Ima Vieira é a nova presidente do Conselho Curador da EBC

Os membros do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) elegeu por aclamação a pesquisadora e coordenadora de pós-graduação do Instituto Emílio Goeldi, do Pará, Ima Célia Guimarães Vieira, como nova presidente do órgão. Ela substitui o economista Luiz Gonzaga Belluzo, que renunciou por razões pessoais.

A vice-presidência passa a ser exercida pela conselheira Ana Luiza Fleck. O cargo não existia na configuração inicial do orgão.

O Conselho Curador aprovou, ainda, a formação de uma comissão para elaborar um roteiro para a substituição dos oito conselheiros cujos mandatos expiram em dezembro. A proposta terá de ser apresentada em dez dias.

Também foi decidido pelos conselheiros a criação de comissões temáticas de avaliação da programação da TV Brasil.

Comissões protestam contra mudanças no regimento interno da Confecom

[Título original: Comissões estaduais pedem revisão da Resolução 08 e questionam a não votação de propostas nas etapas]

Encerrou no sábado (24) à tarde a Plenária das Comissões Estaduais e Nacional Pró-Conferência, que aconteceu nos dias 23 e 24 (sexta e sábado) no Hotel Nacional, em Brasília. A atividade reuniu as entidades nacionais e representantes das comissões estaduais Pró Conferência de 24 estados do Brasil e do Distrito Federal.

Na abertura, que aconteceu sexta-feira pela manhã e contou com a participação da deputada federal Luiza Erundina e de mais seis membros da Comissão Organizadora Nacional, foi apresentada a metodologia da Conferência Nacional de Comunicação e esclarecidas as dúvidas dos estados sobre a dinâmica da Confecom.

A alteração no Regimento Interno aprovada na terça-feira (20) estabelecendo que todas as propostas apresentadas nas conferências estaduais serão enviadas para a Etapa Nacional, sem votação, gerou muitas críticas entre os participantes da Plenária, que decidiu pedir a revisão da decisão, junto a Comissão Organizadora Nacional da Confecom.

Também foi solicitado por representantes do Movimento negro presentes na plenária, que as etapas estaduais da Confecom contemplem a mínima proporcionalidade étnico racial e de gênero na eleição dos delegados e delegadas, de acordo com as estatísticas do IBGE para cada estado, considerando os presentes na plenária e o critério de auto-declaração de gênero e étnico racial nas fichas de inscrição.

Na plenária também houve troca de informações entre os estados e o mapeamento das propostas do conjunto da sociedade civil, buscando a articulação entre os movimentos e Ongs que atuam nas comissões estaduais pró conferência. Mais de 70 pessoas se credenciaram no evento. As conferências estaduais começam a acontecer na próxima semana, a partir do dia 29 de outubro e serão realizadas até o prazo limite do dia 22 de novembro. Já a nacional acontece de 14 a 17 de dezembro em Brasília.

Por novos critérios para a análise das concessões de TV

[Título original: Acerca dos critérios para as outorgas do espectro eletromagnético]

Numa tentativa de contribuir para a criação de critérios claros que possam pautar o debate sobre as concessões e renovações dos canais de televisão, cujos espectros são públicos, propomos uma reflexão sobre a questão dos conteúdos televisivos, mais precisamente, sobre os dramatúrgicos ou ficcionais, dentro do atual contexto da CONFECOM, a ser realizada em dezembro deste ano de 2009.

Evidentemente, a questão dos conteúdos audiovisuais precisa ser, urgentemente, considerada ponto de pauta dessa importante avaliação acerca da possível oportunidade de renovação ou concessão de um bem público a uma empresa privada.

Não há, aqui, necessidade de uma longa explicação sobre a evidente responsabilidade social de uma empresa de negócios particulares diante de uma concessão de direito público, onde um bem coletivo é outorgado para exploração de lucros privados, o que, sem dúvida, deve vir acompanhado de exigência de retorno e contrapartida de interesse coletivo. Nesse sentido, não só questões administrativas e jurídicas devem ser analisadas e julgadas, mas, também, a questão que chamamos hoje de conteúdo, dentro da terminologia adotada pela área do audiovisual. Isso, claro, porque é nesse espaço de natureza cultural que se justifica e se realiza a oferta da contrapartida mais interessante para o público que é usuário e receptor dos processos de comunicação que daí decorrem.

Abrimos, aqui, espaço para um amplo debate cultural, importante hoje para o país que se desenvolve economicamente a passos largos, mudando nossa história de subdesenvolvimento e dependência. Qual a cultura que os meios de comunicação comerciais estão oferecendo e mais claramente falando: impondo aos telespectadores, receptores passivos? Questão de mensagem dentro do processo comunicativo, onde a interatividade possibilitará a troca alterando significativamente o quadro atual? No momento, vale levantar questões fundamentais para que a democracia se exerça verdadeiramente, já que os emissores, criadores dos conteúdos, são responsáveis pela transmissão de padrões culturais que nem sempre são apresentados como reflexos culturais pré-existentes, mas como sugestões, parâmetros e paradigmas moduladores da face cultural e antropológica do país.

Uma emissora privada tem realmente o direito de impor, propor, decidir sozinha o conteúdo, a voz, a essência, o fundamento, o teor, a forma, o desenho, a alma de nossa cultura, nossa expressão antropológica, como se aquilo fosse a verdade absoluta da nossa expressão coletiva, profunda, autêntica, histórica, democrática, popular?

Abordando a questão dramatúrgica propriamente dita, relembro Brecht, para quem a dramaturgia é um dos instrumentos mais fortes de interação, modificação, atuação, transmissão de idéias, mobilização, enfim, poderoso processo de despertar do senso critico, transformando cada um em sujeito da transformação histórica ou manipulando catarticamente e reduzindo em objetos passivos seres mergulhados em fortes emoções capazes de reduzir capacidades de avaliação lúcida dos conteúdos apresentados.

O que faz hoje nossas dramaturgias televisivas, ou seja: nossas telenovelas, acompanhadas com paixão diariamente pelo público? Qual a proposta dos emissores de poderosos conteúdos culturais capazes de modificar e não somente reproduzir costumes, no sentido de expressão cultural de um povo? Nossa cultura é mesmo e tão somente aquela que está estampada nas pequenas e às vezes grandes telas dentro das casas brasileiras? Serão espelhos? Serão proposições, sugestões? Que efeitos produzem socialmente? Quais padrões e propostas apresentam? Que cultura é essa?

Alguns diriam: querem tirar nossas liberdades. Porém, a liberdade de cada um termina quando começa a do outro. E agora, começa a era das liberdades populares. Tem o povo o direito de dizer não a um conteúdo? Estarão as TVs comerciais invadindo direitos democráticos dentro das casas ao colocarem, nas telas, dramaturgias que, na verdade, não estariam expressando a cultura dos que assistem ou não estariam propondo uma cultura de interesse público? Todos nós queremos mesmo a atual teledramaturgia veiculada como expressão máxima de um universo de celebridades dentro do qual cada cidadão é obrigado a se posicionar como manda um rígido código cultural, com valores, visão de mundo, verdades e onde nada é por acaso, desproposital, ingênuo ou sem intenções.

Vamos, sim, discutir se o conteúdo ficcional veiculado como padrão cultural é mesmo de interesse público. Ao menos o público tem o direito de opinar se quer ou não outorgar seu espectro para uma empresa privada colocar suas histórias, seus folhetins, suas ficções como se fossem os únicos possíveis. Vamos contar nossas histórias e propor um folhetim verdadeiramente popular para que nossa expressão ficcional máxima e democrática invada também as telas e as casas em todos os recantos deste vasto mundo, nossa cultura. Vamos nos apropriar de nossa antropologia, como um gestus brechtiano.

Quanto aos critérios, como ponto de pauta para a CONFECOM, sugiro uma comissão formada por: diretores de cinema, televisão e teatro, dramaturgos, professores de literatura, educadores, psicólogos e antropólogos, para que se abra um verdadeiro debate sobre a questão dos conteúdos audiovisuais ficcionais como ponto fundamental de pauta para avaliação sobre outorgas e renovações dos nossos espectros eletromagnéticos públicos, relembrando que já está presente na nossa Constituição a recomendação de que sejam observados critérios educativos e culturais, dentro da área da Comunicação. A CONFECOM deve ter como objetivo estruturar melhor esse item constitucional.

Finalmente, então, vale ressaltar que somente a realização da CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO poderá criar um marco regulatório capaz de definitivamente estabelecer novos paradigmas para nossa cultura.

* Heloisa Toledo Machado é professora do Curso de Cinema e da Pós-Graduação em Ciência da Arte, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Representante da Globo diz que demandas dos movimentos na Confecom são ‘irreais’

Pela primeira vez desde que liderou a saída de seis das oito entidades empresariais que participavam da comissão organizadora da Conferência Nacional de Comunicação, o representante da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert) na comissão, Evandro Guimarães, participou de um evento diretamente relacionado à agenda da Confecom. Guimarães, que é diretor de Relações Institucionais das Organizações Globo, foi convidado para seminário organizado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo como contribuição à Conferência. O evento ocorreu entre os dias 15 e 16 de outubro.

Participando de uma mesa cujo tema era a Confecom em si, a princípio, Guimarães não tocou no assunto da saída da organização da Conferência, mas teve que responder a perguntas da platéia sobre o caso. O representante dos radiodifusores classificou como produtiva a saída da Abert. “Foi tão boa a nossa saída que os ânimos se acalmaram e o governo percebeu que os membros da sociedade civil estavam exagerando. Pode até ser que algumas conferências estaduais contem com a participação dos empresários”, afirmou.

Confundindo conferência com reunião, Guimarães lembrou “uma conferência” que aconteceu em 2007 entre os empresários de comunicação e o governo, onde foi discutida “a educação na mudança para o meio digital”. O encontro, segundo ele, tratou de buscar soluções que revertessem o quadro brasileiro de 70% da população sem acesso à internet.

E seguiu usando o exemplo para justificar a debandada empresarial da Comissão Organizadora da Confecom: o representante da Globo afirmou que a “questão dos analfabetos digitais” não estava presente na organização da conferência. “Chegamos na comissão organizadora, e deparamos com uma pauta de controle social da mídia – que você vai olhar o subtítulo e ver que é controle da mídia mesmo. E também sobre propriedade cruzada. Isso hoje se limita a 'transportes e internet'.”

Guimarães ainda acusou a comissão organizadora, composta por diversas entidades da sociedade civil não-empresarial e pelo próprio governo, a trabalhar com pautas impossíveis, cujas demandas “não são realidade em nenhum país”.

Em sua intervenção, Bia Barbosa, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, lembrou que as tentativas de restrições ao temário partiram dos empresários. “Eles queriam que discutíssemos apenas a era digital, e não todos os problemas que a gente acumula desde o século XIX”, comentou. “É uma agenda que a gente ainda não deu conta e impede radicalmente que o sistema de comunicação do Brasil seja plural e democrático.”

Para Bia, não há nada de irreal nas demandas dos movimentos sociais. “Só pedimos uma regulação do setor das comunicações, como qualquer outro setor é regulado neste país.”

Participação da sociedade

O controle social e a participação da sociedade na gestão das políticas públicas de comunicação e também no monitoramento e avaliação do conteúdo veiculado pela mídia – tema que, segundo o representante dos radiodifusores deveria ser proibido na Confecom –, foi defendido pelos demais participantes da mesa.

O professor Ismar de Oliveira, da ECA-USP, lembrou que, em 2004, jovens de muitos países, participantes da Conferência Internacional sobre Mídia de Qualidade para Crianças e Adolescentes, “chegaram a conclusão de que qualidade, para eles, era participação”.

Para Bia Barbosa, todo o setor das comunicações deve ser abarcado por mecanismos de controle social, mas em especial as emissoras de rádio e TV, que funcionam por concessões públicas. “É a lógica do interesse público que tem que reinar, não a do mercado”, concluiu Bia.

Qualidade e diversidade

Muitas das intervenções vindas da platéia questionaram a questão da qualidade do conteúdo e da falta de diversidade na mídia brasileira. “Qualquer aluno desta escola sabe da qualidade de muitos trabalhos que são feitos por alunos daqui, e apresentados anualmente no Festival É Tudo Verdade, por exemplo. No entanto, nós estudantes não temos nenhuma participação nas grades da TV aberta", disse uma aluna de jornalismo sobre produção independente.

Para o representante da Globo, entretanto, falta produção independente nacional de qualidade. A representante do Intervozes, rebateu: “Produção de qualidade não é uma produção que tem a qualidade técnica que o mercado exige. Temos que desconstruir isso pra começar a conversa.”

Descortês

A participação do diretor da Globo acabou criando certo tumulto durante o debate. Guimarães interrompeu por diversas vezes a fala de outra convidada, a jornalista Bia Barbosa, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, tentando corrigi-la. Foi advertido por membros da platéia que estaria sendo descortês e que deveria pedir desculpas. Acabou fazendo o pedido de desculpas em sua última participação.

Governo define que TVs educativas podem veicular propaganda institucional

Reproduzido do Tele.Síntese

As emissoras de TV educativas vinculadas ao poder executivo podem veicular propaganda institucional e apoio cultural, desde que não haja divulgação ou comercialização de produtos e serviços. Essas emissoras também podem veicular conteúdos de caráter recreativo, informativo ou de divulgação desportiva, desde que contenham elementos instrutivos ou enfoques educativos-culturais.

O entendimento consta do parecer jurídico do Ministério das Comunicações, referendado pela AGU (Advocacia-Geral da União) e que teve o aval do presidente da República. O documento responde a um questionamento levantado pela Fundação Padre Anchieta, que controla a TV Cultura, à AGU sobre o artigo 13 do Decreto-Lei 236/67.

Para a emissora educativa estatal, o artigo não foi recepcionado pela Constituição de 1988, enquanto que para o Minicom, foi. A AGU não quis se manifestar sobre essa questão, entendendo que os esclarecimentos do ministério atendem as principais reivindicações da emissora.

Segundo o consultor jurídico do Minicom, Marcelo Bechara, autor do parecer aprovado, há muitos documentos legais sobre a questão, o que reforça a necessidade de consolidação das normas do setor. O parecer foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União. (Lúcia Berbert)