Abraço diz que Anatel reprime rádios comunitárias a pedido das emissoras comerciais

O coordenador-executivo da Abraço (Associação  Brasileira de Radiodifusão Comunitária), José Sóter, fez graves denúncias sobre a fiscalização da Anatel nas rádios comunitárias, em reunião do Conselho Consultivo da agência, realizada na manhã desta segunda-feira (14). Segundo ele, a averiguação dos fiscais normalmente é provocada a pedido das emissoras comerciais e que há um caso comprovado de que os fiscais em São Paulo foram até as rádios em carros alugados pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e de Televisão), denuncia enviada ao Ministério das Comunicações e que não foi apurada.

Além disso, Sóter informou que fiscais da Anatel lacraram e apreenderam transmissores de rádios comunitárias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alegando falta de homologação dos equipamentos, apesar de estarem regularizados. “Não somos contra a fiscalização, mas não podemos aceitar que as emissoras mercantis se utilizem da Anatel para reprimir as rádios comunitárias”, disse.

Sóter disse que não acredita que a repressão às rádios comunitárias seja uma política da Anatel e atribui os conflitos à falta de capacitação dos fiscais, que não são treinados para tratar desigualmente os desiguais. Ele reclamou também da falta de apresentação pelos fiscais do laudo técnico de interferência que justifique a averiguação de irregularidades. “A fiscalização da agência é um leão para as rádios comunitárias e um ratinho para as emissoras comerciais”, comparou.

O coordenador-executivo da Abraço também não poupou críticas ao departamento de outorgas do Ministério das Comunicações, que, segundo ele, trata as rádios comunitárias como um estorvo, enquanto atende a todas reivindicações das emissoras comerciais. “Há vários governos esse departamento persegue e dificulta a democratização das comunicações”, disse.

Sóter também reclamou da elaboração do plano de referência das rádios comunitárias pela Anatel, que limita a propagação das rádios comunitárias deixando uma faixa de dois quilômetros sem acesso ao sinal das emissoras comunitárias. Ele informou que a Anatel baseia o plano em determinação do Minicom, que não corresponde ao que está na lei de criação do serviço.

O gerente-geral de Administração de Planos de Radiofrequência da Anatel, Yapir Marotta, reconheceu que, com o plano atual, as emissoras comunitárias atingem apenas 6% da população que deveria atender. Mas disse que o plano é feito com base na lei de criação do serviço, que traz amarras à pluralidade de acesso dessas rádios.

Os integrantes do Conselho Consultivo consideraram as denúncias feitas pela Abraço como “graves” e solicitaram cópia dos documentos enviados ao Minicom para tomar as providências cabíveis para apuração das irregularidades. Por sugestão do conselheiro José Zunga, deverá ser criado um grupo de trabalho para encaminhar os conflitos entre a agência e as rádios comunitárias.

Anatel fecha e apreende equipamentos de Rádio Comunitária gaúcha outorgada

Reproduzido do site do IHU – Instituto Humanitas Unisinos

No dia 10 de junho, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) fechou e apreendeu os equipamentos da Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. De acordo com a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço Nacional), a rádio estava funcionando de forma legalizada, com outorga concedida pelo estado brasileiro inclusive pelo Congresso Nacional.

A notícia é da Adital, 11/06/2010.

Segundo a Associação, os técnicos, sob a argumentação de que a rádio estaria fora das especificações técnicas, apreenderam com o auxílio de força policial os equipamentos que possibilitam que á rádio permaneça no ar como também o representante da rádio. Quando na verdade o máximo que poderiam fazer, antes que fosse comprovada qualquer irregularidade, seria lacrar os equipamentos.

Detentas produzem programa de TV em Votorantim (SP)

A cinco minutos do início da gravação, o clima é de agitação no "estúdio". Tudo conferido. A diretora grita para um homem alto, vestindo jaqueta preta: "Pode soltar". O carcereiro abre a porta de ferro da Cadeia Pública de Votorantim, no interior de São Paulo, e libera a equipe de reportagem da TV Cela.

Primeiro programa de TV feito por detentas no país, é um misto de talk show e documentário. Cada edição dura 30 minutos e tem um entrevistado. Entre os blocos, cenas da rotina da cadeia e depoimentos de presas.

A produção, desde a escolha dos convidados até a seleção das perguntas, é responsabilidade de cinco detentas. Todas respondem por tráfico de drogas ou associação ao tráfico.

Gravado em um espaço semelhante a uma gaiola com três metros de comprimento por dois de largura, o programa mobiliza a carceragem. Quando a produtora-detenta pede silêncio, a cantoria –ora pagode, ora sertanejo– cessa imediatamente.

As 150 mulheres, mantidas em um espaço projetado para 48, se veem representadas por Iara Fernanda de Mello, 25, a apresentadora. Sempre de unhas feitas e maquiagem preparada por um profissional –voluntário, como o resto da equipe externa.

Edicleusa Gomes, 30, opera as três câmeras emprestadas pelo Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio). Concentrada, ela mira detalhadamente o convidado da vez, o advogado Hélio Bicudo.

Ele é recebido como estrela na cadeia. Antes de gravar, cumprimenta as presas. Uma delas chora. "Ele me lembra o meu vozinho", sussurra.

Celebridades

O projeto começou em outubro de 2009 com o objetivo de ressocializar as presas (há condenadas, algumas aguardando julgamento ou recorrendo da sentença).

Treze convidados já passaram pelo TV Cela desde a estreia. Os assuntos abordados vão de direitos humanos a saúde pública e outros temas ligados à rotina das detentas. As presas participantes devem mudar periodicamente, em sistema de rodízio.

O TV Cela é transmitido pela TV Votorantim, canal local do município (105 km de SP), e por outros 48 canais comunitários do Estado. No resto do país, chega via parabólica e internet.

A repercussão transformou as mulheres do TV Cela em celebridades carcerárias. Dezenas de cartas parabenizando chegam de presídios de todo o Brasil. Pela internet, as mensagens de apoio, que chegam até elas impressas, também se multiplicam.

"Receber um elogio vindo de tão longe faz muito bem", diz a apresentadora Iara.

Na cadeia há quatro meses, a produtora do programa, Alessandra Laquima, 38, emociona-se. "Quem está lá fora pensa que na cadeia só tem gente sem instrução e ignorante. Nós estamos mostrando que não é assim."

Os quatro filhos dela mostraram o programa a amigos e até para professores. Mesma reação da filha de Suzana Maria Braga Ramos, 26, que também participa.

Coordenador do programa, o jornalista Werinton Kermes disse que o objetivo do projeto não é formar profissionais, mas resgatar a autoestima. "É para exercitar a individualidade. Ocupar o tempo delas."

As detentas, porém, não descartam seguir carreira no jornalismo. "Se tiver oportunidade, seria maravilhoso. Eu me identifiquei com a comunicação", fala Iara.

Ministério da Cultura lança consulta pública sobre direitos autorais

O Ministério da Cultura lança na segunda-feira (14) a consulta pública do Anteprojeto de Lei de Direitos Autorais. A proposta é que se revise a Lei 9.610/98, para tentar conciliar os direitos do autor, o acesso à cultura e ao conhecimento, e a "segurança jurídica do investidor". 

Avaliações do próprio ministério e de especialistas apontam que a lei em vigor não equilibra o interesse privado dos detentores de direito autoral e o interesse público de acesso à informação, que está ligado ao direito à educação, à cultura, e ao conhecimento. A atual regra, rígida, limita o número situações em que obras podem ser utilizadas sem autorização prévia ou pagamento.

Primeiro debate político online pretende atingir 94% dos internautas brasileiros

O primeiro debate online da internet brasileira com presidenciáveis deverá atingir 94% dos internautas brasileiros, reunindo quatro dos maiores portais em audiência do País, iG, MSN, Terra e Yahoo!.

O encontro será realizado no dia 31/08 e transmitido pelos quatro portais simultaneamente. A organização do debate está a cargo de três agências do Grupo TV1: TV1 RP, TV1.Com e TV1 Vídeo.

“A ideia surgiu este ano. Hoje a internet é uma mídia de massa no Brasil. Reunidos nós teremos 94% da audiência da internet brasileira. Temos uma grande expectativa, é uma belíssima oportunidade de conhecer melhor esse tipo de debate online”, comemora Andre Izay, presidente do Yahoo Brasil.

Para o diretor-geral do iG, Fábio Coelho, o debate terá sucesso. “O brasileiro tem mais interatividade que em muitos países. Esperamos uma grande mobilização na internet e um altíssimo nível de adesão dos candidatos”.

O diretor-geral do MSN Brasil, Oswaldo Barbosa, citou a campanha de Barack Obama como inspiração. “É bom lembrar a experiência do Obama. No Brasil, que tem um uso maior da internet, um debate como esse vai marcar a história”, declarou.

Como primeiro debate online no Brasil, os portais terão um desafio no uso da web para esse tipo de discussão. “O principal desafio será compatibilizar a interatividade e liberdade que a internet tem com as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Vamos seguir a legalidade”, ressaltou o diretor-geral do Terra Brasil, Paulo Castro.

Castro disse que os portais procuraram as assessorias dos candidatos à Presidência da República e que a proposta foi muito bem recebida. “Os candidatos entendem a importância da internet. A proposta foi muito bem recebida”.

A organização do debate ainda define o formato da discussão, que contará com a participação dos internautas pelo Twitter @debateonlinebr.