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Acordo por Banda Larga muda PPP do Rio de Janeiro

Nesta quarta-feira, 14 de novembro, o Proderj – Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro-divulgará um texto inicial com novas diretrizes para a Parceria Público-Privada (PPP), que será implementada no ano que vem para conectar em alta velocidade todos os 92 municípios fluminenses, já conhecida como PPP da Banda Larga.

"Até quarta, devemos divulgar um novo texto da PPP, informando qual vai ser a postura do Proderj e do governo do estado, com uma revisão diante dos novos acontecimentos frente à decisão da Anatel e do acordo fechado entre as teles e o Minicom", declarou ao Convergência Digital, Julio César da Hora, diretor-executivo do Proderj.

A decisão da Anatel citada pelo executivo do Proderj foi anunciada no último dia 6 e modifica metas do Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU), substituindo a previsão de ligação de 8.461 Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) por backhauls com infra-estrutura de banda larga em todos os municípios brasileiros.

Com a mudança, a Anatel pretende que 3.570 municípios atualmente sem banda larga sejam beneficiados. A decisão está em consulta pública desde o dia 8 e ficará até o próximo dia 19.  Segundo o diretor-executivo do Proderj, o escopo da PPP da Banda Larga do estado do Rio deve sofrer ligeiras mudanças.

Dúvida, dúvidas….

"O foco deve recair mais sobre a última milha (como será feita e quanto custará a interligação entre o backhaul das teles e os provedores) e sobre a criação de conteúdos", adiantou Julio da Hora. A decisão do comitê que traça as diretrizes da PPP é clara: Como há, agora, a obrigação das teles de instalarem os backhauls, a questão mais sensível passa a ser a última milha.

Isso porque no anúncio do acordo firmado entre o Ministério das Comunicações e as Teles, aprovado pela Anatel, essa última parte ficará sob a responsabilidade dos ISPs e dos operadores SCM.

O grande ponto de interrogação do projeto – e que já é alvo de questionamentos na consulta pública- é saber quem será o responsável por definir os preços a serem cobrados pelas teles para a conexão do backhaul para esses provedores, mesmo para a interligação de escolas públicas, que teoricamente deveriam ser gratuitas, mas não há qualquer posição fechada no acordo firmado ente o Minicom e as Teles.

Os críticos do projeto afirmam que as concessionárias de telefonia fixa exorbitam na cobrança de links de maior velocidade como o fez durante o IP Communications, o consultor legislativo da Câmara Federal, Vilson Vedana. Ele lembrou que o município de Duas Barras, no interior do Rio, solicitou à Oi/Telemar a contratação de um link de 4Mbits. Esperou mais de três meses pela resposta e quando ela veio, o custo orçado ficou em R$ 17 mil, muito acima do orçamento dedicado pela prefeitura local para os projetos de inclusão digital.

A previsão é que o texto definitivo da PPP do Rio de Janeiro fique pronto no início de dezembro. Durante dois meses, ele ficará em consulta pública. As primeiras licitações estão previstas para março de 2008.

Diversidade na rede depende de conteúdos em diversos idiomas

Rio de Janeiro – Na terça-feira (14), no âmbito do Fórum de Governança da Internet (IGF), ocorreu a reunião da Coalizão Dinâmica pela Carta de Direitos da Internet (Bill of Rights, em seu termo em inglês), que contou com a presença do Ministro Gilberto Gil, de parlamentares europeus da Itália e França. Na ocasião, diferentes questões sobre a diversidade cultural na Internet foram abordadas, entre ela a necessidade de dar eficácia à Carta de Direitos da Internet.

Segundo o professor Stefano Rodotà, da Universidade de Roma, uma das questões mais complexas da atualidade é a ponderação entre o direito à liberdade de expressão versus o acesso a conteúdo ilegal na internet, como a pedofilia. “Os direitos da internet no âmbito político precisa ter regras específicas”, afirmou o professor. Segundo ele, controlar conteúdo ilegal e ao mesmo tempo proteger a liberdade de expressão é um dos grandes desafios contemporâneos.

Já a francesa Catherine Trautmann, do Parlamento Europeu, diz que a real questão é “como podemos compreender e respeitar as diferenças étnicas e a diversidade cultural em um acesso universal, em um espaço que é internacional”. Além disso, Trautmann afirma que as identidades culturais de diferentes grupos étnicos e culturais precisam ser respeitadas na Carta de Direitos da Internet.

Em  seu discurso, o ministro da Cultura brasileiro afirmou que “estamos desafiados pelo sistema de circulação e distribuição que surge com a Internet e uma 'reação padrão' se esboça na tentativa de perpetuar as lógicas dominantes”. Gil pontua a questão dizendo que “o que o setor de entretenimento há alguns anos passou a chamar de conteúdo, é algo que se torna a cada dia mais complexo”. Ou seja, ao promover acesso e banda larga à população haverá cada vez mais diversidade no conteúdo que trafega na Internet e isto é um importante passo para a democratização dos meios de comunicação e para uma pluralidade estética no consumo de bens e produtos imateriais e simbólicos.

Línguas e protagonismo brasileiro

Outro grande desafio da estrutura atual da governança da Internet para promover maior diversidade na rede é a expansão do conteúdo em outras línguas. A divisão digital fica evidente a partir da constatação de que mais de oitenta por cento do conteúdo da rede está em inglês, ao mesmo tempo que em países da África existem mais de cinqüenta dialetos locais, a maioria fora da Intenet. Para superar este obstáculo, especialistas dizem ser necessário o desenvolvimento de softwares de tradução e novas interfaces que promovam  maior acessibilidade, preferencialmente em programas livres.

Para que isso possa ocorrer, o ministro Gilberto Gil defende que as Nações Unidas sigam como responsáveis pelo debate da Governança da Internet, numa tentativa de descentralizar o poder das mãos da Icann. Nesse sentido, Gil tem feito alianças políticas com países da Europa e da América Latina.

No final da noite, em evento paralelo ao IGF que ocorre até a noite do dia 14 no Circo Voador, o ministro assinou a carta de cooperação com o Subsecretário das Comunicações Italiano, Luigi Vimercati, em mais uma ação de diplomacia e protagonismo do governo federal brasileiro no debate sobre os direitos fundamentais da humanidade e a governança da internet.

Segundo declarou Gil, o objetivo da carta é o de “convocar a outros Estados e outros membros da sociedade civil a se juntarem no debate no próximo Fórum de Governança da Internet”, ressaltando que é essencial que a rede reflita a diversidade cultural e étnica mundial. Gil também afirmou que “o governo brasileiro se sente orgulhoso em assumir responsabilidades diretas no desenvolvimento e avanço da questão da Internet no Brasil e no mundo”.

Minc e MJ vão viabilizar pontos de cultura em periferias, diz Gil

Rio de Janeiro – Nos próximos dois anos, o Brasil deverá ter cerca de 300 pontos de cultura nas chamadas "áreas de risco social", como periferias e favelas. Esses centros culturais, viabilizados por meio de convênios entre o Ministério da Cultura e a sociedade civil, passarão a ser implementados em parceria com o Ministério da Justiça. 

As informações são do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que participou hoje (13) do programa Bom Dia Ministro, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. "As favelas estão entre os territórios mais afetados por essa questão do risco social. E o Ministério da Justiça, justamente por causa dos desdobramentos em relação à violência e à necessidade da presença do Estado nesses territórios, é um dos mais interessados em associar suas ações a programas de cultura", disse Gil.

Segundo ele, os recursos virão dos R$ 4,7 bilhões previstos para o programa Mais Cultura. Lançado em outubro, a ação tem como meta ampliar os pontos de cultura.

De acordo com o ministro, o dinheiro do programa também vai permitir a criação de "agentes da cultura". "Eles vão trabalhar nos mesmos moldes dos agentes de saúde: são pessoas treinadas para articular os programas do ministério com a população, as cidades, bairros e associações", explicou. "Essas pessoas serão escolhidas através de critérios de seleção pública e, provavelmente, junto às próprias comunidades".

Unesco lança guia prático sobre software livre

Curitiba – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou ontem (13), em Foz do Iguaçu, a publicação Guia Prático sobre Software Livre – Sua Seleção e Aplicação na América Latina e no Caribe.

Editado em espanhol e de autoria de Fernando da Rosa e Frederico Heinz, o guia serve tanto para as pessoas que buscam uma introdução no campo do software livre como para quem já tem experiência no assunto. "Nosso objetivo era fazer um guia simples e com uma linguagem acessível. Há uma série de links para o leitor acessar conteúdos na internet que estarão sujeitos a contribuições, a exemplo da filosofia do software livre”, disse Rosa.

Durante a 4ª Conferência Latino-Americana de Software Livre (Latinoware 2007), o autor explicou que o guia traz diversos processos de desenvolvimento do software livre, apresenta estudos de potencialidade das ferramentas de código aberto e fornece orientações para quem deseja migrar a partir de softwares proprietários.

A Latinoware, que termina no dia 14, é promovida pela Itaipu Binacional em parceria com a Companhia de Informática do Paraná (Celepar) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O evento reúne cerca de 2,8 mil pessoas do Brasil, Paraguai, Argentina, Cuba, México, Peru, Uruguai e Venezuela. Estão sendo realizadas cerca de 60 palestras, 16 minicursos e uma exposição de projetos.

IGF relaciona exclusão digital nos países em desenvolvimento com falta de integração

Enquanto o ICANN foi o centro das atenções no primeiro dia do Internet Governance Forum 2007, realizado pela Organização das Nações Unidas no Rio de Janeiro, as dificuldades enfrentadas pela inclusão digital em países em desenvolvidos foi o assunto em pauta nesta terça-feira (13/11). E todos os pontos de vista apontavam para a mesma direção: a falta de coordenação e mobilização das próprias nações.

Em painel mediado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, Mouhammet Diop, CEO da empresa senegalesa Next.sn, encontrou semelhaças entre África e América Latina, principalmente, pela fragmentação na maneira como suas nações tentam incluir digitalmente seus habitantes. 

A dificuldade de coordenação se transforma em barreira para a inclusão digital enquanto países escolhem plataformas divergentes e, muitas vezes, com caracerísticas opostas, para a mesma obrigação de oferecer acesso aos excluídos, lembrou Valerie D’Costa, do programa de doação de equipamentos de informática infoDev, braço do Banco Mundial.

"Falaria (para administradores de fundos governamentais para comunicação em países pobres) que gastassem o dinheiro para suportar as soluções mais ideais de acesso que estão brotando aqui e ali ao invés de apenas esperar que operadoras mostrem seus planos", propôs.

A desorganização provoca também problemas internos, com planos de acesso à banda larga que depende apenas do governo, algo que dificulta investimentos e raramente são entregues completos à população, defendeu Mike Jensen, consultor independente de Johannesburg, na África do Sul.

Tanto para ele como para Daniel Pimienta, pesquisador da Universidade de Martinica que participou do painel "Diversity" mediado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, o principal problema não está apenas na infra-estrutura tecnológica, mas na falta de incentivo para criação de conteúdo digital, tarefa que poderia levar ainda mais excluídos à internet.

A mesma visão foi compartilhada  por Gil em discursos anteriores ao IGF, ao defender a necessidade da instalação da terceira evolução dos centros de inclusão digital, preparado para capturar e editar filme, aúdio e imagens digitais como forma de, além de incluir, ensinar uma habilidade para usuários menos favorecidos.

"Das 40 mil línguas que criamos no planeta, apenas entre 6 mil e 9 mil permanecem e, destas, menos de 500 existem digitalmente. Deste total, menos de 50 concentram mais de 99% do conteúdo online. Uma total existência digital não é limitada aos códigos", explica Pimienta, resvalando em conceitos antropológicos para citar a exclusão cultural na web atualmente.

Ironicamente, foi o ICANN, alvo de questionamentos sobre seu papel no primeiro dia do evento, que iniciou testes com domínios de 11 línguas não derivadas do latim, o que permitirá URLs com caracteres chineses, árabes, grego e japonês, por exemplo.

Por mais que não tenha sido lembrado tão constantemente durante o segundo dia do IGF 2007, a direção tomada pelos debates que clamam uma organização que possa ajudar na integração de países  para inclusão digital parece ter ajudado para colocar ainda mais dúvidas sobre o papel do ICANN.