Encontro debate relação entre digitalização e emissoras públicas

Redação – Observatório do Direito à Comunicação

A digitalização da comunicação será o tema do I Pré-Fórum Brasil de Comunicação Pública, que acontece no próximo dia 15 de abril no Interlegis, em Brasília. Este será o primeiro de três eventos preparatórios ao Fórum Brasil de Comunicação Pública 2014, agendado para novembro deste ano, que tem como objetivo principal discutir os desafios da comunicação pública e da garantia deste direito no Brasil, contribuindo para o fortalecimento dos atores do setor.

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Ministro do STF defende regulação da comunicação

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STF), Joaquim Barbosa, defendeu na última segunda-feira (7) a regulação da comunicação no país e a criação de leis mais modernas no setor. A declaração do ministro foi feita a um grupo de jornalistas após sua fala na abertura do seminário “A liberdade de expressão e o poder judiciário”, realizado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na qual criticou a falta de diversidade nos veículos de comunicação.

“Na vida social, sempre há necessidade de se estabelecer balizas, e a regulação ajuda bastante o magistrado a resolver os conflitos que surgem”, afirmou o ministro. Segundo ele, a falta de normas “tende a favorecer quem tem mais poder, mais dinheiro” e defender a normatização do setor não tem nenhuma relação com qualquer interesse de censura.

Joaquim Barbosa já havia se manifestado sobre o tema da falta de diversidade na mídia brasileira em discurso proferido na comemoração da Unesco realizada na Costa Rica pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em maio de 2013.

Internet

O relator especial da ONU para o direito à liberdade de expressão e opinião, Frank de La Rue, destacou o papel da privacidade para o exercício da liberdade de expressão, considerando que este é um problema que se coloca com evidência em um mundo em que a internet “acelera” o processo de cidadania ativa. Lembrou do caso das agitações que derrubaram os governos no Egito nos últimos anos, no qual as redes sociais tiveram um importante papel. “Sem privacidade, há intimidação”, afirmou.

Joaquim Falcão, professor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mencionou o Marco Civil da Internet e se disse preocupado com o fato de já existirem 41 propostas de emendas no Senado para modificar o texto aprovado pela Câmara. Pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV, Luiz Moncau apontou a existência de alguns abusos do poder econômico em momentos eleitorais por meio da internet, como acontece em casos de contratação de serviços de envio de mensagens automáticas.

Acesso à informação

Um dos temas para o qual o evento deu especial atenção foi o da relação entre o acesso à informação e a liberdade de expressão. O juiz Diego García-Sayan, da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), lembrou do caso “Claude Reyes”, ocorrido em 2006.

Julgando que o governo do Chile havia violado o direito da “Fundación Terram”, uma ONG ambientalista, de ter acesso à informação a respeito de uma importante operação de desmatamento naquele país, foi possível criar uma jurisprudência que inspira hoje juízes no continente. Essa decisão representou o primeiro “reconhecimento de um tribunal internacional a um direito básico de acesso a informações do governo como parte do direito à liberdade de expressão”, segundo a Open Society Foundation.

Recentemente a CIDH condenou também o governo brasileiro, no caso “Gomes Lund” em que foram negadas informações sobre o paradeiro de alguns guerrilheiros desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, caso não mencionado no evento.

O ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União apresentou a evolução do que considera a “intensificação” do movimento pela transparência pública. “Vivemos o momento da intensificação do debate e colocação na agenda nacional da questão do acesso à informação”, afirmou.

* Com informações do site Consultor Jurídico

Conanda: a sociedade civil em defesa da criança

Por Renato Godoy*

A resolução 163 do Conanda, publicada no Diário Oficial no último dia 4, considera como abusiva toda a comunicação mercadológica voltada à criança. O texto completo, disponível aqui, diz que “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.

O Conselho, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, é um órgão colegiado (com representantes do governo e da sociedade civil) de caráter deliberativo, que atua como instância máxima de formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e a adolescência na esfera federal.

A aprovação do texto, portanto, é uma vitória histórica da sociedade civil e um avanço significativo para a proteção integral da infância. Com a declaração da abusividade do direcionamento de publicidade às crianças, é posta em xeque uma prática mercadológica que coloca a criança no centro de uma estratégia de criação de desejos. Essa aposta do mercado exacerba a noção da criança como consumidora, com forte poder de influência nas compras realizadas pelos pais e responsáveis. Segundo pesquisa do Interscience (2003), as crianças participam do processo decisório de 80% das compras da casa.

No entanto, a ideia da criança como consumidora e promotora de vendas tende a confrontar importante conquista da sociedade brasileira: a noção da criança como um sujeito de direitos, previstos no artigo 227 da Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Desde sua fundação em 2006, o Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana defende o entendimento de que os diplomas jurídicos brasileiros já dão o embasamento suficiente para interpretar o direcionamento de qualquer comunicação mercadológica às crianças como abusiva. Entendemos que o direcionamento de comunicação mercadológica à criança é uma forma de tirar proveito de um indivíduo em desenvolvimento físico, social e psíquico que, portanto, ainda não atingiu a plenitude de seu senso crítico para compreender o caráter persuasivo da mensagem publicitária. A recente resolução do Conanda vai ao encontro desse entendimento.

O mercado publicitário, editorial e radiodifusor, no entanto, ignorou a resolução do órgão e continua incorrendo nesse direcionamento ilegal às crianças. Em uma nota assinada pelas nove maiores entidades do setor, as associações se colocam como defensoras do Estado Democrático de Direito, favoráveis à competência exclusiva do Legislativo para tratar de normas para a publicidade e tentam deslegitimar a atuação do Conselho Nacional.

Porém, a resolução do Conanda não contraria essa prerrogativa do Legislativo expressa na nota dos representantes do mercado. A 163 não cria uma nova lei sobre a prática de publicidade, mas normatiza, nos limites de sua atribuição, outras práticas abusivas também contempladas no artigo 37, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor – formulado e aprovado pelo Legislativo –, que considera ilegal a publicidade que se vale da deficiência de julgamento e experiência da criança. Portanto, a competência do legislador não está sendo ignorada ou desrespeitada, ao contrário, está sendo enfatizada pela resolução do Conselho.

A nota das associações também parece desconhecer que o poder decisório concedido aos Conselhos Nacionais é parte indissociável do Estado Democrático de Direito, forjado na Constituição de 1988, fortemente influenciada pelos desejos de participação e de liberdades democráticas. Os Conselhos Nacionais apontam para uma nova relação entre Estado e sociedade civil. Nessas instâncias, as demandas das organizações devem ter tanto peso quanto às dos representantes do governo. Assim, a sociedade civil organizada não se presta ao papel de mera avalista de políticas pré-definidas.

Mas para que os Conselhos Nacionais se consolidem como esse mecanismo transformador e promotor da inclusão da sociedade nos rumos do país, suas resoluções precisam ser respeitadas. A vigência da Resolução 163 do Conanda será, portanto, um passo importante para a sociedade civil se firmar como uma das protagonistas na condução das políticas públicas e na efetivação da noção da criança como prioridade absoluta.

* Renato Godoy é jornalista, sociólogo e pesquisador do Instituto Alana.

Texto originalmente publicado no Blog do Intervozes na Carta Capital.

Pesquisas abordam relações da ditadura com a comunicação

No ano em que o golpe civil-militar completa 50 anos no Brasil, pesquisadores de comunicação concentram esforços para refletir sobre os desdobramentos desse fato histórico nas práticas comunicativas, na mídia e no jornalismo. Os encontros regionais sobre a história da mídia organizados pela Rede Alfredo de Carvalho são um exemplo dessa movimentação.

Realizado entre os dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro (RJ), o 3º Encontro Regional de História da Mídia do Sudeste terá como tema “Mídia e Memórias do Autoritarismo”. Segundo um de seus organizadores do evento, Igor Sacramento, “a proposta é pensar como os meios de comunicação funcionaram para a consolidação e implementação do golpe”. Ele explica que esse tema não tem sido tratado de forma adequada, negligenciado em nome de uma versão heróica da história do jornalismo, na qual a imprensa teria resistido à ditadura.

A edição Nordeste do encontro será realizada nos dias 8 e 9 de maio, em São Luís (MA), tematizando “a repressão e a resistência da mídia no regime ditatorial”. Em 27 e 28 de março o evento da regional sul foi realizado em Florianópolis (SC) com o tema “50 anos do golpe militar de 64 – A história que a mídia faz, conta ou não conta”. No Norte, será realizado em Boa Vista (RR), nos dias 10 e 11 de abril, com o objetivo de discutir “a constituição da grande imprensa nacional em sua íntima ligação com os mecanismos de autocensura e também reflexões sobre os usos políticos da mídia”.

Publicação

Ainda neste ano, durante o 37º Congresso da Intercom, sociedade de pesquisadores em comunicação do Brasil, deve ser lançado o livro “O Jornalismo e o Golpe de 1964: 50 anos depois”, organizado por Ana Paula Goulart Ribeiro e Igor Sacramento. Dividida em duas partes, a publicação debate “o jornalismo e a instauração do golpe” e “o jornalismo sob a ditadura”.

A obra reúne artigo de vários pesquisadores como Marialva Barbosa, Beatriz Kushnir, Marco Roxo e outros. Os artigos abordam temas específicos como o comunismo nas redações, a profissionalização, a fotografia, a formação dos jornalistas e a opinião pública no contexto da ditadura.

Veja a programação dos encontros de história da mídia:

Encontro Norte
Encontro Nordeste
Encontro Sudeste
Encontro Sul

UFPE promove 2ª Semana de Comunicação Pública de Pernambuco

Redação – NTVRU

Nos dias 09, 10 e 11 de abril, o Núcleo de Televisão e Rádios Universitárias e o Departamento de Comunicação da UFPE promovem, no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, a 2ª Semana de Comunicação Pública de Pernambuco. Estudantes, professores, profissionais de comunicação e sociedade de forma ampla, todos estão convidados a participar das conversas, debates e oficinas, com foco na formação crítica, no conhecimento da história, na atualização profissional e na discussão política em torno da comunicação pública no Brasil.

Para acessar a programação e a inscrição clique aqui .