STF julga improcedente ação contra decreto da TV digital

Por 7 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou constitucional o Decreto 5.820/06, que estabelece as diretrizes para a implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital. O decreto era alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade iniciada pelo PSOL e que questionava a validade da consignação de canal extra aos atuais concessionários sem os trâmites exigidos para a concessão de serviços de radiodifusão. De acordo com a Constituição, a concessão de canal de TV deve ser avalizada pelo Congresso Nacional.

Para o partido e a Procuradoria Geral da República (PGR), a criação de figura da consignação de canais é inconstitucional uma vez que a TV digital abre possibilidades tecnológicas que a configuram como novo serviço de radiodifusão. Assim, não seria permitido ao Executivo “consignar” canais, como estabelecido pelo decreto, mas sim iniciar processos normais de outorga de serviços.

Já o relator da Adin no STF, ministro Carlos Ayres Britto, considerou que a digitalização é apenas uma atualização tecnológica, argumento sustentado pela Advocacia Geral da União (AGU) e pelas entidades que representam as emissoras de rádio e TV. Com isso, Britto defendeu a improcedência da ação.

Citando a Lei Geral de Telecomunicação, o relator também estabeleceu uma distinção entre concessão do serviço de radiodifusão e autorização para o uso do espectro. Para o ministro Ayres Britto, as emissoras possuem uma concessão para prestar o serviço de radiodifusão de sons e imagens independente do canal que utilizam. Assim, o Executivo pode simplesmente autorizar o uso de uma nova faixa do espectro para a transmissão digital, porque isso seria uma exigência tecnológica para a transição de um sistema a outro.

Os outros seis ministros que acompanharam o voto do relator corroboraram a tese de que a digitalização não configura novo serviço porque não modifica a essência da radiodifusão – transmitir imagens e sons.

A defesa feita pelo PSOL e pelas entidades que apresentarem amicus curiae (apoio formal à ação) – o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a Conectas Direitos Humanos e o Instituto Pro Bono – reforçou que a possibilidade de interatividade e de multiprogramação modificam substancialmente a natureza do serviço oferecido pelas emissoras.

O mesmo foi afirmado pela PGR no parecer apresentado em maio e que defendia a procedência da Adin. O parecer da PGR questiona ainda a falta de transparência durante o momento da escolha, pelo governo brasileiro, do padrão japonês como base tecnológica do SBTVD. Relatórios explicando a sociedade os motivos da adoção de tal modelo deveriam ter se tornado públicos e não foram, o que violaria o direito à informação dos atos da Administração Pública.

Apenas o ministro Marco Aurélio Mello votou pela procedência da ação. Mello citou o fato de que a escolha do ISDB, padrão japonês que serve de base para o SBTVD, não foi precedida de estudos público e nem aprovada pelo Congresso, o que seria uma exigência constitucional posto que se trata de um tipo de acordo internacional. O ministro afirmou o caráter de novo serviço da TV digital, reforçando os argumentos da defesa e dizendo que a consignação, como foi feita, driblou a Constituição. Mello questionou, ainda, o fato de não constarem nos autos do processo nenhum parecer técnico que comprove que, para a transmissão no sinal digital, seja necessário o uso do mesmo espaço no espectro ocupado hoje pelas transmissão analógica (6 Mhz).

Sindicato pede audiência com presidente da TV Cultura

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo encaminhou nesta quarta-feira (04/08), pedido de audiência com o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, para discutir a situação dos funcionários da TV Cultura. O objetivo é analisar medidas conjuntas que evitem o corte de profissionais.

Ontem, o Blog do Daniel Castro informou que a emissora demitiria grande parte do seu pessoal. Em entrevista ao Estadão hoje, Sayad negou demissão em massa, mas admitiu “mudanças nos quadros”.

“Não podemos aceitar que a atual direção da TV Cultura apenas enxergue o custo da manutenção da emissora e não leve em conta a relevância social que a TV pública tem ou os prêmios nacionais e internacionais que ganhou com sua programação”, afirma o sindicato, em nota.

O sindicato informa ainda que “estuda medidas necessárias para garantir os direitos trabalhistas” e pretende questionar ao Tribunal Regional Eleitoral a legalidade da possível dispensa de funcionários em período eleitoral.

Debates na TV ocorrerão sem 5 presidenciáveis

O poder das emissoras de televisão na condução da cobertura eleitoral foi questionado pela candidatura de Zé Maria (PSTU) via Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato solicitou a suspensão do debate dos candidatos à presidência na Rede Bandeirantes programado para esta quinta-feira (5), com base em artigos da Constituição Federal e da Justiça Eleitoral. Apesar de indeferido, o pedido do PSTU foi avaliado pelo juiz do Tribunal Superior Eleitoral, Joelson Dias, como instigante e recomendou maior reflexão sobre a matéria.

O requerimento do PSTU argumenta que a Lei Eleitoral (9.504/97), obriga, no Artigo 46, as emissoras a convocar e consultar todos os presidenciáveis para os debates e que as regras devem ser aprovadas por pelo menos 2/3 dos pleiteantes. Ou seja, seis dos nove candidatos registrados junto ao TSE precisam validar as regras. Somente Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) asseguraram participação nos debates da TV aberta.

A candidatura de Zé Maria questiona também o fato de a Lei de 1997 não proíbe a participação de todos os candidatos nos debates, cabendo as emissoras escolherem os candidatos. Porém, a mesma legislação permite que apenas os candidatos com pelo menos três representantes na Câmara Federal integrem a discussão.

Tem sido exatamente este o critério usado pelas redes de TV para convidar apenas parte dos presidenciáveis para os debates. As emissoras dizem que debates com muitos participantes não seriam viáveis e utilizam a Lei Eleitoral para justificar os cortes.

O argumentos colocados pelo PSTU podem ser fortalecidos caso outros presidenciáveis entrem em ação conjunta.

O Observatório do Direito à Comunicação tentou falar com outros quatro candidatos que ficam de fora do debate da Band, mas só obteve sucesso com assessoria de José Maria Eymael (PSDC), que também não foi convidado e achava pouco provável uma posição favorável do TSE. Segundo os assessores do PSDC, a Band e Rede Globo são as emissoras com maior dificuldade de inserção de candidatos nos debates. Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Pimenta (PCO) completam a lista dos pleiteantes.

Nas palavras de Zé Maria as empresas de televisão, embora concessões públicas, escolhem o que mostram e, com isso, uma parte da população fica sem saber quais são os candidatos. “O fato da legislação facultar, não significa dizer que não pode levar os candidatos”, explica o candidato do PSTU. Para tentar participar do debate o partido recorreu a uma segunda estratégia, um "twittaço" (#zemarianodebate) a partir das 15 horas desta quinta-feira. O objetivo é chegar entre os mais replicados no twitter e comover os eleitores.

A assessoria do PSTU confirmou que a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) apoiou o movimento pela participação no debate.

Além do twitter, o envio de e-mails à Band é outra estratégia que vem sendo utilizada pela campanha do PSTU. Em 2002 uma corrente de e-mails fez com que Jô Soares (Globo) entrevistasse Zé Maria.

Textos de ombudsman são retirados do site da TV Cultura

Reproduzido do Comunique-se

A TV Cultura retirou do seu site oficial os textos publicados pelo jornalista Ernesto Rodrigues, que ocupou o cargo de ombudsman na emissora até o dia 30/07, quando o seu mandato foi encerrado.

O link que direcionava para o Blog do Ombudsman sumiu da página principal e todos os textos foram apagados.

De acordo com a assessoria da TV Cultura, os textos foram retirados do ar porque o profissional não está mais na casa. A emissora procura um novo nome para ocupar o cargo deixado por Rodrigues e, assim que for contratado, o ombudsman ganhará um novo espaço no site. (Da Redação)

Planalto vai usar interatividade para promover desconcentração

A ampliação da rede de cobertura da TV digital pública no país é parte do esforço do governo para desconcentrar a operação do meio televisão, conquistando audiência com a oferta de serviços interativos gratuitos, como agendamento de consultas médicas, ensino à distância e acesso a extratos do INSS.

Enquanto o Plano Nacional de Banda Larga não deslancha, o Planalto trabalhará para levar o chamado "e-gov" aos lares mais remotos pela plataforma televisiva.

Na avaliação da Casa Civil, a pulverização desse conteúdo oficial seria mais viável e célere pela TV que pela internet, já que 96% da população brasileira já está coberta pelo sinal analógico e até 2013 toda a base terá de ser digitalizada.

O pacote do governo federal, que poderá absorver R$ 1 bilhão do BNDES, tem duas interfaces: o barateamento dos conversores do sinal digital e o estímulo aos produtores de aplicativos.
No primeiro item, um grupo interministerial planeja a desoneração tributária para a comercialização das caixas conversoras de sinal por R$ 200 -financiadas em parcelas mensais de R$ 17-, com a possibilidade de entrega até via Correios.

A segunda frente prevê a montagem de consórcios de implementadores do Ginga, software livre escolhido para o padrão brasileiro de TV digital. A meta é atingir a marca de 5 milhões de sintonizadores com interatividade produzidos por ano.

"A internet exige que se pague ao provedor para ter acesso. O último baluarte da informação gratuita é a televisão. Não adianta você criticar as cinco famílias que detêm monopólio na televisão brasileira. A televisão, em si, pode ter a televisão pública, pode ter novos atores", diz o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho.

Os dados que o governo pretende disseminar pela TV interativa digital já trafegam, em boa parte, pelas páginas mantidas pelos ministérios e estatais. Caberá aos órgãos públicos formatá-los com linguagem para atingir telespectadores de todas as faixas de renda.