TV Globo amarga sua pior audiência da década

No mês em que completa 45 anos, a Globo teve presentes de aniversário nem tão agradáveis. O primeiro foi a repercussão polêmica do vídeo de comemoração do acontecimento – suspeito de fazer propaganda para José Serra. O outro, pior: a emissora teve neste mês de abril a média de audiência mais baixa da década.

No período avaliado, a Globo teve audiência média de 16,8 pontos por dia. A melhor marca da década veio em 2004, quando registrou 21,7 pontos – que serviriam de estímulo para alcançar os tão sonhados 22 pontos. Antes, a emissora vinha crescendo significativamente: em 2000, a média foi de 20 pontos; em 2002 subiu para 20,3 e, em 2003, para 21 pontos.

Porém, a descida começou mesmo a partir de 2007, quando a média diária da Globo ficou nos 18,7 pontos, passando para 17,4 em 2008 e 2009 – que a emissora ainda espera bater neste ano.

Apesar dos números, a queda de audiência não é privilégio da Globo. O hábito de consumo de mídia dos brasileiros tem se alterado com o fácil acesso a novas mídias e possibilidades de se alimentar de conteúdo farto em várias plataformas.

Pesquisa de dezembro de 2009 aponta que o número de TVs ligadas caiu 66% na média anual em 2000, no horário nobre, para 59% em 2009. Até 21 de novembro, a queda chegou a sete pontos (mais dois chegariam a audiência da Record).

O Ibope avaliou as possibilidades para o desinteresse pela TV aberta, que vão da programação, o crescimento da internet, o fácil acesso ao DVD e os dias quentes. A conclusão é que a TV não perde apenas para o botão de "off" dos aparelhos, já que o Instituto atribui a queda aos chamados outros canais, nos quais se incluem (DVDs, videocassete, videogame e PC).

O DVD é uma das mídias que mais rouba telespectadores da TV, especialmente da Globo e do SBT. Em 2001, o total de televisores sintonizados em "outros aparelhos"no horário nobre era de 0,6%. Neste ano, já chegou a 3,8%, maior do que a audiência da Band, quarta maior rede aberta. As TVs sintonizadas em "outros canais", em 2001, foi de 3%, mas neste ano já subiu para 5%.

Além de perder sete pontos com os aparelhos desligados, as redes abertas também perderam dois pontos para os "outros canais" e mais três para outros aparelhos.

Com informações de O Estado de S. Paulo

Presidente da Net admite que não levará banda larga a cidades sem viabilidade econômica

[Título original: 'A NET não vai levar banda larga para o interior da Amazônia', afirma Félix]

Em resposta ao presidente da SKY, Luiz Eduardo Baptista, que ontem disse que a sua operadora de TV por satélite pode levar a banda larga para todo o país ao preço de R$ 15 bilhões, se a Anatel liberar a faixa de 2,5 GHz para o WiMAX, o presidente da Net, José Félix, afirmou que preferia não ferir a inteligência de ninguém, e por isso não poderia afirmar que a operadora que preside vai estar presente em todos os municípios brasileiros com banda larga.

"A NET não vai levar banda larga para o interior da Amazônia", afirmou. Segundo ele, há um importante número de cidades brasileiras onde não existe viabilidade econômica para grandes grupos atuarem, visto que eles carregam custos mais altos. "O Plano de Banda Larga, com a oferta do backahaul para todos, será uma oportunidade para o desenvolvimento de pequenos empreendedores brasileiros", assinalou.

Ele criticou também a Oi, que propôs ao governo ser a gerente e implementadora da política governamental. " A Oi virou de fato a supertele, tem obrigações, mas não pode querer ser a agente do programa, visto que existem outras empresas, como a Embratel, que poderiam pleitear a igualdade de tratamento", completou. 

Governo desonerará apenas pequenas operadoras do pagamento do Fust

Além dos R$ 6 bilhões de investimentos diretos que o governo pretende fazer para viabilizar o Plano Nacional de Banda Larga, há ainda um montante de R$ 5 bilhões em benefícios calculados para o setor, conforme já divulgado pelo coordenador do PNBL, Cezar Alvarez. O secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério santanna, aproveitou audiência na Câmara dos Deputados para detalhar o que estará dentro deste pacote de estímulo. Os R$ 5 bilhões não serão apenas para financiamento via BNDES das empresas dispostas a participar do PNBL. Neste montante está incluída a projeção da renúncia fiscal que o governo deverá fazer de impostos e encargos como contrapartida para que as empresas privadas atinjam o preço-alvo na oferta final de Internet aos consumidores, de até R$ 35.

Um dos pontos acertados é que o governo irá renunciar ao recolhimento de Fust pelas pequenas empresas, especialmente provedores de Internet, nas novas conexões de banda larga. Pelas projeções feitas, a fatia de contribuição dessas empresas no fundo é muito pequena se comparada às das grandes concessionárias, tornando viável a renúncia sem fortes impactos no caixa do governo.

Santanna descartou a possibilidade de a mesma renúncia no recolhimento do Fust ser concedida em benefício das grandes operadoras. "O impacto seria muito grande", afirmou. Há ainda a perspectiva de isenção de PIS e Cofins também com foco prioritário nas pequenas empresas.

Com relação às linhas de financiamento, o BNDES deverá conceder crédito às empresas para estimular a produção de equipamentos nacionais, a criação de cidades digitais e o fortalecimento de pequenos provedores no mercado de banda larga. A estatal que fará a gestão da rede pública – a mais cotada continua sendo a Telebrás – também poderá ter acesso aos recursos do BNDES.

Somadas as projeções de investimento na rede pública e a política de financiamento e renúncia fiscal, os R$ 11 bilhões de custo total do plano aos cofres públicos são sensivelmente abaixo das projeções apresentadas pelas teles para assumir o compromisso de levar Internet em banda larga a todo o país. A Oi teria apresentado ao governo uma planilha de custo na ordem de R$ 27 bilhões para o atendimento pleno em sua área de operação e a Sky, mais recentemente, informou que, com R$ 15 bilhões, poderia atender às metas completas do PNBL.

Plano Nacional de Banda Larga terá R$ 3,5 bilhões do Tesouro

O governo federal deverá investir cerca de R$ 3,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional na empresa que ficará responsável por implementar o Plano Nacional de Banda Larga. De acordo com o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, o dinheiro será aplicado nos três primeiros anos do plano para fazer as redes principais, chamadas de backbones, e as redes hierárquicas, os backhauls. “Depois disso, o negócio se torna rentável e passa a se autofinanciar”, disse o secretário, lembrando que o investimento total pode chegar a R$ 6 bilhões.

Santanna também explicou que existem, potencialmente, mais R$ 5 bilhões em incentivos para a indústria brasileira, em forma de renúncia fiscal ou financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Isso é um potencial máximo. Parte do princípio de que as projeções de mercado de compra das empresas privadas e também do governo se realizem”.

O secretário participou hoje (28) de uma reunião na Câmara dos Deputados sobre a reativação da Telebras para atuar como empresa estatal gestora do Plano Nacional de Banda Larga. Ele disse que essa é uma das possibilidades com as quais o governo trabalha, além da possibilidade de criar uma nova empresa para este fim. Ele lembrou que o governo já tinha demonstrado esse interesse em 2007, quando emitiu um comunicado de fato relevante ao mercado. “Eu defendo a utilização da empresa, parece ser o caminho mais rápido e mais fácil, já que é uma empresa estruturada, mas há outras vertentes de discussão dentro do governo”, disse Santanna.

O secretário informou que, além das operadoras de telefonia (fixa e móvel) e de TV por assinatura, existem hoje cerca de 1,7 mil pequenos provedores que podem fazer o serviço chamado “última milha”, que é o trecho que liga a rede de telecomunicações à casa dos consumidores. A intenção do governo é não oferecer o serviço, que ficará a cargo das empresas privadas.

Edição: Vinicius Doria

Plano de banda larga custará R$ 6 bi ao governo, diz Santanna

O governo vai gastar R$ 6 bilhões para implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) nos próximos quatro anos. A maior parte desses recursos virá do Tesouro Nacional (R$ 3,5 bilhões), a partir de previsão no orçamento da união, a partir do próximo ano. O restante virá da remuneração do serviço, a partir do terceiro ano de implantação. As informações são do secretário de Logística e Tecnologia da Informação (SLDI) do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, que participou nesta quarta-feira (28) de audiência pública na Câmara, sobre a situação da Telebrás.

Os recursos serão usados para integrar as redes de fibras óticas das estatais e para construir o backhaul. A última milha, disse Santanna, ficaria sob a responsabilidade dos mais de 1.700 pequenos provedores licenciados no país; das operadoras de telefonia celular, que hoje têm problema por não ter backhaul e das empresas de telefonia fixa que operem em outra região. “É um conjunto grande de atores que podem participar da entrega do serviço ao consumidor“, avalia.

Além dos R$ 6 bilhões, o governo ainda prevê mais R$ 5 bilhões para o PNBL em quatro anos. Essa soma seria composta de financiamento do BNDES para teles, pequenos provedores e de desonerações como, por exemplo, da isenção do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para pequenos provedores, desde que sobre serviços ainda não existentes, além de redução de outras alíquotas.

Segundo Santanna, as metas do plano não encolheram, mas foram adequadas ao tempo que falta para acabar o ano. “Nós optamos por 100 cidades, ao invés das 300 previstas anteriormente, para ter tempo de testar os diferentes modelos que podem ser utilizados ainda em 2010”, disse.

Sobre o anúncio do plano, Santanna não quis comentar. Ele disse que isso depende apenas da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Havia uma expectativa de que saísse da reunião de ontem com a ministra Erenice Guerra (Casa Civil), mas não foi possível. E eu não sei se poderá sair hoje, amanhã ou na próxima semana”, disse.