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Disputas partidárias atrasam implantação de rede de banda larga

As principais autoridades brasileiras não conseguem chegar a um denominador comum para viabilizar um amplo programa de inclusão digital no País. Não se entendem, por exemplo, quanto a quem coordena tal projeto e de onde virá a rede ou a infra-estrutura necessária para levar aos 5,6 mil municípios do país, o acesso à Internet.

Há uma nítida disputa política entre os partidos da base do governo, PT/PSB e o PMDB, com relação ao comando do projeto. Premeditadamente ou não, agora, quem entrou nessa briga foi o PSB, por intermédio do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Durante a abertura do IGF – Internet Governance Forum, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (12/11), o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, falou da possibilidade de o governo usar os dutos da Petrobrás ou rede de 12 mil quilômetros de fibras ópticas da falida Eletronet, como principal rede de banda larga para a inclusão digital. Segundo ele, o governo não quer ficar 'dependente' das concessionárias de telefonia fixa num tema tão sensível como o da inclusão digital. No ano que vem, as teles iniciam a montagem de um gigantesco backhaul que irá atender a 3.570 municípios, queainda não dispõem de acesso à Internet. Esse projeto foi fruto de um acordo firmado entre as empresas e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é do PMDB.

O ministro da Ciência e Tecnologia – ao defender Petrobrás ou Eletronet – não levou em conta que as empresas de telefonia não estão fazendo nenhum favor ao governo, uma vez que, simplesmente, trocaram um compromisso de universalização por outro. Rezende fechou um acordo com o Ministério da Cultura e com o Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos para retomar da estaca zero as discussões sobreredes de inclusão digital.

'Vamos aproveitar toda a infra-estrutura existente, não vamos criar uma nova rede, o que nos interessa é integrar a estrutura existente para um amplo programa de acesso à Internet', explicou o ministro Mangabeira Unger, do Ministério Extrordinário de Assuntos Estratégicos. Indagado sobre porquê retomar um assunto, em estágio avançado no ministério das Comunicações, Unger disse que a participação do Minicom na nova frente tambem está garantida, embora reconheça que esta órgão não faz parte do acordo assinado nesta segunda-feira, 12/11, no IGF- Internet Governance Forum.

Até agora, o projeto do Ministério das comunicações de criação de um grande backhaul com apoio das concessionárias de telefonia fixa tem sido a única iniciativa 'visível' de governo. As demais propostas de inclusão (Eletronet ou Petrobrás)são programas de ocasião, sempre comentados nos bastidores por técnicos do governo, quando há uma necessidade de se 'mostrar serviço', naquele que tem sido a maior dor de cabeça para o avanço da inclusão digital do governo: A conectividade.

Nesta terça-feira, 13/11, o ministrodas Comunicações, Hélio Costa, presidirá a sessão plenária sobre o tema 'Acesso', no Fórum para a Governança da Internet (IGF), às 11 horas. Será a vez do PMDB dar o troco no PT e no PSB.

Safernet defende articulação mundial contra pedofilia na internet

Rio de Janeiro – O presidente da Safernet Brasil, uma organização não-governamental que atua em parceria com o Ministério Público Federal contra a pedofilia na internet, Thiago Tavares, disse hoje (15) que um dos pontos altos das discussões do 2º Fórum de Governança da Internet foi o seminário sobre a prática de crimes como a pornografia infantil pela rede mundial.

De acordo com ele, uma pesquisa promovida pela instituição que coordena aponta que nos últimos 21 meses foram registrados 50 mil casos envolvendo páginas criadas por brasileiros com o objetivo de cometer crimes contra direitos humanos. Desse total, 40% eram relativos à pedofilia.

"Infelizmente existe um crescimento exponencial nos últimos anos. Além disso, temos percebido que com o aumento da repressão por parte da comunidade européia, está havendo uma migração da atuação de redes criminosas que compram e vendem pornografia infantil por meio da internet do leste europeu para o Brasil", disse.

Para combater esse mal, ele defende uma atuação articulada entre provedores de internet, tanto brasileiros como aqueles que têm filiais no Brasil, os governos e a sociedade civil. Ele lembrou ainda que qualquer política ou intervenção na rede tem que ser pensada em termos globais.

Segundo Tavares, não adianta resolver um problema em um determinado país porque, como a internet não tem fronteiras, o mesmo crime pode criar braços em outros países. Ele acredita que a harmonização da legislação nesse campo nas diversas nações pode promover avanços no combate a crimes desse tipo.

A próxima edição do Fórum de Governança da Internet está previsto para acontecer no ano que vem, na Índia.

Não estamos interessados em política, garante CEO do ICANN

Por mais que seja palco de pressões trazidas das relações políticas de países, o ICANN não tem o mínimo interesse em se envolver em questões políticas, o que lhe confere a credibilidade necessária à organização que define padrões online, defendeu o CEO da entidade, Paul Twomey.

Em entrevista exclusiva ao IDG Now! nesta quarta-feira (14/11) durante o Internet Governance Forum 2007, evento organizado pela Organiação das Nações Unidas, Twomey afirmou se alterar quando questões políticas extrapolam para o órgão, que se transforma em um proxy onde assuntos externos são justificados.

As pressões externas podem levar a críticas contra o papel do ICANN como algumas expressadas durante o evento da ONU, como militantes chineses que afirmaram desconfiança contra a histórica interação entre ICANN e os Estados Unidos ou o ministro Mangabeira Unger, que afirmou defendeu um novo órgão para regular a internet.

"Quer falar sobre política? Fale em outro lugar e não tente envolver na questão alguns dos gênios vivos da ciência que fazem parte do ICANN", afirmou, se referindo a pesquisadores membros da organização ligados diretamente com a criação da internet, como Vint Cerf.

Para ilustrar sua alegação, o executivo relembra que, dos 11 membros da diretoria do ICANN, apenas dois são norte-americanos. Ele mesmo, nascido na Austrália, e o novo presidente do conselho, o neozelandês Peter Dengate Thrush, são exemplos da influência mínima dos EUA no órgão.

Ao mesmo tempo, Twomey é conciso ao criticar, por outro lado, a postura de norte-americanos que acreditam que, como a internet foi criada por órgãos do país, os Estados Unidos possuem a rede e devem fechá-la a quem não estiver satisfeito com as decisões.

Rede sem fio pode ser saída para combate à exclusão digital na AL

O uso de tecnologias sem fio para garantir a conectividade em áreas rurais remotas exige marcos regulatórios claros nos paises da América Latina. É o que defende a colombiana Sylvia Cadena, representante da organização WiLac, entidade criada para debater o compartilhamento de tecnologias sem fio (Wi-Fi, WiMAX e outras) na América Latina, pela Fundação Escola-Latino Americana de Redes, da Colômbia. 

Ao proferir palestra no 2º Forum de Governança da Internet, no Rio de Janeiro, Sylvia Cadena explicou que os países precisam criar marcos regulatórios que visem garantir o maior compartilhamento de redes possível, para evitar penalizar os eventuais usuários desses serviços.

Segundo ela, serão essas legislações que vão garantir um maior grau de cobertura, sobretudo em áreas remotas. "A falta de integração e coerência gera um nível de complexidade e aumentam os custos", destacou.

Para a representante do WiLac existem, atualmente, na América Latina quatro grandes problemas que devem ser tratados pelos governos, de preferência em comum acordo na região, para que possa ser encontrada uma solução da falta de conectividade nas áreas rurais, através das tecnologias sem fio.

Custos de rede: É preciso que haja clara regulamentação neste quesito para que a população, sobretudo, rural, não acabe subsidiando os custos dessa rede. "Os custos de homologação de tecnologia deveriam ser tratados pelas empresas que terão o benefício econômico ao vender essa tecnologia em particular" explicou Sylvia.

Integração: Os governos deveriam trabalhar numa integração regional que possibilite a gestão de zonas de fronteira. "Para que as comunidades possam compartilhar uma mesma cultura, se integrar e se comunicar", defende.

Prioridade: A representante do WiLac também explicou que as comunidades não devem ser tratadas como "exceção à norma", tão momente pelo fato de estarem em zonas rurais. Mas, sim, a base pelo qual se projeta um marco regulatório. segundo ela, os atuais marcos priorizam as áreas urbanas, quando a realidade mostra que mais de 70% da população estão na periferia ou em áreas rurais.

Serviços emergenciais: Os serviços com maior demanda nas áreas rurais, tais como voz, mensagens e comunicações emergênciais para atendimento de desastres "devem ser fortalecidos e oferecidos como "um direito mais importante do que qualquer interesse econômico", defendeu a colombiana Sylvia Cadena.

Conversor para TV digital a R$ 750 é caro, afirma Lula

Em encontro anteontem com empresários que foram levar o convite para o lançamento da TV digital no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com contrariedade quando lhe disseram que o conversor para captar o novo sinal custaria para o consumidor aproximadamente R$ 750.

Lula disse que era muito caro e afirmou que o governo tomaria medidas, sem especificar quais, na hipótese de o conversor custar mais do que R$ 250.

'Não se pode achacar o povo', disse Lula, segundo relato à Folha de duas pessoas que estavam na reunião que contou com empresários do ramo de TV e integrantes da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão).

No encontro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, chegou a dizer que, no mundo, o custo de um conversor desse tipo gira em torno de US$ 100 -na cotação de hoje, algo entre R$ 170 e R$ 180. O preço máximo de R$ 250 seria mais do que suficiente para que os empresários tivessem lucro, avaliaram Lula e ministros que estiveram na reunião.

Hoje, a grande maioria dos aparelhos de TV no Brasil não está preparada para receber o sinal digital. A data marcada para o início da transmissão digital no Brasil é 2 de dezembro -pouco mais de duas semanas. Para que as TVs em uso recebam o sinal, será preciso um conversor. Esse aparelho receberá o sinal digital e o transformará em analógico.

A escolha do padrão japonês de TV digital e o início dessas operações foram 'vendidas' pelo governo e os empresários como uma evolução tecnológica que beneficiaria o espectador. A qualidade do sinal é superior. No entanto Lula ficou preocupado com a estimativa de custo do conversor que lhe foi apresentada na reunião de anteontem à tarde, que aconteceu no Palácio do Planalto.

Empresários argumentaram que, no início da produção, não teriam escala para lucrar e que o custo necessariamente seria maior, com queda no futuro. O presidente e ministros argumentaram que, mesmo que no início das vendas houvesse pouco lucro ou até prejuízo, os empresários ganhariam nomédio e longo prazos porque a TV é, de longe, o meio de comunicação de massa mais importante do país.

Na visão de Lula, um custo elevado teria impacto político negativo na população. As vendas de TV cresceram nos últimos anos -mesmo consumidores de baixa renda têm mais de um aparelho em casa. Depois do encontro, o presidente chegou a dizer que R$ 750 são suficientes para comprar aparelhos de TV grandes, de 20 ou mais polegadas.

Na reunião, Lula se mostrou disposto a dialogar com os empresários. Já foram adotados incentivos à produção de bens para a tecnologia de sinal de TV digital, como redução de impostos e financiamento.