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Governo e emissoras concordam em flexibilizar Voz do Brasil

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, disse, na última quarta-feira (24), que governo e radiodifusores concordam sobre a possibilidade de flexibilizar o horário de exibição do programa 'A Voz do Brasil'. O problema apontado por ele é como fazer essa flexibilização.

Entre as possibilidades, o ministro sugeriu mudar o horário e manter a transmissão em rede nacional. 'O problema é que manter a rede não contempla a diversidade do Brasil. No interior de Minas Gerais, talvez 22 horas seja muito tarde. Em São Paulo pode ser um bom horário'.

Outra opção seria liberar as rádios para escolherem o melhor horário dentro do período entre 19 horas e 22 horas. Nesse caso, o problema estaria em quebrar a transmissão em rede nacional.

Franklin cogitou, ainda, abrir pequenos intervalos no programa, mantendo a transmissão em rede nacional. Essas interrupções seriam de 5 ou 10 minutos para que as emissoras pudessem veicular, por exemplo, notícias sobre trânsito ou outras questões relevantes ao momento.

Segundo a Associação das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), as emissoras questionam a obrigatoriedade da transmissão. 'Isso fere a liberdade delas informarem em tempo real e de os ouvintes receberem um programa que não seja 'A Voz do Brasil' no horário entre 19 horas e 20 horas', disse um representante da Associação.

Em julho, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, assinou uma portaria regulamentando o horário de transmissão do programa pelas emissoras de rádio do país. Com isso, as rádios de localidades com fuso horário diferente do de Brasília devem gravar o programa para retransmitir no horário local, das 19 às 20 horas.

* Com informações da Agência Brasil.

Coca-Cola e Avon são notificadas por promoção abusiva

O comercial da promoção Colecione Elogios apresenta um diálogo entre duas meninas elogiando a beleza da mãe. Uma delas, deitada na cama, está com um copo de Coca-Cola nas mãos; a outra, em frente ao espelho, maquia-se com um batom da marca Avon. A campanha comete, inicialmente, três abusos: o de associar o consumo de alimento ou bebida à aquisição de brindes; o de enaltecer qualidades supérfluas, tal como a beleza física; e o de incentivar a erotização precoce ao exibir uma criança usando cosméticos. Do fim de agosto ao início de dezembro, consumidores que juntarem seis tampas dos refrigerantes Coca-Cola e pagarem o valor de R$ 7,50 ganham um kit com produtos da Avon e um copo exclusivo.

O Projeto Criança e Consumo encaminhou notificação às duas empresas em que pede a suspensão da campanha por entender que os anunciantes, entre outras coisas, dirigem-se ao público infantil ao colocar duas atrizes mirins para protagonizar o filme publicitário. Segundo dados da Marplan 2005, 99% das crianças de oito a 12 anos consomem refrigerantes. Pensando nisso, não é surpreendente que um dos públicos da Coca-Cola seja esse. No entanto, o consumo de refrigerantes não é recomendável, principalmente por crianças, por causa do alto teor de açúcar.

A estratégia de marketing das empresas também pode ser considerada ilegal porque caracteriza venda casada, já que os consumidores só podem adquirir o kit por meio da promoção. Essa prática é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor

Ministério da Justiça deve reclassificar programa evangélico

O Ministério da Justiça abriu um processo que pode resultar na primeira reclassificação de um programa evangélico, que passaria a ser impróprio para antes das 20h. Para o governo, o 'Vitória em Cristo', apresentado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, contém 'linguagem depreciativa econteúdos verbais que expõem lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros a situações humilhantes ou degradantes'.

Exibido pela Band, Rede TV! e CNT entre 12h e 17h, o 'Vitória em Cristo' está fazendo campanha para que evangélicos enviem e-mails a senadores contra a aprovação de 'lei que beneficia a homossexualidade' – na verdade, projeto que torna crime a discriminação sexual e de orientação sexual.

No programa, Malafaia (que compra horários nas TVs) defende que 'ninguém nasce homossexual', porque 'não existe cromossomo homossexual'. Diz que o homossexualismo é 'distorção' e 'aberração'.

Malafaia argumenta que não ofende os gays, que apenas os critica. Impedir isso, diz, seria censura. 'No Brasil, você critica Deus, o Diabo, a Igreja Católica, os evangélicos, os políticos. Mas os homossexuais são incriticáveis. Se criticar, é chamado de homofóbico. Isso é pior do que Hugo Chávez e Fidel Castro. Já falei para o ministro Tarso Genro que, se censurarem meu programa, esse governo será chamado de preconceituoso', afirma o pastor.

Negociação pode agilizar votação de PL das TVs por assinatura

Uma negociação entre os presidentes das comissões de Desenvolvimento Econômico e de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados pode acelerar a aprovação dos projetos sobre produção, programação e distribuição de conteúdos audiovisuais e de serviços de TV por assinatura. E deixar de lado algumas questões em relação às regras para conteúdo.

A articulação é para que as quatro propostas que estão sendo analisadas conjuntamente e apensadas ao PL 29/07 sejam terminativas na Comissão de Ciência e Tecnologia. Na prática, isso significa que o substitutivo do deputado Wellington Fagundes (PR/MT) não precisará passar pelo Plenário da Casa, agilizando em muito o encaminhamento ao Senado Federal.

A iniciativa de transformá-los em terminativos afetará sensivelmente a discussão sobre a produção de conteúdo, que seria tocada na Ciência e Tecnologia. Para que os projetos não precisem ir a Plenário é importante que o substitutivo apresentado pelo presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Wellington Fagundes, seja alterado minimamente na próxima comissão. Daí as conversas entre Fagundes e o presidente da Ciência e Tecnologia, deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP).

Apoio de Chinaglia

A idéia de não levar o substitutivo ao Plenário tem o aval inclusive do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP). Com a discussão em torno da CPMF e a iminente votação do Orçamento para 2008, afastar projetos polêmicos do Plenário é extremamente vantajoso para a Casa. Outra vantagem é a Câmara conseguir repassar o debate para o Senado Federal o mais rapidamente possível. Se a estratégia funcionar, o debate mais denso sobre conteúdo seria realizado pelos senadores, fato que já tem ocorrido nos últimos meses.

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal tem se aprofundado nos estudos sobre a produção de conteúdo e a conveniência ou não de se criar regras para a regionalização da programação, ancorada no PL 280/2007, do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA). Com a negociação feita na Câmara, o debate pode ser mais racionalizado, deixando para os deputados os ajustes sobre o sistema de distribuição do conteúdo – que engloba a abertura do mercado de TV paga para que as teles atuem – e o da produção dos programas com o Senado Federal.

Mais mudanças

Mesmo existindo uma articulação para dividir a tramitação, o substitutivo do deputado Fagundes não deve passar incólume sobre o tema da produção. Muitas emendas apresentadas ao relatório sobre o PL 29/07, do deputado Jorge Bornhausen (DEM/SC), e seus apensados (PLs 70/07, 332/07 e 1908/07) tratam especificamente sobre conteúdo. Em entrevista a este noticiário, Fagundes afirmou que irá avaliar as considerações feitas pelos outros deputados e que pode incluir as sugestões em seu substitutivo final. “Não posso ignorar nenhuma emenda”, declarou.

Por isso, a proposta deve sair da Comissão de Desenvolvimento Econômico mais bem acabada do que o previsto. A estratégia original do deputado Fagundes era repassar todo o debate sobre conteúdo para a Comissão de Ciência e Tecnologia, focando totalmente na abertura do mercado de distribuição. Com as emendas e a negociação para que o PL 29/2007 seja terminativo, é bem provável que a próxima apresentação de Fagundes traga mais surpresas para as empresas.

Votação marcada

Wellington Fagundes já marcou a data para relatar à comissão seu substitutivo final. Será na próxima quarta-feira, dia 31 de outubro. Como o trabalho de análise das emendas está adiantado, o deputado garante que é remota a possibilidade de remarcar a reunião na qual o texto final será votado. “Quero apresentar e votar na quarta-feira”, insiste o parlamentar, com a segurança de quem preside a comissão. Confiante de que a negociação com Semeghini funcionará, Fagundes acredita que a proposta será encaminhada ao Senado Federal ainda este ano.

Outro aspecto que contribui com o otimismo do deputado é o fato do ponto de maior atrito entre teles e radiodifusores estar praticamente dissipado, na opinião do parlamentar. “Hoje, no momento em que estamos, o ponto de divergência não existe mais, que era abrir ou não o mercado para as teles. A abertura já é consenso, se existe ainda alguma discussão é como será feita. Eu defendo abrir de uma forma geral”, explica.

Senado aguarda

Enquanto a Câmara corre para fechar sua participação no debate, o Senado Federal continua em compasso de espera. Segundo o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, senador Wellington Salgado (PMDB/MG), serão feitas mais audiências sobre a produção regional de conteúdo. “Quando o assunto é muito complexo, o debate é sempre extenso”, comentou o parlamentar.

Salgado contou que o próprio autor do PL 280/2007, senador Flexa Ribeiro, ainda está pensando em provocar mais discussões sobre o tema. Sendo assim, o presidente da comissão aposta que não há como fechar o debate ainda neste ano. “Tenho certeza que não vai dar para concluir agora. Vai seguir para 2008.”

A Comissão de Educação do Senado Federal também tem ensaiado entrar mais ativamente na discussão do tema. Na semana passada, o presidente da comissão, senador Cristovam Buarque (PDT/DF), disse que há disposição da Casa em fazer um projeto sobre conteúdo, com perfil para gerar a esperada Lei de Comunicação Eletrônica.

Também há a expectativa de que a Casa Civil encaminhe anteprojeto sobre o assunto, ampliando ainda mais as vertentes sobre uma legislação que defina regras para a produção de conteúdo no País. As linhas defendidas pela Comissão de Educação e pela Casa Civil atingem também a radiodifusão aberta.

Governo publica estatuto da Empresa Brasil de Comunicação

Foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira, 25, decreto criando efetivamente a Empresa Brasil de Comunicação (ECB) e aprovando seu Estatuto Social. O documento transfere à nova estatal verbas orçamentárias na ordem de R$ 20 milhões para a constituição do capital inicial. O valor é apenas 10% do que será o patrimônio total da ECB. Para chegar aos R$ 200 milhões previstos em seu estatuto, a empresa contabilizará a apropriação dos equipamentos das emissoras de sons e imagens e das entidades de radiodifusão sonora do governo federal, entre elas a Radiobrás.

Apesar da incorporação da emissora pública, não há qualquer citação à Radiobrás no Decreto 6.246, publicado hoje. A incorporação da empresa é apenas vislumbrada no artigo 4º do estatuto, onde se encontram as finalidades da ECB. Consta como atribuição da nova estatal “implantar e operar as emissoras e explorar os serviços de radiodifusão pública sonora e de sons e imagens do governo federal”.

Pessoal

Não há citações também à Acerp, como já era previsto com base nos esclarecimentos prestados pela Casa Civil ao longo da construção do projeto da TV pública. Como a Acerp é um instituto privado que presta serviços ao governo federal, não haverá incorporação imediata de suas funções nem de seus equipamentos. Ao longo da implantação da ECB, os contratos serão transferidos paulatinamente para a nova emissora, assim como seu patrimônio material e intelectual, segundo informam assessores da Casa Civil.

A contratação de pessoal permanente pela ECB será feita pelas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, o decreto permite que as contratações sejam temporárias e feitas por análise curricular nos primeiros 90 dias de funcionamento da nova empresa. A idéia defendida pelo governo é aproveitar o pessoal da Radiobrás e da Acerp nessa primeira fase.

Estados podem participar

A TV Brasil foi criada como uma “empresa pública, organizada sob a forma de sociedade anônima de capital fechado”. Mesmo tendo a premissa de não abrir seu capital – o que a tornaria uma empresa mista -, nem todas as ações devem ficar de posse do governo federal. O estatuto permite que, caso assim deseje o Conselho de Administração da empresa, o patrimônio de R$ 200 milhões seja dividido em 200 mil ações ordinárias sem valor nominal, mas todas com direito a voto.

Essas ações poderão ser adquiridas por entidades da administração federal indireta (como outras estatais), pelos estados, municípios ou pelo Distrito Federal. Será permitida a aquisição de cotas também pelas entidades públicas ligadas às unidades federativas. O estatuto permite ainda que as ações sejam todas integralizadas, o que colocaria o governo federal como único controlador.

Os detalhes de como será a composição acionária da TV Brasil serão definidos apenas quando a estatal fizer uma Assembléia Geral sobre o tema, o que não tem data ainda para ocorrer. Na criação da nova empresa ficou determinada a obrigatoriedade de realizar pelo menos uma Assembléia Geral a cada ano, nos primeiros quatro meses após o término do exercício social.

Mandatos e indicações

O estatuto reforça definições que estão contidas na MP 398/2007 em vigor e que cria a ECB e a TV Brasil. A composição dos conselhos de administração, da diretoria executiva e do conselho curador seguiu à risca o previsto na medida provisória. Foi detalhado, no entanto, como funcionarão as indicações e a remuneração dos componentes administrativos da estatal.

Para ocupar as vagas no Conselho de Administração e na Diretoria Executiva será permitida apenas a indicação de brasileiros natos, residentes no País, que tenham idoneidade moral, reputação ilibada e notório conhecimento em sua área de atuação, inclusive em governança coorporativa. Para avaliar o nível de conhecimento, foi imposto que os indicados devem comprovar terem, no mínimo, três anos de experiência profissional em suas áreas.

Pessoas que tenham qualquer histórico de governança em empresas inadimplentes, concordatárias, insolventes ou falidas não podem ser nomeadas. Estão excluídos também aqueles que tenham parentesco de até terceiro grau com membros da diretoria, que sejam sócios dos mesmos ou que, eles próprios, tenham sido declarados falidos ou insolventes, assim como os que foram declarados inabilitados para a administração de empresas.

Os mandatos de conselheiro serão de três anos, sendo permitidas reconduções sem limitação. O grupo de administração, composto por cinco membros, se reunirá mensalmente e as decisões serão validadas por maioria simples, tendo o presidente o “voto de qualidade” em caso de empates. As indicações partirão dos ministérios do Planejamento, das Comunicações, da Secretaria de Comunicação Social, dos acionistas minoritários da ECB e do presidente da diretoria executiva.

Inovação na troca

No caso da diretoria executiva, os oito mandatos também serão de três anos, excluído apenas o diretor-presidente, que exercerá a função por quatro anos. Em todos os casos é permitida a recondução.

Para as 20 vagas para o conselho curador, foram definidos mandatos de quatro anos, renováveis uma única vez. Não será permitido no grupo nenhum agente público com mandato eletivo ou investido. No fim de cada mandato, os conselheiros também permanecem no cargo até que seja nomeado um substituto. A previsão estatutária é que o conselho se reúna bimestralmente.

Os primeiros mandatos para as 15 vagas de representação da sociedade civil serão escalonados. Oito conselheiros receberão vagas de dois anos e sete conselheiros, de quatro anos. Nenhuma das 20 vagas é remunerada.

Remuneração simbólica

Pelo desenho do estatuto, os membros dos conselhos de administração e fiscal devem ter uma remuneração simbólica. Foi estabelecido que o pagamento dos conselheiros não poderá exceder a 10% da remuneração média mensal dos diretores. Os reembolsos de despesas necessárias para o exercício da função estão excluídos desse limite. Caberá ao Conselho de Administração definir todas as ações necessárias para o funcionamento da ECB, como a contratação de empréstimos e a definição do plano de cargos e salários dos funcionários.