Arquivo da categoria: Notícias

STF dará palavra final sobre legalidade de assinatura básica

A 1ª Câmara Cível do TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) aceitou recurso da filial mato-grossense da empresa Brasil Telecom e decidiu que a cobrança de assinatura básica pelas operadoras de telefonia é legal. A polêmica em torno desta cobrança só deverá terminar com a sentença do Supremo Tribunal Federal. Isso porque, de acordo com dados oficiais, existem mais de 300 mil processos tramitando sobre o assunto no País.

A sentença do TJ-MT destaca que a cobrança visa remunerar a infra-estrutura colocada à disposição dos usuários e sua manutenção. No entendimento dos magistrados, seu cancelamento pode inviabilizar a continuidade dos serviços, acarretando em prejuízos imensuráveis à população.

A polêmica sobre a legalidade da cobrança da assinatura básica de telefonia só deve terminar após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que recebeu este ano as primeiras ações sobre o assunto. A tendência é de vitória das operadoras, como demonstram diversas sentenças já proferidas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Enquanto o STF não pacifica a questão, existem cerca de 300 mil processos sobre o assunto tramitando no país, a grande maioria nos juizados especiais.

Decisão do TJ-MT

O acórdão reformou a sentença de primeira instância que havia declarado a nulidade da cláusula contratual que instituiu a cobrança da tarifa básica mensal de telefonia fixa de um cliente, condenando a empresa a restituir os valores pagos por ele de junho de 2002 a junho de 2005. De acordo com a sentença, a obrigação de pagar as custas processuais e os honorários advocatícios, fixados em 15% sobre o valor da condenação, também era da Brasil Telecom.

O relator do recurso no TJ-MT, desembargador Jurandir Florêncio de Castilho, explicou que a empresa concessionária de telefonia tem assegurado a seu favor, por previsão contratual, a cobrança da tarifa de assinatura básica, instituída com o intuito primordial de cobrir os custos decorrentes da disponibilização e manutenção dos serviços em rede, bem como garantir aos assinantes uma franquia mensal de 100 pulsos para linhas residenciais e 90 para as não-residenciais, em chamadas locais de fixo para fixo.

"Como consignado pela apelante em suas razões de recurso, trata-se de uma contraprestação pela disposição da linha telefônica, durante vinte e quatro horas diárias sem interrupção, para efetivação e recebimento de ligações”, disse o juiz.

“O usuário pode, ainda, realizar ligações sem custos, como se vê nos telefones de prefixos 0800, nos telefones de emergência e utilidades públicas, bem como nas chamadas a cobrar, sendo irrelevante o fato de o consumidor utilizar ou não os serviços colocados à sua disposição. A cobrança não apresenta qualquer abusividade ou onerosidade injustificável ao consumidor".

Para o desembargador Jurandir Florêncio de Castilho, haveria grande risco na suspensão do pagamento desta tarifa, levando-se em consideração o efeito multiplicador das demandas ajuizadas com igual objetivo. Segundo o desembargador, o cancelamento da tarifa poderia provocar o desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos firmados entre os usuários e as concessionárias e entre estas e o poder concedente.

Comissão aprova restrições para propaganda em TV e rádio

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovou ontem projeto que proíbe as emissoras de rádio e televisão de veicular, nos horários destinados ao público infanto-juvenil, "chamada de programa, inserção publicitária ou merchandising com imagens, ilustrações ou anúncio de bebida alcoólica, tabaco, armas e munições, ou que desrespeitem os valores éticos e sociais da pessoa e da família.

O Projeto de Lei 29/99, do deputado Paulo Rocha (PT-PA), foi aprovado nos termos do substitutivo apresentado pela relatora, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), que inclui as disposições da proposta original no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90), em vez de propor lei autônoma sobre o assunto.

Assim, o substitutivo acrescenta um parágrafo ao artigo 86 do ECA, que obriga as emissoras de rádio e televisão a exibir, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.

Pelo texto aprovado, quem descumprir a regra fica sujeito às multas previstas no estatuto, que variam de 20 a 100 salários mínimos e podem ser duplicadas em caso de reincidência. Além disso, a Justiça poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias.

Para a relatora, a proposta é importante porque o conteúdo de certas inserções publicitárias é extremamente agressivo, com cenas de violência e de sensualidade inadequadas para o público jovem. "Esse projeto traz uma reflexão de como os meios de comunicação, que são importantes na sociedade, podem ajudar mas também atrapalhar a formação dos adolescentes. A proposta estabelece limites, regras mais rígidas, para evitar que nossas crianças e adolescentes fiquem expostos", disse a relatora.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Hélio Costa vai ao Chile pedir análise do padrão brasileiro

Hélio Costa, ministro das Comunicações, fez uma rápida viagem de 24 horas ao Chile para tentar impedir que aquele país anunciasse o seu padrão de TV digital ainda este ano. Segundo o ministro, ele conseguiu convencer as autoridades chilenas a postergarem o anúncio até março e, enquanto isso, estudarem o padrão de TV digital adotado pelo Brasil. "Eles estavam propensos ao ATSC, depois estudaram o DVB e agora querem estudar o nosso padrão", disse Costa. Ele disse que conversas com a Colômbia também estão adiantadas para a adoção do padrão brasileiro. "É importante ter na América Latina outros países com a nossa tecnologia".

São Paulo liberado

O ministro disse ainda que deve levar ao Comitê de Desenvolvimento da TV Digital a proposta para que o Estado de São Paulo, já em 2008, esteja totalmente liberado para a implantação da TV digital por parte das emissoras que assim o quiserem. Ele explicou que já está acontecendo um problema decorrente dos diferentes cronogramas de implantação que é o fato de que cidades adjacentes a São Paulo estarem captando o sinal digital da capital. "Isso mostra como o padrão é robusto, mas cria um problema comercial para as emissoras, por isso precisamos acelerar a adoção em todo o Estado".

Na próxima semana, dia 27, o Ministério das Comunicações deve assinar a consignação de canais digitais às emissoras de Minas Gerais. Com isso, as emissoras da capital mineira poderão iniciar os testes já em fevereiro.

Em comunicado, Bittar contesta campanha da ABTA

O deputado Jorge Bittar (PT/RJ), relator do substitutivo ao Projeto de Lei nº 29/2007, que dispõe sobre cotas de produção nacional nas programações transmitidas pelas operadoras de TV por assinatura, respondeu, em comunicado oficial, a campanha veiculada pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura). Na campanha, a associação afirma que as cotas impostas pelo PL restringem o direito de escolha do usuário. Segue nota do deputado Bittar, na íntegra:

Resposta à campanha alarmista e mentirosa da ABTA

Desde o início de dezembro, por iniciativa da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), está sendo veiculada uma campanha alarmista e mentirosa contra o substitutivo ao projeto de lei 29/2007, do qual sou relator na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática na Câmara dos Deputados.

Os ataques se dirigem contra a instituição de cotas para garantir a programação nacional nos canais pagos, sob a falsa alegação que de essa iniciativa cerceia o direito de escolha do usuário.

Em primeiro lugar, é preciso que se diga com todas as letras:

Com essa campanha, a ABTA não está defendendo os interesses dos usuários. Ela está defendendo prioritariamente os interesses dos grandes programadores internacionais.

Em seguida, é necessário relembrar que hoje o usuário não tem qualquer liberdade de escolha, pois é obrigado a comprar um pacote pronto que é transferido pelas operadoras de TV por assinatura. São elas que tolhem o direito de escolha quando colocam um monte de lixo nos pacotes e obrigam os usuários a comprá-los integralmente. A pergunta que cabe é a seguinte: por que elas não oferecem cada canal separadamente?

Em matéria assinada na Folha de S. Paulo, edição de 16 de dezembro, Bia Abramo indaga desde quando o assinante escolhe a programação da TV por assinatura. E acrescenta: “No máximo, escolhe-se a operadora, o pacote e a mensalidade. Os cinco milhões de assinantes da TV paga não decidem uma vírgula daquilo que os canais pagos decidem sobre a programação.”

O nosso substitutivo, ao contrário do que apregoa a peça publicitária da ABTA, é um projeto democratizador, pois prevê uma maior diversidade de pacotes e de operadoras, o aumento do número de assinantes, preços mais baratos e espaço para o conteúdo nacional de qualidade, sem prejuízo do conteúdo importado.

Com esta resposta, além de condenar o tom alarmista da campanha da ABTA, desejamos também alertar os usuários da TV por assinatura para que não se deixem iludir pelas mentiras propaladas pela peça publicitária que está sendo veiculada.

Jorge Bittar – deputado federal PT/RJ 

ONU e OEA pedem diversidade na radiodifusão

Quatro dos mais importantes relatores especiais internacionais para a liberdade de expressão – o relator especial da ONU para a Liberdade de Opinião e Expressão, o representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para a Liberdade dos Meios de Comunicação, o relator especial da OEA para a Liberdade de  Expressão e o relator especial da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos para a Liberdade de Expressão e Acesso à Informação – divulgaram na última semana uma declaração conjunta sobre a questão da diversidade na radiodifusão (rádio e TV).  

Segundo a declaração, as ferramentas de regulamentação interna dos países correm o risco de serem desrespeitadas se aplicadas de forma não transparente e por instituições que não tenham independência do governo ou de interesses comerciais. O texto dos relatores aponta a necessidade de medidas para promover três tipos diferentes de diversidade: a diversidade de meios (tipos de veículos de comunicação), a diversidade de fontes (propriedade dos meios) e a diversidade de conteúdo (informações divulgadas pelos meios). A declaração também faz um apelo para as seguintes ações:

* Realização de esforços amplos de educação pública para promover a alfabetização midiática (a capacidade de compreender as notícias de forma crítica) e para ajudar a reduzir a exclusão digital;

 

* Alocação de freqüências suficientes para a radiodifusão – incluindo freqüências liberadas como parte dos esforços digitais – e a distribuição equânime dessas freqüências para radiodifusores comerciais, públicos e comunitários;

 

* Implementação de medidas especiais para promover e proteger serviços de radiodifusão pública e comunitária;

 

* Desenvolvimento de medidas anti-monopólio aplicadas de forma transparente e com monitoramento ativo, por instituições com poderes adequados de  implementação;

 

* Uso de ferramentas de políticas públicas para promover a diversidade de conteúdo nos veículos de comunicação e entre os diferentes tipos de veículos;

* Apoio a medidas, aplicadas de forma objetiva e não discriminatória, para o estabelecimento de novos meios de comunicação e para a produção de conteúdo que contribua para a diversidade.

O encontro anual dos relatores especiais para a liberdade de expressão ocorre desde de 1999 a partir de uma iniciativa da Article 19, organização não governamental com sede no Reino Unido. Desde então, os relatores se encontram periodicamente e divulgam uma declaração conjunta a cada ano, sendo esta a nona declaração. 

* A íntegra da declaração está disponível em http://www.article19.org/pdfs/publications/mandates-broadcasting.pdf