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Anatel vai ampliar oferta de banda larga em regiões remotas

Para viabilizar a evolução tecnológica e otimizar o uso do espectro de radiofreqüências para implantar sistemas ponto-a-ponto de alta capacidade de transmissão de dados (140 Mbit/s e 155 Mbit/s), a Anatel colocou sob consulta pública proposta de alteração do regulamento sobre canalização e condições de uso da faixa de radiofrequências de 6.4 a 7.1 MHz. O extrato da consulta foi publicado no Diário Oficial de hoje.

Segundo o gerente operacional de planejamento do espectro da Anatel, Marco Antônio Tavares, a proposta levou em consideração a demanda crescente por esses sistemas, para implementação de enlaces de entroncamento das redes de dados de serviços de telecomunicações em diversas regiões. A regulamentação da Anatel vai ampliar as possibilidades de uso do espectro de radiofreqüências, para  rotas de entroncamento com distâncias superiores a 30 km, para interligação de localidades e pequenos municípios no interior do Brasil.  

A consulta também vai propiciar a expansão de programas para o provimento de banda larga do Governo, com vistas à inclusão digital, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país. Essa consulta receberá contribuições até o dia 26 deste mês.

Congresso discute cotas para desenhos animados

A criação de cotas para a distribuição de conteúdo nacional foi assunto nesta terça-feira, 6, na Comissão de Ciência e Tecnologia. O tema tem sido objeto de estudo do deputado Jorge Bittar (PT/RJ) por conta do conjunto de projetos que tratam da produção, empacotamento e distribuição de conteúdos audiovisuais e dos serviços de TV paga. No entanto, não foi este o gancho para o debate realizado hoje. O assunto veio à tona por conta de outro projeto em tramitação na Câmara dos Deputados, o PL 1.821/2003, de autoria do deputado Vicentinho (PT/SP). A proposta define cotas para a veiculação de desenhos animados produzidos nacionalmente.

O debate em torno do projeto de Vicentinho reuniu produtores e representantes das associações de radiodifusão e da TV por assinatura. E, a falta de consenso entre os diferentes setores deu o tom do que será o embate que Bittar virá a passar se insistir na estipulação de cotas obrigatórias. Um aspecto importante do encontro foi o fato de que, mesmo os defensores de algum tipo de reserva que estimule o mercado produtor, mostraram-se contrários ao tamanho das cotas sugeridas por Vicentinho.

O parlamentar propõe que, no primeiro ano de vigência da nova lei, 10% dos desenhos animados transmitidos pelas TVs de sinal aberto e fechado sejam produzidos nacionalmente. A cada ano, as cotas subiriam mais 10 pontos percentuais, até chegar a 50% de conteúdo nacional nos desenhos no quinto ano de existência da lei. "Uma cota é uma maneira de mudar essa mentalidade onde as produções nacionais de desenhos animados são desprestigiadas pelos projetos de incentivo que existem. Mas os números devem ser repensados para torná-los mais reais e próximos do exeqüível", afirma o presidente da Associação Brasileira do Cinema de Animação (ABCA), Ale McHaddo.

O diretor do Centro Técnico Audiovisual (CTAV) do Ministério da Cultura, cineasta José Araripe, também foi comedido ao apoiar a tabela de obrigações de veiculação sugerida pelo deputado. "Mesmo que a gente não possa colocar essa cota, se o Congresso for sensível e conseguir dar um primeiro passo nessa questão, nós podemos incentivar muito os nossos produtores", declarou. O eixo para fomentar de fato a produção nacional, na opinião dos participantes, seria criar sistemas de financiamento que privilegiasse este material.

Programas de fomento

Produtores e empresas de comunicação concordam de que não tem se fomentado o suficiente esse mercado, que, segundo os palestrantes, é o maior empregador da cadeia do audiovisual quando se considera o conjunto de profissionais necessários para se fazer um único episódio para a TV. Da forma que os programas de incentivo estão montados, as empresas acabam investindo em produtos com maior retorno do que a animação. Uma saída defendida pela Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV) é o estímulo à co-produção. "Na co-produção você não troca dinheiro, você divide o trabalho", afirmou o conselheiro Francisco Mistrorigo, lembrando que o País dispõe de um único acordo com o Canadá sobre produção para TV, sendo que os demais atingem apenas os materiais cinematográficos.

As radiodifusoras e TVs por assinatura, contrárias a qualquer cota, apóiam o conceito do projeto apresentado pelo parlamentar, que é estimular a veiculação da cultura brasileira para as crianças. Mas a consultora da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alessandra Pontes, também diretora dos canais Viacom no Brasil, alertou que cotas podem mexer no modelo de negócios de alguns canais pagos. "Não caberia um canal internacional se tornar um canal nacional por conta dessa obrigação de cotas", afirmou. "O que se precisa é que mecanismos que incentivem essa produção para que ela se torne competitiva."

Esta também é a opinião do consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Carlos Eduardo Rodrigues, que também é diretor da Globo Filmes. "Falta uma política específica para esse ramo. A cabeça dos formuladores dos programas de incentivo não está focada no conteúdo infantil. Um dos desafios é criar linhas de financiamento para equipar as produtoras, por exemplo", avalia Rodrigues. Mas ele defende que o estímulo não deve vir de obrigações de veiculação. "Na hora em que você impor uma cota, estará quebrando a liberdade de programação que é tão importante para uma televisão."

Votação do PL 29 na Comissão de Desenvolvimento Econômico é novamente adiada

A aguardada votação do PL 29/2007 e seus apensados – que tratam da produção, empacotamento e distribuição de conteúdos audiovisuais e dos serviços de TV paga – na Comissão de Desenvolvimento Econômico foi adiada mais uma vez. A análise e aprovação do texto que será encaminhado à Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, prevista para acontecer nessa quarta-feira, 6, foi suspensa por decisão do próprio presidente da comissão e relator da matéria, deputado Wellington Fagundes (PR/MT).

Mas a iniciativa de adiar a análise para a próxima semana não surgiu sem pressões dos setores envolvidos. Sabe-se, por exemplo, que um artigo proposto no novo substitutivo, que na prática cria uma restrição de propriedade cruzada entre produtores de conteúdo e distribuidores do serviço de TV paga, é um dos pontos a serem equacionados. Ainda que a proposta, surpreendentemente, goze inclusive do apoio de alguns grupos de comunicação e de algumas teles.

Ponto complexo

Trata-se da emenda 30, assinada pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB/SP) e incluída no último substitutivo apresentado por Fagundes na semana passada. A proposta de Macris impede qualquer participação cruzada entre produtores ou programadores e prestadores de serviços de telecomunicações.

Da forma com que a emenda foi apresentada, a restrição impede as teles de expandirem sua atuação na área de programação de conteúdo e também impede empresas de radiodifusão de controlarem operadoras no mercado de TV por assinatura.
Confusos sobre os efeitos que a medida pode ter no mercado, os parlamentares chegaram a um consenso de que o texto precisa ser melhor estudado antes de ir à votação.

Por isso, a idéia é levar a proposta de volta à pauta apenas na próxima terça-feira, 13. A estratégia também dá mais tempo para que o substitutivo seja melhor assimilado pelas bancadas que compõem a comissão. Na semana passada, o deputado Miguel Corrêa Jr. (PT/MG) pediu vista conjunta com mais três parlamentares alegando que ainda não há garantia de acordo para que o projeto seja votado tranqüilamente na comissão. Deputados dos partidos aliados ao governo chegaram a se reunir nesta terça-feira para debater como será o posicionamento da bancada na votação.

Oficineiros preparam cobertura compartilhada da TEIA 2007

Pode o jornalismo ser feito de maneira compartilhada, sem hierarquia rígida, com diálogo aberto, em que leitores tornem-se também geradores de conteúdo? Como manter a acuidade das informações, despertar o interesse do público e cumprir um papel relevante no esforço de democratizar a comunicação? Subvertida a noção de público-leitor nesta era da informação, qual o papel dos comunicadores?

Essas foram algumas das questões discutidas por 98 comunicadores – entre estudantes, jornalistas e ativistas – que participaram da Oficina de Jornalismo Cultural Independente, promovida pelo Instituto Pensarte no acender das luzes da TEIA 2007. O projeto terá continuidade durante o encontro dos Pontos de Cultura, a partir de quarta-feira (7), quando será criada uma agência de notícias compartilhada para cobrir o evento.

A Oficina ocorreu neste final de semana, dias 3 e 4, na Casa do Conde, um dos espaços culturais que será tomado TEIA 2007. Os oficineiros tiveram a oportunidade de discutir entre si, de aprender novos recursos disponíveis na internet para fomentar a comunicação, como a construção de blogues, agências de notícias e redes sociais, e de debater com os chamados “provocadores” convidados a participar do encontro.

Entre eles, a blogueira Ana Carmem Foschini, o secretário de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, Célio Turino, o consultor para Cultura Digital do mesmo ministério Cláudio Prado, o empresário e blogueiro Edney Souza, e Rogério Thomaz, membro da coordenação nacional da ONG Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Ao longo da TEIA 2007, os oficineiros interessados em testar na prática a construção de uma agência de notícias compartilhada poderão fazê-lo através da www.agenciateia2007.org.br, a ser criada com o apoio dos jornalistas do Instituto Pensarte. O projeto tornou-se possível por conta do apoio técnico e metodológico da Papagallis, uma empresa especializada na construção de redes sociais e uso de novas tecnologias.

Em resumo, a Agência Teia será um organizador de conteúdo. Blogueiros, fotógrafos, produtores de vídeos, comunicadores e ativistas poderão produzir conteúdos sobre o encontro e direcioná-los para a agência. Um grupo de jornalistas integrado também por oficineiros interessados em técnicas de edição fará a montagem da página, que cumprirá o papel de ser o nó da rede de comunicadores formada a partir da Oficina.

Os debates sobre esse projeto e outros temas do jornalismo cultural podem ser acompanhados na rede www.100canais.org.br, cujo acesso é livre para os interessados. Há um grupo de oficineiros, por exemplo, trabalhando para a produção de um fanzine impresso sobre a TEIA 2007, a ser divulgado em quatro edições, cada uma em um dos dias do evento. Na terça-feira (6), haverá uma reunião dos oficineiros às 19 horas, na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, para a programação da cobertura. Estão todos convidados!

Organização divulga nota sobre a criação da nova TV pública

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social divulgou nesta terça-feira (06) uma nota em que defende a iniciativa da criação da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, mas pontua com críticas seu processo de construção e os mecanismos de gestão da nova empresa. No texto, o Intervozes invoca a Constituição Federal (que prevê a complementariedade entre os sistemas público, privado e estatal) para repudiar o discurso dos setores conservadores da sociedade que atualmente atacam a criação da EBC. 

“Nos somamos aos que defendem a nova emissora como um veículo que, a depender do formato adotado para seu funcionamento, pode dar um passo importante para a existência de um efetivo sistema público de comunicação a partir do fortalecimento da comunicação não-comercial”, afirma, questionando a crítica dos partidos conservadores à questão do financiamento e defendendo a informação de qualidade enquanto um investimento público.

O Intervozes, no entanto, defende que o caminho para a constituição do caráter verdadeiramente público da TV Brasil ainda precisa ser percorrido. “Tal caminho passa, necessariamente, pela revisão da Medida Provisória que cria a EBC, que vincula quase que exclusivamente a emissora ao governo federal. Isso fica claro na subordinação da empresa à Secretaria de Comunicação Social da Presidência e no poder do Presidente da República de indicar 80% dos membros do Conselho Administrativo e 95% dos integrantes do Conselho Curador”, diz o texto, questionando ainda a opção paternalista do governo de escolher os “representantes” da sociedade civil sem critério definidos e sem participação popular. “Mais do que corrigir estes problemas da Medida Provisória, no entanto, é preciso construir um mecanismo de gestão que garanta a incidência da população sobre toda a rede pública de televisão, e não apenas sobre a TV Brasil”, afirma a organização.

Em relação ao financiamento da EBC, além de defender recursos suficientes para que a empresa atinja seus objetivos, a organização reafirma a necessidade de que os recursos públicos não sejam contingenciáveis, “para impedir que o controle sobre os recursos se transforme em uma forma de ingerência do governo, o que pode ser visto em diversas educativas estaduais”. Segundo o texto, “é preciso garantir financiamento estável e vinculado a alguma fonte de receita. De outro modo, este ou futuros governos podem atacar a nova rede de televisão pública, sucateando suas emissoras”.

Por fim, o Intervozes afirma que a rede pública deve ser considerada prioritária na política de destinação de canais do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Com o modelo de transição para a TV digital adotado pelo governo, faltará espaço no espectro para novos canais. Em São Paulo, por exemplo, fará com que a TV Brasil seja alocada nos canais 68 e 69 do UHF, o que impõe a ela uma condição marginal no dial”, afirma a nota.

Veja a íntegra da nota do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

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TV Brasil: passo à frente, mas muito ainda a caminhar

A Medida Provisória que autoriza a constituição da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, publicada no dia 11 de outubro e em tramitação no Congresso, marca a criação oficial da nova TV do Poder Executivo, denominada TV Brasil. Sua proposta é ser a ponta de uma nova Rede Pública de Televisão, que tire esta modalidade de comunicação de uma posição marginal para se constituir como uma referência de programação de qualidade que mostre o Brasil em sua diversidade e promova o debate sobre os grandes temas nacionais.

De imediato, repudiamos as críticas dos setores conservadores contra a criação da TV Brasil. Nos somamos aos que defendem a nova emissora como um veículo que, a depender do formato adotado para seu funcionamento, pode dar um passo importante para a existência de um efetivo sistema público de comunicação (cumprindo o art. 223 da Constituição Federal) a partir do fortalecimento da comunicação não-comercial.

O discurso dos partidos de oposição contrários à criação da EBC não se sustenta. Os gastos com o veículo do Poder Executivo não devem ser vistos como desperdício do dinheiro do cidadão, mas como investimento na garantia de um espaço de comunicação que veicule informações de qualidade, plurais e diversas, e geradoras de reflexão, uma vez que isso não acontece no sistema comercial pela subordinação de sua programação à busca do lucro. Além disso, vale lembrar que o cidadão já paga indiretamente às redes privadas, seja nos produtos cujo custo de publicidade está embutido no preço, seja através dos tributos que viabilizam mais de R$ 1 bilhão de reais que são gastos nas propagandas do Governo Federal.

No entanto, vencidas as resistências destas frágeis críticas, faz-se necessário discutir qual será o formato do sistema público de comunicação. Os veículos vinculados a poderes da República, como governos, Legislativos e órgãos do Poder Judiciário, são legítimos, mas devem compor um sistema estatal, como prevê a Constituição Federal. Como o próprio nome diz, o sistema público de comunicação não pode se restringir ao meio televisão. Deve englobar o rádio e as mídias via internet. No que se refere à televisão, a existência de um sistema vai muito além da criação da TV Brasil, devendo incluir também a implantação de outros canais públicos (incluindo a possibilidade de emissoras temáticas, como há em outros países), universitários e comunitários, disponíveis a toda a população.

Para garantir o caráter público do que poderia ser o primeiro passo deste sistema – a criação da nova rede a partir da TV Brasil –, há ainda um longo caminho a ser percorrido. Tal caminho passa, necessariamente, pela revisão da Medida Provisória que cria a EBC, que vincula quase que exclusivamente a emissora ao governo federal. Isso fica claro na subordinação da empresa à Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) e no poder do Presidente da República de indicar 80% dos membros do Conselho  Administrativo e 95% dos integrantes do Conselho Curador (responsável pelas diretrizes e linha editorial), formado por “representantes da sociedade civil”. Assim como em outros órgãos do Estado brasileiro, é necessário que a participação da sociedade civil na nova TV pública se estabeleça através de um mecanismo de escolha independente do governo.

Além da origem das indicações, o perfil desejado para tais representações também se mostra um problema. Para o governo federal, o Conselho Curador deve ser integrado por “personalidades”. O argumento apresentado pela Secom de que a representação de setores da sociedade daria um caráter “corporativo” ao Conselho não se sustenta, já que em diversas outras instâncias do Estado esta forma de representação é adotada, sem que esse risco se materialize.

No tocante à programação da TV Brasil, não é possível fazer uma avaliação a priori. Mas é possível vislumbrar a falta de vontade do governo em romper com um modelo tradicional de jornalismo, cujo exemplo é a indicação para a presidência da EBC e para a diretoria de Jornalismo de duas pessoas com longa carreira nas Organizações Globo. Esperava-se que a nova empresa pudesse se basear nos avanços logrados durante os últimos anos de gestão da Radiobrás, que apontou para um modelo de jornalismo público com foco no cidadão. Quanto ao restante das produções, a indicação de Orlando Senna e Leopoldo Nunes é um bom sinal, mas ainda ficam em aberto como funcionará o aproveitamento de produções independentes e regionais, produzida fora dos grandes centros.

Mais do que corrigir estes problemas da Medida Provisória, no entanto, é preciso construir um mecanismo de gestão que garanta a incidência da população sobre toda a rede pública de televisão, e não apenas sobre a TV Brasil. Num primeiro momento, a tendência é que a nova rede fique restrita às emissoras do Poder Executivo e emissoras educativas menores, que se associarão à rede em função de sua demanda programação e recursos estatais. Televisões em praças importantes, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, podem não entrar na nova rede, mas isso não significa que não devam funcionar como partes integrantes de um efetivo sistema público, permeável à participação popular.

Outra condição para a existência de um sistema público de comunicação é a garantia de recursos para seu funcionamento. Para a TV Brasil, a MP abre espaço para dotações orçamentárias diversas. Embora proíba a veiculação de anúncios de produtos e serviços, ela permite a publicidade institucional de empresas de direito privado e deixa em aberto a possibilidade de outras formas de financiamento. Para impedir que o controle sobre os recursos se transforme em uma forma de ingerência, o que pode ser visto em diversas educativas estaduais, é preciso garantir financiamento estável e vinculado a alguma fonte de receita. De outro modo, este ou futuros governos podem atacar a nova rede de televisão pública, sucateando suas emissoras. O Intervozes já vem defendendo, desde a realização do I Fórum Nacional de TVs Públicas, a criação de um fundo específico para este fim, protegido de contingenciamento e com volume de recursos suficiente para garantir o bom funcionamento da rede.

Por fim, de nada adianta uma rede forte, com gestão pública, financiamento vultoso e estável e programação diversa e ousada se não houver canais para alocar novas emissoras no sistema público. Para que se efetive, a rede pública deve ser considerada prioritária na política de destinação de canais do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Porém, com o modelo de transição para a TV digital adotado pelo governo, faltará espaço no espectro para novos canais. Em São Paulo, por exemplo, a destinação de 6 MHz adicionais para que as atuais concessionárias do sinal analógico realizem em simultâneo a transmissão digital – embora a nova tecnologia requeira menos espaço –, fará com que a TV Brasil seja alocada nos canais 68 e 69 do UHF, o que impõe a ela uma condição marginal no dial.

Sair do atual estágio da criação de uma TV estatal com aspirações públicas para um sistema público é tarefa urgente e necessária. As resistências atuais, dos partidos conservadores, apenas refletem o status quo da área das comunicações, regida pelo interesse na reprodução do atual comando absoluto do oligopólio dos grupos comerciais. Resta ao Executivo federal responder ao seu programa de governo setorial e às resoluções do I Fórum Nacional de TVs Públicas, garantindo o cumprimento, no Brasil, de uma agenda já executada há décadas por outras nações, sem perder de vista os desafios do século XXI.

Brasil, novembro de 2007.