Votação do PL 29 na CCJ fica para maio

O polêmico PL 29/2007, que estabelece novas regras para o setor de TV por assinatura e para a veiculação de conteúdo nacional, deve começar a ser debatido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira, 27. Mas não há a intenção de se fazer a votação no mesmo dia. A preocupação do relator, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), é que se construa um bom acordo entre os parlamentares, garantindo assim a aprovação do texto de forma tranquila.

“Não tenho o objetivo de votar o projeto hoje”, afirmou o deputado durante a sessão desta terça. “Só vou colocar em votação quando houver um amplo acordo”, arrematou. O projeto era o item 149 da pauta, mas um pedido de inversão assegurou que a discussão do calendário de debates ocorresse ainda nesta terça, 20. Na próxima quarta-feira, 28, a CCJ deverá debater e votar um dos projetos mais polêmicos na casa, o Projeto de Lei Complementar nº 518/09, mais conhecido como “Ficha Limpa”. Por conta disso, a votação do PL 29 só deve ocorrer a partir da primeira semana de maio.

Polêmicas

Ao deixar o Plenário da CCJ, Cunha explicou que sua maior preocupação não é com a quantidade dos destaques que os deputados podem apresentar na comissão – pedidos para deliberação em separado de emendas que foram rejeitadas pelo relator -, mas sim de que se pacifique as principais polêmicas na tramitação da proposta na comissão. A polêmica envolvendo os riscos de que as mudanças implementadas com a política de cotas pressionem os operadores a retirar canais religiosos do line-up parecem ser o maior desafio.

Essa polêmica foi iniciada depois que empresas de TV por assinatura procuraram parlamentares da bancada evangélica sugerindo que, mantida a redação atual do projeto, os canais religiosos seriam retirados da programação.

Isso gerou um movimento na bancada para que os programas religiosos sejam incluídos na classificação de “conteúdo qualificado” para que, assim, tenham sua veiculação garantida.

A interpretação gera controvérsia nos bastidores da negociação e o tema continua dando dor de cabeça aos articuladores da aprovação do PL 29. O próprio relator, que é evangélico, tem tratado o assunto de forma delicada. “Eu preciso ter muito cuidado para que não mexer no mérito do projeto tentando resolver isso”, afirmou a esta reportagem. Regimentalmente, a CCJ só pode avaliar os projetos do ponto de vista da legalidade, juridicidade e constitucionalidade, sem direito a mexer no mérito das propostas legislativas.

Transição das TVAs

Também há problemas nas quatro emendas supressivas apresentadas pelo próprio relator, tirando o regime de transição específica do Serviço Especial de Televisão por Assinatura (TVA) para o futuro Serviço de Acesso Condicionado (SAC).

O relator contou que pode alterar o texto do projeto, mudando algumas expressões que em seu entendimento são inconstitucionais, mas, ainda assim, assegurando o regime especial de transição da TVA. Cunha não detalhou, no entanto, se irá de fato retirar alguma emenda supressiva ou apenas suavizá-las.

Câmara aprova serviço de roaming obrigatório

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou nesta terça-feira (20) a obrigatoriedade de as operadoras de telefonia móvel oferecerem serviços de roaming interestadual. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, agora será encaminhada ao Senado.

O texto aprovado é o substitutivo da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática ao Projeto de Lei 4302/08, do deputado Mário Heringer (PDT-MG). O relator na CCJ, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), defendeu a aprovação.

O roaming permite ao usuário obter o sinal de telefonia em áreas fora da localidade geográfica onde o celular está registrado. Para utilizar um celular em roaming é preciso que a operadora, ou outra com a qual ela tenha acordo sobre o serviço, disponha de tecnologia compatível à do celular em uso.

Um celular com tecnologia GSM, por exemplo, só fará roaming em redes GSM. Por isso, o substitutivo abre uma exceção: no caso de o aparelho do usuário ser incompatível com a rede da prestadora na região visitada, a operadora não será obrigada a oferecer o serviço de roaming.

O texto dá prazo de 90 dias após a publicação da lei para a adaptação das prestadoras. Após esse prazo, se a operadora não conseguir firmar acordo com prestadoras de outros estados, ela deverá pedir a intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que decidirá sobre as condições do acordo em até 90 dias.

De acordo com o substitutivo, a obrigatoriedade do serviço de roaming será incluída na Lei Geral das Telecomunicações (Lei 9.472/97). Confira a íntegra do projeto.

Marco civil da internet será debatido dia 27 na Câmara dos Deputados

Reproduzido da Agência Câmara

 

O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), marcou para a próxima terça-feira (27/04) a audiência pública que vai debater a proposta elaborada pelo Ministério da Justiça para o marco civil da internet. O texto preliminar do governo, que será transformado em projeto lei, foi divulgado na internet para receber comentários e sugestões até meados de maio. A proposta, segundo o Ministério da Justiça, está organizada em três temas centrais: garantias às liberdades e proteção aos direitos do usuário; responsabilidades dos diversos atores que participam da internet; e o papel do Estado no desenvolvimento da web como ferramenta social.

O debate foi proposto pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) com o objetivo de esclarecer os deputados sobre o tema, que chegará em breve ao Congresso.

Serão convidados para a audiência o secretário substituto de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Felipe de Paula; o secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, Augusto Cesar Gadelha; o presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg; o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), Fernando Botelho; a procuradora federal dos Direitos do Cidadão da Procuradoria-Geral da República, Gilda Pereira de Carvalho; o secretário-executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Hartmut Richard Glaser; o diretor do Instituto Nupef (Núcleo de Pesquisas, Estudos e Formação), Carlos Alberto Afonso; o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu da Silveira; o professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ronaldo Lemos; e o diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais do Google Brasil, Ivo da Motta Azevedo Corrêa.

Segunda etapa da renovação fica para 11 de maio

A reunião do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realizada na tarde de hoje (terça-feira, 20) encerrou-se sem que fossem definidas as listas tríplices que seguirão para apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolher três novos conselheiros. Os atuais conselheiros iniciaram os debates sobre as indicações feitas por entidades da sociedade civil em processo de consulta pública. Não houve tempo, entretanto, para que as discussões se encerrassem. O Conselho marcou para o dia 11 de maio uma reunião extraordinária para dar conta desta segunda etapa da eleição dos novos membros.

A consulta pública resultou na indicação de 46 nomes, tendo tido a participação de 65 organizações. A partir destas indicações, os conselheiros montarão listas tríplices para cada uma das três vagas em aberto. A escolha final dos novos membros do Conselho Curador será feita pelo presidente da República.

O Conselho Curador, composto por 22 membros – sendo 15 representantes da sociedade, 4 do governo federal, 1 do Senado, 1 da Câmara dos Deputados e 1 dos trabalhadores da EBC -, é o órgão responsável pelo cumprimento dos princípios e objetivos da empresa, criada para ser catalisadora da constituição de um Sistema Público de Comunicação.

Em sua primeira gestão, todos os 15 representantes da sociedade no CC foram indicados pelo presidente da República. Em dezembro, expiraram os mandatos de oito dos representantes da sociedade no conselho. Destes, cinco expressaram o desejo de seguirem como conselheiros e sua recondução foi avalizada pelas assessorias jurídicas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, órgão ao qual a EBC está ligada. Abriu-se, então, o processo de consulta para as três vagas remanescentes. A consulta pública para a renovação está prevista na lei que criou a EBC.

Veja a lista dos candidatos a uma vaga no Conselho Curador da EBC, com o respectivo número de indicações recebidas:

(15) Ana Maria da Conceição Veloso
(12) Francisco Pereira da Silva
(12) Takashi Tome
(10) Jacira Silva
(8) Regina Lúcia Alves de Lima
(7) Celso Augusto Schroder
(7) Nilza Iraci Silva
(7) Renata Vicentini Mielli
(7) Sérgio Murillo de Andrade
(4) Rosane Mara Bertotti
(3) Antonio Sérgio Pires Miletto
(3) Elias Mingoni
(3) José Eduardo de Oliveira
(3) Lara Valentina Pozzobon da Costa
(3) Renato Ribeiro da Silva
(3) Roseli Goffman
(2) Antônio Carlos Fontoura
(2) Caio Plessmann de Castro
(2) Carlos Alberto Almeida
(2) Ícaro Martins
(2) José Joffily
(2) Newton Guimarães Cannito
(2) Valci Regina Mousquer Zucoloto
(1) Ana Maria Mendes do Bonfim
(1) Alba Regina Souza Liberato de Mattos
(1) Alexandre Machado de Sá
(1) Celso Antunes Horta
(1) Danilo Rothberg
(1) Edilson Soares da Silva
(1) Francisco Cláudio Correa Meyer Santana
(1) Geraldo Golçalves Guerra Junior
(1) Jorge Luiz Saes Moreno
(1) Laércio Rodrigues da Silva
(1) José Lourenço Pechtoll
(1) Julio Cesar Campos Silva
(1) Lilian Romão
(1) Márcio Alexandre da Silva Pinto
(1) Maria Luiza da Costa
(1) Mário Augusto Jakobskind
(1) Ney Hugo Jacinto Silva
(1) Rafael Rolim Rodrigues
(1) Rosana Grinberg
(1) Tania Anaya
(1) Tássio Pereira Lopes
(1) Regina de Assis
(1) Valmir José de Pontes Silva
(1) Vicente de Paulo Pereira Lima

Globo tira do ar campanha considerada pró-Serra

A Rede Globo decidiu retirar do ar uma campanha de comemoração aos 45 anos da emissora, depois que vários internautas afirmaram que o jingle teria uma mensagem subliminar pró-Serra. O vídeo também ganhou críticas de Marcelo Branco, coordenador da campanha de Dilma nas mídias sociais.

A campanha, lançada ontem (19/04), mostra atores, apresentadores e jornalistas da Globo falando sobre a emissora. Em um determinado momento os participantes afirmam: "Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais". Segundo internautas, a frase fazia alusão ao lema da campanha de Serra, definida como “O Brasil pode mais". Além disso, no final do vídeo, aparece o número 45, o mesmo do PSDB.

O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, escreveu em seu blog que o lema do tucano havia inspirado a emissora.

Em nota oficial, a Globo defende que o vídeo foi feito bem antes de Serra e Dilma lançarem suas pré-candidaturas. “O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo, que começou a ser veiculado ontem à noite, foi criado – comprovadamente – em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas, muito menos slogans eleitorais”.

A emissora negou qualquer mensagem subliminar na campanha e afirmou que preferiu tirar o vídeo do ar para não ser acusada de tendenciosa. “… a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação da campanha na televisão”, afirmou.

Após a repercussão, Marcelo Branco escreveu em seu Twitter que sua crítica foi apenas uma opinião pessoal. “Sobre o #jingledaglobo: meu RT e comentários foram de caráter pessoal. Eu não falo em nome da Dilma e nem da coordenação”.