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Editoras criticam fusão entre distribuidoras Dinap e Chinaglia

Na última quinta-feira (11), a notícia que o Grupo Abril havia comprado a Fernando Chinaglia Distribuidora pegou o mercado editorial de surpresa. A fusão das duas maiores distribuidoras do Brasil – e a criação da Treelog S. A. Logística e Distribuição, uma nova empresa da Abril – foi comemorada por alguns, mas muito criticada por outros.

Várias editoras vêem com ressalvas e até apreensão o surgimento da Treelog.  Para Renato Rovai, editor da revista Fórum, distribuída pela Chinaglia, se todo o mercado de distribuição se concentrar nas mãos de uma única empresa, cria-se um "risco grandíssimo" de que ele seja manipulado. "Sempre fizemos críticas à Veja. Será que empresa da Abril vai continuar distribuindo nossas revistas?", questiona Rovai.

Segundo o editor, que foi avisado da fusão pela imprensa, a nova empresa pode causar problemas não só às pequenas editoras, mas também às grandes. Como exemplo, Rovai citou a Editora Globo, distribuída pela Chinaglia e concorrente direta de várias publicações da editora dos Civita. "E se a Abril quiser deixar de distribuir as revistas da Globo ou criar entraves?", se pergunta Rovai.

Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Editora Globo informou que também foi pega de surpresa. "Não fomos avisados antes [da fusão], ficamos sabendo pela imprensa. Por enquanto, não temos nada a pronunciar porque estamos esperando uma reunião com o pessoal da Chinaglia, o que deve ocorrer ainda esta semana", declarou a assessoria da Editora.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, a diretora de Marketing da Editora Globo, Yara Grottera, disse ser de fundamental importância nesse negócio preservar o que chama de "certos truques" que podem estimular vendas em bancas. "A revista Época (da Editora Globo) sai antes da Veja (Editora Abril), assim como a Marie Claire (Globo) circula dois dias antes da Cláudia (Abril). Isso cria oportunidade de venda no varejo, o que não quero perder", disse.

No mercado de publicações populares, um dos maiores concorrentes das revistas da Abril é a Editora Escala, também distribuída pela Chinaglia. Segundo o presidente da Editora, Hercílio De Lourenzi, se a independência das distribuidoras for mantida – como garante o comunicado da empresa -, a transação será positiva, senão, será "um desastre".

"Me lembro que, no início de sua empresa de distribuição, o Fernando Chinaglia se dizia ser o 'baluarte da democracia'. Me parece que essa função foi para o espaço. Essa é uma situação complicada e que ainda não podemos afirmar como acabará, mas mudou completamente o quadro, porque agora ficou difícil haver contraponto de idéias. Se as empresas mantiverem a independência, haverá até uma redução nos custos, se não, será um desastre", declarou Lourenzi, que também foi avisado da fusão pela mídia.

Mercados

A Distribuidora Nacional de Publicações (Dinap) detém cerca de 70% do mercado de distribuição e atende 32 mil pontos de venda. Além a Editora Abril, a empresa atende a outros cerca de 60 clientes. Já a Fernando Chinaglia, dona dos outros 30% de mercado, chega a 28 mil pontos de venda e responde pela distribuição de 250 empresas, entre elas a Editora Globo e Editora Três.

Como a fusão é entre as duas maiores empresas de distribuição do país, ela ainda terá de ser aprovada pelo órgão antitruste do governo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Grupo Abril tem 15 dias – a contar da data da aquisição (11/10) – para comunicar a compra.

Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Editora Abril disse que "não há previsão de alguém falar sobre o assunto". Até o fechamento da matéria, a Fernando Chinaglia Distribuidora não havia respondido às ligações da reportagem.

Legislação atual não garante transparência, diz Luiza Erundina

Belo Horizonte – “Precisamos de mobilizações para criar condições políticas para alterar a legislação”. Este foi o diagnóstico da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) durante o debate “Controle Público de Concessões de Rádio e TV”, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais na última segunda-feira, 15 de outubro, em sua sede em Belo Horizonte. Também participou do debate a deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), que integra junto com Erundina a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados.

As parlamentares apresentaram o trabalho da Subcomissão Especial da CCTCI destinada a analisar os atos de outorga e renovação das concessões. Segundo Erundina, o primeiro trabalho apresentado pela Subcomissão foi um relatório parcial que apresentou várias questões relativas aos procedimentos administrativos das outorgas e suas renovações. A subcomissão também produziu um novo ato normativo para estabelecer critérios para as apreciações das outorgas e renovações na Câmara. Maria do Carmo afirmou que ainda este ano estará no ar no site da Comissão um sistema de consulta sobre o andamento das outorgas na Comissão, para possibilitar uma maior transparência e participação da sociedade.

Luiza Erundina apontou a existência de um ambiente favorável criado pela organização da sociedade civil através dos diversos atos ocorridos no dia 5 de outubro em todo o país e do movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação. “Apenas a mobilização social será capaz de criar uma pressão externa ao Congresso para modificar a regulamentação existe do setor”, afirma a deputada. Para Erundina, a legislação existente hoje no país não é capaz de garantir transparência e nem um controle público sobre o processo de concessões.

Conferência Nacional de Comunicação

As deputadas Maria do Carmo Lara e Luiza Erundina apontaram que o espaço fundamental para se discutir um novo marco regulatório para as comunicações seja uma conferência nacional democrática, como as realizadas para a definição de outras políticas públicas, como a de saúde, educação, direitos humanos e mulheres. Maria do Carmo garantiu que o PT está trabalhando para a realização da conferência junto ao governo e que vários setores do próprio Executivo já estão sensibilizados com a questão. Erundina afirmou que já está sendo feito um esforço para garantir dentro da Lei Orçamentária verbas para a realização da conferência em 2008.

Anatel aguarda CCS para publicar direitos dos assinantes

Seguindo uma nova linha de aproximação dos interesses do consumidor, a Anatel aprovou na última quinta-feira, 11, o Regulamento dos Direitos dos Assinantes de TV por Assinatura. Quando começou a ser pensado, em 2003, a meta do documento era ser uma ferramenta preventiva nas disputas entre usuários e empresas. No entanto, o longo processo de discussão sobre o texto e o avanço dos serviços de TV por assinatura mudaram o cenário de divulgação da medida. Agora, o regulamento não só irá evitar abusos das empresas, como solucionar algumas pendências já existentes no universo dos serviços de televisão paga.

As novas regras, no entanto, demorarão um pouco mais para tornarem-se totalmente públicas. Como as mudanças afetam as empresas regidas pela Lei do Cabo, a Anatel é obrigada a encaminhar o regulamento para análise do Conselho de Comunicação Social do Senado Federal CCS). Porém, o conselho não foi nomeado em 2007 e, neste ano, permaneceu desativado. Por isso, a tendência é que a agência tenha que esperar 30 dias até que prescreva o prazo de resposta para publicar o regulamento sem o aval do Senado.

As linhas gerais do novo regulamento foram divulgadas pela assessoria de imprensa do órgão regulador, mas o texto final completo só poderá ser apresentado após passado o trâmite no Senado. As empresas terão também um período de 180 dias para se adequar as novas regras, contados a partir da data de publicação no Diário Oficial da União.

Soluções

Um exemplo do tipo de problema que a Anatel pretende conter com o novo regulamento é a criação de uma regra específica para a colocação de pontos extra nas residências. Sem balizamento algum da agência, disputas sobre esse tema foram parar na Justiça, quando consumidores insatisfeitos e o Ministério Público questionaram a cobrança dupla pela programação quando solicitavam mais um acesso em suas casas. Com o regulamento, a briga deve ter fim. As empresas não poderão cobrar pela programação, que já é fornecida no ponto principal. Seus direitos ficarão restritos à cobrança da instalação, uso do equipamento e manutenção da rede interna.

Problemas dessa natureza eram raros no call center da Anatel. No entanto, o crescimento da base de assinantes – que passou de 3,5 milhões em 2003 para 5 milhões neste ano – e a digitalização do serviço elevaram fortemente o número de reclamações na agência, alertando as equipes de que o regulamento não podia mais esperar. Ao longo da construção do documento, a agência consultou todos os setores envolvidos. A participação foi tal que o órgão regulador chegou a fazer duas consultas públicas sobre o tema: a 582, em dezembro de 2004; e a 712, em 2006, onde foi apresentado um texto bem diferente da primeira provocação da autarquia devido à inclusão das sugestões da sociedade feitas na primeira apreciação pública.

Cautela

Parte da cautela em ouvir todos os segmentos ao longo dos últimos quatro anos se justifica pelas restrições da LGT à intervenção da Anatel nos serviços privados. Pela lei, a agência tem fortes poderes sobre o serviço em regime público, mas quando o tema é a prestação em âmbito privado, a legislação recomenda “mínima interferência” no mercado. “Só que mínima interferência não significa nenhuma interferência”, pondera Marconi Thomaz de Sousa Maya , gerente-geral de Regulamentação, Outorga e Licenciamento de Serviços por Assinatura.

Maya destaca que o eixo das definições feitas pela Anatel no novo regulamento é um velho conhecido dos consumidores insatisfeitos. “A gente achou justo trazer o Código de Defesa do Consumidor para dentro dessa relação com as TVs por assinatura.” Um outro aspecto considerado no texto aprovado na semana passada foi criar uma ferramenta que valha independentemente de qual a tecnologia usada para o provimento do serviço. “É o que chamamos de regulamentação convergente”, resume Maya.

A convergência das regras não é benéfica apenas para perpetuar o recém-aprovado regulamento em uma eventual mudança legal do setor. Na opinião da gerente de Regulamentação e Planejamento de TV por Assinatura, Maria Lúcia Bardi, o maior beneficiário de regras coesas é o consumidor. “Como esse setor tem uma regulamentação muito fragmentada, virava uma confusão quando se ia atender as demandas do consumidor”, afirma a gerente.

Projeto de jornalismo cultural vai compartilhar reflexões com a imprensa

A cobertura jornalística da TEIA 2007 contará com a atuação de uma agência de notícias constituída especialmente para enfrentar a complexa tarefa de registrar e difundir o encontro nacional dos Pontos de Cultura. Tal ação desafia-se a ser constituída pela diversidade e pela pluralidade necessárias para que se compartilhe uma visão ampla e multirreferenciada de toda a vasta e complexa programação do encontro, que acontece em Belo Horizonte entre os dias 7 e 11 de novembro.

Nos dias 3 e 4, às vésperas do evento, será ativada a “Oficina de Jornalismo Cultural Independente – TEIA 2007” que envolverá um grupo de candidatos a repórteres-oficineiros para a realização da cobertura jornalística. Convocados junto aos Pontos de Cultura; movimentos sociais, notadamente os comunicadores populares; movimento estudantil; estudantes, professores e profissionais de jornalismo; os oficineiros serão motivados por dois dias de debates e dinâmicas que lhes propiciarão realizar uma cobertura com reportagem compartilhada, escrita e em audiovisual, em plataforma pública, com aplicação de software livre e com conteúdos disponibilizados sob licença flexível para permitir novas propostas de compartilhamento no conceito de web 2.0.

A reportagem dos oficineiros alimentará os editores da agência de notícias que também disporão das reportagens executadas por uma equipe de 8 jornalistas do 100canais, escalados para a cobertura sistemática do encontro, além de uma equipe de mais de 40 profissionais da Fábrica do Futuro e da Estação 3, respectivamente ponto de cultura e empresa cooperada, envolvidos na produção da TV Teia. O conjunto destas visões será apresentado em forma de reportagens e notas escritas e audiovisuais, disponibilizadas para a imprensa e para o público em geral, com atualização contínua durante os cinco dias do encontro.

O jardim dos caminhos que se bifurcam

O detalhe interessante é que cada oficineiro será capaz de dar suas contribuições atuando em blogs, vlogs e fotologs próprios – a oficina se dará numa plataforma em que cada um poderá ter seu próprio domínio, e todos articulados em rede. De tudo o que for registrado em cada domínio autônomo dos oficineiros, aquilo que for assinalado pelo autor como conteúdo de interesse para a TEIA alimentará automaticamente uma central editorial da agência que utilizará tais conteúdos para a elaboração de matérias pontuais e transversais sobre os diversos temas e fatos envolvidos no encontro.

No primeiro dia de ativação, 3 de novembro, a “Oficina de Jornalismo Cultural Independente – TEIA 2007” trabalhará com a conceituação de novas tecnologias de diálogo e de novos diálogos sobre a tecnologia, as novas ferramentas disponibilizadas pela rede mundial de computadores, notadamente as destinadas à atuação colaborativa, o que tem caracterizado o surgimento e disseminação do conceito de web 2.0. Participarão provocativamente dos trabalhos Ana Carmem Foschini, jornalista, Hernani Dimantas, coordenador do LIDEC – Escola do Futuro – USP, e Edney Souza, blogueiro e empresário. Neste mesmo dia, dinâmicas de estruturação de espaço compartilhado de diálogo ativarão a rede que propiciará o ferramental para as atividades jornalísticas dos dias 7 a 11.

No dia 4, os temas diretos e subjacentes da TEIA serão apresentados aos postulantes a oficineiros. Na parte da manhã, com a participação de Antônio Martins, jornalista Le Monde Diplomatique Brasil e Ciranda da Notícia, Eliane Fátima Corti Bassos, professora de jornalismo nas Universidades Anhembi Morumbi e Municipal de São Caetano, Jonas Valente, jornalista e membro da coordenação nacional do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, e Rogério da Costa, engenheiro de sistemas e filósofo – PUC-SP, o debate motivará a discussão a respeito de velhas e novas práticas do jornalismo, notadamente daquelas que se encerram em dinâmicas voltadas à publicitação da agenda da indústria cultural, excluindo as pautas relacionadas com as políticas públicas de cultura, sua economia, a diversidade e as identidades, e outros temas que contribuiriam, se publicamente debatidos, com o reconhecimento do papel de centralidade da cultura nas relações humanas. Além disso, a dimensão pública e a função social do jornalismo serão evocadas por postulantes do jornalismo independente, livre e cidadão.

No encerramento, na tarde de domingo, os representantes do Ministério da Cultura, Célio Turino, secretário de Programas e Projetos Culturais, Cláudio Prado, consultor do MinC para a Cultura Digital, e Orlando Senna, secretário do Audiovisual, trarão, enfim, informações a respeito do processo TEIA, desde suas origens até a expectativa do encontro em vias de novamente se concretizar, além de outras dimensões das políticas públicas intimamente ligadas à própria TEIA, como a Cultura Digital e o Audiovisual. Assim, estarão contemplados os temas relacionados à cobertura da oficina e às ferramentas tecnológicas empregadas durante sua realização.

O que pensar disso tudo?

O secretário Célio Turino prossegue oferecendo sempre novas chaves interpretativas para o processo TEIA, tão difícil de definir: “na TEIA, a simultaneidade de ações e atrações sempre sugere sínteses interessantes. Neste ano, estamos prestando mais atenção nas simultaneidades entre a Cultura e a Educação, sem deixar de praticar o que já assimilamos de Economia Criativa e Solidária na TEIA de 2006. As metodologias simples e acessíveis, sustentadas em estruturas públicas, com custos baixos, que a Oficina de Jornalismo empregará, permitem pensarmos no potencial de replicação e disseminação de uma rede verdadeiramente capaz de compartilhar informações para a construção de um bem coletivo. Assim, serão vivenciados e discutidos aspectos das políticas voltadas à cultura digital, que é uma das extensões do Programa Cultura Viva. Noutra vertente, a oficina também contemplará o compartilhamento da produção audiovisual, desde a feita com os mais elementares aparelhos portáteis, até a atuação de uma TV estruturada, com estúdio, ilhas de edição e capacidade de transmissão. O compartilhamento deste saber e fazer, numa propositura que oferece a liberdade de atuação, gerará muitos frutos. Será estimulante protagonizar coletivamente este desafio”.

Na opinião de Bento Andreato, presidente do Instituto Pensarte, ponto de cultura proponente da metodologia da TEIA 2007, “esta oficina que se transforma em agência é mais uma manifestação da Cultura Viva! Acompanhando a lógica da troca para gerar a disseminação, estamos vendo um movimento rizomático que faz aflorar aqui e ali manifestações maravilhosas que, quando assim articuladas, possibilitam o surgimento de processos simultâneos: aprender enquanto se ensina, ensinando o que mais temos a aprender. Uma noção interessante para o verbo compartilhar”.

A heterogeneidade do público não assusta, ao contrário, estimula: “ainda que envolva diretamente os Pontos de Cultura, a oficina é uma interface da TEIA com uma dimensão ampliada da sociedade de Belo Horizonte, representada pelos estudantes, professores e profissionais de jornalismo no amplo espectro, desde os independentes até os da grande imprensa, além de comunicadores populares, vindos dos movimentos sociais e outros públicos que se sentirem estimulados a participar da cobertura compartilhada” – afirma Carlos Gustavo Yoda, coordenador do 100canais e idealizador da oficina. Yoda garante ainda que a capacidade de agregação de oficineiros é grande: “a plataforma que sustenta o sistema de alimentação permite a assimilação de um fluxo intenso de informações, o que contribuirá decisivamente para a pluralidade da cobertura”.

No campo do audiovisual, as possibilidades são também extensas: “fico entusiasmado de ver a possibilidade de emergirem, deste público que participará da oficina, alguns que possam realizar reportagens portando simples telefones celulares, por exemplo. Reportagens que gerarão interessantes usos, desde a difusão em TVweb, até áudio para a montagem de boletins radiofônicos, além de proporcionarem um acervo de imagens que, em seu conjunto, constituirá a primeira cobertura jornalística feita por celular” – vislumbra Marcelo Passos, um dos coordenadores do audiovisual na TEIA.

O editor-chefe da agência, Marcel Gomes, ainda aponta mais um detalhe da plataforma, concebida também com propósito didático: “ao expor publicamente a estrutura da cobertura, estaremos, na verdade, compartilhando um modo de fazer com quem quiser participar, ou apenas ver como funciona uma dinâmica editorial. O encontro de ativação da oficina dará o tom e proporá a pauta. Os oficineiros serão distribuídos em coberturas específicas, ora pluralizando a visão de nossos repórteres, ora cobrindo a extensão que a equipe 100canais não alcançará. Seus relatos serão misturados a um todo que gerará matérias, notas, acervo de imagens e de riquíssima matéria-prima para rádio. O detalhe provocativo é que o leitor interessado poderá rastrear as informações até sua origem, remetendo-se ao relato original do oficineiro e observando qual foi o tratamento editorial dado à reportagem original que ele postou na agência. Estamos em busca de noticiar compartilhando o como noticiar. A oficina propicia vivenciar isso na prática com o grupo de participantes e, em tese, com todos que quiserem dissecar os fluxos de informações desde as fontes de relatos até os textos publicados!”

Em breve, as inscrições para a oficina poderão ser feitas no site www.100canais.org.br. As vagas presenciais para a ativação da oficina são limitadas, o conteúdo todo será transmitido ao vivo na web. O acesso é gratuito e o resultado é público. Tudo de Todos!

Oficina de Jornalismo Cultural Independente – TEIA 2007
– novas tecnologias de diálogo e novos diálogos sobre a tecnologia
– blogs, vlogs, fotologs, modelos de licenças de compartilhamento, web 2.0, software livre, plataformas públicas, metareciclagem
– a pauta cristalizada e a pauta esquecida da cultura
– políticas públicas de cultura: a TEIA, a cultura digital e o audiovisual
– dinâmicas, debates, exposições e a prática da cobertura jornalística
– cobertura em rede com reportagem compartilhada e pautas transversais durante a TEIA

Provocadores:
Ana Carmem Foschini (Jornalista)
Antônio Martins (Le Monde Diplomatique Brasil e Ciranda da Notícia)
Célio Turino (Secretário de Programas e Projetos Culturais – MinC)
Cláudio Prado (Consultor para Cultura Digital – MinC)
Edney Souza (Blogueiro e empresário)
Eliane Fátima Corti Basso (Anhembi Morumbi e Universidade Municipal de São Caetano)
Hernani Dimantas (coordenador do LIDEC – Escola do Futuro – USP)
Jonas Valente (coordenador nacional Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social)
Orlando Senna (Secretário do Audiovisual – MinC)
Rogério da Costa (Engenheiro de Sistemas e Filósofo – PUC SP) 

Local: Funarte Casa do Conde e Serraria Souza Pinto – Belo Horizonte – MG
Dias: 3 e 4 de novembro, das 9 às 18h – ativação da oficina
7 a 11 de novembro – cobertura
Informações e inscrições: www.100canais.org.br

Encontro Paulista marca criação de rede para atuação local

Em meio ao debate sobre as concessões públicas, a digitalização do rádio e da televisão e a criação de uma emissora pública brasileira, nasce o I Encontro Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura. As atividades acontecem entre os dias 19 e 21, em São Paulo, quando entidades e pessoas envolvidas no movimento pela democratização da comunicação e da cultura se reunirão para analisar a atual conjuntura e discutir perspectivas de mudança para o setor. Ao todo, 37 organizações assinam a convocatório do encontro.

“O encontro deve ser um espaço de formação e, principalmente, de construção de uma articulação permanente em São Paulo, que se articule em nível nacional com outras redes para reverter o quadro atual, que é de violações permanentes ao direito à comunicação”, observa Fátima Nassif, do Conselho Regional de Psicologia – uma das entidades que atua na construção do encontro.

Durante as atividades, que acontecerão nas Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, será criada oficialmente a Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura, além de definidas prioridades para o movimento no Estado nos próximos meses. Segundo os organizadores, a intenção não é criar uma nova entidade, mas um ambiente colaborativo e de solidariedade permanente entre as organizações envolvidas.

Esforço pela convergência

A organização do encontro começou um ano atrás, durante a IV Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, quando diversas organizações que não têm a comunicação como pauta principal se aproximaram das entidades que atuam diretamente como tema. “Nos últimos anos, os movimentos sociais entenderam que se trata de uma pauta que tem a ver com todos”, avalia Fábio Nassif de Sousa, do Centro Acadêmico Benevides Paixão, da PUC-SP, uma das organizações de estudantes de Comunicação Social que participam da organização do encontro.

O percurso que aproximou o movimento de mulheres do movimento pela democratização da comunicação é paradigmático. Ainda que a questão da mercantilização da mulher pela mídia estivesse presente há tempos na pauta do movimento de mulheres, apenas este ano foi criada a Articulação Mulher e Mídia, buscando uma atuação mais sistemática na área.

“Nós abríamos processos contra um anunciante ou outro. Agora, estamos nos juntando ao movimento pela democratização da comunicação, engrossando a batalha”, afirma Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, entidade que integra a Articulação. Rachel enfatiza a necessidade de articular a luta por democratização e o controle social do conteúdo. No encontro, a relação entre a estrutura dos meios de comunicação e o conteúdo veiculado será tema central.

Comunicação e cultura também serão abordadas como par indissociável. “São áreas complementares. Não podemos tratá-las de forma fragmentada, sob pena de incorrer em um corte incompleto para as políticas públicas, tanto nacional quanto regionalmente”, afirma Guilherme Varella, do Instituto Pensarte.

De acordo com ele, pouco adianta defender uma distribuição mais equânime dos recursos que subsidiam a cultura, para as diferentes regiões do país, se os meios de comunicação seguem concentrados no eixo Rio-São Paulo. Ou tratar de manifestações culturais marginalizadas sem abordar formas de comunicação comunitária. Segundo a mesma lógica, discutir plataformas digitais passa, necessariamente, por um debate sobre cultura livre.

A opção se reflete na estrutura do encontro: os debates foram divididos por temas, de modo que a discussão de cultura perpasse todos os pontos da discussão sobre mídia. “É preciso lutar por políticas públicas comuns, que visem o desenvolvimento social do povo. Não só a distribuição material da riqueza, mas a distribuição da informação e da cultura”, conclui Varella.

Comunicação e Educação

Ao reconhecer a influência da mídia sobre a sociedade, as entidades envolvidas no encontro atentam também para suas possibilidades emancipatórias. “É possível construir um ambiente que una educação e comunicação, ajudando a tornar as pessoas autônomas e independentes”, observa Douglas Lima, da revista Viração. “A educomunicação possibilita uma leitura crítica dos meios de comunicação e o desenvolvimento do poder de comunicabilidade como forma de engajamento cotidiano”.

Fátima, do Conselho Regional de Psicologia, concorda: “Há uma autoridade que emana da mídia, e as pessoas aceitam de forma muito passiva o que vem dela. Um dos nossos objetivos é mostrar que a mídia tem que atender aos interesses da sociedade, que a sociedade é dona da mídia”.

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Para acessar o site oficial do encontro, com a programação e a ficha de inscrição, clique aqui.

I Encontro Paulista pela Democratização da Comunicação e da Cultura
Local: Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação
Rua Major Maragliano, 191 – Cep. 04017-030
(próxima à Rua Domingos de Morais) – Vila Mariana, entre as Estações do Metro Vila Mariana e Ana Rosa