Arquivo da categoria: Notícias

TV Brasil terá correspondente em Angola

Acatando a uma das primeiras idéias do ministro Franklin Martins, a TV Brasil terá, a partir de março, um correspondente internacional na África. Baseado em Luanda, capital de Angola, Carlos Alberto Júnior trará uma visão brasileira sobre o país e o continente.

“O olhar da imprensa em geral sobre a África é de tragédias, um noticiário barra-pesada. A África é muito mais do que isso. Angola está com um crescimento entre 16 e 18% ao ano, com uma grande participação brasileira. Há muitos brasileiros por lá”, diz Carlos Alberto.

“Há muito capital chinês, e Luanda parece um canteiro de obras, após anos de guerra civil. Este ano haverá eleições parlamentares, e muitos angolanos votarão pela primeira vez. É um momento de transformação política e de infra-estrutura”, completa.

Egresso do Correio Braziliense, o jornalista tem quase toda a sua carreira em veículos impressos, tendo participado da primeira equipe de Época em Brasília e passagens por Gazeta Mercantil, Agência O Globo e Rádio Joven Pan. Carlos Alberto participa desde quinta-feira (07/02) de treinamento na redação brasiliense da TV Brasil. Ele embarca sozinho, com um kit de câmera e laptop, e enviará o material por FTP. Foram iniciadas conversas para uma parceria com a Televisão Pública de Angola (TPA).

“A idéia é contribuir não só com o Repórter Brasil, mas com toda a grade. Estou pensando em documentários também. Estarei em Angola, mas idéia é circular, com tratamento especial para os países de língua portuguesa. A cobertura é feita por agências, com olhar americano ou inglês. O nosso enfoque é outro”, contrapõe.

Deputado propõe criação de fundo específico para TV Brasil

O deputado Walter Pinheiro (PT-BA), relator da medida provisória que cria TV pública, propõe a criação de um fundo específico para a emissora que deverá render cerca de R$ 300 milhões este ano, além dos R$ 350 milhões já previstos no Orçamento da União. A verba para a criação do fundo seria retirada do Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel) que arrecada cerca de R$ 3 bilhões por ano, pagos por operadoras de telecomunicações.

O fundo garantiria a autonomia da TV, de acordo com o deputado, e evitaria que a emissora ficasse dependente de decisões do governo sobre liberação ou não de verbas. "Só com recursos orçamentários, a TV fica dependente da vontade do governante", argumenta o relator. "Não está na lei, mas a intenção é que os recursos do fundo sejam crescentes e, com o tempo, a emissora possa abrir mão da verba orçamentária", diz Pinheiro.

De acordo com informações do Estadão, a partir desta segunda-feira (11), Pinheiro distribuirá cópia do relatório para os deputados e pretende ainda nesta semana começar a negociar a votação da MP em plenário com os líderes da oposição. O deputado garantiu, ainda, que a retirada de recursos do Fistel não implicará em aumento das taxas pagas pelas empresas de comunicação.

Além da sugestão de mudança no próprio Conselho Curador nas próximas gestões, entre outras propostas, no relatório estão inscritas novas regras sobre restrições de propagandas, para proibir "autopromoção do poder público", com veto à divulgação de obras e de distribuição de benefícios oferecidos pelos governos. As empresas privadas não poderão anunciar produtos e serviços, mas apenas divulgar seus nomes como "apoiadoras culturais".

MEC confirma cancelamento de licitação para compra de laptops

 O Ministério da Educação (MEC) confirmou o cancelamento do pregão eletrônico para a compra de 150 mil computadores portáteis (laptops) educacionais que seriam distribuídos para 300 escolas públicas de todo o país. A anulação já havia sido noticiada no último fim de semana e agora é ratificada pelo MEC.

A empresa Positivo Informática, vencedora da primeira etapa do pregão, no entanto, divulgou nota em que afirma não ter recebido qualquer comunicado “oficial ou extra-oficial” do ministério ou do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A empresa também diz ter sido “pega de surpresa” pelas informações divulgadas pela imprensa, mesmo após “diversas tentativas de contatar os órgãos governamentais”. “A Positivo Informática está pronta para retomar a discussão de preços, assim que o governo federal reabra as conversações”, afirma a nota.

Procurada pela Agência Brasil, a assessoria do MEC se limitou a confirmar o cancelamento, sem explicar as razões, se um novo pregão será realizado ou mesmo se o projeto Um Computador por Aluno (UCA) será suspenso.

Realizado pelo FNDE, o processo licitatório estava suspenso desde o dia 19 de dezembro. Na ocasião, a autarquia alegou que a melhor proposta recebida, da Positivo, ainda estava acima do que o órgão planejava gastar.

Ao anunciar a suspensão por meio do portal de compras do governo federal, o ComprasNet, o responsável pela licitação eletrônica informava que o processo seria retomado no dia seguinte (20 de dezembro), e que o FNDE iria negociar uma substancial redução de preço. A recomendação era para que os licitantes acompanhassem pelo portal a divulgação de novo horário para o prosseguimento da sessão, o que acabou não ocorrendo.

As informações a respeito do pregão foram retiradas do portal após a Positivo ter divulgado sua nota, onde afirma que o “o site continua aberto sem nenhum informe sobre qualquer cancelamento”.

Na primeira parte do pregão, a Positivo havia apresentado o menor lance entre os concorrentes: R$ 98.180 milhões. O valor incluía, segundo a empresa especializada em tecnologia educacional, além dos 150 mil computadores, a instalação de infra-estrutura e suporte, como a capacitação de professores. Cada computador, acrescido da necessária prestação de serviços, sairia por cerca de R$ 654.

O projeto do governo prevê que cada estudante da rede pública tenha acesso gratuito a um computador. Desde dezembro de 2005, especialistas na utilização de novas tecnologias computacionais no processo didático-pedagógico vêm se reunindo para discutir a implementação do projeto. Além disso, desde fevereiro de 2007, o MEC testa em escolas públicas alguns dos modelos de laptops educacionais fornecidos pelos fabricantes interessados em comercializar a nova tecnologia.

Empresas falham na proteção à privacidade dos clientes

Relatório, batizado de  "A Insegurança dos Dados em Testes: Uma crise escondida", contratado ao instituto Ponemon pela Compuware, empresa desenvolvedora de software, aponta para dados preocupantes relativos à segurança e à privacidade de informações de clientes.

O estudo apura que 62% das empresas entrevistadas usam dados verdadeiros dos clientes para testar aplicações durante o processo de desenvolvimento. Desse total, 89% utilizam registros de clientes e 74% listas de usuários. Alguns exemplos são dados de funcionários, relatórios de vendas, números de conta corrente, cartão de crédito e outras informações financeiras. 

O estudo, realizado em 2007, com a participação de 897 profissionais de tecnologia, em média, com 10 anos de experiência, mostra que apesar das organizações acreditarem que o teste de aplicações seja imune às ameaças de privacidade, uma vez que acontecem em ambientes não produtivos, estes são menos seguros que os de produção.

Esse tipo de processo pode expor as informações a uma série de fontes não autorizadas, incluindo colaboradores, consultores e parceiros. Na verdade, 52% das empresas pesquisadas terceirizam suas aplicações de testes e 49% compartilham dados com essas companhias.

Para muitas corporações os arquivos de clientes representam uma maneira fácil e um recurso barato a ser utilizado no processo de desenvolvimento de aplicações, mas tal atitude aumenta muito o risco e o desafio de manter a integridade de informações sensíveis, principalmente, quando terceiros estão envolvidos.

O levantamento apura ainda que mais da metade das companhias que utilizam dados reais em teste não toma as medidas necessárias para protegê-los. Além disso, 50% não têm conhecimento se as informações foram comprometidas; 41% afirmaram que não protegeram os dados durante o desenvolvimento de software; 38% não sabem se essas informações foram perdidas ou roubadas durante o processo e 26% não sabiam dizer quem era o responsável pela segurança das informações.

"Este estudo aponta para a necessidade de uma maior consciência e responsabilidade sobre como dados são utilizados dentro das organizações, a fim de evitar riscos e garantir sua segurança", salienta Larry Ponemon, presidente e fundador do Instituto Ponemon.

Para Adriano Alves, vice-presidente de Serviços para a América Latina da Compuware, especializada em soluções de software, o levantamento mostra que o risco de um ambiente de teste de aplicações pode ser tão grave quanto o da produção, caso não sejam tomadas as devidas precauções com relação à segurança e à privacidade dos dados dos clientes.

RBS suspende encarte de jornal catarinense e é acusada de monopólio

Em meio a uma série de acusações por parte de entidades representativas jornalísticas, a RBS encerrou, em 01/01, a veiculação do suplemento diário AN Capital, até então encartado no jornal catarinense A Notícia, com sede em Joinville. O conteúdo do encarte, que era produzido em uma redação específica na cidade de Florianópolis, passa a ser incorporado ao caderno principal, com fornecimento por meio de uma sucursal localizada no mesmo prédio da redação do Diário Catarinense, também do grupo de comunicação gaúcho.

A decisão da empresa desagradou ao Sindicato de Jornalistas de Santa Catarina e à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que emitiram nota de repúdio em 31/01. Conforme as entidades, “sem o AN Capital a comunidade perde uma possibilidade de visão diferenciada sobre os fatos”, o que prejudicaria a divulgação plural e democrática das informações. No documento, é exigida a manutenção de todos os postos de trabalho dos jornalistas cujas demissões foram anunciadas pela RBS. “Desde a aquisição do A Notícia pela RBS o monopólio da comunicação em Santa Catarina estabeleceu o rumo do AN Capital: na época da transação, a redação contava com cerca de 30 jornalistas e, ao anunciar a última edição alegando questões financeiras, havia apenas 12”, diz a nota das entidades.

Conforme Rubens Lunge, presidente do sindicato, desde o ano passado a empresa vinha cogitando o fim do AN Capital. “Havia uma sinalização de que o veículo estava com problemas financeiros e de que se não houvesse uma recuperação ele seria fechado, mas não foi estabelecido qualquer diálogo para tentar reverter a situação”, afirma. No entanto, de acordo com Luiz Cardoso, diretor executivo do A Notícia, a decisão de encerrar a produção do suplemento só foi tomada na primeira quinzena de janeiro, durante o planejamento do ano. “A comunicação ocorreu logo a seguir, após a definição da manutenção da sucursal em Florianópolis, dedicada à cobertura da capital e região metropolitana”, conta o representante da RBS. Segundo ele, foram desligados seis profissionais da redação. “A equipe do jornal é de 104 profissionais. Em Florianópolis, mantivemos a sucursal com três jornalistas, além de dois colunistas e um chargista.”

Histórico polêmico

Adquirido em agosto do ano passado pela RBS, o jornal A Notícia, fundado em 1923, circula em 260 municípios catarinenses. Na visão do sindicato, trata-se de um dos veículos mais importantes da região que, juntamente com o Diário Catarinense – também da RBS – são os únicos jornais de circulação estadual em Santa Catarina. “Quando A Notícia foi comprado pela RBS entramos em contato com a Procuradoria Geral da República no estado solicitando uma ação de quebra de monopólio”, revela Lunge. De acordo com ele, o material ainda está sendo analisado antes de tramitar juridicamente. “Trata-se do primeiro processo deste tipo no Brasil, e esperamos que haja uma decisão favorável.”

Na visão de Cardoso, a acusação não tem validade. “O Grupo RBS possui quatro jornais diários em Santa Catarina de um total de mais de 40 jornais diários em circulação”, alega.

A RBS é o maior grupo de comunicação multiregional do Brasil, reunindo, entre outros produtos, 18 emissoras de televisão aberta e duas comunitárias, oito jornais diários, 26 emissoras de rádio, dois portais de internet, uma editora e uma gravadora. Com atuação principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, também possui escritórios comerciais e sucursais nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Somente em 2006, apenas as emissoras de TV do grupo somaram um lucro líquido de R$ 85 milhões, representando um aumento de 31% em comparação ao balanço de 2005. Já os veículos diários impressos da rede registraram lucro de R$ 23 milhões no mesmo período.