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Candidata de Porto Alegre consegue liberação de página do Orkut

Na última quarta-feira (23), o juiz da 1ª zona eleitoral de Porto Alegre, Ricardo Hermann, voltou atrás e suspendeu a liminar – que ele mesmo concedeu – determinando que a deputada federal do PCdoB e candidata à Prefeitura da cidade, Manuela D'Ávila, retirasse uma comunidade do Orkut e um vídeo do YouTube. O magistrado a liberou da responsabilidade pelo material veiculado na web.

Segundo o juiz, não há evidências de favorecimento da candidata e do seu conhecimento prévio sobre o conteúdo das páginas, além disso, não houve comprovação de que a origem do material fosse o partido ou a própria candidata. Hermann afirma que a propaganda eleitoral na internet tem peculiaridades que a distinguem dos meios tradicionais.

Na decisão, o juiz afirma que "o potencial anonimato na internet faz com que não se possa equiparar o conhecimento, ou seja, a cientificação da existência de propaganda irregular nesse meio com o consentimento de que ela seja produzida, como ocorre no que tange à propaganda eleitoral de rua".

O magistrado menciona, ainda, que a retirada dessas páginas da rede não se encontra ao alcance do candidato ou dos partidos e acrescenta que, para julgar e decidir sobre propaganda eleitoral na web, as denúncias devem apresentar provas sobre a participação do candidato.

Com informações da Reuters

Operadoras começam a sentir o impacto de VoIP nas suas receitas

Apesar de afirmarem que VoIP ainda não é um entrave nas suas operações, estudos de mercado começam a mostrar que as concessionárias tradicionais de telefonia estão, sim, começando a sentir o reflexo da adoção da tecnologia pelos consumidores.

Em  2007, o faturamento do segmento de VoIP ficou em US$ 72,6 milhões na América Latina. Para 2012, o crescimento da receita deverá ser superior a 700% e passar para US$ 625,9 milhões, revela estudo realizado pela consultoria Frost & Sullivan.

No levantamento, batizado de "VoIP na América Latina 2008", a consultoria destaca que as  operadoras tradicionais de telefonia local e de longa distância enfrentam a crescente competição com os serviços de voz sobre IP, que vêm se popularizando devido a seu baixo custo e ao aumento do uso de banda larga e triple-play.

No entanto, observa o estudo, para elevar a tecnologia VoIP a um próximo nível, os provedores de serviços VoIP e VoIP wireless (WVoiP – Wireless Voice over Internet Protocol) precisam garantir eficiência operacional e qualidade de serviço, além de distribuição abragente e promoção de estratégias.

"O crescimento do VoIP e da telefonia IP é um dos principais fatores para a queda de 2,8% por ano no faturamento de ligações locais e de 7,9% no de ligações de longa distância no Brasil durante os próximos seis anos", observa José Roberto Mavignier, analista de Indústria da Frost & Sullivan. "Avaliando as respostas do consumidor final, a redução de custos foi o fator mais relevante apontado para o crescimento do uso de VoIP no Brasil", completa.

Como os consumidores e as empresas da América Latina confiam na comunicação de voz e são sensíveis a preço, tecnologias convergentes como VoIP, telefonia IP e ofertas Fixo-Móvel estão ganhando mercado, reduzindo assim o faturamento das operadoras na região. Além disso, uma nova geração de provedores como as empresas de Internet, TV a cabo e operadoras-espelho com novos modelos de negócios estão lançando produtos que substituem os serviços tradicionais de voz.

Os percalços a serem superados

O levantamento da Frost & Sullivan enumera itens que precisam ser trabalhados na área de VoIP. Entre eles, destacam-se a falta de uma regulamentação; o pouco conhecimento dos usuários, a baixa qualidade das ligações e o quase inexistente esforço pré-venda ainda torna difícil para os provedores VoIP aumentar sua participação na receita de serviços de voz na América Latina.

"Proporcionar um melhor entendimento dos aspectos técnicos e operacionais aos clientes e um eficiente suporte de pré-venda com pontos de venda físicos, atendimento ao assinante e novos serviços serão cruciais para tornar o VoIP mais atrativo ao mercado latino-americano", diz Mavignier, acrescentando que, "além disso, a qualidade das ligações precisa ser perfeita para atrair e fidelizar os usuários de telefones fixos".

Embora seja difícil para os menores provedores de VoIP competir com as grandes incumbents, eles terão sucesso se combinarem a agilidade de suas pequenas operações com estratégias inovadoras de negócios, que devem ajudá-los a dar esse passo à frente.

Tais estratégias podem incluir parcerias com as principais lojas para venda de equipamentos e serviços, campanhas de marketing direto e pela Internet e alianças com provedores de vários serviços. Com a chegada dos serviços ADSL 2+ na região, que são suportados por conexões de 10, 20, 30 até 60 MB, os fatores técnicos poderão ser facilmente resolvidos no futuro.

O estudo VoIP na América Latina 2008 é parte do programa do Serviço de Parceria para o Crescimento do setor de Serviços de Comunicação, que também inclui pesquisas nos mercados de banda larga, wireless VoIP, e serviços de telefonia local e longa distância. Todos os serviços de pesquisas incluídos nas assinaturas fornecem oportunidades detalhadas de mercado e tendências da indústria avaliadas após a realização de amplas entrevistas com os atores do mercado.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Frost & Sullivan

Animação terá mecanismos de financiamento próprios

Mais uma vez, o Anima Forum, evento que acontece nos dias 24 e 25 de julho, em São Paulo, como parte do festival de animação Anima Mundi, traz boas notícias para os produtores brasileiros. Assim como em 2007, quando o BNDES anunciou uma linha de financiamento do Procult exclusiva para séries de animação com contratos de co-produção internacional, em 2008 o Anima Forum foi palco para a apresentação de novos mecanismos e projetos voltados para o gênero.

Foram apresentados programas que estão em andamento no Ministério da Cultura, no âmbito da Secretaria do Audiovisual e da Agência Nacional do Cinema. O diretor da Ancine Sérgio Sá Leitão apresentou durante painel nesta quinta-feira, 24, o projeto de realização de um "cluster" de animação, nos mesmos moldes do Porto Digital de Recife ("projeto de desenvolvimento econômico que agrega investimentos públicos, iniciativa privada e universidades, compondo um sistema local de inovação", segundo o site oficial). Ele explicou brevemente que a iniciativa aconteceria entre o poder público (federal, estadual e municipal) e a iniciativa privada, por meio das associações das empresas. A idéia é a constituição de um pólo produtor de animação, com infra-estrutura e espaço de formação e capacitação. Essa "fábrica de animação" seria acessada pelos bureaus com o objetivo de reduzir custos e potencializar a atividade. "O investimento para esse pólo deve ser proveniente do Fundo Setorial do Audiovisual", contou Sá Leitão.

Fundo Setorial do Audiovisual

Ele também deu alguns detalhes sobre o Fundo Setorial, que deve ser lançado no final de agosto ou começo de setembro. Sá Leitão disse que o fundo deve ter três linhas: uma para produção de cinema, outra para produção de conteúdo de televisão e uma para distribuição. As duas primeiras podem ser usadas também para produções de animação. "Não podemos trabalhar em cima de um dos elos da cadeia. É preciso ter visão de conjunto", disse o diretor. "Existem várias iniciativas, mas precisamos formular e aplicar uma política de desenvolvimento da animação brasileira", afirmou.

Ele também mencionou um programa especial de fomento para animação deve ser finalizado nas próximas semanas. Ele contará com edital público e veiculação garantida, já que trata de uma parceria com emissoras de televisão.

Planos da SAV

Além da Ancine, Gustavo Dahl, em nome do diretor de audiovisual da Secretaria do Audiovisual, Paulo Alcoforado, apresentou os planos da SAV de uma política nacional de animação, que deve ser apresentado ao secretário executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, na próxima segunda-feira, dia 28. Fazem parte dessa política programas como o Anima TV, sistema de capacitação, produção e distribuição de séries de animação voltadas ao público infanto-juvenil, por uma rede de TVs públicas e educativas. Esse programa baseia-se nos moldes do DocTV.

Além do Anima TV, a proposta inclui o Anima TV para séries de animação adulta – programa que envolveria tanto emissoras públicas quanto privadas -; um projeto bilateral Brasil-Argentina, nos mesmos moldes do Anima TV; e o programa Mais Cultura, para a co-produção de séries de animação para a TV Cultura e a TV Brasil. Dahl falou ainda sobre o programa especial de fomento Imagens do Brasil, que compete à Ancine e à TV Brasil e que já foi apresentado pela agência e pelo canal no Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, que aconteceu em junho, em São Paulo.

Também participaram do painel Eliana Russi, da Brazilian TV Producers; Mayra Luccas, da Glaz Cinema; e Luis André Sá D'Oliveira, do BNDES. 

Ministério Público entrega relatório sobre a morte do jornalista Luiz Carlos Barbon

O assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, ocorrido em seis de maio do ano passado, na cidade de Porto Ferreira (SP), já tem concluída sua investigação. O promotor Gaspar Pereira Silva Júnior, do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), de Campinas (SP), encaminhou seu relatório final ao Fórum da cidade, no qual aponta cinco pessoas envolvidas no caso. Quatro delas pertencem à Polícia Militar (PM). O quinto envolvido é um comerciante local.

Caso a tese do promotor não seja contestada por nenhuma das partes, o caso será levado à Justiça, que vai decidir se os suspeitos do crime irão a júri popular. Ricardo Ramos, advogado da família de Barbon, que atua como assistente da acusação, deve entregar sua peça na próxima quinta-feira (23). Na seqüência, é aberto o prazo para que a defesa faça suas considerações. A previsão é de que em no máximo 20 dias seja divulgada a decisão do juiz.

De acordo com as investigações do Ministério Público, a motivação para o crime seria denúncias que o jornalista vinha fazendo sobre negligência dos policiais na fiscalização do comércio clandestino de cigarros contrabandeados. O processo corre em segredo de Justiça e todos os suspeitos estão presos.

Entenda o caso

O jornalista Luiz Carlos Barbon foi executado em seis de maio, aos 37 anos, com dois tiros a queima-roupa, enquanto conversava com amigos no "Bar das Araras", localizado na cidade de Porto Ferreira, interior de São Paulo. Barbon colaborava com o Jornal do Porto e o JC Regional, e era conhecido pelas denúncias que publicava.

Em 2003, o Barbon chegou às finais da "Categoria Regional", do Prêmio Esso de Jornalismo", em razão de matéria que denunciava a participação de políticos e empresários da cidade de Porto Ferreira (SP) no aliciamento de menores.

Clique aqui e leia o que já foi publicado sobre o "Caso Barbon".

Pesquisa expõe demora nos processos de autorização

Divulgado no final do ano passado, o Aviso de Habilitação 06/2007 para inscrição de entidades interessadas em executar serviço de radiodifusão comunitária em 950 localidades encerrou-se no dia 3 de março. O prazo de inscrição, estendido por duas vezes, completou noventa dias e teve a adesão de 751 entidades em 25 estados do país. Uma observação atenta dos números divulgados pelo Ministério das Comunicações revela, contudo, não apenas o mapa de distribuição da demanda por emissoras comunitárias pelo Brasil, mas também e especialmente a lentidão dos processos.

Levantamento realizado pelo Observatório do Direito à Comunicação demonstra que uma em cada quatro das solicitações registradas neste processo de habilitação está há mais de 5 anos tramitando dentro do ministério. Alguns dos processos registrados pelo ministério na lista das entidades inscritas têm data, inclusive, anterior à aprovação da Lei da Radiodifusão Comunitária (9.612) em 1998.

Para o Aviso 06/2007, divulgado em 4 de dezembro de 2007, o Ministério das Comunicações considerou automaticamente incluídas no processos as entidades que já requeriam autorização em alguma das localidades atendidas pelo aviso. As associações nesta situação somaram 414, ou 55% do total de entidades inscrita. As demais (45%) estão registradas com data de 2008, sendo resultado direto da abertura do processo de legalização.

Os 337 processos iniciados em 2008 representam um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. De 1998 a 2007, a média de entidades requerentes ficava em torno de 37 por ano, com um aumento significativo nos dois últimos.

Entre 1998 e 2000, o levantamento feito pelo Observatório aponta 97 processos sem conclusão até a data presente. O tempo de espera de muitas associações chega há 10 anos.

Um elemento importante para a demora na condução dos processos é, certamente, o alto grau de burocracia presente nas instâncias governamentais, aliado à defasada estrutura do Ministério das Comunicações, abarrotado de processos para poucos funcionários administrarem.

Restrição à liberdade de expressão

Sensível à questão da lentidão dos órgãos competentes, a Justiça Federal do Piauí deferiu liminar proposta pelo Ministério Público Federal daquele estado e deu prazo máximo de 120 dias para que o Ministério das Comunicações aprecie os pedidos de autorização para a exploração dos serviços de radiodifusão, formulados pelas associações comunitárias do Piauí, pendentes há mais de 18 meses.

A ação civil pública movida pelo procurador da República Kelston Pinheiro Lages contra a União escancara justamente a incapacidade do ministério de encaminhar os processos, o que, segundo a argumentação do MPF/PI, impede o exercício da liberdade de expressão e comunicação, assegurados pela Constituição Federal.

Ação semelhante foi movida pelo Ministério Público no Maranhão. Lá, a Justiça Federal determinou prazo de 45 dias para a solução dos problemas.

“A Ação Civil Pública no Piauí vem pra fazer justiça. As associações vêm cumprindo o que a péssima lei solicita, mas a própria burocracia não cumpre o que está previsto na lei”, afirma Sofia Hammoe, da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc). “Tanto que várias associações estão esperando um parecer a 10 anos”, continua.

Para ela, as rádios comunitárias são os únicos meios para que uma comunidade possa colocar sua “visão de mundo” em evidência e, portanto, se a burocracia é ineficiente, este direito está sendo cerceado.

É o que também acredita Paula Martins, da ONG Artigo 19, associação internacional que trabalha na defesa da liberdade de expressão. Para ela, seguindo os padrões internacionais, as obrigações do Estado brasileiro estão bastante aquém da necessária garantia dos direitos humanos. “Existe uma clara violação por parte do Estado, que aparenta ser proposital”, afirma.

Paula explica que existe uma situação geral de manutenção de irregularidades, pois não parece ser do interesse do ministério resolver a questão das rádios comunitárias. “A comunicação comunitária não é uma prioridade para o governo.” Além disso, os trâmites legislativos são tantos que criam uma ambiente de situações desnecessárias.

O ministro das Comunicações Hélio Costa admite que existe uma defasagem em seu quadro de funcionários. Para amenizar o problema, criou-se uma força-tarefa para agilizar a análise dos processos. “Temos que reconhecer o esforço, mas isso deveria ter sido feito há muito tempo, e foi pouco”, diz Sofia. A coordenadora da Amarc ainda lembra que existem processos que acabam seguindo critérios diferentes, ou seja, aqueles que tem políticos e igrejas envolvidas. “Sabemos que existem autorizações que saem rapidinho.”