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Música no telefone celular cria nova cadeia de fornecimento

Estimular o consumidor a ouvir música pelo celular está se tornando um negócio importante não só para as empresas ligadas diretamente à telefonia, como as operadoras móveis e os fabricantes de aparelhos. Pelo menos duas outras categorias de empresas estão trabalhando ativamente para organizar a recente cadeia de fornecimento da música on-line. São as companhias de mídia e entretenimento, como gravadoras e canais de TV, e uma versão atualizada daquilo que se tornou conhecido como 'syndicate' – as agências que vendiam notícias para vários jornais ao mesmo tempo. Só que no lugar das reportagens, entram as músicas.

'Se faltasse uma dessas partes, eu teria dúvidas sobre o sucesso do negócio', diz Felippe Llerena, diretor-executivo da iMusica. A empresa, criada no ano 2000, é um dos melhores exemplos do formato renovado adotado pelo 'syndicate' na era da internet. Parceira da Claro em sua investida na música on-line, a iMusica negocia as faixas com as gravadoras e as licencia para uso por outras empresas, além de vender as músicas diretamente ao consumidor, via internet. 'Temos contrato com 350 gravadoras independentes brasileiras, além das quatro grandes multinacionais do setor: EMI e Warner, para celular e internet, e Universal e Sony BMG, para a web', diz Llerena.

Com sete anos de atividade, a iMusica não é uma novata na área, mas teve de esperar bastante tempo até convencer as grandes gravadoras – as chamadas 'majors' – a licenciar seu conteúdo. 'Só conseguimos concretizar (os acordos) no ano passado', afirma Llerena.

As multinacionais do disco demoraram a aderir ao download – a transferência do arquivo para o computador ou celular – por temerem que a novidade devorasse seu negócio central, já em dificuldades: a venda de CDs. 'A base de telefones celulares no Brasil é de 105 milhões de unidades e a existência de uma loja de música aberta 24 horas por dia, sete dias por semana, é uma oportunidade de ouro – para nós e para as gravadoras', diz Llerena.

Na iMusica, o acordo com a Claro abre as portas da internacionalização, já que o contrato é válido para 15 países nos quais a América Móvil, que controla a operadora, tem negócios. 'Sem dúvida, teremos de fazer um trabalho de expansão para o exterior, com a abertura de filiais em alguns países', diz Rodin Spielmann, diretor financeiro daIdeiasNet, que controla a iMusica.

Concentrada no investimento em empresas de tecnologia, a IdeiasNet elevou há dois meses sua presença no capital da iMusica: a participação saltou de 75% para 93%. Agora, além do impacto direto na empresa de distribuição digital, o acordo fechado com a Claro pode proporcionar vantagens a outras empresas do grupo, diz Spielmann.

É o caso da Padtec. A companhia, na qual a IdeiasNet detém 34,2% de participação, produz equipamentos comprados pelas operadoras para aumentar o tráfego de dados. 'É uma atividade que cresce exatamente porque companhias como a iMusica estão oferecendo serviços capazes de aproveitar a capacidade de banda das telefônicas', diz o executivo.

O acordo com a Claro prevê uma oferta de música adaptada ao gosto do consumidor de cada país dentro da geografia da América Móvil.O cuidado é para evitar erros na abordagem ao público local: uma artista como Madonna, por exemplo, tem seus discos consumidos em qualquer lugar, mas um grupo de rock argentino pode ser ignorado no Chile ou vice-versa. 'O catálogo não é o mesmo', diz Marco Quatorze, diretor de serviços de valor agregado e roaming da Claro. 'Cada país escolhe (sua oferta) no iMusica.' Enquanto no Brasil há uma categoria específica para MPB, que não existe nos demais mercados, no México há outra só para os fãs de salsa, exemplifica o executivo.

Acertar na preferência do público remete a conceitos como audiência, uma preocupação diária das companhias de entretenimento de várias áreas, além da música propriamente dita.

A Fox Latin America Channels, que representa na região canais de TV paga como Fox, FX e National Geographic, está relançando no Brasil sua divisão My Fox. O objetivo da unidade? Levar para o celular produtos relacionados a seus programas de televisão, especialmente séries de grande audiência, como '24 Horas' e 'Prison Break'.

'Renovamos nosso contrato com a Oi e estamos negociando com todas as demais operadoras móveis', diz Patrícia Brito, gerente da divisão My Fox. Na nova fase, a estratégia é ultrapassar a fronteira das séries de TV e fornecer produtos relacionados a seus próprios canais, como o FX, direcionado ao público masculino e adulto. A lista inclui papéis de parede, toques de celular e vídeos curtos, de 30 segundos. Cada download varia de R$ 2,30 a R$ 5,99, chegando a R$ 10 no caso dos vídeos.

A principal aposta da Fox, com estréia prevista para novembro, é numa relação de produtos atrelados à série de animação 'Os Simpsons', que recentemente ganhou seu primeiro filme no cinema. 'Projetamos um crescimento de 60% nos downloads por causa dos Simpsons', diz Patrícia.

No futuro, o download de vídeos completos para celular pode se tornar um negócio importante, como começa a acontecer com a música, mas isso depende de uma série de definições de padrões tecnológicos por parte das operadoras, afirma a executiva.

A julgar por algumas experiências atuais, no entanto, é provável que personagens mundialmente famosos, como 'Os Simpsons', tenham de disputar espaço com produtos de origem quase anônima.

A TIM criou o TIM Studio, em que os usuários oferecem itens para download, como fotos, vídeos ou sons. Ao todo, 30% das transferências nessa área já são de músicas ou sons criados pelo próprio público. Os autores recebem R$ 0,15 por download. O resultado é que já surgiram as primeiras estrelas da nova onda: alguns clientes acumulam mais de R$ 2 mil em crédito com a operadora.

Conta de telefone fica mais cara a partir de hoje

Falar ao telefone fixo vai ficar mais caro a partir de hoje no Rio e em São Paulo. O reajuste no Rio é de 1,8% e já estava autorizado há dois meses pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas o aumento só passou a vigorar a partir de hoje graças a um acordo com as operadoras para que os usuários tivessem tempo de se adaptar às mudanças de pulso para minuto para as chamadas locais.

Com o reajuste, a tarifa do Plano Básico, referente a minuto, passou de R$0,10110 para R$0,10293. A taxa de completamento do Plano Alternativo de Serviço de Oferta Obrigatória, para ligações mais longas e acima de quatro minutos, subiu de R$ 0,15706 para R$ 0,15992. O pulso passa de R$ 0,15706 para R$ 0,15992.

Alguns serviços já vinham operando com aumentos desde julho, apesar do acordo com a Anatel. A assinatura de telefone passou a R$ 41,77, a habilitação de linha, a R$ 55,55, e os créditos de orelhão subiram para R$ 0,11815. Em São Paulo, o reajuste foi de 2,2%.

PF deflagra operação para fechar emissoras no Rio de Janeiro

Foi deflagrada na última sexta-feira, no município de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio, ação da Polícia Federal (PF) para coibir o funcionamento de rádios sem a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Vinte equipes da PF, em conjunto com fiscais da Anatel, deram cumprimento a diversos mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, em atendimento a representações ofertadas pela autoridade policial.

Todo o material foi arrecadado e apreendido na sede da Delegacia de Polícia Federal em Angra dos Reis, e dali seguirá para perícia na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro.Após, a Justiça Federal determinará o destino a ser dado ao equipamento.

Foram lavrados diversos Autos Circunstanciados para os casos em que os responsáveis estavam nos locais. Para os demais casos serão instaurados inquéritos policiais a fim de identificar com exatidão os donos das estações clandestinas.

Dos 22 mandados de busca cumpridos, 18 foram finalizados. A Delegacia de PF em Angra dos Reis contou com o apoio de policiais federais vindos da Delegacia de Volta Redonda especialmente para esse fim.

Rádios livres da Região Norte se mobilizam

Nesta sexta, 2 de fevereiro, as rádios Filha da Muda e Frequência Livre realizaram ações em Rio Branco (AC) e Belém (PA). Dia 9 a Xibé entra em ação em Tefé (AM). Faz uma semana que foram ilegalmente apreendidos os equipamentos da rádio Filha da Muda. O Coletivo Laratixa, que toca a rádio, durante toda a semana esteve realizando ações que culminaram no ato público desta sexta em frente à justiça federal. As ações em Belém e Tefé, que já vinham sendo preparadas como ações culturais e para arrecadar fundos, voltaram-se também à denúcia da apreensão e à solidariedade com a resistência acreana.

Em Belém a ação foi realizada pela rede [aparelho]:-, que faz intervenções em locais públicos com uma combi equipada com som, telão, filmadora, máquina fotográfica e microfones abertos ao público, que é convidado a se tornar produtor durante as intervenções. A ação desta sexta foi voltada ao público da Universidade Federal do Pará (UFPA), e teve entre outros objetivos o de levantar o debate sobre mídia livre e lançar o 'Consórcio Frequência Livre', grupo que irá cooperar para a compra de um transmissor e formação da nova rádio livre. A idéia agora é repetir a ação todas as sextas feiras, para que 'isso tome corpo (…) atraindo mais atenção pra essa discussão sobre midia livre que parece só rolar nas nossas cabeças'.

Em Tefé acontece, no próximo dia 9, a I Festa do Movimento Cultural de Tefé. A rádio Xibé, que nasceu dia 27 de outubro e é gerida pelo coletivo do CMI-Tefé, realizou no ano passado oficinas de rádio livre em metade das escolas públicas da cidade e na cidade vizinha. Agora pretende levantar fundos para equipamentos, manutenção, e viagens de voluntários para conhecer outros movimentos. Ao mesmo tempo, abrirespaços para os movimentos culturais de juventude e aproxima-los com a rádio livre e a discussão sobre mídia livre.

Evento começa sob a marca da divergência

O Futurecom 2007, que começa nesta segunda-feira, 01/10, não quebra a sua tradição. Os conflitos políticos estão à mesa e prometem movimentar os bastidores do maior evento da área. O governo e o setor têm mais uma oportunidade para minimizarem as suas diferenças e buscarem uma solução capaz de promover um novo ciclo de investimentos do setor no Brasil.

O grande astro político do evento será o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg. Diplomata por profissão, o executivo, certamente, tentará colocar panos quentes diante dos questionamentos da imprensa e do setor com relação às promessas setoriais do governo, não cumpridas de 2006 para 2007. A expectativa é que o órgão regulador fale sobre a Terceira Geração, tema que atrai toda a cadeia produtiva do setor.

O posicionamento do ministro das Comunicações, Hélio Costa, é uma grande incógnita. No ano passado, ele mandou um duro recado ao setor ao dizer que "políticas setoriais são responsabilidade do governo, não da Anatel". Agora, ele ainda vive o dilema do embate entre a Radiodifusão e as Telecomunicações, que ganha novos embates com a proximidade da estréia da TV Digital Terrestre, prevista para dezembro, na Cidade de São Paulo.

Certo ou não, as farpas prosseguem entre as partes. Tanto que, em pleno Futurecom, o Fórum Nacional da TV Digital realiza evento, no dia 02/10, na capital paulista, para discutir a implantação da tecnologia do País. Confirmaram presença representantes de todas as emissoras de TV e de fabricantes interessados em explorar o negócio. Um outro tema complexo será o leilão das freqüências do WiMAX, que se arrasta há um ano com embates entre operadoras, governo e Anatel.

Se a parte política evidencia os conflitos, sob o manto de "tecnologia e serviços", as operadoras também vão usar o evento para dar as suas cartadas na concorrência. Com o recente leilão das sobras das freqüências do Serviço Móvel Pessoal, o cenário da telefonia celular mudou.

A TIM, em pouco tempo, deixará de ser a única operadora nacional. Suas concorrentes, Claro e Vivo investiram e alcançaram a almejada cobertura em todo país. A Oi também correu por fora e entrou em São Paulo. Em meio a essas mudanças, cada uma assegura que apresentará uma grande novidade.

O Convergência Digital estará presente ao Futurecom 2007 para mostrar os embates, os bastidores empresariais e as inovações prometidas pelos provedores de serviço.