Celular brasileiro continua o mais caro do mundo

O Brasil é mesmo um país contraditório, também no mercado de telecomunicações. Ao mesmo tempo em que pode comemorar a  queda no preço da banda larga fixa, continua a ostentar o vergonhoso primeiro lugar no que se refere ao preço das ligações do celular. Esta constatação pode ser recolhida no amplo estudo realizado a cada dois anos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), intitulado “Measuring Information Society”, que acompanha o desempenho, avanços e derrotas de 165 países na construção da sociedade da informação.

Pois está lá no estudo. O preço da cesta de celular (que inclui 30 chamadas saintes e 100 SMS) do Brasil era, em 2010,  US$ 57,1, ou US$ 64,6 se considerado o PPP (paridade com poder de compra). Em valores absolutos, o brasileiro paga para falar no celular e mandar 100 torpedos por mês tão caro quanto os ricos  Suiços (que pagam pela mesma cesta US$ 57) ou japoneses (US$ 55,9). Mas para esses mesmos suíços e japoneses esses valores caem para US$ 38,7 e US$ 42,7 se considerado o poder de compra. No Brasil, aumenta.

No index geral da instituição, embora o Brasil tenha a tarifa de telefonia móvel mais alta do mundo, não fica na última posição, mas na 125ª colocação, pois o preço é comparado com a renda per capta, o que faz com que o brasileiro comprometa 8,5% de sua renda com a telefonia celular. Se for somada a cesta de telefone celular, telefone fixo e banda larga, o comprometimento da renda do brasileiro cai para 4,8% da renda, porque outros serviços estão mais baratos.

E aí entra o bom desempenho da banda larga fixa no Brasil. É bem verdade que no mundo o preço da banda larga caiu 52,2% entre 2008 e 2010, conforme o estudo, mas  no Brasil ela teve uma queda relativa maior, de 64%. A cesta medida em todos os países é  formada pelo preço de uma assinatura para o pacote baseado no download de 1 Gbps e ela só apura o valor da banda larga fixa. O preço da banda larga móvel, por variar muito, a UIT prefere não mensurar (por enquanto).

A banda larga fixa custava para o brasileiro, em 2010, US$ 16,9, ou US$ 19,1 pelo PPP. Isso significa um comprometimento de 2,5% da renda para acessar a internet a velocidade mais rápida. O dramático é que em muitos países subdesenvolvidos a banda larga chega a comprometer 2,5 mil por cento a renda per capta, como em Guiné ( 2.594%).

Como explicar a contradição brasileira?

Mas, como explicar que o celular – que está em um mercado competitivo, com cinco grupos distintos disputando palmo a palmo os clientes em todo o país – cobre  um preço tão alto? E a banda larga, serviço cuja competição só se instalou em pouco mais de 200 cidades, tenha apresentado quedas significativas nos seus preços?

Alguns poderão argumentar que, na banda larga, o ICMS (que é efetivamente muito alto) foi retirado. O que é uma verdade parcial, visto que no ano de 2010, base do estudo, somente o estado de São Paulo tinha aderido à redução do imposto e o número de acessos banda larga vendidos sem este imposto estadual era ainda bem pequeno, não sendo capaz de afetar de maneira tão significativa  a queda no preço do serviço.

Acho que os especialistas têm que encontrar as explicações. Mas ouso arriscar algumas opiniões. Na banda larga, o governo resolveu agir como indutor e regulador. Criou a Telebras, lançou o PNBL. O mercado reagiu. E o preço caiu.

E no celular? No celular, este preço tão fora da curva tem embutida a VU-M (tarifa de interconexão), tarifa monopolista para remunerar as redes. Mesmo mudando todo dia de operadora, o cliente não pode escapar dela, nem pagar valor diferente. E onde está a proposta da Anatel, que previa uma redução gradual e tímida desta tarifa? Mais um ano vai acabar e a tentativa de redução desta tarifa mais uma vez sumiu nos escaninhos da agência. E assim continuamos pagando o celular mais caro do mundo. Preço suiço. E a qualidade?

 

 

Jovem brasileiro considera Internet tão importante quanto água, comida e moradia

Redação – TeleTime News

Um em cada três jovens no mundo considera a internet um recurso essencial para o ser humano, como o ar, a água, o alimento e a moradia. No Brasil, a porcentagem é ainda maior – 65% dos estudantes e 61% dos profissionais classificam a web como um recurso vital, de acordo com dados do Relatório Mundial de Tecnologia Conectada, confeccionado pela Cisco.

A pesquisa mostra o poder que a rede mundial de computadores exerce na vida dos indivíduos. Perguntados se tivessem que escolher entre um carro ou acesso à Internet, 64% dos entrevistados disseram preferir a web. O Brasil segue a mesma tendência, com 63% dos jovens declarando optar pela web. “Os CIOs precisam planejar e expandir suas redes para lidar com as demandas de segurança e mobilidade que a próxima geração da força de trabalho trará para suas infraestruturas”, analisa a vice-presidente de marketing empresarial da Cisco, Marie Hattar.

Já no que diz respeito ao uso de dispositivos móveis, o Brasil ficou atrás da média mundial. Enquanto 66% dos universitários e 58% dos trabalhadores no mundo mencionaram laptops, smartphones e tablets como a “tecnologia mais importante de suas vidas”, entre os brasileiros esta porcentagemé 35% e 36%, respectivamente. Por aqui, o desktop ainda é o mais importante, citado por 47% dos jovens no mercado de trabalho e 52% dos estudantes.

A pesquisa analisou também a relação dos jovens com as redes sociais, na qual foi detectada a mesma importância dada ao mundo on-line. O estudo foi feito com universitários e jovens trabalhadores de até 34 anos de 14 países: EUA, Canadá, México, Brasil, Reino Unido, França, Espanha, Alemanha, Itália, Rússia, Índia, China, Japão e Austrália.

 

 

Parecer salva operadores de TV paga de terem que vender todos os canais de forma avulsa

Samuel Possebon – TeleTime News

As operadoras de TV por assinatura conseguiram evitar nesta quarta, dia 21, mais uma dor de cabeça legal com potencial de alterar substancialmente a forma como os canais de TV paga são ofertados ao consumidor. Trata-se do Projeto de Lei 6.412/09, do deputado Paulo Pimenta (PT/RS), que estabelece que as operadoras de TV paga devem ser obrigadas a comercializar canal a canal, por livre escolha do assinante, e não na forma de pacotes pré-definidos.

O projeto foi votado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDEIC). No mundo todo essa discussão é levantada, e foi inclusive tema de debates acalorados no Congresso dos EUA há alguns anos, mas o argumento das operadoras e programadoras de TV paga em todos os mercados é que, sem a comercialização dos pacotes com múltiplos canais, seria impossível rentabilizar canais de menor audiência e os custos subiriam em proporções inimagináveis.

A salvação da indústria de TV paga brasileira, no caso do PL 6.412/09, foi o parecer do deputado Felipe Bornier (PHS/RJ) acatando emendas ao projeto original. Bornier destacou que a oferta avulsa era inviável para as operadoras e programadoras, podendo inclusive "introduzir possíveis relações dissonantes entre os operadores de serviço e os seus fornecedores de programação". Diante desta constatação, o parecer acatou a emenda do deputado Guilherme Campos (DEM/SP), propondo que se utilize a palavra "poderá" em lugar de "deverá" ao se referir à oferta dos canais avulsos.

Além disso, essa oferta terá que ser feita a critério da operadora, que oferecerá os canais avulsos adicionalmente aos pacotes já existentes, respeitando as limitações técnicas e os contratos de programação. Na prática, o parecer aprovado ratifica a prática de mercado atual. O texto ainda passa pela Comissão de Ciência, Tecnologia Comunicação e Informática, pela Comissão de Defesa do Consumidor e pela Comissão de Constituição e Justiça.

TVE-RS será pioneira em exibição de programas acessíveis a pessoas com deficiência

A partir de 2012, a TVE-RS exibirá programas com audio-descrição e libras. Com isso, será a emissora aberta pioneira no Estado em oferecer o serviço, que está sendo desenvolvido graças a um acordo assinado hoje entre a Fundação Cultural Piratini e a Federação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs no RS (FADERS), órgão da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.

Além disso, a partir de 18 de outubro, às 17h30min, a TVE passa a exibir o programa Faça a Diferença, da TV Assembleia, pioneiro nas TVs Legislativas como promotor da inclusão, contando com acessibilidade audiovisual e produzido, editado e apresentado pela servidora cadeirante Juliana dos Santos.

O Ato de Assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre FADERS, TVE, Associação de Cegos do RS (ACERGS) e Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos RS (FENEIS) foi firmado visando à promoção e desenvolvimento de ações em benefício de pessoas com deficiência, principalmente no campo da articulação e desenvolvimento das políticas públicas de acesso à comunicação (Áudio-descrição e Libras), a fim de garantir o cumprimento das diretrizes preconizadas na Convenção da ONU que trata dos direitos da pessoa com deficiência e na Lei 13.320 de 21 de dezembro de 2009.

Para viabilizar o projeto, o Governo do Estado está formando uma Central de Tradutores, composta por técnicos especializados em linguagem de sinais (libras), para surdos e deficientes auditivos, e recurso de acessibilidade para cegos e deficientes visuais (áudio-descrição). Atualmente a TVE exibe o Jornal Visual, produzido pela TV Brasil, que viabiliza acessibilidade às pessoas com deficiência auditiva. O programa vai ao ar de segunda à sexta, às 7h50min.

De acordo com dados do IBGE de 2000, no Rio Grande do Sul existem 980.051 mil pessoas com deficiência visual (9,62% da população) e 399.155 mil pessoas com deficiência auditiva (3,92% da população), totalizando 1.379.206 milhões de pessoas com deficiência (13,54% da população).

Liminar da Justiça garante transmissão religiosa na TV Brasil

Christina Nascimento

O juiz federal da 15ª Vara Federal do Distrito Federal, João Luiz de Souza, concedeu, nesta terça-feira, liminar garantindo a transmissão pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) — estatal que opera a TV Brasil e oito rádios oficiais — de missas e cultos. A polêmica começou após o conselho curador da empresa decidir tirar da sua grade os programas religiosos, que são veiculados há 36 anos. A suspensão começaria a valer neste final de semana.

A advogada da Arquidiocese do Rio, Claudine Dutra, que foi quem entrou com o pedido para anular a decisão da EBC, por entender que o ato da empresa era de discriminação religiosa. “São programas antigos e que têm um público cativo”, argumentou. Como fundamento para excluir a programação religiosa, o Conselho Curador alega o caráter republicano laico da EBC.

A Arquidiocese defende que uma empresa pública de telecomunicações deve abrir suas portas a todas as religiões, especialmente àquelas que têm grande representatividade na sociedade.

A decisão do juiz federal vale por tempo indeterminado e se estende à programação das rádios. Aos sábados, é transmitido um culto da Igreja Batista e, no domingo pela manhã, a Santa Missa e o programa ‘Palavras de Vida’, ambos da Igreja Católica.