EBC indica representantes e apresenta pauta para a Confecom

[Título original: Representantes da EBC participam da I Conferência de Comunicação (Confecom)]

Os representantes da EBC participaram, terça-feira, na Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), da reunião preparatória da Comissão Organizadora com os delegados que encaminharão as propostas do Governo Federal na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) que se realizará, entre os dias 14 e 17 próximos, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

A diretora-presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, nomeou o diretor de Serviços, José Roberto Garcez, como coordenador da delegação da empresa. A Confecom será transmitida ao vivo pela NBR, desde a abertura, que será feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até o encerramento dos trabalhos.

A delegação da EBC está composta por nove titulares e dez suplentes. São eles: Titulares: Tereza Cruvinel – diretora-presidente da EBC; Luis Henrique Martins dos Anjos, diretor-jurídico; Helena Chagas, diretora de Jornalismo; José Roberto Garcez, superintendente de Rede-Diretor de Serviços; Laurindo Leal Filho, ouvidor geral; Adriano de Angelis, assessor especial da EBC Serviços; Lincoln Macário, jornalista e apresentador do Repórter Brasil; Eduardo Castro, gerente-executivo de Jornalismo; Lourival Macedo, representante dos funcionários no Conselho Curador. Suplentes: Helenise Brant, gerente-executiva da EBC Serviços; Marco Fioravante, gerente-executivo da área jurídica; Bráulio Ribeiro, assessor da Superintendência de Rádio; Rogério Brandão, superintendente de Programação; Marco Antonio Coelho, gerente-executivo de Expansão e Rede; Joaquim São Pedro, coordenador da Assessoria de Comunicação e Marketing; Maria Luisa Busse, ouvidora-adjunta; Manoel Roberto Seabra Pereira, Conselho Curador; Vivian Grassi Sampaio, de gerente de Contratos e Convênios, e Marilena Chiarelli, gerente-executiva da TV Brasil internacional.

A comitiva da EBC coordenará oito grupos temáticos dentro da delegação do Governo Federal. Segundo o secretário-executivo da Secom, Ottoni Fernandes, todas as propostas encaminhadas pela EBC foram acatadas pelo Governo e que serão debatidas nos grupos temáticos, juntamente com as propostas dos demais segmentos públicos e privados que participarão do evento.

Uma das principais propostas da EBC é simplificar a contratação de conteúdos regionais e independentes pela empresa e outras empresas públicas gestoras de canais de rádio e TV. Para Tereza Cruvinel, a medida seria um importante incremento à produção da cultura nas diversas regiões do país, gerando emprego e propiciando o surgimento de novos talentos nas diversas áreas da produção audiovisual. As propostas da EBC ou da empresa em parceria com outros órgãos do Governo para a Confecom são as seguintes:

* Apoiar a aprovação do Plano Nacional de Cultura. O Plano Nacional de Cultura foi estruturado, defendido na 1ª Conferência Nacional de Cultura (CNC) e está em debate no Congresso Nacional;
* Simplificar a contratação de conteúdos regionais e da produção independente pela EBC e outras empresas públicas gestoras de canais de rádio e TV;
* Promover as reformas necessárias dos marcos regulatórios e normativos para o setor de Comunicação, que dêem conta da convergência e da natureza específica de cada segmento;
* Apoiar a criação, por lei, de uma política que garanta a veiculação de conteúdos nacionais e regionais, com produção independente, nos meios de comunicação eletrônicos, independentemente da plataforma em que operam, conforme assegurado pela Constituição Federal de 1988;
* Estender a todas as emissoras e empresas de rádio e televisão educativas, vinculadas à administração pública, os princípios, direitos, deveres, objetivos, modelos de gestão e de financiamento, dispostos na Lei 11.652/08, que autorizou a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
* Aperfeiçoar o sistema de fiscalização do sistema de radiodifusão e fortalecer a estrutura administrativa responsável pela sua implementação;
* Fortalecer os meios de comunicação não-comerciais, por meio da revisão da Legislação vigente – no que se refere a fontes de financiamento e pilares da programação – e das exigências relativas às outorgas;

* Apoiar a implantação dos canais previstos no Decreto nº 5.820/06 ( Poder Executivo, da Cultura, da Educação e da Cidadania );
* Universalização do acesso à banda larga;
* Apoiar programa governamental para o desenvolvimento de uma infraestrutura de rede de banda larga universal para acesso à Internet e canal de retorno de TV Digital;
* Instituir a figura do Operador Nacional de Rede Digital Pública a ser gerido pela EBC, cabendo a este operador propiciar as plataformas comuns de operação para todas as emissoras públicas de televisão;
* Viabilizar canais analógicos existentes, sobretudo nos centros urbanos onde há congestionamento, propiciando a prestação de serviço de radiodifusão pelo sistema público;
* Disponibilizar e garantir equipamentos, criando uma rede digital sociocultural em espaços públicos, para promover a democratização do acesso à informação em meio digital;
* Apoiar a criação de um centro de estudos, pesquisas e sistematização de informações, dados e indicadores, vinculado à administração pública federal, para o setor de Comunicação.

Hélio Costa contemporiza problemas do setor das comunicações

Exatamente uma semana antes da abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontece no próximo dia 14 em Brasília, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, expôs a sua análise sobre a conjuntura das comunicações no país. Costa participou do programa de entrevistas da TV Cultura, Roda Viva, e falou de praticamente todos os temas sobre os quais o ministério tem sido cobrado publicamente. No geral, as respostas do ministro deixam claro as afinidades de Costa com a pauta do empresariado das comunicações

Em alguns casos, o ministro das Comunicações fez declarações que poderiam ser postas na boca de porta-vozes do setor empresarial. Por exemplo, o ministro classificou como “relativamente pequena” a quantidade de reclamações de usuários de telecomunicações quanto à qualidade dos serviços, tanto de telefonia quanto de internet. “Tivemos 16 milhões de reclamações em 210 milhões de linhas. Isso não é muito”, afirmou. Em seguida, defendeu os problemas nas centrais de atendimento ao cliente, alvo da fiscalização dos órgãos de defesa do consumidor do Ministério da Justiça, que tem aplicado multas pesadas às operadoras de telefonia: “As empresas têm mais de 100 mil funcionários em call centers tentando receber as reclamações. Mas não podemos querer que as empresas respondam em um minuto uma reclamação e, em função disso, até levarem uma multa milionária”. Ainda segundo o ministro, este é um problema mais presente nas operadoras de celular.

O ministro também tentou contemporizar problemas recorrentemente denunciados e comprovados ao longo dos anos por pesquisadores e organizações da sociedade civil. Declarações como a de que ele não consegue achar nos arquivos do Ministério das Comunicações “um político que seja integralmente ‘dono’ de uma rádio ou de uma TV” e também que a Constituinte de 1988 todas as oportunidades para rever os critérios de concessão, mas ela não quis discutir a questão da propriedade cruzada, soam até estranhas vindas da maior autoridade do principal órgão regulador do setor.

Dois pesos e duas medidas

Contrariando o que dizem os radiocomunicadores comunitários e também informações do próprio ministério , que apontam a existência de processos de legalização de emissoras comunitárias que há dez aguardam por resposta, Costa afirmou que em 180 dias pode-se conseguir uma autorização para colocar no ar uma rádio comunitária. A afirmação foi feita quando o ministro expunha as razões pelas quais ele é contrário à descriminalização das rádios “piratas". Segundo ele, os grupos que colocam no ar rádios sem autorização agem de má fé, já que o prazo para a legalização seria razoável.

Já com relação ao projeto de lei de sua autoria que propõe que as concessões de rádios com potência de até 50 KW e as de emissoras de TV que não são cabeças de rede possam ser repassadas a terceiros ou ter sua composição acionária modificada sem autorização prévia do Poder Executivo e do Congresso, desde que não possuam acionista estrangeiro (PLS 222/05), Costa falou que a proposta que fez, há cinco anos, quando chegou ao Congresso, tinha por objetivo justamente resolver a questão da demora nos procedimentos no Ministério das Comunicações – demora que, antes, ele havia negado existir na legalização das emissoras comunitárias. “Tinha 40 mil processos para serem analisados. A sugestão veio daí, para simplificar os procedimentos".

PNBL

Sobre a interiorização das telecomunicações, respondendo a perguntas dos telespectadores, Costa afirmou que, até o final deste ano, todos os municípios brasileiros deverão ter cobertura de telefonia celular de segunda geração. O ministro reconheceu que os serviços tanto de telefonia como de acesso à internet ainda são muito caros.

De novo, ao falar sobre os preços, Costa escorregou para a posição de porta-voz dos empresários, dizendo que a questão tem de ser resolvida com desoneração tributária. Só que, para o ministro, o problema é dos estados, que cobram ICMS muito alto.

Já em relação à internet, Costa disse que espera que o Plano Nacional de Banda Larga resolva a questão dos preços. Até agora, a proposta defendida pelo Ministério das Comunicações junto à Presidência da República, em oposição às propostas que estão sendo feitas pelo Ministério do Planejamento, caminha justamente na linha proposta pelo empresariado, de desoneração fiscal e investimento público para garantir a expansão das redes privadas.

Ainda sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o ministro declarou que governo não tem a pretensão de ser a última milha na banda larga, ou seja, que ele não será prestador na ponta do serviço. “Mas o governo quer garantir que as pequenas comunidades não fiquem desprovidas de banda larga. Os pequenos provedores, as empresas locais serão chamadas para participar", afirmou Costa.

A declaração do ministro tenta enviesar o debate sobre a formatação do plano, já que, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não tem informações suficientes sobre as duas propostas de PNBL que existem dentro do governo e que, portanto, só posteriormente se posicionaria sobre o assunto.

Confecom

Como não poderia deixar de ser, a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi uma das pautas recorrentes da entrevista. Já de início, Costa lamentou mais uma vez publicamente o fato de a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) e a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), dentre outras representantes do setor empresarial, terem deixado a Comissão Organizadora da Conferência. Contudo, reforçou que isso não trouxe prejuízo à Confecom, pois a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) conseguiu representar o setor em todo o país, bem como a Telebrasil, cumpriu com esse papel também com relação às empresas de telecomunicações.

O ministro pontuou ainda que a Abra – que reúne os grupos Bandeirantes e RedeTV! – representa um segmento empresarial tão importante quanto a Abert (Globo e Record), e que esta, por sua vez, perdeu a oportunidade de participar. “Nada podemos fazer quando oferecemos a uma entidade a oportunidade de participar e ela não quer participar. Foi o que aconteceu com a Abert e com a ABTA”, disse.

Ao falar sobre a saída da ABTA, Costa deixou transparecer o que o ministério aposta como a tônica da Confecom: um ambiente de negociação sobre algumas questões importantes para o setor privado. “A ABTA talvez [tenha saído] porque soubesse que estaríamos votando o PL-29 antes da Confecom. Talvez por isso ela tenha tido mais tranqüilidade, porque o novo marco regulatório para o setor de TV por assinatura deve ser votado antes da Confecom”, disse o ministro.

Sobre um dos pontos mais polêmicos das discussões esperadas para a Confecom, que é o controle social dos meios de comunicação, Costa fez coro com os interesses empresariais e falou que esta era “uma das discussões mais temerosas” que surgiram ao longo do processo de convocação da conferência. Para o Ministro, é preciso evitar qualquer mudança nas comunicações brasileiras que leve a qualquer procedimento parecido com o de outros países da América do Sul. Segundo ele, existem setores dentro do Congresso que querem controle social da mídia, e até provocam essa discussão, fazem projetos de lei, mas para Confecom, Costa acredita em um certo “acordo de cavalheiros” entre as partes, na hora do voto – com 40% de votos dos empresários, 40% de votos das entidades sociais e 20% de votos do Poder Público – vai garantir que não seja discutido o controle social da mídia. “Pelo menos do ponto de vista do governo, não vamos levantar essa questão”, garante o ministro.

Ainda sobre as propostas que o Governo Federal defenderá na Confecom, o ministro foi categórico ao dizer que as propostas apresentadas no site da conferência e saudada por parte da sociedade civil não empresarial, não representam as propostas do governo como um todo, mas apenas de setores do governo. Ou seja, novamente, como na discussão do Plano Nacional de Banda Larga, o Ministério das Comunicações deixa claro que não assume pautas nem propostas vindas de outros ministérios e que possam interferir nos rumos da concertação entre o órgão e o empresariado.

Hélio Costa falou ainda que espera da conferência resoluções sobre a sublocação da grade de programação das emissoras, o que, para ele, vem acontecendo muito com relação à conteúdos religiosos. Costa admitiu que é uma questão delicada e informou que o ministério está tentando coibir os excessos “com multas quase diárias”. O ministro, entretanto, afirmou que não considera a sublocação das programações – mesmo entendendo que as emissoras têm obrigatoriedade de cumprir com uma grade de programação – uma infração grave a ponto de acarretar na perda da concessão.

Relatório Direitos Humanos no Brasil é lançado hoje, 9, e traz capítulo sobre direito à comunicação

Pela terceira vez, o Relatório Direitos Humanos no Brasil traz um capítulo dedicado ao direito à comunicação. O lançamento do relatório 2009 será realizado nesta quarta-feira (9), no Sesc Avenida Paulista, a partir das 18h. A edição é comemorativa aos 10 anos da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

O relatório, uma das principais referências nacionais na área dos direitos humanos, é produzido por um conjunto de organizações, movimentos sociais e pesquisadores convidados pela Rede. O capítulo sobre direito à comunicação foi produzido pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e coloca em perspectiva os avanços nos debates e na concretização deste direito, tendo em vista também as mobilizações em torno do processo da Conferência Nacional de Comunicação.

O lançamento terá a participaçaõ de D. Tomás Balduino, conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e de Jô Brandão, Dirigente da Coordenação Nacional das Associações Quilombolas (Conaq).

Novas inscrições para observadores livres da Confecom esgotam-se em menos de um minuto

As oito vagas para “observadores livres” reabertas pela Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação foram preenchidas em menos de um minuto. O Ministério das Comunicações havia anunciado que as novas inscrições podiam ser feitas pela internet, através do site oficial da Confecom, a partir do meio-dia do dia 7.

O link para as inscrições foi ao ar às 12h05 e cerca de quarenta segundos depois todas as vagas estavam preenchidas.

Estas oito vagas foram abertas porque alguns dos 130 inscritos no primeiro processo de credenciamento de observadores livres preencheram os campos necessários à inscrição com dados inconsistentes, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, que organizou os procedimentos.

O processo de credenciamento de observadores livres foi marcado por uma confusão provocada por falhas técnicas e a procura muito acima do esperado pela CON.

Veja a lista completa dos 122 inscritos no dia 3 de dezembro e dos oito, no dia 7.

Lei de acesso a informação pública pode ser votada hoje

A comissão especial da Câmara dos Deputados que avalia os projetos que regulam o acesso à informação pública deve votar nesta quarta-feira (9) o relatório do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS). O substitutivo foi apresentado em setembro deste ano para receber propostas dos congressistas e de organizações da sociedade civil e, na avaliação da ONG Artigo 19, embora esteja mais completo que o texto do projeto original – o PL 5.228/2009 –, ainda não contempla algumas questões-chave para dar transparência à gestão pública.

A comissão analisa quatro projetos que propõe a regulamentação do Artigo 5 da Constituição Federal, que estabelece o direito constitucional de acesso à informação pública. O trabalho do relator e dos deputados da comissão tem focado na proposta enviada à Câmara dos Deputados pelo Executivo, em maio de 2009, mas o projeto que nomeia os trabalhos é o 219/2003, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Para a Artigo 19, organização internacional que lida com as questões da liberdade de expressão, a versão atual do texto, prestes a ser votada, peca, por exemplo, por não prever a existência de um órgão independente especializado. “Percebemos que, nos países que tem lei de acesso e um órgão independente de supervisão e promoção, o direito a informação é aprimorado”, informou Arthur Massuda. Pela proposta em tramitação no Congresso, no Brasil cada caso seria tratado separadamente pelo órgão governamental que puder corresponder à procura da população, sem que tenha uma central responsável por dar transparência e acesso às informações de qualquer natureza a respeito da gestão pública.

Uma das novidades da última versão é instituir a responsabilidade do Poder Executivo em garantir a aplicação da futura lei. O substitutivo prevê que os governos deverão indicar alguma agência estatal para fazer campanha de conscientização para a população após a aprovação da lei em todas as instâncias, e também realizar o treinamento dos servidores públicos.

O texto atualmente em tramitação prevê que todos os pedidos de acesso à informações serão julgados a partir do grau de sigilo de classificação – ultra-secreto, secreto e reservado. “Queremos que os recursos de liberação de informação sejam liberados a partir do critério do interesse publico. Se for do interesse público que ela saia, ela tem que sair não importa com qual classificação esteja”, completou Massuda. A proibição da divulgação de documentos que afetem a honra e a imagem de terceiros foi mantida.

Para a Artigo 19, a aprovação de um projeto de lei sobre acesso à informação é fundamental para dar concretude a um direito constitucional que tem ligação direta com a garantia de outros direitos fundamentais. “Uma lei como esta vai ajudar a todos, por exemplo, uma mãe que queira saber por que tem que matricular o filho numa escola de outro bairro porque não existem escolas suficientes onde mora”, exemplificou.

As respostas aos recursos, que poderão ser atendidas em um prazo máximo de vinte dias, não só darão transparência aos atos governamentais, mas também terão como conseqüência uma mudança na relação da população com o governo, acredita a Artigo 19. “O acesso a informação é participação também, não só transparência. Saber o que está acontecendo e o que não está é essencial para exigir direitos.”