Conheça as propostas da Conferência Livre a serem enviadas à 2ª CNC

Veja na íntegra as propostas aprovadas pelos participantes da Conferência Livre de Comunicação e Cultura, realizada em Chã Grande (PE) pelo Ministério da Cultura, que serão encaminhadas para a 2ª Conferência Nacional de Cultura:

BANDA LARGA
1. Alteração legal para utilização do FUST, FISTEL e outros fundos na aplicação da ampliação da RNP, e outras redes públicas e gratuitas de pesquisa e implantação de acesso de Internet via redes elétricas e de satélites, capacitação das comunidades para assumirem a responsabilidade de administrarem seus próprios servidores territoriais, permitindo prover conteúdo licenciado livremente e a criação de uma rede de infraestrutura de suporte técnico para a universalização, com qualidade, do acesso à banda larga.

PLATAFORMAS
2. Estabelecer e fomentar políticas públicas para o desenvolvimento de plataformas em software livre para a produção e difusão de conteúdos colaborativos e multimídia livres.

DISTRIBUIÇÃO
3. Criar um sistema público de distribuição física de conteúdos produzidos pelas redes de comunicação e cultura. e garantir que a produção cultural financiada com dinheiro público seja exibida e distribuída de forma livre, licenciada através de licenças flexíveis e disponibilizada em acervos livres.

FORMAÇÃO
4. Criação e manutenção de escolas livres de formação multimidiática com núcleos regionais e/ou estaduais, reunindo as experiências metodológicas já desenvolvidas por instituições de reconhecimento público, com ênfase na formação continuada para o desenvolvimento de novas práticas nas relações de mercado na área do audiovisual, da Economia Solidária e do Comércio Justo.

DIREITO AUTORAL
5. Alteração da legislação de Direito Autoral para garantir a ampliação das possibilidades de uso das obras protegidas e, para fins de educação, pesquisa, de difusão cultural, preservação, interoperabilidade e portabilidade, uso privado de cópia integral sem finalidade comercial e também para garantir a supervisão do estado nas entidades de gestão coletiva para estímulo ao licenciamento alternativo e garantia a proteção dos conteúdos em domínio público de modo que esses conteúdos permaneçam livres.

CONTEÚDO REGIONAL/INDEPENDENTE
6. Regulamentação do artigo 221 da Constituição Federal com a aprovação de leis que garantam percentual de conteúdo regional e independente, observando a diversidade étnica, de gênero, religiosa para exibição nos canais de sinal aberto e por assinatura e nos mais diversos suportes e sua rigorosa fiscalização.

FOMENTO
7. Incentivo ao desenvolvimento de tecnologias para mídias livres, pulverização do recurso público gasto com publicidade para fomentar produções impressas independentes e desoneração da cadeia produtiva do audiovisual através do fomento para a formação de um parque industrial nacional para a fabricação de maquinário de suporte, de baixo custo, para a indústria do audiovisual e da redução dos custos de importação de câmeras, equipamentos e componentes audiovisuais, sem similar produzido no Brasil.

Conferência Livre aponta sintonia entre demandas da cultura e da comunicação

Durante quatro dias, representantes de Pontos e Pontões de Cultura e também das iniciativas contempladas pelo Prêmio de Mídia Livre do Ministério da Cultura reuniram-se na 1ª Conferência Livre de Comunicação e Cultura, no município de Chã Grande, em Pernambuco, distante 84 km do Recife. A conferência, organizada MinC em parceria com Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), contou com a participação de aproximadamente 100 “midialivristas” de todo o país.

O encontro de projetos que interligam cultura e comunicação visou elaborar propostas para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), e para a 2ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), que acontecem em dezembro de 2009 e em março de 2010, respectivamente. As discussões foram direcionadas pela perspectiva da comunicação como direito. A proposta de temário e metodologia dos organizadores do evento partiu ainda do entendimento de que os direitos culturais e comunicacionais do povo brasileiro podem e devem ser ampliados a partir da reflexão e ação conjuntas entre sociedade e governo.

“Do ponto de vista do governo, o evento foi extremamente importante justamente por ter conseguido cumprir com seus objetivos iniciais, principalmente a produção de documentos para as duas conferências, a de cultura e a de comunicação”, avaliou Tarciana Portella, chefe da Representação Nordeste do Ministério da Cultura. A representante do MinC avalia ainda que as propostas que foram aprovadas no encontro representam pontos chaves e grandes desafios para as conferências nacionais.

Foram abordadas questões como soberania, liberdade de expressão, inclusão cultural e digital, diversidade e identidades culturais, sustentabilidade das cadeias produtivas e economia criativa, convergência tecnológica e legislação, regionalização da produção, dentre outros tópicos relevantes. Os resultados das discussões foram sistematizados em dois documentos, com propostas específicas para cada uma das conferências nacionais.

Para Oona Castro, coordenadora executiva do Instituto Overmundo, projeto contemplado pelo Prêmio de Mídia Livre, a I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura serviu como um impulso para compartilhar, dentre outras coisas, a pauta da Confecom e reunir as contribuições de um público bastante heterogêneo, que compõem os Pontos e Pontões de Cultura e os Pontos de Mídia Livre. A realização do evento também abriu um espaço necessário, segundo Oona, para se ouvir a demanda de outros grupos que não necessariamente estão engajados nos processos pró Conferência Nacional de Comunicação nos seus estados.

Avaliação positiva também foi feita pelo midialivrista Renato Rovai, editor da Revista Fórum e integrante do grupo de trabalho executivo do Fórum de Mídia Livre. Na opinião de Rovai, o encontro foi muito positivo por ser a 1ª Conferência Livre presencial que conseguiu formular propostas para a Confecom em nível nacional. “Algumas outras conferências virtuais de caráter nacional já aconteceram, mas com as comissões pró-conferência dos estados e não por fazedores de mídia como aconteceu agora”

Rovai lembra ainda que, por conta do curto tempo para a articulação das etapas estaduais da Confecom, ainda não se sabe se o movimento de comunicação terá fôlego para a realização de outros encontros presenciais como estes, o que faz com que o evento em Pernambuco possa vir a ser a única conferência livre nacional a ter uma série de propostas que sinalizam para os desafios que estão postos para dezembro. “Essa conferência foi, sem dúvida, um importante salto para elaborações de propostas para a Confecom”, acredita Rovai.

Propostas para as conferências

A necessidade de apropriação livre e colaborativa, financiada pelo poder público, das tecnologias da informação e da comunicação para garantia do direito à comunicação e à cultura esteve presente em todos os debates que permearam a conferência e isso se refletiu também nas propostas.

A defesa de uma banda larga pública e gratuita como condição para a democratização do acesso e da produção de cultura e comunicação foi um dos grandes consensos do encontro, junto com a defesa de garantias para o funcionamento adequado da radiodifusão comunitária.

O financiamento público da produção da comunicação e da cultura, as licenças flexíveis para todos os conteúdos produzidos com financiamento do Estado, bem como a regionalização da produção e o incentivo às produções colaborativas, a partir de plataformas de software livre, foram propostas que, por exemplo, serão encaminhadas às duas conferências.

A sintonia destes dois setores durante o encontro mostra que as políticas públicas de comunicação e cultura, principalmente com o aporte das novas tecnologias, precisam ser pensadas cada vez mais de forma articuladas.

Ao todo, sete propostas foram encaminhadas para os sete eixos da Conferência Nacional e Cultura que são: banda larga, plataforma, distribuição, formação, direito autoral, conteúdo regional independente e fomento. Outras 43 propostas foram encaminhadas para os três eixos da Conferência Nacional de Comunicação, que são: produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania: direitos e deveres.

Vitórias da Cultura

O encontro também acabou servindo para comemorar a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional 150 (PEC 150), que destina recursos dos orçamentos da União, dos Estados e municípios à área da cultura. A PEC foi apreciada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Também foi comemorada como vitória a aprovação do Plano Nacional de Cultura, que aconteceu no último dia 24.

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Conheça as propostas da Conferência Livre a serem enviadas à 1ª Confecom

 

Regina Lima, da Funtelpa, é eleita presidente da Abepec

Em eleição realizada no último dia 21, em Brasília, com a presença de 14 presidentes de emissoras públicas de todo o Brasil, Regina Lima, da TV Cultura do Pará (Funtelpa), foi eleita a nova presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec). O mandato é de dois anos e renova a antiga diretoria, presidida por Antônio Achilis, da Rede Minas.

Regina Lima venceu o outro candidato, Pola Ribeiro , da Bahia, por dez votos a seis. A TV Brasil, que representa três estados onde tem emissoras (Rio de Janeiro, Brasília e Maranhão), se absteve de votar e os demais votos foram feitos sem a presença dos presidentes das respectivas emissoras, mas com procuração. (Com informações do site da Abepec)

Ceará quer compartilhar rede com iniciativa privada

O governo do Estado do Ceará está realizando esta semana o Workshop Cinturão Digital do Ceará – Infraestrutura autossustentável para o desenvolvimento socioeconômico, que visa debater com os provedores de serviços digitais (internet e telefonia IP) o modelo de sustentabilidade a ser adotado pelo Estado para a manutenção da infraestrutura do Cinturão Digital do Ceará. "O que estamos fazendo no Ceará é inédito, pois convidamos a iniciativa privada para pensar conosco qual modelo de negócios garantirá a sustentabilidade das redes", informa Fernando Carvalho, presidente da Etice (Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará), companhia ligada à Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão que coordena o projeto do Cinturão.

Lançado em dezembro de 2008, o Cinturão Digiral possui 3 mil km de fibra ótica para iluminar com sinal de internet quase a metade do território estadual, alcançando 82% da população. Embora tenha investido na rede, não é intenção do governo fazer sua manutenção. A idéia é realizar uma licitação para escolher as empresas que compartilharão a infraestrutura, criando um fundo de manutenção da rede. Três empresas sairiam vencedoras, e não apenas uma, de forma a estimular a competitividade. "O modelo deve contemplar a manutenção e a expansão, garantindo a sustentabilidade da mesma, visto que o governo já fez o investimento na construção do anel óptico. Porém, gostaria de reafirmar que esse modelo não está fechado, as questões serão discutidas no workshop", explica Carvalho.

A previsão do governo é concluir o Cinturão Digital em julho de 2010 e usar a rede para promover o desenvolvimento socioeconômico do Estado, através do empreendedorismo, favorecimento da modernização da gestão pública, ampliação da prestação de serviços à população em diversas áreas e criação de uma nova perspectiva de cidadania por meio da inclusão digital.

Governo estuda incluir lan house em programa de inclusão digital

Reproduzido do Tele.Síntese

O governo federal está dedicado a encontrar alternativas que possam auxiliar a legalização das lan houses para incluí-las nos programas de inclusão digital, como acesso a financiamentos públicos, por exemplo. Segundo fontes da Casa Civil da Presidência da República, o grupo de trabalho está contando com o apoio do Sebrae, que está fazendo um levantamento sobre o modelo de negócios desses estabelecimentos para a definição de uma política pública para o segmento.

“Qualquer programa de inclusão digital não pode ignorar o papel que a lan house exerce hoje no país”, afirma a fonte. Conforme pesquisa do Comitê Gestor de Internet a partir de 2007 o acesso à internet pelas lan houses ultrapassou o acesso residencial, que sempre liderou o ranking. Enquanto em 2005 o acesso à internet pelas lan houses representava 18% do total e o residencial chegava a 40%; em 2007 ele pulou para 49% e o residencial subia para 43%.

Com esse levantamento, o governo espera saber exatamente o perfil dessas centenas de estabelecimentos espalhados por todo o país, conhecer as suas dificuldades e o seu modelo de negócio, para traçar políticas de formalização do empreendimento.

Com a radiografia deste setor mais precisa, o governo poderá, inclusive, disponibilizar créditos mais adequados ao perfil desses pequenos empreendedores. “Não sabemos se devemos emprestar dinheiro para capital de giro ou para investimento”, ilustrou a fonte. (Miriam Aquino)