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Emissoras comunitárias reivindicam acesso a canais abertos na TV digital

Brasília – Para as emissoras de televisão comunitárias e públicas, o sistema de transmissão digital, que começa a operar em 2 de dezembro, representa a oportunidade de democratizar o acesso aos canais abertos. Com essa reivindicação, começou hoje (26) em São Paulo o 5º Congresso dos Canais Comunitários.

Resultado de encontros em diversos estados e do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, realizado em maio em Brasília, o congresso discute a inclusão dos canais não-comerciais no sistema digital. O evento reúne representantes de 90 canais públicos e comunitários de todo o país.

Segundo o diretor financeiro da Associação Brasileira dos Canais Comunitários (ABCCom), Renato Gomes, a introdução da TV digital dará mais espaço aos canais comunitários. “Esperamos que o nosso sinal também seja exibido nas tevês abertas”, afirma.

Com o novo sistema, diz Gomes, não existem mais obstáculos tecnológicos à ampliação do uso das freqüências. “A grande desculpa era que não tinha espaço no espectro e a gente até entendia. Mas agora com a ampliação não há mais empecilhos”, alega.

Para ele, o objetivo das emissoras comunitárias é permitir a manifestação das camadas da sociedade. “Nossos canais trazem as vozes da comunidade”, ressalta. Ele, no entanto, acredita que a transição dos canais não-comerciais para o sistema digital não será totalmente pacífica. “Os detentores do poder enxergam os canais comunitários como concorrentes”, ressalta.

Participam do evento a Associação das TVs Universitárias (ABTU), a Associação das TVs Legislativas (Astral) e a Associação das TVs Educativas e Culturais (ABEPEC).

Franklin Martins e sociedade civil debatem modelo da TV Brasil

Possibilidades e questionamentos sobre a TV pública brasileira foram tratados em audiência pública no Rio Grande do Sul, sexta-feira (26). O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação do Governo Federal, expôs o modelo e os desafios da nova TV Brasil. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), representada pelo seu primeiro vice-presidente, jornalista Celso Schröder (coordenador-geral do FNDC), levou ao encontro críticas ao decreto da nova rede de televisão.

A TV Brasil, nova rede de televisão pública brasileira – cujo decreto foi publicado dia 25/10, no Diário Oficial da União – com estréia programada para dezembro, promete abrir espaço à diversidade, esquecida na televisão comercial. Propõe veicular pelo menos quatro horas de programação diária com conteúdos de produção independente. A rede terá correspondente na África e a participação das TVs públicas dos Estados, aos quais auxiliará na migração para o sistema digital. "A TV Brasil tem por definição que será uma TV com todos os sotaques do país. Mas não vamos reinventar a roda", afirmou o ministro da Comunicação do governo, Franklin Martins, lembrando que já existe TV pública no Brasil.

Uma das cobranças feitas pela sociedade civil, constantemente, em relação à TV Brasil, é se ela será uma televisão "chapa branca", que vai veicular matérias sobre e a favor do governo. "Existe o risco", foi explicando logo o ministro, da mesma forma como vem declarando à imprensa com freqüência, "porém, temos que criar mecanismos para que esta tentação não prevaleça." Para isso, Franklin Martins afirmou que um Conselho Curador irá fiscalizar a aplicação dos princípios da TV pública de forma transparente. "Isso não elimina o risco. A TV pública sempre corre o risco de aqui ou ali escorregar, mas ela pode ter instrumentos que a permitam ser o mais isenta possível. Instrumento que eu gostaria que fossem usados também na TV comercial, porque nela também existe o risco de manipulação", justificou o ministro.

Franklin destacou a característica "televisiva" do povo brasileiro. "A televisão é um espaço crucial na formação da cidadania, da cultura, do terreno público onde se dá a firmação nacional." A TV comercial no País, lembrou o ministro, é extraordinariamente bem sucedida. Porém, a TV pública ficou para trás, e o governo pretende, com a TV Brasil, resgatar o papel da TV com qualidade, através da construção de uma rede pública de televisão, unindo a Radiobrás com a TVE do Rio de Janeiro e do Maranhão. "Junto às emissoras locais, faremos o processo de construção de uma grade nacional, dentro de determinado modelo de gestão e financiamento."

TV comercial hipertrofiada e sem controle

Celso Schröder lembrou que, apesar da televisão brasileira estar baseada no modelo econômico de televisão norte-americano, ela não está submetida a um órgão regulador com o rigor que tem nos EUA, sem um controle público que lá existe. Mesmo a TV pública americana é submetida ao rigor do controle público que, com órgãos e leis impedem situações que no Brasil são consolidadas como absolutamente naturais.

Schröder cita o exemplo da propriedade cruzada, situação instituída no Brasil, o que não é permitido nos EUA, e a existência das redes de televisão brasileira, que no Brasil têm atribuídas para si a responsabilidade pela integração da língua e da cultura nacional – também nos EUA são relativizadas, considerando que o oligopólio ou monopólio, seja da audiência, seja da estrutura das redes, compromete a democracia. Isso no sistema comercial. "Por isso, no Brasil, temos uma hipertrofia do modelo comercial de radiodifusão. Além do que, a legislação brasileira é insuficiente e antiga. Surge principalmente a partir dos interesses privados, nunca a partir de debate público, mas a partir de fatos consolidados", frisou.

Ao fazer uma retrospectiva do processo de consolidação da TV no País, Schröder lembrou Daniel Herz – jornalista, fundador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), formulador de políticas para a comunicação brasileira, autor do livro A História Secreta da Rede Globo, falecido no ano passado – que afirmava que a Globo é o que é, além de por mérito de seus administradores, de seus jornalistas, trabalhadores, mas também pela enorme quantidade de recursos públicos que foram transferidos para a empresa.

Destacando que a TV pública no Brasil surgiu privada mas com um "enorme" aporte do Estado, Schröder lembrou também que a TV pública sempre sofreu forte pressão do sistema comercial de não transferir para esta televisão recursos, para que ela são fizesse concorrência suficiente e principalmente não buscasse recursos no mercado. O coordenador-geral do FNDC frisou o que vem defendendo o Fórum – a necessidade de se submeter os sistemas de radiodifusão (pública, estatal e comercial) ao controle público.

Participou da mesa, também, o secretário de Comunicação do Governo do Rio Grande do Sul, jornalista Paulo Fona. A audiência teve a mediação da deputada Stela Farias, presidente da Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa do RS, que organizou evento.

Problemas, omissões e conflitos

Celso Schröder fez uma breve retrospectiva do processo de debates que culminou na realização do I Fórum Nacional de TVs Públicas, em maio, uma construção colaborativa entre a sociedade civil organizada e o governo, chamada a partir da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. O jornalista contestou a origem da formação dos conselhos, da escolha dos conselheiros da TV Brasil e lamentou uma série de discordâncias entre a Medida Provisória que institui a nova rede e os princípios da Carta de Brasília.

Numa comparação entre o conteúdo da Carta de Brasília, documento oriundo do I Fórum Nacional de TVs Públicas, e a Medida Provisória 398/2007, que institui a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a TV Brasil, o FNDC apresenta, a seguir, os pontos em concordância ou não entre os dois documentos. Ao final, aponta alguns problemas, omissões e conflitos e características positivas encontrados na MP.

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Contratos de gaveta formalizam outorgas à margem da lei

A possibilidade de transferência de outorgas para exploração dos serviços de radiodifusão está prevista no código que dá origem ao regulamento do setor, datado de outubro de 1963, no Decreto 52.795. No entanto, o artigo 90 esclarece que “nenhuma transferência, direta ou indireta, de concessão ou permissão, poderá se efetivar sem prévia autorização do governo federal, sendo nula, de pleno direito, qualquer transferência efetivada sem observância desse requisito”.

Isso, porém, nunca acontece, segundo o pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política, da Universidade de Brasília (UnB), Venício Arthur de Lima. “Determinado grupo recebe a concessão e faz um contrato de gaveta (transferência de concessão ou permissão sem o conhecimento do governo). Tem a concessão legal, mas, na verdade, transfere para outros”, testemunha. Ele revela ainda que se trata de uma prática comum e de conhecimento geral. “O caos regulatório do setor é total e vem servindo a interesses específicos ao longo do tempo”, avalia o pesquisador.

Os contratos de gaveta, muitas vezes, acabam acobertando a propriedade de rádios e tevês por parte de parlamentares. Venício Lima divulgou, em junho, uma pesquisa apontando que 50% das mais de duas mil emissoras comunitárias autorizadas a funcionar pelo Ministério das Comunicações pertencem a pessoas ligadas a políticos. Em denúncia recente, por exemplo, a revista Veja (edição 2020) acusou o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), de possuir duas rádios em Alagoas, com patrimônio avaliado em R$ 2,5 milhões. As emissoras teriam sido compradas por meio de contratos de gaveta e, para esconder seu nome, o peemedebista teria usado laranjas. Os partidos PSol e Dem protocolaram denúncia ao Conselho de Ética do Senado, que está investigando o caso.

Embora um grande número de concessões de rádio e televisão esteja em mãos de parlamentares, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) propôs, em 2006, a criação de uma subcomissão, na tentativa de dar à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) melhores subsídios e condições para apreciar os pedidos de renovação e concessão de outorgas encaminhados pelo Ministério das Comunicações. A Subcomissão Especial de Radiodifusão foi instalada em março deste ano. Para a parlamentar socialista, que está há oito anos no Congresso e na CCTCI, o que mais incomodava era não ter como avaliar uma solicitação de outorga, pois faltavam documentos. “Tínhamos que dar um parecer no escuro. Simplesmente sim ou não, sem ter condições objetivas de avaliar o mérito da outorga ou da renovação”, contou Erundina, presidente da Subcomissão.

Em maio, a Subcomissão divulgou relatório com modificações feitas no Ato Normativo nº1 da CCTCI. Agora, todos os processos que não apresentarem documentação completa não serão devolvidos ao Ministério da Comunicação, como ocorria anteriormente. Se num prazo de 90 dias as pendências não forem resolvidas pelas entidades que pedem a outorga ou a renovação, o presidente da Comissão deverá, imediatamente, distribuir o processo para relatoria, com recomendação pela rejeição da solicitação. Atualmente, a CCTCI é presidida pelo deputado Julio Semeghini (PSDB-SP). As alterações no Ato Normativo estão valendo para processos recebidos pelo Congresso Nacional a partir de 1º de julho deste ano.

Com relação ao repasse de concessões, a deputada é enfática: “Um proprietário não pode transferir a outorga para outro sem a intermediação do Ministério. Quem faz isso, se vale do contrato de gaveta”. No documento elaborado pela Subcomissão de Radiodifusão, há propostas baseadas em contribuições recebidas de representantes da sociedade civil e órgãos governamentais ouvidos durante audiências públicas. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), presente em uma dessas audiências, defendeu o caráter público das concessões de radiodifusão e a adequação ao princípio da contrapartida social como compromisso das concessionárias.

Algumas ações, sobretudo aquelas relacionadas à transparência e à celeridade dos processos, não dependem de mudanças em dispositivos legais para serem aplicadas e podem ser adotadas diretamente pelo Ministério das Comunicações, pela Casa Civil e pela Anatel. Entre elas, a divulgação detalhada na internet de informações sobre processos de outorga e renovação. Os mecanismos de busca oferecidos ao público, pelo Minicom, precisam ser estendidos, de modo a possibilitar pesquisas de emissoras por proprietários e localidades, por exemplo. A relatora da Subcomissão, deputada Maria do Carmo Lara (PTMG), prevê que até o fim do mês de outubro um portal já deva estar no ar, mas ressalta que os dados disponíveis serão relacionados aos procedimentos recebidos a partir de julho deste ano. A medida, avalia a Subcomissão, operará como “importante instrumento de controle social”, uma vez que permitirá à sociedade denunciar transferências de concessões e permissões de radiodifusão, prática de difícil fiscalização pelo poder público.

Falta transparência
A Subcomissão pediu ainda mais transparência por parte do poder Executivo nos processos de outorga e renovação. Maria do Carmo ressaltou que, até o final do ano, todos os assuntos relacionados aos procedimentos de outorga de serviços de radiodifusão serão discutidos em um amplo relatório que está sendo elaborado e que pretende fazer um diagnóstico completo do setor. “Agora nós sabemos que essas questões não são fáceis de resolver, há muitos interesses representados na Câmara, no Congresso. Por isso, estamos tratando disso com debate, para construirmos o que for possível na Subcomissão e na CCTCI”.

Entre os temas debatidos, Erundina destaca que está sendo construída uma proposta de emenda constitucional para ser entregue ao governo com o objetivo de corrigir imprecisões no artigo 54 da Constituição Federal, que, teoricamente, proíbe a outorga e licença de rádio e TV para detentores de cargos públicos, mas que, por falta de regulamentação adequada, acaba deixando brechas para aquisições de concessões.

Luiza Erundina não poupa o Ministério das Comunicações. “As juntas comerciais só registram a transação após o processo passar pelo Ministério, que sequer tem um cadastro atualizado”, critica a parlamentar. Na avaliação da deputada, sem mecanismos adequados de fiscalização e controle, a tendência é a situação das concessões se agravar, especialmente a partir da incorporação das novas tecnologias como as TVs e rádios digitais. O relatório da Subcomissão apontou como imprescindível a reabertura das delegacias regionais do  Ministério, que foram fechadas em 2002. A fragilidade e a ineficiência da fiscalização, segundo Erundina, estão no fato de o Minicom ter apenas nove técnicos para analisar os processos que chegam de todo o País. A parlamentar compara com a atuação do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) – um órgão executivo do Ministério das Comunicações, extinto com a criação do Ministério da Infra-Estrutura, em 1990, no governo Fernando Collor de Melo – que dispunha de delegacias regionais e atuava na fiscalização das concessões.

À época do Dentel, havia uma estrutura descentralizada. “Esta é uma questão que o Ministério tem que enfrentar. Já que há poucas condições para fiscalizar, deveria firmar um convênio, criar mecanismos institucionais, conselhos paritários, mas com o controle direto da sociedade civil organizada, para manter a eficiência”, propõe Erundina, lembrando que a sociedade tem segmentos importantes para mantê-la atenta a estas questões. Em sua opinião, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que poderia exercer algum papel fiscalizador, “também não tem condições para cumprir minimamente esta função”.

Congresso beneficiário
O jornalista Alberto Dines, editor responsável do site Observatório de Imprensa – entidade não-governamental que tem como objetivo acompanhar o desempenho da mídia brasileira –, classifica as vendas de concessões e aluguéis de espaços por concessionários como um “ilícito anticonstitucional”. “Há um claro conflito de interesses. Ninguém consegue fiscalizar. No Congresso, tentam disfarçar colocando deputados em comissões”, diz o jornalista, destacando que quem deveria acompanhar estes processos – a Câmara e o Senado – têm em seus quadros muitos dos detentores das concessões no País. “São beneficiários. É um escaramento ostensivo”, critica, ressaltando que a TV Câmara e a TV Senado deveriam promover mais debates em torno do assunto. Para o jornalista, o Brasil é um País corporativo “e esta é uma prática na qual o corporativismo dita o caminho. A blindagem é descarada e as infrações são muito grandes. Enquanto o deputado for concessionário, não muda a situação”.

Dines destaca o trabalho realizado pelas jornalistas Elvira Lobato e Laura Mattos, que há anos mostram como os parlamentares se aproveitam da blindagem e passam por cima das irregularidades para amealhar concessões. Ele observa ainda que só os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo falam um pouco sobre o assunto, pois são veículos que não detêm rádios e TVs. O jornalista lembra que há 11 anos o Observatório da Imprensa debate o assunto, sem vislumbrar um horizonte para a situação. Segundo Dines, a entidade encaminhou um farto material para a Procuradoria-Geral da República, resultado de levantamento cuidadoso, com o nome dos concessionários e dos que aparecem como responsáveis pelas concessões. “Em novembro, fará dois anos e nada aconteceu. Lamentável! Mas não podemos desistir, vamos continuar falando e mostrando”.

Participação é fundamental
Para Venício Lima, o setor de comunicação ainda não foi percebido como área de política pública tão importante como a educação, por exemplo. Por isso, acredita ser muito difícil atingir o nível de consciência e mobilização para tratar dos assuntos específicos, como se consegue em outras áreas. No entanto, ao analisar as transações envolvendo as outorgas e concessões, observa: “Hoje já está mais fácil, existe o Intervozes, o próprio FNDC, o Observatório da Imprensa, mas que não chegam a atingir a grande massa”. O pesquisador entende que há décadas se faz necessária a criação de um novo marco regulatório para o setor.

Para o vice-presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, Juliano Carvalho, a Subcomissão de Radiodifusão tem procurado enfrentar o problema das renovações indiscriminadas de outorgas e da concentração delas nas mãos de políticos. “Porém, sua atuação está muito aquém da realidade, porque há um lobby fortíssimo do parlamento e do poder Executivo.” Segundo o professor, apesar do esforço de alguns parlamentares, como da deputada Luiza Erundina, a Comissão sempre vai estar refém dos interesses particulares de deputados e senadores. Carvalho concorda com a posição da parlamentar de criar mecanismos de fiscalização, com a participação de representantes de entidades civis. Ele sugere, ainda, que o processo tenha critérios semelhantes aos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com a finalidade de orientar, fiscalizar e apurar abusos. “A idéia é dotar a sociedade de formas de controle, para poder intervir e fortalecer o setor”, explica.

Há três níveis de ação a se realizar, aponta Carvalho. Ele explica que organismos como o FNDC, as organizações sindicais, os movimentos populares e o terceiro setor devem atuar na busca por políticas públicas que venham regular os capítulos da Constituição e a legislação ordinária que trata da propriedade cruzada (quando uma entidade possui na mesma localidade jornal, e emissoras de rádio e televisão) e da concentração dos meios de comunicação. “Devem buscar um ordenamento jurídico mais eficiente para contratos de gaveta, ou seja, punições mais efetivas em relação a isso na ordem econômica, na ordem das concessões, nas reincidências”, defende o professor.

Numa atuação em nível médio – referente ao trabalho de organização de força-tarefa, de grupos de trabalho junto ao Ministério Público e aos órgãos dos ministérios do Executivo federal –, os organismos teriam a função de estabelecer uma política de fiscalização. No entanto, avalia, o trabalho mais eficaz – que deve ser realizado permanentemente e a longo prazo – é o acompanhamento feito pela população, pelo Ministério Público local ou pelos comitês pela democratização da comunicação, do movimento dos proprietários de outorgas em juntas comerciais e cartórios, nas localidades onde exista concessão ou permissão de um meio de comunicação. “É aquela denúncia concreta, feita no Ministério das Comunicações ou no Ministério Público Federal, que vai surtir efeito”, afirma Carvalho.

A participação e o papel do Conselho de Comunicação Social (CCS) neste debate é fundamental. Juliano Carvalho classifica como “vergonha” o fato de o CCS ainda não ter se reunido este ano. Na avaliação do professor, o órgão deveria ser regulamentado de maneira que não dependesse da convocação da Mesa do Congresso. “Obviamente, essa mesa – notadamente o senador Renan Calheiros – está muito pouco comprometida para que haja uma instância no âmbito do Senado Federal, que venha exercer um papel que possa, no mínimo, criar algum constrangimento a essa política desregrada que a gente tem assistido, de renovações sem critérios”.

* A Revista MidiaCom Democracia é uma publicação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. 

Senadores defendem unificação legal da TV paga

A Subcomissão de Marcos Regulatórios do Senado Federal, que analisou os diversos setores regulados no Brasil, defende a criação de uma única lei para reger as diversas modalidades de TV por assinatura. Em seu relatório final, apresentado nessa quinta-feira, 25, a subcomissão incluiu uma minuta de Projeto de Lei com esse propósito, que pode ser acolhida pelo Senado, criando mais uma via para a discussão sobre o futuro da televisão paga. O relatório da subcomissão ainda será apreciado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para, depois, definir se as propostas serão apresentadas formalmente em forma de projetos de lei.

Em sua justificativa sobre uma lei única, o relator senador Garibaldi Alves Júnior (PMDB/RN) argumenta que as mudanças no cenário geral das telecomunicações não permitem mais legislações baseadas em tecnologia. "No que tange à convergência tecnológica, a principal distorção que se identifica no atual modelo diz respeito à regulação dos serviços de televisão por assinatura. Nesse segmento, adota-se a regulação por tecnologia, em que o serviço é disciplinado de acordo com os recursos técnicos utilizados para sua prestação", afirma o parlamentar.

Para Alves Júnior, a unificação pode "harmonizar o tratamento dado às diversas modalidades de televisão por assinatura". A proposta, que se aprovada revogará as demais leis que tratam da TV paga, não faz qualquer ressalva a limitações ao capital estrangeiro. O projeto também acaba permitindo que as teles sejam detentoras dessas futuras concessões únicas. Com essas mudanças, o Senado acredita que também estimulará o mercado de provimento de acesso em banda larga no País.

Para ler a íntegra do relatório da Subcomissão de Marcos Regulatórios do Senado Federal com a proposta de minuta de projeto de lei para o setor de TV por assinatura acesse www.teletime.com.br/arquivos/relatorio.zip

Must carry

Pela sugestão da subcomissão, a inclusão (must carry) dos canais públicos e educativos na programação das TVs por assinatura continuará sendo obrigatória. A medida, porém, possui brechas para evitar problemas com as TVs que usam as tecnologias de DTH e MMDS, onde existiriam restrições técnicas para cumprir a exigência.

Caso a proposta consiga ser transformada em lei, caberá à regulamentação definir níveis de obrigação para o carregamento desses canais. O regulador poderá isentar, total ou parcialmente, a operadora de fazer o must carry, desde que a decisão seja baseada em nas características técnicas do sistema utilizado para a prestação do serviço.

Desoneração e separação estrutural

Os senadores estão sensíveis à pesada carga tributária que incide sobre os serviços de telecomunicações. Mas admitem que há limitações quanto à capacidade de se desonerar o setor, já que o maior problema está no ICMS que é um tributo estadual. "Por se tratar de tributo estadual, sua regulamentação escaparia à competência do Congresso Nacional", esclarece o relatório.

No entanto, os parlamentares se mostraram dispostos a procurar saídas para a redução das taxas de fiscalização, que compõem boa parte do Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel). Mesmo sem apresentar uma proposta clara sobre o tema, os senadores querem que as discussões sejam aprofundadas para que se encontre um caminho que reduza o peso das taxas sem criar grandes problemas no caixa da Anatel.

Outro tema polêmico que não foi aprofundado pela subcomissão, mas aparece em seu relatório final é a separação estrutural das redes. A proposta foi recebida pelos senadores como um caminho inovador e com potencial para estimular a concorrência na prestação dos serviços de telecomunicações. Mas, "dado o caráter inicial das discussões", o relator preferiu apenas sugerir que o debate seja aprofundado dentro do setor.

Conteúdo

Apesar de ter dedicado um capítulo inteiro em seu relatório de 290 páginas ao debate sobre conteúdo, o relator Alves Júnior preferiu não fazer nenhuma sugestão objetiva para o tema. Como o debate envolve diversas áreas de prestação de serviço e está envolto em drásticas mudanças no setor – como o início da TV digital em dezembro e a recente criação da TV Brasil -, o senador preferiu não interferir nos debates que já estão ocorrendo dentro da Câmara dos Deputados e do próprio Senado Federal.

Sua única recomendação é de que as propostas que venham a surgir sobre o tema sejam apresentadas no processo de tramitação dos projetos que já existem. O aviso do senador serve para evitar que existam diversas iniciativas em paralelo sobre o mesmo tema, o que criaria ainda mais controvérsias.

Minc lança editais e apresenta seu novo secretário do audiovisual

Foram lançados nesta sexta-feira, 26, os novos editais de fomento, a terceira edição do projeto Revelando os Brasis e ainda o segundo lote da Programadora Brasil, da Secretaria do Audiovisual (Sav) do Ministério da Cultura, conforme adiantou este noticiário.
Os editais estarão abertos a partir da segunda-feira, dia 5 de novembro, com o prazo de 45 dias para as inscrições.

O destaque é para as possibilidades abertas para produtores e profissionais de animação, que poderão inscrever seus projetos nos editais específicos – como aqueles focados em curta-metragem de animação e desenvolvimento de projeto de série – além de estarem livres para participar também de outros editais como filme de ficção – em editais como o de baixo orçamento.

São sete editais:

*Longa-metragem do gênero ficção, de baixo orçamento: seleção de cinco projetos de longa-metragem do gênero ficção, destinando apoio individual de R$ 1 milhão, com montante total de R$ 5 milhões;

*Curta-metragem, dos gêneros ficção, documentário ou experimental: destinado a pessoas físicas que se apresentem como produtor, diretor ou ambos. Seleção de 20 projetos, destinando apoio individual de R$ 80 mil, com montante total de R$ 1,6 milhão.

*Curta-metragem, dos gêneros ficção, documentário ou experimental: seleção de 20 projetos, destinando apoio individual no valor de R$ 30 mil, com montante total de R$ 600 mil;

*Curta-metragem, do gênero animação: seleção de dez projetos, destinando apoio individual de R$ 60 mil, com montante total de R$ 600 mil;

*Curta-metragem, do gênero ficção, com temática infanto-juvenil: destinado a pessoas físicas que se apresentem como produtor, diretor ou ambos. Seleção de 20 projetos, destinando apoio individual de R$ 60 mil, com montante total de R$ 1,2 milhão;

*Curta-metragem, dos gêneros ficção, documentário ou experimental: destinado a integrantes ou egressos de projetos sociais. Seleção de 20 projetos, destinando apoio individual no valor de R$ 30 mil, com montante total de R$ 600 mil;

*Desenvolvimento de roteiros cinematográficos inéditos, de longa-metragem: destinado a pessoas físicas, roteiristas. Seleção de dez projetos, destinando apoio individual de R$ 50 mil, com montante total de R$ 500 mil;

*Desenvolvimento de projeto de série de animação para televisão: seleção de dez projetos, destinando apoio individual de R$ 30 mil, com montante total de R$ 300 mil.

Novo gestor

Durante o evento, o futuro diretor geral da TV Brasil, Orlando Senna, faz um breve balanço de sua gestão à frente da Secretaria do Audiovisual, e apresentou o novo secretário Silvio Da-Rin. No posto novo, Da-Rin afirma que ainda não tem novos planos para pôr em prática. "Não me pareceu prioritário formular idéias neste momento. Há muitos programas em curso que preciso conhecer", diz. "Não trago idéias novas, mas elas virão".

TV pública

A maioria das perguntas direcionadas a Orlando Senna por parte de jornalistas e profissionais ligados ao cinema e à produção teve como tema a TV Brasil (TV pública criada a partir da edição da MP 398/2007, editada no último dia 11).

Inicialmente, a programação da nova TV exibirá 16 horas de programação diária, com conteúdo da TVE e Radiobrás e ainda com jornalismo e uma seleção de programas ligados à Sav, como DocTV, DocTV Iberoamerica, Curta Criança, entre outros.

Sobre as produções da casa e as co-produções, Senna não descarta a possibilidade de realizar teledramaturgia. "Vamos pensar, inclusive, em dramaturgia interativa", diz. Ele afirmou que a montagem da TV, que deve começar a ser instituída a partir de 2 de dezembro, deve demorar entre seis meses e um ano para ser finalizada.