Projeto que altera uso do Fust deve ser votado em regime de urgência

Depois de mais de um ano aguardando a votação no Plenário da Câmara dos Deputados, o PL 1.481/2007, que altera as regras para a aplicação dos recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust), pode, enfim, estar próximo de ser enviado ao Senado Federal. Nessa terça-feira, 1º, o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), com o apoio de outros líderes, apresentou um requerimento pedindo que a proposta seja analisada em regime de urgência. Caso o pedido seja aprovado, o PL 1.481 passaria a ter prioridade na pauta do Plenário frente a outros projetos de lei.

Esta pode ser a peça que falta para que a proposta seja votada, já que desde o início desta semana o projeto está na pauta do Plenário. O relator da proposta, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), garante que há acordo para a aprovação. "É um projeto considerado bom por todos os partidos", afirma. A costura da aliança para a aprovação foi feita no início desta semana e o balanço geral dos parlamentares é de que não há nenhum ponto de atrito que possa atrasar ainda mais a deliberação. Mas nesta quarta-feira, 2, um novo obstáculo se atravessou no caminho da votação.

A ameaça dos partidos de oposição de obstruir os trabalhos no Congresso Nacional por conta do envio, pelo governo, dos quatro projetos que regulamentam a exploração do pré-sal se concretizou nesta quarta. E toda a pauta do plenário da Câmara foi bloqueada, sem a realização de nenhuma votação. Nem mesmo o requerimento de Vaccarezza chegou a ser deliberado. Hoje os deputados tentaram arranjar uma "trégua" na obstrução para que o PL do Fust fosse votado, mas os atritos dentro da própria oposição impediram o acordo.

Agora, os parlamentares que apóiam o projeto aguardam uma oportunidade para votar o projeto em meio ao tumulto sobre o pré-sal. A crença é que uma breve suspensão da obstrução pode ser suficiente para a deliberação, embora exista uma medida provisória trancando a pauta de votação. Com isso, a trégua, se ocorrer, terá que durar tempo suficiente para votar a MP, o requerimento de urgência e, só então, o projeto do Fust.

O texto final produzido por Lustosa permite que todas as empresas de telecomunicações usem os recursos do Fust e não somente as concessionárias do STFC, como definido na lei em vigor. A proposta também permite a aplicação da verba como subsídio direto e indireto dentro de programas desenvolvidos em parcerias com estados e municípios. Além disso, define que, até 2013, 75% dos recursos deve ser aplicado em educação, entre outras mudanças.

Congresso fará painel preparatório para a Confecom

O Congresso Nacional pretende alinhavar suas posições sobre os temas que serão debatidos na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). E, para se preparar para o debate, pretende fazer um Painel de Debates Preparatórios para a Confecom. O requerimento para a realização do evento foi aprovado nesta quarta-feira, 2, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, por provocação do presidente da CCTCI, Eduardo Gomes (PSDB/TO) e da deputada Solange Amaral (DEM/RJ).

Mas o evento não deve ficar restrito à Câmara. A ideia dos deputados é que o painel seja organizado em parceria com a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal. "A Conferência Nacional de Comunicação possibilitará discussões com todos os setores envolvidos com as comunicações do país, em nível municipal, estadual e federal. Entendemos que as Comissões Temáticas de Comunicações do Congresso Nacional também devem debater o assunto previamente a realização da etapa final da conferência, de tal forma que o debate constitua um reforço às ideias que lá serão confrontadas", justificam os deputados no requerimento.

O calendário para a realização do painel ainda não foi acertado. A plenária nacional está marcada para 1 a 3 de dezembro e as etapas estaduais devem ser concluídas até o dia 8 de novembro. O painel preparatório não substitui nenhuma etapa estadual ou distrital, mas é provável que os parlamentares sigam o limite de cronograma estipulado no regimento do evento para as pré-conferência, ou seja, 8 de novembro.

Em Campinas, Record exibe publicidade regional ilegalmente

Reproduzido da coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo

[Título original: Record dribla a legislação e exibe comercial proibido]

A Record está driblando a legislação e exibindo comerciais irregulares em Campinas (SP), um dos maiores mercados do país -representa 3% do potencial de consumo nacional.

A Record não tem geradora em Campinas. Sua outorga na cidade, o canal 2, é de retransmissora (RTV). Pela legislação, apenas geradoras podem exibir programas e anúncios. As retransmissoras só podem retransmitir os sinais que recebem das geradoras, sem adicionar programas ou comerciais.
As exceções são as retransmissoras da chamada Amazônia Legal, o que não é o caso de Campinas. Geradoras só são obtidas em licitações. Retransmissoras são simples cessões.

Procurada, a Record disse apenas que em Campinas retransmite o sinal gerado em São Paulo, sem inserções.

A Folha comparou intervalos da Record em São Paulo e em Campinas. Boa parte dos intervalos tem os mesmos anúncios até a metade. Depois, a ordem é diferente. E pelo menos um anúncio é local.

No último intervalo de "Poder Paralelo", anteontem, a Record exibiu em Campinas comercial dos supermercados Russi, que atua em Jundiaí e cidades vizinhas. Em "Ídolos", houve anúncio de um fast food no shopping Parque Dom Pedro, de Campinas.

Em seu site, a Record trata a retransmissora de Campinas como emissora. Há até tabela de preços para Campinas.

O Ministério das Comunicações disse desconhecer o caso. As penas pela irregularidade são advertência, multa, suspensão e até cassação da outorga da retransmissora. (Daniel Castro)

Regimento interno é publicado e temário já está em pauta

Foi publicado hoje (3) no Diário Oficial da União o regimento interno da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).Os termos do documento foram definidos em reunião da Comissão Organizadora (CON) realizada na terça-feira (1). As regras para realização das etapas regionais, estaduais e nacional da Confecom são, assim, publicadas com quase dois meses de atraso.

Ontem (2), uma subcomissão da CON também chegou a um primeiro rascunho do temário da Conferência. Assim como o regimento, que estabelece o número de delegados por estado e por setor além da forma de eleição destes, a definição dos eixos temáticos é fundamental para a realização das etapas preparatórias da Confecom. O temário aponta os rumos do debate, além de organizar a apresentação das propostas de forma que as contribuições de cada estado possam ser apreciadas de forma conjunta.

Devido ao atraso, foi preciso incluir no regimento algumas medidas para garantir a conformidade das conferência estaduais que já foram convocadas. Os decretos que as convocaram continuarão a vigorar desde que a realização da etapa esteja prevista para o período estipulado pelo calendário aprovado pelo regimento e que os temas estejam de acordo com o que será discutido na etapa nacional. A data limite para que as conferências estaduais aconteçam é 8 de novembro, sendo que o governo estadual tem até o dia 15 de setembro para convocá-las. Não havendo convocação pelo Executivo, as assembléias podem fazê-lo até o dia 20 de setembro. Se o Legislativo também demorar a convocar a etapa estadual, ainda assim o chamado pode ser feito pela Comissão Organizadora.

Divisão de delegados

O regimento traduziu em cifras o acordo sobre o número de delegados e a divisão das vagas pelos três setores – setor público, setor empresarial e sociedade civil não-empresarial. Ao todo, a Confecom terá 1.539 delegados, sendo 66 natos (os membros da CON), 150 indicados pelo governo federal e 1.323 eleitos nas etapas estaduais. A proporção de 40% das vagas para a sociedade não-empresarial, 40% para os empresários e 20% para o setor público será considerada sobre a soma de todos os delegados, incluindo os natos e os indicados pelo governo federal.

Já a divisão de delegados por Unidade da Federação foi definida seguindo a composição da Câmara dos Deputados. Assim, o número de delegados por estado ficou em três vezes o número de deputados estaduais ou distrital (no caso do DF).

Eleição e quórum

A eleição dos delegados deverá ser feita exclusivamente nas etapas estaduais. As etapas municipais ou regionais, também previstas no regimento, deverão ter caráter apenas preparatório. O regimento não impede que estas conferências locais elejam delegados para participarem da estadual, mas deixa explícito que qualquer cidadão terá direito a voz e voto nas etapas que elegem delegados para a Confecom.

Ainda sobre o processo de tiragem de delegados, a redação final deixou como recomendação, e não obrigação, que as comissões estaduais observem a existência de dois participantes inscritos na etapa para cada delegado eleito. Estados que não realizem conferência terão um delegado indicado pela Comissão Organizadora.

O regimento também confirmou a necessidade de quórum qualificado para aprovar medidas nos chamados “temas sensíveis”, conforme acordo fechado na semana passada em reunião entre governo, empresários e representantes da sociedade civil não-empresarial. Ao se definir a “modalidade de deliberação qualificada” manteve-se a proposta do governo de 60%, com no mínimo um voto de cada segmento. Já a definição dos temas sensíveis que exigirão esta forma de deliberação se dará através de representação apoiada por pelo menos 50% dos delegados de um dos setores representados na conferência. Essa modalidade de deliberação e também a definição dos temas sensíveis valerão para as etapas preparatórias. Alguns representantes dos movimentos sociais manifestaram desacordo, mas a votação final confirmou a proposta definida no acordo.

Havia a expectativa de que o regimento previsse a criação de um modelo de acompanhamento da implementação do conteúdo do relatório final da Confecom. Esta medida, porém, não foi incluída na versão final do regimento.

Temário em discussão

Na quarta-feira (2), representantes dos três segmentos que compões a CO se reuniram para começar a definir os eixos temáticos e a metodologia da Confecom. Até o momento, a proposta em questão estabelece três eixos: Produção, Meios de Distribuição e Direitos e Cidadania.

Dentro de cada eixo serão incluídos uma série de temas. A primeira grande polêmica já era prevista: empresários e representantes do Ministério das Comunicações foram contra a inclusão do termo “Controle Público” no eixo Direitos e Cidadania. Os dois grupos defendem a redução do tema à “Participação social nas comunicações”.

Membros da Comissão Organizadora devem se reunir na próxima semana para se dedicar aos eixos temáticos, metodologia e o documento de referência que deverá detalhar cada um dos temas direcionando caminhos para as discussões. A próxima reunião oficial da CON ainda não tem data prevista.

Veja a íntegra da Portaria 667, que aprova o Regimento Interno da 1ª Confecom.

Empresas anunciam restrição de publicidade de alimentos para crianças

Em 25 de agosto, 24 empresas do setor alimentício, representadas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e pela Associação Brasileira dos Anunciantes (Aba), anunciaram um compromisso público que prevê a autorregulamentação de publicidade de alimentos dirigida a crianças no Brasil.

Assinaram o documento Ambev, Batavo, Bob’s, Burger King, Cadbury, Coca-Cola Brasil, Danone, Elegê, Ferrero  do Brasil, Garoto, General Milss Brasil, Grupo Bimbo, Grupo Schincariol, Kellogg’s, Kraft Fojosdireitoaco, Mars Brasil, McDonald’s, Nestlé Brasil, Parmalat Brasil, PepsiCo Alimentos, PepsiCo Bebidas, Perdigão, Sadia e Unilever Brasil.

Inédita no País, a iniciativa deu-se após intenso debate entre o Poder Público, o mercado e entidades a respeito dos impactos negativos da comunicação mercadológica voltada para o público infantil, que, comprovadamente, contribui para os altos índices de obesidade e outros problemas de saúde decorrentes da ingestão de alimentos com alto teor de açúcar, sódio e gorduras trans e saturadas.

Para a equipe do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, a ação é um passo importante na defesa dos direitos das crianças. “Esse compromisso representa um avanço nas discussões em torno da publicidade voltada para o público infanto-juvenil no Brasil e um reconhecimento da indústria alimentícia de que a publicidade é fator de influência no consumo excessivo de alimentos não saudáveis, bem como nos crescentes índices de obesidade infantil. Esperamos que o compromisso fortaleça uma postura empresarial mais responsável”, afirma Isabella Henriques, coordenadora geral do Criança e Consumo. 

As empresas signatárias devem seguir três regras estabelecidas pelo documento, dentre as quais está não mais anunciar produtos pouco nutritivos para crianças de até 12 anos de idade. Cada companhia deverá preparar seus próprios códigos de conduta para a questão até o fim deste ano.

O presidente da Abia, Edmundo Klotz, classificou a ação como “voluntária e espontânea.” Isabella Henriques acredita que a pressão da sociedade como um todo e, especialmente, a Consulta Pública nº 71 da Anvisa para a regulamentação estatal da questão tiveram influência na decisão das empresas. “Não há dúvidas de que os encontros promovidos pela Agência ao longo dos últimos três anos tiveram grande importância para a construção do documento apresentado por essas empresas. Esse é fruto de uma sociedade democrática, que busca o consenso e o diálogo entre os diversos interesses”, lembra Isabella.

Já o vice-presidente da Aba, Rafael Sampaio, aproveitou o anúncio do compromisso para reafirmar a posição da entidade com relação às discussões de regulamentação publicitária no Ministério da Saúde e de projetos de lei em trâmite no Congresso Nacional: “O Conar tem um código exemplar e, esse documento reafirma o compromisso da indústria com essa questão. Mas é preciso ter cuidado com posturas anacrônicas. Jamais devemos deixar de falar com o público infantil, pois ele deve se preparar para viver no mundo do consumo responsável.”

A coordenadora do Projeto Criança e Consumo, no entanto, chama a atenção para os impactos negativos do consumo desenfreado no desenvolvimento saudável de crianças. “As relações de consumo são extremamente complexas e exigem um grau de consciência que uma criança não tem. Até os 12 anos de idade, a criança ainda está em processo de formação física e psíquica, por isso não compreende plenamente a linguagem persuasiva da comunicação mercadológica”, explica. “Por isso, é importante que essa iniciativa do setor alimentício não iniba o Poder Público de continuar a trabalhar a questão de maneira uniforme, para criar regras válidas perante todas as empresas do segmento alimentício e não só às signatárias do compromisso, bem como com a previsão de sanções e normas ainda mais contundentes na defesa dos direitos das crianças.” finaliza.

Em setembro de 2008, o Conselho Federal de Psicologia divulgou uma cartilha em que esclarece as razões pelas quais as publicidades dirigidas às crianças são prejudiciais ao desenvolvimento infantil. Outros estudos, em todo o mundo, também apontam para problemas relacionados ao investimento maciço do mercado publicitário em crianças de até 12 anos.

Leia a íntegra do compromisso assinado pelas 24 empresas

Entenda o processo dos compromissos assinados por empresas multinacionais na Europa e nos EUA

Conheça o levantamento realizado pelo Idec e pelo Instituto Alana sobre a comunicação mercadológica de empresas globais


Faça o download gratuito da cartilha do Conselho Federal de Psicologia