poderá ajudar o governo a refutar as acusações de que estaria criando um veículo de propaganda em benefício próprio: “Ao reconhecer o pioneirismo da TVE na mudança do conceito de emissora pública no Brasil do século XXI, o governo federal deixará claro aos céticos e críticos da nova TV que, de fato, o Brasil não está erguendo mais uma estrutura para agir como porta-voz do Palácio do Planalto. Ao contrário, constrói uma rede verdadeiramente pública e independente para colocá-la a serviço da imensa riqueza cultural brasileira”. 

Apoio de Cabral, silêncio no Planalto 

Até agora, nem Lula nem Franklin Martins emitiram nenhum sinal de apoio ao pleito vindo do Rio de Janeiro. Tampouco se manifestaram de maneira contrária, fato que alimenta as esperanças de alguns defensores da TVE, como o líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio, Gilberto Palmares: “O ministro Franklin está sendo cauteloso, pois sabe que a proposta de criação da tevê pública não é uma coisa pacífica e que as grandes emissoras não estão encarando esse processo com alegria. Mas, minha leitura pessoal, pelas conversas que já tivemos, é de que ele considera correto nosso pleito”, diz o deputado. 

Durante o ato, Palmares entregou à jornalista Neise Marçal, representante dos trabalhadores da TVE, uma moção de apoio à vinda da cabeça de rede da TV Brasil para o Rio assinada por 56 dos 70 deputados estaduais fluminenses: “O apoio da Alerj é quase total. Assim que acabar o recesso parlamentar, vamos discutir formas práticas de levar adiante esse apoio”, disse o deputado. Também estiveram presentes ao ato o deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB), o deputado estadual Alessandro Molon (PT) e os vereadores Eliomar Coelho (PSOL) e Aspásia Camargo (PV). 

A ansiada presença do governador Sérgio Cabral Filho no ato da ABI não se confirmou. Nem o secretário estadual de Cultura, Luiz Paulo Conde, que havia sido escalado para representar o chefe, apareceu. Apesar da ausência das autoridades do Executivo estadual, os dirigentes do Comitê Pró-TV Pública no Rio de Janeiro garantem já ter conversado com o governador e dizem estar tranqüilos quanto ao apoio do Palácio Guanabara: “O governador está ciente da importância de consolidar o Rio como pólo do audiovisual no país”, diz Palmares. Em relação ao governo federal, o parlamentar petista acha que, quando for o momento, Lula e Franklin Martins irão também se manifestar favoráveis à vinda da cabeça de rede para a TVE: “Se o governo quer mesmo criar uma emissora que seja controlada pela sociedade civil e se transforme num contraponto ao que é feito nas grandes redes, a cabeça de rede não pode ficar em Brasília. Ela tem que ser no Rio”.

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