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Bittar deve discutir substitutivo com setores esta semana

O deputado Jorge Bittar (PT/RJ) praticamente bateu o martelo neste final de semana sobre o substitutivo que deve propor ao PL 29/2007, que cria novas regras para o setor de TV paga e para produção e programação de conteúdos. Bittar ainda deve conversar com os vários setores interessados nesta terça, dia 4, e ter uma nova reunião com a Casa Civil na quarta, 5, para discutir o assunto. Mas algumas coisas podem ser antecipadas:

1) O relator deve mudar algumas das regras para conteúdos colocadas no substitutivo que veio da Comissão de Desenvolvimento Econômico. Seriam regras visando facilitar a fiscalização e a aplicação das obrigações.

2) É provável que a Ancine ganhe poder de regular, do ponto de vista concorrencial, o mercado de programação de TV por assinatura, determinando regras mais ou menos flexíveis para a exclusividade de canais, cabendo sempre ao Cade a última palavra.

3) A tendência é que Bittar volte a incluir artigos prevendo a desagregação de redes das empresas de telecomunicações, ou pelo menos das empresas prestadoras dos serviços de TV paga.

4) As limitações para que as concessionárias de telefonia ou SMP participem de empresas de produção ou programação ou adquiram eventos devem ser flexibilizadas. A aquisição ou o controle dos direitos de alguns eventos deve ser permitido.

5) Também devem ser mexidos nos conceitos de conteúdo nacional, evento nacional e produção nacional, voltando a aproximá-los daquelas definições existentes hoje na legislação audiovisual.

Todos estes pontos ainda dependem de conversas e podem ser alterados, mas são nesse momento os principais aspectos que formam a posição do deputado sobre o tema.

STF determina devolução de equipamentos de rádio comunitária

A Associação de Rádio Comunitária Ouro Verde, do município de Sapezal (MT) obteve no último dia 14 deste mês uma importante vitória na Justiça. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão da ADIn 1668/97 (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que limita os poderes da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações e deferiu uma liminar que determinou a liberação dos bens da rádio apreendidos pela agência em agosto deste ano.

“Os equipamentos chegaram de volta esta semana”, explica Leomar Mees, diretor da associação. “Mas estamos com eles parados, pois avaliamos que poderíamos colocar em jogo o direito à informação da nossa comunidade se colocássemos para funcionar novamente sem a autorização do Ministério das Comunicações”, diz. Segundo ele, a associação estuda a possibilidade de obter o funcionamento via outra liminar judicial. “A burocracia é enorme. Esperamos há anos pela autorização de funcionamento e ficamos reféns da morosidade do Ministério. Mas somos uma rádio efetivamente comunitária, atendemos todos os requisitos e temos uma programação de interesse público. Não tem porque não funcionar”, avalia Mees.

Bruno José Ricci Boaventura, advogado da associação responsável pelo caso, explica que a Anatel apreendeu os equipamentos sem ordem judicial, e a rádio impetrou um mandado de segurança, cuja liminar foi indeferida. “Esta decisão é contra o que foi decidido pelo STF na ADIn 1668, de 1997, que afirma que os agentes da Anatel, Polícia Federal e União não podem, sem mandado judicial, apreender os equipamentos radiofônicos de uma emissora comunitária”. Na prática, a ADIn reafirma que a Anatel é um órgão regulador e não tem poder de polícia.

Foi justamente sob esse argumento que a rádio conseguiu uma liminar que liberou seus equipamentos. Segundo  Boaventura, entretanto, a liminar não tem efeito vinculante oficial, porque se trata de uma decisão em relação a um caso concreto, mas “tem um efeito vinculante simbólico”. “As rádios precisam procurar se regularizar, mesmo que o processo seja moroso, difícil e burocratico. Mas aquelas que funcionam sem regularização e que forem vítimas de atitudes como esta da Anatel já têm casos em que podem se espelhar para ter seus equipamentos de volta e fazer valer seus direitos”, diz o advogado. “Esta vitória, portanto, abre para as rádios uma nova frente de batalha”, afirma Leomar Mees.

Casos emblemáticos

Um outro caso emblemático aconteceu recentemente na capital paranaense. A Associação Comunitária do Jardim Esperança, que fica na zona sul de Curitiba, mantinha uma rádio, que foi multada e teve seus equipamentos apreendidos numa ação da Anatel em 2005. Durante o mesmo período, a emissora pleiteava a autorização de funcionamento junto ao Ministério das Comunicações.

A rádio, alicerçada em outras entidades de seu entorno, recorreu ao Judiciário requerendo a retirada do lacre da Anatel e a autorização de funcionamento, por conta da demora injustificada do Ministério das Comunicações em autorizar definitivamente seu funcionamento.

Os pedidos foram negados, e a Associação de Moradores recorreu ao Tribunal Regional Federal, que manteve a sentença e também negou os pedidos da Associação, contrariando as decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, que já haviam emitido sentenças que permitiam que as rádios funcionassem enquanto o Ministério estivesse avaliando o pedido de regularização.

Além da apreensão dos equipamentos e da multa, o presidente da Associação Comunitária do Jardim Esperança, Ronny Roque da Silva, foi indiciado por crimes contra as telecomunicações. Foi quando o Ministério Público Federal foi acionado e obteve o arquivamento do inquérito contra o líder comunitário e a devolução do aparelho transmissor apreendido. 

Mesmo na defesa, Jô reafirma as bobagens disseminadas em e por seu programa!

A leitora Maria da Conceição Oliveira, autora do blog Maria Frô, nos enviou sua denúncia em relação ao programa do apresentador Jô Soares. Leia a íntegra da denúncia publicada em http://mariafro.blogspot.com/2007/11/mesmo-na-defesa-j-reafirma-as-bobagens.html

“É impressionante como a visão de uma África selvagem e libidinosa está impregnada na mente de alguns. Em matéria publicada agora a pouco, ainda lemos termos como “tribos” e afirmações improcedentes relacionadas à sexualidade e aos penteados de etnias africanas em Angola.

Para quem acredita nessas bobagens, por favor informem-se! O post do dia 23/10/2007 tem até bibliografia sobre os penteados das muilas. Saibam de uma vez por todas que não fazem uso de esterco nos penteados, que eles não estão relacionados à sexualidade e, finalmente, nenhuma cultura do mundo admite como normalidade a pedofilia, muito menos as etnias mencionadas no programa do Jô.

Pedido de desculpas desse modo????
MP neles!”

Repórter Brasil inaugura o jornalismo unificado na TV pública da EBC

Brasília – Um noticiário com uma hora de duração, ancorado de Brasília e do Rio Janeiro, no ar a partir de hoje (3), é o primeiro produto jornalístico da TV Brasil, emissora pública criada a partir da fusão da TV Nacional , TV Educativa do Rio de Janeiro e Educativa do Maranhão. Nas duas praças principais 100 profissionais estão envolvidos no Repórter Brasil. O programa será apresentado de segunda a sábado, das 21 às 22 horas, e contará ainda com a participação de repórteres de São Paulo e outras cidades do país.

Segundo o gerente de Jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Eduardo Castro, a criação de um telejornal unificado para todo o Brasil em emissoras públicas era um desejo antigo das direções que agora se viabiliza por uma articulação adequada. A idéia é que seja um produto diferente do gênero visto nas tvs comerciais.

“Queremos colocar no ar estados que não costumam se ver na televisão, distantes dos grandes centros, e também temas que não aparecem. Enquanto a emissora comercial, por sua natureza, busca mais o pitoresco ou algo de fácil digestão, podemos trabalhar numa outra densidade, em nosso jornal, assuntos que interfiram diretamente na vida do telespectador”, explicou Castro à Agência Brasil.

A primeira edição do telejornal terá como destaque uma cobertura especial da Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-13) , na ilha de Bali, na Indonésia, com reportagens de enviados especiais, análises e discussões do tema com especialistas. O novo cenário em Brasília tem monitores de plasma e espaço para entrevistas ao vivo no estúdio, independente da bancada do apresentador.

“A busca é pelo melhor jornalismo. Oferecer informação de qualidade e cobertura de fatos com isenção e fidelidade”, afirma a presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel.

A TV Brasil pode ser sintonizada no canal 2 no Distrito Federal e nos estados do Rio de Janeiro e do Maranhão. Na Amazônia, o sinal poderá ser captado por meio de antena parabólica.

O “Repórter Brasil” substitui o Edição Nacional, que era exibido pela TVE, e o Repórter Nacional, das emissoras Radiobrás.

Em 2013, TV digital estará presente em só em 19% do país, prevê estudo

Tecnologia deve atingir só 4% dos televisores em 2008. Adesão da classe A deve ser de 31% ao final de 2008, contra apenas 7% na B e praticamente nula nas demais faixas de renda.

Quando todas as cidades brasileiras estiverem recebendo o sinal digital da TV aberta, em 2013, cerca de 19 milhões de aparelhos devem estar aptos a usufruir da nova tecnologia, o que vai corresponder a 19% dos televisores. No próximo ano, a previsão é que sejam 3 milhões – apenas 4% do total.

"Anualmente são vendidos no Brasil 12,5 milhões de TVs. Estamos falando em cerca de 10% disso", diz Paulo Cury, da Condere, que já atendeu empresas como Globopar, TV Cultura e Net e fez a projeção. O estudo mostrou em números o que o alto preço dos aparelhos já indicava: o nível de penetração será maior na classe A, com renda acima de R$ 6.200.

Ao final de 2008, a adesão dessa parte da população à transmissão digital será de 31%, contra 7% na B (renda entre R$ 2.100 e R$ 6.200) e praticamente nula nas demais faixas de renda, que respondem agora por quase 70% dos 67 milhões de TVs do país, diz o estudo.
"É difícil afirmar se é bom ou ruim [a penetração nas classes A e B], até porque esse é um mercado novo. O importante é ressaltar que o crescimento virá, num primeiro momento, das classes mais altas", avalia.

A parte da população com renda mensal inferior a R$ 2.100 deve ter adesão de apenas 5% (classe C) e 2% (D/ E) em 2013, quando 97% da classe A e 44% da B já estiverem usufruindo da transmissão digital.

Além da faixa de renda, os aparelhos para a TV digital, com conversores a pelo menos R$ 500 e televisões aptas a receber o sinal por no mínimo R$ 8.000 agora no lançamento, devem ter no início um público-alvo específico, os aficionados por novas tecnologias.

Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, cita os "early adopters", aqueles que são sempre os primeiros a consumir lançamentos. Para ele, não se pode ter expectativa muito alta com a TV digital agora. "O importante é começar."

Além dos interessados em novidades, "quem comprará inicialmente serão as pessoas que têm mais de uma TV em casa", afirma Guido Lemos, coordenador do desenvolvimento do Ginga, software que permitirá o envio de dados para as emissoras na TV digital aberta. Aliás, uma das preocupações dos órgãos de defesa do consumidor neste momento de euforia de lançamentos é informar que os aparelhos à venda terão que ser trocados quando essa segunda e principal etapa chegar, já que nenhum deles poderá ser atualizado com o Ginga. A exceção é o decodificador com conversor embutido para os assinantes da Net, que já vem com um software pronto para esse nível de interação.