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Corrida das cidades digitais agita o mercado de redes

A praça central de Santa Cecília do Pavão não difere muito daquelas encontradas em qualquer cidadezinha do país. Lá está a igreja – nesse caso, de Santa Cecília, rebatizada pelas águas do rio Pavão, que banha o município. Lá estão as pombas empoleiradas nos bancos, as mesas de jogo de dama,alguns aposentados, o coreto abandonado. Mas, nos próximos dias, essa paisagem vai mudar.

Uma torre de vidro está pronta para ser instalada no meio da praça. Dentro dela, uma rede de computadores estará à disposição para que a população ceciliense possa, finalmente, navegar natal internet. 'Será nosso coreto digital', diz o prefeito Edimar Santos (PTB-PR).

O prefeito de Santa Cecília tem internet em casa. Não tinha quando chegou à cidade para trabalhar como agente funerário, nos anos 90. Mas Santos progrediu rápido, ganhou popularidade, montou o grupo Santos, sua empresa do ramo funerário, e foi escolhido para governar a cidade.

Diferentemente do prefeito, o município não cresceu tanto. Por muito tempo, internet continuou a ser tema incomum no cotidiano dos 5 mil habitantes de Santa Cecília do Pavão, município 362 quilômetros ao norte de Curitiba. De base agrícola e com renda per capita de R$ 162, a cidade fica escondida entre montanhas, longe de grandes centros, numa área em que os cabos de telefonia não oferecem banda larga. Não há provedor local de internet. 'Se alguém quisesse acessar a rede, tinha de fazerum interurbano', diz Santos.

Mas há dois meses a prefeitura fechou um projeto para cobrir a cidade com uma rede sem fio. Participaram da iniciativa a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a D-Link, fabricante de equipamentos de rede. Rádios de comunicação WiFi foram instalados no município, interligando a prefeitura a demais órgãos públicos, como biblioteca, posto de saúde e escolas. Uma antena de alta capacidade foi montada sob uma montanha e direcionada para outra, a 60 quilômetros dali, em Londrina. A prefeitura abriu o sinal para a população.

Santa Cecília descobriu a internet. 'Cerca de 250 casas já têm computador', comemora Santos. Agora, o projeto será estendido com a criação desse telecentro na praça central, para conectar os cidadãos que não têm condições de adquirir um PC. Além de incentivar a inclusão digital, a prefeitura reduziu custos. A conta telefônica municipal chegava a R$ 27 mil por mês. Com o uso da web para trafegar voz (tecnologia chamada de voz sobre protocolo de internet), a despesa caiu para algo em torno de R$ 2 mil. 'Mantemos a rede WiFifuncionando com R$ 680 por mês', afirma Santos.

Histórias assim têm se espalhado com rapidez pelo Brasil. Nos últimos anos, cidades pequenas, que estão fora das áreas 'iluminadas' por cabos de fibra óptica passaram a ver nas tecnologias de comunicação sem fio uma forma de reduzir a exclusão digital e, principalmente, eliminar gastos. Esse processo intensificou-se em 2007.

Embora a maioria dos projetos ainda se encontre em fase experimental, a movimentação já é suficiente para mexer com os negócios dos fornecedores de equipamentos. A Nortel, que começou a olhar para esse mercado no ano passado, tem capacitado parceiros para testes em municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, diz o gerente sênior da área de desenvolvimento de negócios de WiMax, Cláudio Falcone. 'É um mercado grande, e hoje ainda há centenas de municípios que sequer têm acesso à internet discada.'

Não há números oficiais sobre quantos municípios têm executado projetos similares ao de Santa Cecília do Pavão. Segundo o Ministério das Comunicações, 3,3 mil cidades do país já têm em funcionamento pelo menos um telecentro, localpúblico de acesso gratuito à internet. No próximo mês, o governo deve lançar uma licitação para contratar novos links de satélite para expandir sua rede. O contrato deverá atingir R$ 200 milhões por ano. As iniciativas federais, no entanto, muitas vezes correm descoladas de projetos tocados por municípios. Nesta esfera, empresas do setor procuram patrocinar casos que demonstrem a viabilidade de suas tecnologias, na prática.

Em Santa Cecília, a D-Link forneceu os rádios de comunicação. Já em Ouro Preto (MG), o projeto teve apoio da Intel. A Motorola, que participou da iniciativa de Macaé (RJ), também tem ofertado equipamentos para degustação. 'Há um senso de urgência muito alto no mercado', diz Eduardo Stefano, vice-presidente de redes corporativas da companhia. Cidades como Sud Mennucci (SP), Piraí (RJ), Parintins (AM) e Tiradentes (MG) são outros exemplos.

'São projetos pequenos, apenas uma forma de demonstração da nossa capacidade', comenta o diretor comercial da Alcatel-Lucent, José Vasques, ao se referir à rede que a companhia inaugurou recentemente em Visconde de Mauá (RJ). 'Agora estamos partindo para outros casosde maior porte.'

Não são apenas os fabricantes de equipamentos que estão de olho no mercado de comunicação sem fio. As operadoras de telefonia fixa, embora resistentes a falar sobre o assunto, não estão paradas. 'As teles começaram a ver esses projetos acontecerem embaixo do nariz delas e agora decidiram agir', diz o gerente comercial da divisão de governo da D-Link, Fred Maynart. 'Hoje só a Telefônica tem mais de 20 gerentes nas ruas só para bater na porta das prefeituras.'

A Telefônica foi procurada para comentar o assunto, mas não deu resposta. A Brasil Telecom não quis falar sobre o tema. A Oi, por meio de nota, afirmou que 'a expansão da oferta de banda larga traz benefícios inquestionáveis', mas a implantação de projetos como o das cidades digitais 'demanda investimentos que vão além da aquisição de equipamentos' para redes municipais. Uma saída para a sustentação das iniciativas, segundo a operadora, seriam as parcerias público-privadas.

As discussões sobre a viabilidade dos projetos também passam pelo aspecto da tecnologia. Há experiências em que as redes WiFi, originalmente usadas em ambientes internos, como aeroportos, têm se mostrado mais viáveis em projetos nos quais a área de cobertura não é tão extensa. Em outras situações, a escolha pende para o chamado WiMax, padrão de maior alcance que o WiFi, porém mais caro. Uma terceira via ainda pode ser o WiMesh, tecnologia usada na cidade mineira de Tiradentes que faz uso de várias antenas instaladas em diferentes pontos para ampliar sua capacidade de transmissão.

Para o prefeito de Santa Cecília do Pavão, Edimar Santos, os meandros tecnológicos são irrelevantes. 'O importante é que, agora, se alguém sentar na praça da cidade com um notebook no colo poderá navegar pelo mundo.'

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Idec aconselha assinante a pedir detalhamento de cobrança

Os donos de linhas telefônicas fixas devem pedir às operadoras o detalhamento das contas para verificar o impacto da cobrança nas chamadas fixas locais, agora em minutos e não mais em pulsos. O alerta é do advogado Luiz Fernando Moncau, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Por exigência da Anatel,o consumidor tem direito a receber, na primeira conta cobrada em minutos, uma comparação detalhada entre o novo e o antigo sistema. 'O consumidor tem que pedir às operadoras e precisa ficar atento, para não pagar mais caro', lembrou Moncau.

Para o advogado, o ideal seria que as empresas fossem obrigadas a enviar a comparação. “O próprio Código de Defesa do Consumidor estabelece que o consumidor tem direito à informação quando adquire um novo serviço, mas não foi isso que as operadoras e Anatel entenderam”, comenta.

Na terça-feira (31/7), terminou o prazo para as operadoras alterarem o sistema de tarifação. A Anatel criou duas opções para os assinantes: o Plano Básico e o Plano Alternativo de Serviço de Oferta Obrigatória. As operadoras enviaram cartas aos donos das linhas avisando da mudança, mas quem não fez a escolha foi automaticamente incluído no primeiro plano.

Na avaliação do advogado, o percentual dos que optaram pelo segundo revela a desinformação dos consumidores. “As próprias operadoras divulgaram que apenas 5% dos assinantes escolheram o Plano Alternativo. Isso ocorreu porque as contas de telefone quase não têm trazido informações sobre a mudança nem detalhado o perfil do usuário”, criticou.

No sistema de pulsos, as ligações locais entre telefones fixos eram tarifadas a cada quatro minutos. Nos dois planos criados pela Anatel, a cobrança passou a ser feita por minuto, comoocorre com as chamadas interurbanas e internacionais e nas ligações de celulares, mas o cálculo da tarifa varia conforme o sistema escolhido.

No Plano Básico, o minuto custa entre R$ 0,09 e R$ 0,10. No Alternativo, fica entre R$ 0,03 e R$ 0,04, mas existe uma tarifa equivalente a quatro minutos cobrada assim que a ligação é atendida.

A orientação do Idec é para opção pela Plano Básico por quem costuma fazer chamadas de menos de dois minutos e meio. Acima disso, sugere o advogado, o melhor é mudar para o Alternativo. 'Uma ligação de 15 minutos no Plano Básico custará o dobro em relação ao sistema de pulso”, advertiu. E também aconselhou quem usa internet discada a migrar para o novo plano.

Por meio de sua assessoria, a Anatel informou que não exigiu o envio das contas detalhadas a todos os usuários, a fim de evitar o gasto excessivo de papel, com custos econômicos e ecológicos. Ressaltou, no entanto, que o usuário pode pedir o detalhamento da conta, com envio gratuito.

A agência reguladora destacou que a cobrança por minutos permitirá maior controle dos assinantes sobre as ligações, porque no sistema anterior o consumidor pagava um pulso inteiro a mais, mesmo se a chamada ultrapassasse em poucos segundos o intervalo de quatro minutos.

* Com informações da Agência Brasil.

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Mesmo sem critérios para testes, Costa quer definir por Iboc

Reunião do Conselho Consultivo de Rádio Digital realizada na manhã desta quarta-feira em Brasília apresentou informações e decisões desconexas. Representantes da sociedade civil presentes informaram que o Ministério das Comunicações tem interesse em terminar o mais rápido possível suas análises sobre o tema, emitindo relatório para que a Casa Civil referende a adoção do padrão norte-americano de rádio digital. 

Contando com aproximadamente 30 participantes, a reunião começou sem pauta, sem a presença de Helio Costa, ministro das Comunicações, e esteve focada na ausência de resultados de testes com os padrões existentes. “Consideramos fundamental a definição de critérios para estes testes, que devem ser construídos publicamente, através de consultas públicas realizadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que até o momento só foram abertas para o padrão IBOC AM”, coloca Bráulio Ribeiro, representante do Intervozes na reunião.

Com a chegada do ministro, a discussão passou a girar em torno da possibilidade de produção de um relatório, pelo Ministério das Comunicações e dirigido à Casa Civil, sobre o tema. Apesar de o representante da Anatel ter afirmado que o prazo de 30 ou 60 dias estabelecido pelo ministro era inviável para a realização dos testes criteriosos, Costa afirmou que um prazo maior não era necessário, uma vez que para o FM só existe a solução HDRadio da iBiquity, padrão conhecido como IBOC e que, da mesma forma, para transmissão em Ondas Curtas AM, a única opção é o europeu DRM (Digital Radio Mondiale), enquanto para as Ondas Médias em AM (nosso AM convencional) novamente a solução é o sistema IBOC. Em seguida, Costa solicitou que as emissoras apresentassem o resultado dos testes em 30 dias, mesmo que não existam critérios para avaliá-los e compará-los.

As opções

A única opção considerada pelos grandes radiodifusores nacionais é a estadunidense HDRádio, da empresa iBiquity, que mesmo nos EUA não tem tido adesão maciça. O padrão é proprietário e a iBiquity não tem a intenção de liberar dados técnicos do sistema de modulagem para testes da indústria nacional, questão que gerou polêmica na reunião.

O modelo DRM, construído de forma não proprietária, chama atenção como solução para a transmissão em Ondas Curtas. Apesar de estar em desenvolvimento, pouco se fala na possibilidade de usar a base do sistema como solução para o FM. Para Marcus Manhães, engenheiro do CPqD, é possível que universidades e empresas nacionais desenvolvam este sistema. “Não existe limite de tecnologia. O IBOC é apenas uma solução de interação. O grande problema é que está voltada para um negócio de rádio como historicamente já temos, mantendo a estrutura de radiodifusão por não oferecer opções de serviços ou por não utilizar melhor o espectro”, coloca Manhães, ao tecer críticas à escolha de qualquer modelo que considere o rádio digital apenas como uma forma de melhorar a qualidade do sinal. “Mas era esperado. Aqui no Brasil os radiodifusores são negócios de família, mas é um momento em que pode haver uma quebra de paradigma, pois a relação com o meio muda, mas se depender dos radiodifusores nada mudará”, afirma o engenheiro.

Os radiodifusores, por sua vez, defendem abertamente o IBOC. “Defendemos o padrão IBOC porque é um sistema que opera em AM e FM na mesma banda e na mesma freqüência. Assim, você tem uma facilidade de transmissão inigualável. É o único que atende a esses pré-requisitos”, afirma Daniel Slaviero, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Não há, entretanto, posição quanto a testes ou estudos dos outros três sistemas em desenvolvimento, o FM Japonês, um sistema FM europeu e o sistema “FM Extra”, estadunidense. Soluções como o uso da tecnologia Wi-max também não estão sendo consideradas.

Afinal, e os testes?

Os testes que Costa pede que sejam entregues dentro de um mês para a Anatel estão sendo realizados por em torno de 20 rádios – o Ministério afirma que são 21, mas a Abert diz que são 16 – em HD Rádio AM e FM, todas nas regiões metropolitanas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Porto Alegre. As únicas emissoras que irão testar o sistema europeu Digital Radio Mondiale (DRM) em ondas curtas (OC) são a Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e a Radiobrás.

Apesar das autorizações para testes, a Anatel prevê que só no fim deste ano sejam definidos critérios técnicos para o padrão HD Rádio AM, neste momento em consulta pública. As propostas de critérios para o sistema HD Rádio FM e DRM AM estão sendo construídas pela agência e sequer entraram em consulta pública, mas é certo que entre os critérios que deverão ser adotados estão o uso da banda e a qualidade do sinal.

O pesquisador do CPqD Takashi Tome ressalta, no entanto, que é fundamental realizar um teste completo com ambos os padrões, como ocorreu durante a escolha do padrão de TV Digital. Bráulio Ribeiro, do Intervozes, aponta que as diferenças se estendem para o processo participativo, “restrito a algumas audiências públicas e a três reuniões com pautas fragmentadas e sem estudos ou grupos de trabalho”. 

Por que a pressa ou tragédia programada?

Argüido durante a reunião de 1 de agosto sobre a necessidade de análises mais sólidas, Costa afirmou que “o rádio digital vai passar rigorosamente pelos mesmos procedimentos da TV digital”, e que, “teremos os mesmos estudos que tivemos no caso da televisão”. Surgem então duas questões: por que motivo os resultados têm de sair depois da definição de um padrão e por qual motivo o padrão tem de sair tão rápido. Fato é que Portaria publicada no Diário Oficial da União, em 14 de março estabeleceu um prazo de seis meses, ou seja, até 14 de setembro, para que o Conselho Consultivo apresente ao Ministério o relatório final, com a decisão sobre o modelo a ser adotado no país.

É questionável, porém, que depois de somente três reuniões e em um mês tal Conselho possa produzir um relatório que se torne referência para a adoção do sistema de rádio digital no país. Além disso, há a dificuldade da indústria de transmissores nacional de realizar testes. O representante da Telavo na reunião reivindicou uma atenção ao setor por parte do Ministério das Comunicações, uma vez que a iBiquity não liberou os padrões de modulação do HDRadio, impedindo o início dos testes por parte da indústria nacional. A resposta de Costa, por sua vez, foi ambígua: num primeiro momento não deu crédito à posição do representante da indústria, para em momento posterior pedir que industriais e representantes da iBiquity sentassem e chegassem a um acordo.

Fazendo coro ao Ministério, Slaviero, da Abert, afirma que “a questão do padrão já está muito madura para decisão. Não há outra opção. Para o sistema AM e FM o único padrão no mundo disponível é o padrão IBOC, assim como a questão das ondas curtas o único padrão disponível é o DRM. Esta questão do padrão está absolutamente madura para que o governo dê prosseguimento interno e possa tomar a decisão. Os relatórios vêm só contribuir no seguinte sentido: se a cobertura digital está maior, igual ou menor que a analógica. Não vêm necessariamente argumentar ou questionar a qualidade do padrão”.

A política do fato consumado

A defesa dos radiodifusores também está ancorada em gastos já realizados na compra de transmissores, como é repetidamente colocado nos fóruns de área. Costa aponta na mesma direção: “essas empresas já estão investindo na possibilidade de que o modelo venha ser o americano. Se escolhermos pelo modelo americano, elas partem para comprar o transmissor. No espaço de um ano, as emissoras brasileiras deverão estar praticamente todas engajadas na transmissão digital. As indústrias já disseram que, em quatro meses, têm condições de colocar o transmissor, parte importado, parte nacional, no mercado”.

Resta saber quem pagará a conta da transição, dispendiosa para rádios de pequeno porte e para a indústria. Embora sem dar detalhes, Costa afirmou que a iBiquity se propôs, através de carta, a abrir mão dos royalties sobre sua tecnologia. “Falta esclarecer, porém, qual o prazo e quais os critérios que serão adotados para tal, para que não sejam beneficiadas somente as grandes rádios”, coloca Ribeiro. Da mesma forma, faltam detalhes na proposta de financiamento público para a compra de transmissores, já lançada pelo ministro em ocasiões anteriores. No caso da TV digital, paradigma que deve ser adotado, as linhas de fomento são de difícil acesso para pequenas emissoras.

Com o açodamento do processo, perde a democracia. Manhães, do CPqD, coloca que, com a digitalização nos modelos que têm sido discutidos, em especial o HD Rádio, a tendência é que haja uma diminuição no número de atores no espectro. “Para quem defende a questão da democratização da radiodifusão é preciso estar atento que a sociedade brasileira se beneficia desse processo. Uma digitalização muito severa, em termos financeiros, é algo que enfraquece o radiodifusor pequeno, pois o modelo de negócios da radiodifusão sonora é crítico, principalmente e para as emissoras menores”.

* Nota da redação: o repórter busca contato há dez dias com o Ministério das Comunicações e os representantes da Ibiquity no Brasil. Até o momento só houve resposta do Ministério, solicitando prazo maior para poder atender a pedidos de entrevista.

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Anatel abre licitação para telefonia móvel

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disponibilizou ontem, 31 de julho, o edital de licitação para exploração do Serviço Móvel Pessoal (SMP). A licitação permitirá a expedição de autorizações do serviço em todo o território nacional, além de possibilitar às atuais operadoras expandir seus serviços. Ao todo, serão licitados 105 lotes em 28 áreas de prestação.

Os preços mínimos estabelecidos variam de R$ 9,3 mil – lotes 90 e 91, correspondentes à área de prestação 25, que abrange o município de Paranaíba, no Mato Grosso do Sul – a R$ 106,4 milhões – lote 5, correspondente à área de prestação 16, que abrange a Região 1 (veja a tabela ao lado) do Plano Geral de Autorizações (PGA), área de concessão da Telemar.

Serão licitadas as Bandas E, M e L, além das subfaixas de extensão em 900MHz e 1.800MHz. De acordo com o edital, a utilização das bandas licitadas só poderá ser efetivada após o a ocorrência do leilão de 3G. Dessas, a L em particular possui grande potencial de interferência em uma das bandas de 3G, a J. Portanto, a prestadora que obtiver a licença de exploração daquelas bandas, deverá aguardar a vencedora das faixas de terceira geração ou uma autorização expressa da Anatel para receber a licença.

O recebimento do Documento de Identificação, das Propostas de Preço e da Documentação de Habilitação dos interessados será no dia 18 de setembro de 2007, às 10h, no auditório do Espaço Cultural Anatel, em Brasília. O edital pode ser solicitado pelos interessados à Comissão de Licitação nos dias úteis, das 9h às 12h e das 15h às 17h, estando também disponível para consulta pela Internet no site da Anatel (clique aqui).

O Edital de Licitação para Expedição de Autorização e/ou Outorga de Autorização de Uso de Radiofreqüência do Serviço Móvel Pessoal (SMP) nas Subfaixas de Radiofreqüências E, M, L e de Extensão em 900MHz e 1.800MHz foi colocado sob a Consulta Pública 756 e esteve aberta a contribuições entre o final de 2006 e início de 2007.  

Governo cria grupo para estudar criação de grande empresa nacional

O primeiro passo para ser criada a empresa nacional de telecomunicações foi dado. Hélio Costa, ministro das Comunicações, disse hoje que o presidente da República autorizou a criação de uma comissão que será integrada por representantes do Minicom, da Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento, Ministério de Relações Exteriores e da Anatel para preparar uma proposta para a criação da empresa nacional. 

Segundo Costa, a idéia do grupo surgiu depois que o ministro apresentou relatório para o presidente da República a respeito da situação atual do mercado, manifestando a conveniência de se pensar nessa possibilidade. De acordo com o ministro, essa grande empresa começaria por uma proposta de fusão entre a OI/Telemar e a Brasil Telecom.

Para representar o Minicom nessa força tarefa, Costa disse que já indicou dois nomes do quadro do Ministério e um de fora. O secretário de Telecomunicações, Roberto Pinto Martins; o consultor Jurídico, Marcelo Bechara; e pela iniciativa privada, o consultor de telecomunicações Sávio Pinheiro.

Na opinião do ministro, essa empresa nacional terá que ter salvaguardas que a preservem da cobiça dos investidores estrangeiros. Segundo Costa, esse procedimento pode ser na forma de uma golden share (ação especial com poder de veto em mãos do governo) ou outro instrumento que dê garantia que a empresa não seja vendida para o capital externo, sem passar pelo crivo do governo. “Não queremos uma empresa pública brasileira. Queremos uma empresa de maioria de capital brasileiro”, frisou. 

Costa explicou que o grupo vai estudar a viabilidade da construção dessa empresa e a viabilidade de participação de empresários brasileiros de todos os setores. O ministro também esclareceu que, após a conclusão dos estudos, o presidente da República poderá mudar Plano Geral de Outorgas (PGO), que hoje impede a união das concessionárias de telefonia fixa. “A partir daí, estará iniciado o processo”, concluiu.

Active Image publicação autorizada.