Universal oferece mais de R$ 545 milhões para comprar horário na TV Globo

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) contestou as declarações da TV Globo que, com base em reportagem da revista Veja, afirmou que a igreja privilegia a Rede Record na compra de horário para exibição de programas religiosos. Para tanto, apresentou na segunda-feira (17/08) uma nova proposta à TV Globo, de R$ 545.300.000,00, mais do que a Veja e a emissora carioca dizem que a Universal paga à Record.

De acordo com a IURD, a igreja fez um pedido em 2007 para a compra de espaço na programação da TV Globo e do SBT. O primeiro pedido à Rede Globo foi enviado no dia 27/02/2007 e foi recusado três dias depois, sob alegação de que a emissora não loca ou comercializa espaço para programas de terceiros. O pedido enviado ao SBT no dia 05/03/2007 não teve resposta da emissora.

Reportagem mostra valores repassados à Record

A reportagem exibida no Jornal Nacional do dia 15/08 apresenta a matéria de capa da revista Veja que diz que a Universal repassa valores cada vez maiores à Record para exibição de seus programas religiosos. De acordo com a reportagem, em 2006 foram repassados R$ 240 milhões; em 2007, R$ 320 milhões; e no ano passado, R$ 400 milhões.

A Universal informa que a tentativa de comprar um espaço na TV Globo e em outras emissoras faz parte de sua evangelização. “Como uma entidade evangélica, a Igreja Universal acredita na propagação do Evangelho por meio de veículos de comunicação de massa”, diz a nota oficial.

A assessoria de imprensa da Rede Globo reafirmou a posição da empresa e informou que é de conhecimento do mercado de televisão que a Globo não vende espaço em sua programação para terceiros.

Ataques e resposta

O Jornal da Record de ontem (17/08), exibiu uma reportagem anunciando o novo pedido de compra de horário feito à Rede Globo. Além disso, o jornal voltou a falar da “guerra” de audiência entre as emissoras, apresentou reportagens sobre o uso do imóvel de Edir Macedo em Campos do Jordão e apresentou as matérias exibidas no Repórter Record do último domingo, em que a Record faz denúncias e ataques contra a TV Globo.

Sobre as reportagens exibidas no programa da Record, a assessoria da Rede Globo declarou que são agressões gratuitas e que não cabe a emissora respondê-las. “Não nos cabe responder a agressões gratuitas, porque, como é do conhecimento geral, o autor das denúncias é o Ministério Público de São Paulo. O que a TV Globo tem feito, assim como os demais veículos de comunicação, é registrar essa informação, de evidente interesse público”.

Saída de empresários não muda posição do governo sobre regimento interno

A saída de 6 das 8 entidades empresariais da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) não modificou os rumos da negociação dos termos do regimento interno, peça fundamental para a realização das etapas estaduais e nacional do evento. O governo segue sustentando a proposta que havia apresentado na tentativa de manter o empresariado na conferência. A proposta governista, que acomoda os interesses do setor empresarial no que diz respeito à representação dos setores no processo da conferência, tem sido avaliada de forma diversa pelas entidades da sociedade civil não-empresarial na comissão organizadora.

A divisão dos delegados numa proporção de 40% para os empresários, 40% para a sociedade civil e 20% para o governo, bem como a instituição de um quórum qualificado para aprovação de propostas em temas considerados sensíveis têm recebido críticas, mas parte das entidades da sociedade civil na comissão organizadora já apontam a adoção de uma postura pragmática, entendendo que o governo e os empresários não voltarão atrás. Outras entidades avaliam que a saída do empresariado da comissão deveria, no mínimo, forçar a revisão dos termos em negociação, para evitar a sobre-representação dos atores de mercado na conferência.

Em reunião com estas entidades, os ministros encarregados da conferência – Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, e Hélio Costa, das Comunicações – reapresentaram a proposta e jogaram para os movimentos a responsabilidade da negociação com os empresários. Segundo os ministros, nova reunião da comissão organizadora para discutir o regimento só será convocada no momento em que houver consenso sobre os temas polêmicos.

O governo, assim, tenta tirar o corpo fora de um eventual atraso fatal na publicação do regimento, que possa inviabilizar o calendário da Confecom. A edição das normas para realização das etapas da conferência deveria ter sido feita há mais de um mês, mas o impasse criado pelas condições apresentadas pelos empresários e a tentativa de negociação levada a cabo pelo governo adiaram por diversas vezes a reunião da comissão organizadora.

Na próxima semana, o governo receberá as entidades não-empresariais na tarde da terça-feira. Antes disso, estas entidades deverão se encontrar com a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), únicas organizações empresariais que seguem na comissão organizadora.

Críticas à proposta do governo

A proposta governista têm sido criticada por diversas Comissões Estaduais Pró-Conferência, que reúnem movimentos sociais e associações da sociedade civil interessados na convocação das etapas estaduais. A comissão no Rio de Janeiro divulgou nota em que afirma que a adoção da proporção 40-40-20 “seria aceitar a tese que eles correspondem à metade de toda a sociedade civil organizada, o que não é verdade”. A comissão defende a proporcionalidade “20% para os poderes públicos e 80% para a sociedade civil, entendendo o empresariado como parte da sociedade civil”. “Por fim, aceitar o qúorum qualificado de 60% para aprovação de qualquer proposta, ou mesmo das propostas mais polêmicas, é 'engessar' previamente a I CONFECOM, antes mesmo que o debate seja travado”, diz a nota.

A comissão do Rio Grande do Sul, ainda antes do anúncio da saída dos empresários, criticou a proposta afirmando que “tal divisão é plenamente desproporcional e fere de morte, também por isso, um dos princípios da administração pública: a razoabilidade”. “Ademais, esta divisão denuncia outra agrura política: o desrespeito ao princípio constitucional da igualdade. Ao dispor os delegados nesta proporção, usa-se o critério do poder econômico ao reverso. Isto é, quem deveria ter peso qualificado – visando equilibrar a relação desigual entre empresários e sociedade em geral[1] – é igualado ao mesmo patamar do outro.”

A Central Única dos Trabalhadores também se manifestou por mudanças na proposta do governo. Em nota sobre a saída dos empresários, a CUT afirma que “a Conferência deve ser tripartite, democrática, com respeito à representatividade e diversidade, à pluralidade de nosso país e com efetiva participação dos movimentos sociais, tendo clara a necessidade de convivência dos sistemas público, estatal e privado”. A central, que tem um representante na comissão organizadora, também pediu agilidade do governo na convocação de nova reunião para aprovar o regimento interno da Confecom.

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, outra entidade que faz parte da comissão organizadora da Confecom, também divulgou nota em que critica a saída dos empresários e cobra uma mudança de postura do governo. “Espera-se, portanto, que uma vez retiradas as demandas do segmento empresarial, os termos do regimento sejam ajustados para prever a maior e mais democrática participação de todos os setores da sociedade", diz a nota.

A nota ressalta que a divisão dos delegados proposta pelo governo é “estranha ao espírito das conferências”. “Nas mais de cinqüenta conferências realizadas de 2003 até hoje não existe qualquer precedente neste sentido. Levantamento realizado sobre a questão pelo Intervozes comprovou que o máximo percentual já reservado aos empresários em conferências foi de 30%, caso único da conferência de meio ambiente.” Segundo o Intervozes, esta proporção e o quórum qualificado dão aos empresários o poder de vetar qualquer proposição que questione a hegemonia dos grandes grupos de comunicação.

Trabalhadores da Rádio e TV Cultura encerram greve

Os profissionais da Rádio e TV Cultura encerraram nesta segunda-feira (17/08) a greve na emissora, que iniciou no dia 10/08. Os trabalhadores devem voltar ao trabalho a partir da terça-feira (18/07). Mesmo assim, os profissionais continuam em estado de greve, aguardando a decisão sobre julgamento final do dissídio coletivo de greve, além de benefícios solicitados pelos trabalhadores.

Os radialistas atenderam a proposta do vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT), desembargador Nelson Nazar, que propôs esta noite a aplicação do reajuste prometido de 6,05% (IPC-Fipe de maio), estendida os benefícios de vale-transporte e vale refeição, proposta já apresentada pela Fundação Padre Anchieta.

A decisão foi definida em assembleia realizada no início desta noite. “A decisão foi unânime. O movimento ficou fortalecido, agora vamos andando um passo de cada vez, aguardando o julgamento do caso”, afirmou Sérgio Ipoldo, diretor-coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo.

A Fundação Padre Anchieta informou em nota que a “proposta da Justiça prevê ainda a não punição dos grevistas; o pagamento pela FPA de metade dos dias parados e a compensação dos outros pelos empregados; e uma negociação entre as partes sobre um eventual abono, desde que autorizado pelo governo. Haverá ainda a manutenção de um “canal permanente de negociação” com a participação da assessoria econômica do TRT”.

Ministério das Comunicações anuncia reabertura de delegacias regionais

[Título original: Minicom agiliza processo de concessão de licenças ]

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, divulgou hoje providências adotadas para agilizar e dar mais transparência ao processo de concessão de licença e autorizações para novas emissoras de rádio e televisão. A primeira delas é a reativação de quatro delegacias regionais em 60 dias no Rio, em Santa Catarina, em Minas Gerais e em São Paulo. Outra ação foi o cancelamento de quase 300 processos de licenças para TVs educativas com documentação irregular e promete, para breve, a publicação na internet de todos os processos em andamento no Minicom.

Além dos processos irregulares das TVs educativas, deverão ser cancelados também os pedidos de autorização para rádios comunitárias que estão com documentação irregular ou que firam à legislação vigente. “Estamos fazendo uma reorganização do sistema de avaliação dos processos”, disse Costa. Ele disse que essas ações fazem parte de um projeto de modernização organizacional do Minicom, elaborado por engenheiros do quadro e que já teve aprovação até do TCU (Tribunal de Contas da União).

Sobre as delegacias regionais, Costa disse que além das quatro que já estão com locais de funcionamento definidos, serão abertas mais três, sendo uma na região centro-Oeste, outra no Nordeste e a última em um estado do Norte. Segundo o ministro, a reabertura das agências facilitarão os processos de digitalização das televisões. “Até 2014 tem que estar toda a digitalização concluída, porque o sistema analógico será desligado em 2016”, disse.

Para cada delegacia serão necessários de s is a 10 funcionários, entre engenheiros, advogados e técnicos em comunicação. Nessas primeiras, serão aproveitados funcionários que moram no próprio estado e que foram reintegrados ao Ministério. Para as próximas, o Minicom espera ter concluído o concurso público, já autorizado pela Ministério do Planejamento, para contratação de 170 pessoas.

Nova Telebrás vai investir R$ 1 bilhão na primeira fase

Resolvido o imbróglio na Justiça carioca do processo da Eletronet, o governo já tem pronto um pré-projeto para o uso das fibras, que engloba três fases. A primeira vai demorar um ano e envolve a iluminação das fibras apagadas, transformando o backbone óptico em uma rede intragov, que vai atender a administração direta e empresas do governo, como Serpro  e Dataprev. O investimento calculado para essa fase é da ordem de R$ 1 bilhão, que vai permitir ao governo economizar cerca de R$ 400 milhões/ano em transmissão de dados, nas contas dos técnicos do Planejamento que respondem pelo projeto.

A segunda fase, estimada em R$ 3,9 bilhões, envolve a construção do backhaul cobrindo cem quilômetros em torno do backbone. A terceira fase é a do acesso, a mais cara do projeto (investimento de R$ 7,8 bilhões). Mas o governo não pretende fazer esse investimento e sim parcerias com redes públicas já existentes (como as redes metropolitanas da RNP e redes estaduais e municipais), ou mesmo comprar acesso da iniciativa privada.

O que falta decidir – além da fonte dos recursos – é qual a figura jurídica que vai tocar o projeto. Há divergência sobre a melhor solução. Os técnicos do Planejamento veem vantagem na utilização da Telebrás, pois é uma empresa que já existe, é uma SA, seu objeto é acolhido pela Lei Geral de Telecomunicações e ela foi criada antes de 1992. Portanto, pode prestar serviços para o governo, como o Serpro e a Dataprev, sem atender à Lei de Licitações.

Justiça

Os integrantes da 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio acataram, por unanimidade, o agravo de instrumento da Chesf, sócia da Eletronet ao lado de outras concessionárias, contra decisão da primeira instância que lhe negou a posse dos cabos ópticos. Embora a decisão não tenha sido publicada ainda, advogados das estatais entendem que elas podem retomar a posse das fibras apagadas tão logo o Tribunal de Justiça oficie ao Sistema Eletrobrás, antes mesmo da publicação do acórdão.

Isso, se a juiza de primeira instância Maria da Penha Victorino, da 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, não adotar novas medidas protelatórias, uma vez que, no ano passado, não acatou decisão nesse sentido por entender que só podia ser tomada após a análise completa do mérito dos recursos pendentes. A decisão diz respeito apenas às fibras apagadas, entre dez e 12 pares. Os dois pares iluminados, assim como os demais ativos da Eletronet, continuam com a empresa, que é gerida por um síndico da massa falida nomeado pela Justiça.