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Telefonia popular é sucesso no sertão cearense

Enquanto muitas empresas de telefonia móvel não têm cobertura em certas cidades alegando falta de retorno financeiro, o mercado da Local Telecom é justamente as cidades do sertão cearense, onde a renda per capita é de cerca de R$ 2 mil reais por ano. A empresa, subsidiária da norte-americana Ruralfone Inc, diz que é possível ganhar dinheiro nesse nicho de mercado, muitas vezes desprezado pelos grandes grupos. A Local Telecom tem licença de telefonia fixa, mas usa a tecnologia GSM em conjunto com o WLL de modo que o serviço fica restrito à cidade onde ele foi contratado.

A Local Telecom iniciou suas atividades em 2004 com um investimento de US$ 4 milhões na cidade de Quixadá, que tem cerca de 30 mil habitantes. Hoje a empresa tem cerca de 3 mil assinantes na cidade o que, segundo Denis Coté, responsável pela operação brasileira, corresponde por cerca de 50% das linhas. A outra metade das linhas é da concessionária local, a Oi. “A teledensidade aumentou 70% em dois anos aqui em Quixadá”, afirma ele.

Hoje, a empresa está presente em quatro cidades (Quixadá, Quixeramobim, Russas e Aracati) do sertão cearense, todas com o mesmo perfil: baixa densidade populacional e reduzida renda per capita. Apesar disso, a Local Telecom planeja expandir sua cobertura para mais dez cidades. “A partir de 2010 vamos partir para cidades menores ainda, com 15 mil, 20 mil habitantes”, afirma Coté.

O executivo dá pistas da dimensão do mercado onde atua. “A Telemar atende 16 Estados, no entanto, 61% das linhas estão no Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Ceará 66% das linhas estão em Fortaleza e em Juazeiro do Norte”, afirma. Nos estudos de ampliação da cobertura da Local Telecom, Denis Coté identificou 400 cidades com o mesmo perfil de Quixadá.

Planos

A Local Telecom tem o plano “Sem Controle”, que o usuário adquire o chip GSM por R$ 15 e paga uma tarifa flat de R$ 39 e pode falar à vontade em chamadas locais. Já o “Local Popular” é um plano pré-pago em que o usuário paga uma taxa de habilitação de R$ 35, com R$ 10 de crédito incluído. Os cartões de recarga são de R$ 5, R$ 10 e R$15. A chamada de Local para Local custa R$ 0,20 o minuto; já a chamada de Local para outros telefones fixos R$ 0,40 e de Local para celular R$ 0,80. Chamadas de longa distância nacional e internacional são cobradas diretamente pela operadora escolhida. “As pessoas compram de nós, porque somos os melhores. Se o cliente não fica satisfeito, devolvemos o dinheiro sem perguntas”, finaliza Coté.

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Bedran, da Anatel, defende licença única de prestação de serviços

O recém empossado conselheiro da Anatel, Antônio Bedran, acredita que entre três e cinco anos o Brasil terá um marco regulatório ajustado à convergência tecnológica. Entre os ajustes que serão feitos, o principal deles para o conselheiro Bedran, é a implantação da chamada licença única, “que deixa o prestador decidir que tipo de serviço ele vai prestar na sua plataforma tecnológica”.

Segundo ele, a União Européia deu o exemplo ao instituir a licença única, que lá é chamada de autorização geral. “O Brasil caminha para essa solução, mas tem um quadro de legislação complicado, com muitas leis. Temos a LGT, a lei do cabo etc”. Embora reconheça o excesso de regulamentação, Bedran afirma que a LGT não deverá ser revogada. “A LGT possui pilares, princípios. Ela certamente vai sofrer ajustes para permitir o triple play e a revolução tecnológica”, afirma.

O conselheiro participou do II Seminário Fiesp/Ciesp de Telecomunicações, nesta terça-feira, 7, em São Paulo. Durante o debate, o secretário de telecomunicações da Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, lembrou quer os serviços convergentes “muito provavelmente serão prestados em regime privado”. O que não opinião do secretário torna inevitável uma mudança na legislação do Fust, de modo a permitir que os recursos do fundo sejam utilizados para este tipo de serviço. “Fizemos um trabalho (para modificar a regulamentação do Fust) que acabou redundando no projeto de lei do senador Aloizio Mercadante, que já está sendo apreciado pela Câmara dos Deputados”, diz ele. Pinto Martins tem a mesma opinião do conselheiro Bedran a respeito da alteração ou não da LGT. “A LGT precisa ser alterada? Nós acreditamos que não, porque ela estabelece conceitos”, diz ele.

Empresa nacional

O secretário afirmou que não está nos planos do governo tornar a empresa resultado da fusão BrT/Oi – caso ela venha mesmo a acontecer – uma empresa pública. Não é, segundo ele, uma re-estatização das empresas. “Ambas as empresas hoje tem capital público, o que não significa que elas sejam do Estado”, afirma. O sócio-diretor da consultoria McKinsey, que também participou do debate, não se mostrou convencido de que a uma grande empresa nacional é uma boa idéia. “Quais são os benefícios que a sociedade brasileira, os consumidores brasileiros poderiam ter com essa consolidação?”.

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YouTube tira do ar vídeos que comprometem diretor da Globo

O YouTube – que fechou acordo com a TV Globo neste ano – está tirando ar, sistematicamente, um polêmico depoimento dado por um dos manda-chuvas da emissora. No vídeo, o diretor do Big Brother Brasil, J.B. de Oliveira, o Boninho, é flagrado pelas câmeras enquanto afirma ter atirado ovos (da sacada de um prédio) em "muita vagabunda em São Paulo" (na rua).

Boninho no vídeo: polêmica Dividido em duas partes, o vídeo exibe pessoas jogando ovos do alto de um apartamento no Rio. Os alvos: pessoas, carros e lotações. Para a Globo, a fala do funcionário é uma "brincadeira". Mas o site de vídeos mais popular da web não contrariou os interesses de sua parceria.

O vídeo traz o relato de celebridades e socialites colhido em uma festa. Os "entrevistados" dizem que tipo de coisas já jogaram em pessoas de seus apartamentos. Narcisa Tamborindeguy e Leonel Brizola Neto, por exemplo, afirmam que gostam de jogar ovos. Narcisa também ensina como atingir pessoas com comida.

Boninho também depõe: ele chega a dar uma "receita" para deixar os ovos podres, após dizer que já acertou com ovos "muita vagabunda em São Paulo". Na quinta-feira, as imagens foram as mais vistas na versão brasileira do site. Nesta sexta-feira, no entanto, parte dos links desaparecem do YouTube assim que internautas postam cópias.

Outro lado

Segundo Felix Ximenes, diretor de Comunicação do Google no Brasil, "é difícil especular por que os vídeos saíram do ar". Ele diz que as exclusões do YouTube são feitas na Califórnia (oeste dos EUA). "Mas nós não fazemos censura, os vídeos saem ao violar termos de uso." Ximenes não soube informar que tipo de violação havia no "vídeo dos ovos".

Já a TV Globo afirma que a declaração de Boninho não passa de uma brincadeira. "A TV Globo tem a convicção de que o Boninho estava apenas sendo irônico", informou a CGCom.

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Net lança gravador de TV de alta definição

Maior operadora de TV paga do país, a Net lança hoje um equipamento que funcionará como receptor de TV digital, para canais abertos e fechados, e gravará programas transmitidos em alta definição (HDTV).

O aparelho, chamado de DVR (Digital Video Recorder), será apresentado na feira do setor de TV paga, em São Paulo. O equipamento só chegará aos assinantes em dezembro, quando as redes abertas (inicialmente, só em SP) e canais pagos começam a transmitir em HDTV.

O DVR deverá custar cerca de R$ 800. Ele substitui a caixa receptora da operadora e também a de TV digital aberta. Quem adquiri-lo não precisará comprar mais nada para ver canais abertos em alta definição.

Assim como a caixa decodificadora de TV digital, o DVR da Net só dará proveito total do recurso de alta definição se o telespectador possuir os novos televisores "full HDTV". Mas já haverá salto de qualidade com televisores de plasma ou LCD.

O equipamento só estará disponível a assinantes do serviço digital da Net, que são cerca de 300 mil atualmente (do total de 2,3 milhões em todo o país). Terá capacidade de gravar cerca de 100 horas de programas.

Segundo Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net, o DVR, da marca Cisco, também oferecerá interatividade plena (por exemplo, o telespectador poderá votar em enquetes feitas pelas emissoras usando o controle remoto).

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Jornalistas brasileiros atualizam seu Código de Ética

O Código de Ética dos Jornalistas do Brasil ganhou novos dispositivos compatíveis com os novos tempos tecnológicos, através de emendas aprovadas durante o Congresso Extraordinário realizado em Vitória nos dias 3, 4 e 5 últimos – ocasião em que foi dada posse a nova diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas, presidida pelo jornalista Sérgio Murilo.

As propostas aprovadas pelos 150 delegados presentes foram antes submetidas a um intenso debate, que teve como ponto de partida uma concorrida palestra feita por Javier Dario Restrepo, especialista em ética, ganhador do Prêmio Latino-americano de Ética Jornalística outorgado pelo Contro Latino-americano de Periodismo e Universidade Internacional da Flérica, em 1997. Javier é autor de vários livros e fundador da Comissión de Ética Del Circulo de Periodismo de Bogotá.

A antiga versão do código, em vigor desde de 1987, não contemplava temas como manipulação de imagens digitais, câmera oculta e assédio sexual e moral nas redações. Pelas novas regras, fica proibido divulgar informações com uso de identidade falsa e câmeras escondidas. "As exceções só valem em casos de interesse público e quando se esgotarem todas as formas de apuração tradicional", explica Aziz Filho, delegado eleito pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. O código também sugere que se evite a edição de imagem digital através de Photoshop. Se isso ocorrer, pede-se que a imagem venha acompanhado de um selo, ou crédito, avisando o leitor que a imagem foi manipulada. Terminada a plenária final do Congresso, quando foi assinada a "Carta de Vitória".

O jornalista goiano Luiz Spada, presidente do Conselho de Ética da entidade, foi o principal mentor do novo Código, submetido a aprovação dos delegados neste fim de semana. Ele explicou algumas mudanças importantes que nortearam os debates em Vitória: "O nosso código é muito bom, mas precisava se adaptar aos novos tempos. É preciso respeitar a privacidade das pessoas e acabar com o uso indiscriminado de câmera oculta na apuração de reportagens. As pessoas tem o direito de saber que estão sendo entrevistadas. Não precisa forçar a barra para fazer jornalismo. Outro ponto que queremos debater é a prática da manipulação digital de imagens, algo que ficou banalizado com o advento do Photoshop".

O conceito de assédio seja ele moral ou sexual, esteve em debate. "Essa é uma questão relativamente nova. Esse debate já existia antes, só que a cultura das redações era outra. As pessoas despertaram para isso. O mundo do trabalho mudou", diz Spada.

Um tema espinhoso levantou polêmica no evento da Fenaj: o limite entre o assessor de imprensa e o jornalista da redação. Em muitos países, como Portugal, por exemplo, o jornalista que começa a trabalhar como assessor de imprensa deve se desligar do sindicato dos jornalistas. Já no Brasil, as duas atividades são compatíveis. Tanto que os assessores de imprensa também são representados pela FENAJ. Mais que isso. Praticamente não existem restrições para assessores de imprensa que trabalham também em redações. "O assessor de imprensa não pode trabalhar como repórter na área que ele atende. Por exemplo: se o jornalista for assessor do Vasco da Gama não pode cobrir esporte", explica Spada.

Apesar do esforço da Fenaj para criar novos parâmetros éticos para o jornalismo, o novo código não tem o poder de cassar diplomas, como acontece com a medicina ou o direito. "As penas são de efeito moral. Nos casos mais graves, o máximo que podemos fazer é expulsar o jornalista dos quadros do sindicato", observou Spada.

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