Participação da Globo na Sky vale entre US$ 400 milhões e US$ 550 milhões

Qual o valor de um assinante de DTH hoje no Brasil? Um bom parâmetro para calcular esse valor podem ser os dados que a DirecTV divulgou em seu balanço anual de 2009, registrado junto à SEC, nos EUA. Segundo o balanço, a participação da Globo na Sky estava estimada, em dezembro de 2009, em um valor entre US$ 400 milhões e US$ 550 milhões. Como a Sky tinha em dezembro 1,9 milhão de assinantes no Brasil, segundo o balanço, e a Globo tem uma participação de 25,9% na operação, isso significa que essa posição não controladora vale entre US$ 813 a US$ 1,117 mil por assinante. O balanço não faz referência a eventuais dívidas da Sky no Brasil, onde a Globo é sócia. A DirecTV como um todo tem uma dívida de cerca de US$ 8 bilhões, incluindo as operações na América Latina e EUA.

Por estas informações, é possível também calcular que a operação da Sky no Brasil estava sendo valorada, no final do ano passado, em um montante entre US$ 1,544 bilhão a US$ 2,123 bilhões. Esse valor é 23% superior à mesma avaliação que havia sido feita no final de 2008. O valor se refere apenas à operação brasileira. No restante da América Latina (exceto México, onde a Televisa é controladora), a operadora tem mais 2,7 milhões de clientes, mas não há referência a uma estimativa do valor dessas operações.

A DirecTV coloca esses dados no balanço porque o grupo Globo tem o direito contratual de, até janeiro de 2014, vender para a DirecTV a sua participação a qualquer momento, ou trocar por ações da empresa.

Risco do PL 29

O balanço também traz uma referência, na parte que trata dos riscos à operação, aos impactos econômicos que as políticas de inclusão de conteúdos nacionais podem trazer para a DirecTV na América Latina. O balanço faz referência especificamente ao Brasil, onde o PL 29/2007 é uma preocupação já manifestada publicamente pela direção da empresa

Costa defende licitação de TV a cabo caso aprovação do PL 29 demore

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse hoje que há um bom entendimento, no Congresso Nacional, para aprovação definitiva do PL 29/07, que unifica as regras da TV por assinatura e permite a entrada das teles no mercado, ainda este ano. Porém, se a votação for impedida em função das eleições, defende que a Anatel realiza licitação de TV a cabo.

O PL 29, já aprovado nas Comissões de  Desenvolvimento Econômico, Industrial e Comércio; Defesa do Consumidor e Ciência e Tecnologia, está agora na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O relator do projeto, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ainda não apresentou sua análise.

Segundo assessores, o relator está envolvido com as negociações sobre as emendas do Pré-Sal e dificilmente entregará o relatório ainda esta semana. A proposição recebeu 22 emendas, a maioria contestando a constitucionalidade de artigos do texto. Outras pretendem retomar temas rejeitados na CCT, como a que determina que a distribuição obrigatória (must carry) dos chamados “canais do campo público” pelas prestadoras de TV por assinatura ensejará compensação financeira ou fiscal em favor das operadoras, caso sejam incluídos outros canais, além dos já especificados no texto.

O governo, que evitou apoiar explicitamente o PL 29 por longo período, agora defende sua aprovação imediata. O entendimento é de que, com as novas regras, serão ampliadas as ofertas de serviços de banda larga no país.

Após a aprovação na CCJ da Câmara, o PL 29/07 poderá ter que ser votado no plenário antes de iniciar tramitação no Senado.

Audiência sobre banda larga vira debate político na Câmara

O debate em torno da criação de um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) pelo governo ganhou evidentes contornos políticos nesta quarta-feira, 10. A apresentação de um requerimento para a realização de uma audiência pública sobre o tema na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados provocou discussão entre deputados aliados do governo e da oposição. Tudo por conta do fato de o requerimento "convocar" a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ter como justificativa as denúncias feitas recentemente pela mídia de que a implantação do plano poderia beneficiar um empresário que contratou o ex-ministro José Dirceu como consultor.

O requerimento acabou sendo aprovado com votos contrários dos deputados Chico Lopes (PCdoB/CE), Ana Arraes (PSB/PE), Vital do Rêgo Filho (PMDB/PB) e Leo Alcântara (PR/CE). Apenas uma mudança foi feita no texto para atender a uma das reclamações dos parlamentares: os ministros não serão mais convocados, mas sim "convidados" pela comissão. A diferença entre o convite e a convocação é que no primeiro as autoridades podem faltar ao debate sem maiores justificativas e, no segundo, é necessária uma motivação formal para a ausência.

O pedido para a audiência é de autoria do deputado Índio da Costa (DEM/RJ) e causou desconforto em vários deputados, inclusive alguns que acabaram votando favoravelmente à proposta. O maior problema apontado é que a justificativa do requerimento gira em torno apenas das denúncias veiculadas na mídia de um possível favorecimento do empresário Nelson dos Santos com a eventual reativação da Telebrás. Santos teve como consultor José Dirceu e, por conta disso, tem se levantado suspeitas sob um possível tráfico de influência junto ao governo.

"Esses fatos sinalizam, sem dúvida, para a existência de uma contiguidade excessiva entre empresas privadas e o Palácio do Planalto. Há claras implicações nos direitos dos milhares de brasileiros que ainda detêm ações da Telebrás. E, ainda, a se comprovar as irregularidades citadas, o próprio usuário dos serviços de telecomunicações pode ser prejudicado", afirma Costa em seu requerimento, referindo-se às denúncias relacionadas à Telebrás e ao uso da rede da falida Eletronet. Para vários deputados da comissão, essa justificativa foge do escopo da CDC, pois não está relacionada a assuntos específicos de interesse dos consumidores.

Acionista vs. consumidor

Para o autor do requerimento, assuntos que afetam os acionistas da Telebrás são claramente de interesse da CDC já que "os acionistas são ex-proprietários de telefones". Mas o argumento não convenceu muitos parlamentares. Na análise de Chico Lopes, acionistas não podem ser confundidos com consumidores porque possuem, inclusive, interesses opostos. "Na minha compreensão isso é mais um requerimento com intenção política. Acionista e usuário me parecem coisas díspares. Até porque, para os acionistas, quanto mais caro foi o serviço, melhor. Honestamente, não sei como me posicionar sobre esse requerimento com este tipo de justificativa", declarou o deputado.

Não apenas parlamentares da base aliada questionaram a argumentação exposta no requerimento. O deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) também incomodou-se com a justificativa e chegou a sugerir que o debate ficasse centrado apenas no PNBL e nos impactos para o consumidor da atuação estatal no serviço de banda larga. "A fundamentação apresentada não faz parte do escopo dessa comissão. Se o que estivesse em jogo fosse se a Telebrás vai ou não voltar, se ela vai ou não atuar no setor de banda larga, isso sim teria total importância para o consumidor."

Kit político

A suspeita da base aliada de que o requerimento aprovado hoje tem por trás uma motivação apenas política mobilizou a liderança do PT na Câmara. O vice-líder da bancada, José Genoíno (PT/SP), compareceu à reunião na CDC, onde não é membro, apenas para tentar bloquear a votação da proposta. "Estou aqui como vice-líder da bancada do PT e vamos deixar as coisas claras como elas são. A motivação política está em toda a fundamentação do requerimento. E qual é a fundamentação? Não é a defesa do consumidor. É político-eleitoral", criticou o deputado.

"O alvo é a ministra Dilma. O alvo é trazer para cá um debate eleitoral antecipado, radicalizado e que não tem sentido", continuou Genoíno. O vice-líder disse que há uma movimentação concertada da oposição para apresentar o mesmo requerimento em diversas comissões com a intenção prejudicar a candidata do PT à Presidência da República. "É um kit. Esse kit está perambulando por várias comissões e eu estou indo a todas elas. Esse kit usa o manto da defesa do consumidor para fazer um debate político com a intenção de atingir a ministra Dilma." Analisando as pautas das comissões da Câmara que funcionaram hoje, apenas a CDC deliberou sobre a realização de audiência pública sobre banda larga.

O deputado Vital do Rêgo Filho sugeriu que o requerimento fosse retirado de pauta e que na próxima reunião a comissão votasse a realização de um grande seminário sobre o projeto de massificação da banda larga e os impactos da iniciativa nos consumidores. Mesmo contando com apoio verbal de vários deputados presentes, a sugestão não foi acatada.

Com a aprovação do requerimento pela maioria, a CDC convidará para o debate a ministra Dilma Rousseff; o ministro das Comunicações, Hélio Costa; o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna; e o presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva. Também serão chamados o empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas; e a presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Maria Helena dos Santos. A audiência ainda não tem data para ocorrer.

Meta de conectar 80% das escolas públicas não foi atingida

[Título original: A quantas anda o programa Banda Larga nas Escolas nos municípios brasileiros?]

Anunciado em abril de 2008, o programa Banda Larga nas Escolas, do governo federal, já teria contemplado 66,57% das escolas municipais urbanas do Brasil, segundo dados divulgados em fevereiro deste ano pelo Ministério das Comunicações (Minicom). Na prática, isso significou a conexão em alta velocidade de 17.861 escolas até dezembro de 2008 e outras 25.331 no ano passado, ficando abaixo dos 80% do total de escolas que já deveriam estar conectadas até o final de 2009.

O programa surgiu como uma compensação, por parte das concessionárias de telefonia, na época em que elas e o governo federal resolveram trocar a obrigação de instalações dos já quase obsoletos Postos de Serviços Telefônicos (PSTs) por backhaul [o tronco principal] de banda larga até a porta dos municípios. Paralelamente à troca no Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), foi assinado um acordo em que as telefônicas se comprometiam a levar internet rápida às então 55 mil escolas públicas urbanas do Brasil.

Com isto, as escolas – e, por conseguinte, as prefeituras – poderiam se desonerar do pagamento da conexão, reduzindo custos, e proporcionar aos alunos um ensino mais modernizado, com o uso de tecnologia.

Cenários diversos

Mas não é tão simples assim. Em algumas cidades, o programa funciona a contento, com pleno entendimento do poder público. Em outras, prefeituras enfrentam falta de informações e incerteza sobre quando a banda larga chegará às escolas. O prazo para a conexão de todas – atualmente, o número cresceu para 64.879 – as escolas públicas urbanas termina em dezembro de 2010.

Como a instalação é feita diretamente pelas operadoras de telefonia, uma das principais reclamações é a falta de informações que enfrentam as prefeituras. O consultor em Cidades Digitais Marcelo Peral Rengel diz que “os municípios, embora diretamente interessados, são apenas meros coadjuvantes neste processo.” Segundo o engenheiro, que presta consultoria para 10 municípios no interior paulista, muitas prefeituras desconhecem os critérios pelos quais cada município é escolhido para ter a rede instalada.

Ele comenta ainda que a obtenção de informações sobre o nível de satisfação das prefeituras é prejudicada “pela necessidade de estabelecer contato com diretores, alunos e professores, haja vista que nem os secretários de educação sabem da situação.”

Mas nem todas as prefeituras têm reclamações a fazer. Em Tarumã, interior de São Paulo, a história é diferente: cada uma das quatro escolas municipais recebeu um link de 1 Mbps, assim como o polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “Para a nossa realidade, essa banda em cada unidade satisfaz. Até o momento não tivemos algum tipo de reclamação por nenhuma das partes que utilizam a ferramenta”, conta Marcus Gil, coordenador de comunicação da prefeitura.

Em Pedregulho, a informação é de que a conexão do Banga Larga nas Escolas é “satisfatória”. Em Arapiraca (AL), o projeto municipal de digitalização não contemplou diretamente a conexão das escolas, justamente contando com a conexão em alta velocidade do programa federal. Até outubro de 2009, 12 escolas já estava conectadas pelo Banda Larga nas Escolas.

Já na goiana Anápolis, até agora o programa federal vem sendo considerado satisfatório, porém não se sabe se será possível cumprir o prazo que termina em dezembro deste ano. Na cidade, 35% das escolas já têm as instalações concluídas e em funcionamento.

Mas o ritmo preocupa. “É difícil prever se a operadora conseguirá cumprir o contrato que exige que até o final desse ano de 2010 todas as escolas estejam com a Banda Larga, mas a informação que temos, tanto do MEC, quanto da própria operadora, é de que as instalações serão concluídas dentro do prazo determinado”, relata Fabrizio de Almeida Ribeiro, diretor de Ciência e Tecnologia da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia. “A grande reclamação que recebemos é da demora nas instalações, pois as escolas de forma geral tem grandes expectativas de receber a banda larga”, conta.

Segundo a Anatel, que acompanha o trabalho de conexão realizado pelas operadoras de telefonia, os estados com mais escolas conectadas são Minas Gerais (4.962), São Paulo (4.842), Rio de Janeiro (4.080) e Bahia (4.026). Já as unidades da federação com menos instituições contempladas são Roraima (68), Amapá (131) e Acre (187).

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Regras para a conexão

Para a instalação da conexão do Banda Larga nas Escolas , algumas regras ou recomendações devem ser seguidas:

  • A instalação é feita diretamente pelas empresas de telefonia, nas áreas em que elas têm concessão;

  • Até o fim do ano de 2010, todas as escolas públicas urbanas (atualmente são 64.789) devem estar conectadas à internet em alta velocidade; as conexões terão velocidade igual ou superior a 1 Mbps;

  • A partir do ano de 2012, a velocidade da conexão será obrigatoriamente ampliada para o mínimo de 2 Mbps, ou a maior velocidade disponível oferecida pela operadora na região;

  • O prazo de compromisso das operadoras para a manutenção da banda larga nas escolas vai até 2025, com compromisso de ampliação periódica da velocidade de conexão;

  • Além disso, mesmo as novas escolas que surgirem durante a execução do programa estarão conectadas até o fim de 2010;

  • Não há limitação de uso da internet: a conexão pode ser compartilhada com a secretaria da escola, mas a orientação é de que seja dada preferência para o laboratório de informática e o uso pelos alunos.

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Governo regula uso de redes sociais por agentes públicos

A Advocacia Geral da União elaborou uma cartilha para nortear o comportamento dos funcionários públicos durante o processo eleitoral deste ano. Entre as recomendações está o veto ao uso de redes sociais, como Facebook e Twitter, por meio de computadores e celulares funcionais.

O uso do Twitter se tornou comum entre os políticos, incluindo ministros. Pela cartilha, os que não deixarem seus cargos no governo, não poderão "twittar" durante o horário de trabalho. Terão que usar aparelhos particulares e depois do expediente.

Além da cartilha “Condutas vedadas aos agentes públicos federais em eleições”, a AGU vai realizar seminários para instruir funcionários de alto escalão.

Segundo a cartilha, “o ato do agente público é ilícito quando sua ação intervier no processo político-eleitoral, beneficiando partido, coligação ou candidato, de maneira a influencias a consciência eleitoral do cidadão”, e alerta que “atos que desviam da sua finalidade pública podem ser considerados de improbidade administrativa”.

Com informações da Folha de S. Paulo.