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FOX é multada em US$ 91 mil por exibir cenas de sexo em reality show

Devido a um episódio do reality show 'Married by America', de 2003, que mostrou cenas de sexo durante festas realizadas com o objetivo de aproximar homens e mulheres solteiros, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos multou 13 afiliadas da rede TV Fox.

O programa, que durou apenas seis episódios, tinha um elenco de solteiros e permitia que os telespectadores escolhessem os casais que seriam formados. A Fox alega que as imagens consideradas ofensivas apareceram por apenas 10,5 segundos. No entanto, a comissão afirma que as cenas envolviam a realização de atividades sexuais.

A Comissão havia proposto uma multa de US$ 1,2 milhão contra 169 emissoras que exibiram o programa na época. Na última sexta-feira (22), contudo, ela emitiu uma ordem dizendo que só iria multar as emissoras nos locais onde recebeu reclamações, diminuindo o prejuízo para US$ 91 mil em multas.

'Embora seios e nádegas femininos estivessem embaçados digitalmente, a FCC jamais disse que apenas a exposição completa de órgãos sexuais ou excretores seria necessária para violar o padrão de decência', diz a ordem da FCC.

A internet mais rápida e mais barata do planeta

A velocidade incrível, que permite que se baixe um DVD inteiro em cerca de 5 minutos, é apenas um dos fatores que fazem da Coréia o país mais conectado do planeta.

“A internet aqui é tão importante quanto a eletricidade”, conta o vendedor Choi Jin Siek, de 32 anos. “Muito apartamento novo já tem conexão de fibra óptica. Não dá para viver sem a web porque todo o nosso mundo está lá.”

O governo sul-coreano apostou pesado na tecnologia para espantar a crise econômica que tomou conta da Ásia no final dos anos 1990. Investiu US$ 24 bilhões em infra-estrutura de rede e hoje consegue oferecer para qualquer pessoa conexões absurdamente velozes por menos de US$ 20 (R$ 34) por mês. Sem limite de downloads. Cerca de 90% da população está plugada na banda larga.

Hoje, conexões de 50Mb/s e 100 Mb/s são normais nas casas. No Brasil, a conexão mais rápida é de 8 Mb/s, mas poucos têm acesso a ela. Em Seul, em breve a velocidade chegará a 1Gb/s (gigabit por segundo), quase um quinto da impressionante velocidade da conexão oferecida na Campus Party Brasil há cerca de duas semanas.

Essa aposta na internet não poderia ser mais acertada. Toda uma nova cultura digital está se desenvolvendo graças a essa iniciativa, e é essa cultura que coloca a Coréia no topo do mundo digital.

Muito antes de Orkut, FaceBook e MySpace, a Coréia já tinha seu site multimídia de rede social. O Cyworld, criado em 1999, reúne 43% da população do país. O site tem ainda mais peso do que o Orkut tem no Brasil.

A sacada do Cyworld em relação aos outros sites de rede social é a forma como outros produtos são oferecidos. Fazer uma página pessoal é grátis, mas adicionar novos recursos, como músicas personalizadas, vídeos de artistas ou gráficos mais bonitos custa dinheiro. São microtransações, de baixo valor. Uma música, por exemplo, custa US$ 0,50. Mas apenas essas músicas já movimentaram dentro do Cyworld mais de US$ 100 milhões.

Esse modelo de negócios da web é a base de muitos serviços online na Coréia, inclusive os games online. Tudo é gratuito para quem quiser a experiência básica, mas uma experiência mais elaborada é cobrada.

Nos games online, é normal comprar itens que aumentam o poder dos personagens ou modificam o visual, como uma roupa ou um adereço.

O Messenger, que no Brasil é o programa de mensagens instantâneas mais usado, quase não tem vez aqui. O NateOn Messenger domina. Integrado ao Cyworld, o pequeno programa também serve como uma espécie de leitor de RSS, que avisa quando os contatos atualizaram suas páginas pessoais.

O Google praticamente não tem importância para o internauta coreano. Quando precisa de uma informação, ele segue direto para o Naver, o maior site de busca da Coréia. O grande diferencial em relação aos outros mecanismos de busca é a forma como a informação é tratada. A grande sacada do Naver foi, em 2002, permitir que os usuários alimentassem a base de dados do buscador de forma colaborativa.

É como se o Google fosse fundido com a Wikipédia. O resultado foi a criação de uma comunidade em torno do buscador. Como o sistema é baseado nas pessoas, e não em algoritmos de busca, o resultado sempre é satisfatório.

O web designer Park Soo, de 21 anos, só usa o Naver em suas buscas. “Quando procuro por restaurantes na área onde moro, em vez de um script automático me mostrar o resultado, eu vejo essa informação e a recomendação pessoal de várias pessoas, que endossam ou não a informação que o sistema me oferece. O Google não tem nada parecido”, conta.

Outra mostra da força do meio digital na Coréia é a forma como conteúdo multimídia é vendido.

Enquanto no Ocidente a venda digital de músicas não passa de 10% do total, na Coréia, mais de 57% das canções já são vendidas digitalmente.

Conteúdos criados pelos usuários movimentam a rede. Vídeos, wikisites, textos e músicas podem até render dinheiro. Quanto maior a visibilidade e relevância do conteúdo, mais dinheiro pode render.

O acesso à web também possibilitou que a população tivesse muito mais acesso à informação e papel mais ativo na vida política do país (leia mais na página 9). Ao mesmo tempo, o governo investiu pesado na digitalização dos serviços públicos.

Em vez de obrigar os cidadãos coreanos a perder horas de trabalho em filas e burocracia desnecessária, houve um maciço esforço para a digitalização dos serviços públicos.

Com mais informações online, o governo procura baixar custos e otimizar processos, além de barrar a corrupção.

Para acusado roubar conexão, ‘gato velox’ é apenas ‘quebra de contrato’

O técnico em informática Bruno de Assumpção, 25, preso há um mês e que responde em liberdade a processo por vender o 'gato velox', disse que a distribuição de conexão de internet é uma 'quebra de contrato', e não 'fraude ou roubo'.

Delegados assumem que a prática é de difícil tipificação, mas, segundo o delegado Rodolfo Waldeck, 'pode ser caracterizado como furto'. Assumpção responde pela acusação de 'desenvolver clandestinamente atividades de comunicações' e estelionato.

Ele afirmou que aprendeu a montar a rede em pesquisas na internet e com cursos técnicos.

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Folha – Você fez um 'gato'?
Bruno de Assumpção – Não conheço o serviço como gato, pois é pago para a Velox. Na realidade é uma quebra de contrato, não é uma fraude ou roubo. Gato é gato de energia, que não tem contrato nenhum; engata na rede de energia e liga sem pagar. Com o Velox, você paga, tem contrato, só que, geralmente, é quebra de contrato, pois nele diz que é só para consumo próprio.

Folha – Por que montou a lan house dessa forma?
Assumpção – Estava desempregado e decidi montar uma lan house em razão da disponibilidade que eu tenho. Trabalho no ramo, com rede doméstica, sem fio. Mas fui um pouco inocente quanto ao serviço de internet. Comprei todos os equipamentos com empréstimos, mas, quando fui tentar obter o serviço de internet, soube que era impossível no meu bairro. A solução foi a rede sem fio.

Folha – Quanto você gastou?
Assumpção – Uns R$ 12 mil.

Folha – Como você aprendeu a trabalhar no ramo?
Assumpção – [Conexão sem fio] eu pesquisei na internet e por consultas de um técnico.

 

Engajados usam Orkut para falar de assuntos sérios

Não muito interessados em vasculhar a vida de ex-namorados, de paqueras ou de pessoas de quem não gostam, práticas comuns para quem têm um perfil no Orkut, muita gente decidiu fazer da rede de relacionamentos um meio para mostrar idéias. E, mais: colocar em prática, em casa ou no cotidiano, as opiniões que são trocadas nelas.

Durante a greve das universidades públicas de São Paulo do ano passado, por exemplo, o estudante de jornalismo da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) Alberto Silva Cerri, 21, além de criar um blog, o 'Greve não é Férias' , no qual informava sobre o andamento do movimento estudantil, resolveu também fazer uma comunidade no Orkut do tema.

Para ele, iniciativas como essa livram as pessoas das informações oficiais, provenientes da TV, dos jornais ou do rádio. 'Nós fazemos a comunicação e discutimos os pontos de vista.'

Participante de uma série de comunidades 'engajadas', como as 'Movimento Fora Renan Calheiros', 'Não ao Voto Obrigatório' e 'Pela Legalização do Aborto', a estudante Elisângela Marquine de Souza acredita que os debates no mundo virtual ficam mais interessantes quando surgem opiniões divergentes.

'Isso nos faz refletir sobre as nossas, buscar fundamentar o que pensamos, gerando um grande aprendizado.'

Já o estudante de diplomacia André (ele não autorizou a divulgação de seu sobrenome), 22, que atualmente mora em Israel, viu no Orkut uma oportunidade de esclarecer alguns pontos dos conflitos do Oriente Médio. 'No Orkut, eu percebia comunidades divulgando informações erradas sobre o confronto entre judeus e palestinos. Por isso, resolvi contar as minhas versões sobre o que ocorre naquela região.'

No entanto, visto que essa discussão reacende paixões dos dois lados, André foi excluído de comunidades ao defender atitudes do governo israelense.

A estudante Marilize Silva Bentes, 20, de Paraíba, pensa ser reconhecida de alguma forma pela sua iniciativa em criar a comunidade 'Brasileiro Precisa Ler Mais'. Com cerca de 8.000 participantes, há discussões sobre a falta de hábito de leitura no país. No momento, Bentes tem idéias para, na prática, acabar com essa realidade. Tomara que ela consiga.

Visita ao maior veículo de jornalismo colaborativo, na Coréia

Disseminação da web e conservadorismo dos jornais fazem brotar na Coréia o maior veículo cidadão do mundo.

Quando o Link chega ao OhMyNews, situado em uma área nobre de Seul, 65 jornalistas estão compenetrados diante de seus PCs. Parece uma redação como tantas outras, mas a sensação de ‘mais do mesmo’ muda assim que o cordial diretor de comunicação, Jean K. Min, começa a conversar com a reportagem. “Aqui publicamos as informações que as pessoas comuns nos passam”, explica.

O intrigante OhMyNews ganhou espaço em tudo quanto é veículo de comunicação do mundo, do The New York Times ao The Guardian, por um motivo: quem faz o jornal não são jornalistas, mas testemunhas oculares – ou repórteres cidadãos – espalhados mundo afora. Se na redação há pouco mais de meia centena de jornalistas, nas ruas há 60 mil “colaboradores” que enviam textos via web e, se o material for publicado, ainda levam uma graninha.

O OhMyNews é o precursor e maior expoente mundial do fenômeno do jornalismo cidadão, espalhado hoje por sites como Digg e WikiNews e em canais virtuais criados por jornais para estimular a participação do público.

Fundado em 2000, o endereço www.ohmynews.com é visitado por 700 mil coreanos diariamente. Não chega a bater a imprensa tradicional como o maior jornal local, The Chosun Ilbo, com 2,3 milhões de leitores, mas é um dos principais sites de notícias do país e se diferencia pela independência.

O slogan “cada cidadão é um repórter” resume a filosofia de que qualquer pessoa que estiver no lugar certo e na hora certa de um determinado acontecimento pode, com o auxílio da tecnologia, registrar o fato e divulgá-lo. Segundo Min, o OhMyNews com freqüência consegue ser um contraponto ao que é publicado pelas mídias de massa.

“Na sociedade moderna as corporações têm interesses próprios, que às vezes se refletem na forma como publicam as notícias. O controle está nas mãos de poucos, o que exclui a população do processo”, afirma. “O OhMyNews busca justamente dar a oportunidade para que a voz de todos seja ouvida.”

Para entender melhor as declarações de Min, vale fazer um retrospecto da história sul-coreana. Até 1987, e por mais de 25 anos, a Coréia do Sul viveu sob uma ditadura militar que instituiu a censura na imprensa. Após 1987, mesmo com o fim da censura oficial, diversos veículos locais mantiveram laços com o governo e seguiram praticando um jornalismo “chapa branca”, em que fatos de interesse público, mas que poderiam comprometer membros do poder, não são devidamente divulgados.

Desse cenário de conservadorismo surgiu o OhMyNews. “Junte a alta conectividade da população ao fato de ela, com poder crítico elevado, estar cansada de ver a mídia ignorar assuntos importantes e temos a receita do sucesso do OhMyNews”, explica a pesquisadora brasileira Ana Maria Brambilla, que é repórter cidadã e fez o seu projeto de mestrado sobre o site coreano.

Uma amostra dessa independência ocorreu nas eleições presidenciais de 2002. Enquanto a maioria dos jornais alinhou-se ao governo, defendendo o candidato da situação, o OhMyNews noticiava a ascendência de Roh Moo-hyun, tido como irrelevante pela grande imprensa. Moo-hyun acabou eleito e concedeu a sua primeira entrevista justamente ao OhMyNews, o que trouxe prestígio ao site.

E dá para confiar em notícias enviadas por “qualquer” pessoa? Ana Maria diz que sim: “Todas as notícias são checadas pelos jornalistas da redação. É para isso que eles estão lá.” Esses mesmos jornalistas escrevem cerca de 20% do que vai ao ar no site: são reportagens sobre assuntos importantes, mas que não foram tratados em textos enviados por colaboradores.

Nem todo o material é aproveitado. E, quando é, nem sempre o internauta é pago por isso. Mas, se a notícia vai parar na página principal do site, ele pode ganhar até US$ 55. O valor é baseado na reputação de quem envia, na qualidade do texto e em sua repercussão.

“A quantia é simbólica, mas descobrimos que pode ser muito dinheiro em alguns países”, diz Min. “Em Camarões um repórter cidadão abandonou seu emprego para se dedicar ao OhMyNews. Ele manda matérias muito boas. Em seis meses ganhou mais de US$ 400. É uma soma de dinheiro substancial por lá.”

Para bancar a remuneração dos colaboradores e os custos da estrutura da redação, o OhMyNews conta com uma fonte de recursos bem tradicional: publicidade. “O jornal é bancado por investidores e alguns anunciantes”, diz Min. “Atualmente o negócio é totalmente sustentável. As maiores empresas da Coréia do Sul anunciam conosco, pois enxergam o poder do nosso meio.”

O sucesso comercial e de público do OhMyNews rendeu frutos. Além do site, há uma versão impressa, distribuída semanalmente na Coréia, com tiragem de 150 mil exemplares. Também há versões do site em inglês e japonês – embora esse último não tenha feito sucesso – e planos de lançar um endereço só para a Europa. Foi montada ainda uma escola de jornalismo colaborativo, que ensina técnicas de mídia cidadã.

O êxito chamou a atenção de veículos de outros países. Sites como MyNews (www.mynews.in), da Índia, e Orato (www.orato.com), dos EUA, inspiraram-se no site coreano. Mesmo em veículos tradicionais espalham-se ferramentas de contribuição.

O Estadão tem o FotoRepórter, por meio do qual qualquer internauta pode enviar fotos com interesse jornalístico para a redação, com chance de ser publicada e remunerada.

Jornais como The Guardian, El País e O Globo aceitam contribuições em texto, assim como portais como os da CNN, BBC, Terra e IG, entre outros.

E pensar que tudo começou na Coréia do Sul.