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Candidatos querem cidades digitais

Se depender das propostas dos candidatos às eleições municipais de 2008, São Paulo se tornará uma ilha digital, em que a população acessa a internet sem fio em qualquer ponto da cidade, as burocracias dos serviços públicos são resolvidas em apenas alguns cliques e os telecentros funcionam em horário ampliado e podem ser usados como se fossem o computador de casa, sem limitações a sites como o Orkut.

Marta Suplicy (PT) prometeu, na semana passada, cobrir toda a cidade com internet sem fio em um prazo de quatro anos -o comando da campanha reconheceu que a universalização consumiria pelo menos oito anos, ou dois mandatos. O projeto, que custará R$ 64 milhões, prevê a instalação de antenas em 3.000 prédios públicos. "Para aqueles que não têm acesso a um computador, nossa idéia é investir nos telecentros, implantando novos e reequipando os existentes onde for necessário", disse Marta.

A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha, afirma: "Sou a favor de se implantarem redes sem fio pela cidade, mas sem esquecer das dimensões monstruosas do território e dos obstáculos físicos. Cobrir a cidade, sem que as pessoas paguem tarifa pelo uso, tem um impacto orçamentário que eu nem sei começar a imaginar", disse à Folha.

Soninha pretende ampliar cobertura on-line para desburocratizar serviços, instalar redes de Voip na administração para reduzir custos com telefonia, aumentar o número de computadores nas escolas e nas ruas, investir em mão de obra para manutenção e serviços de informática e espalhar micros pela cidade.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) pretende dar continuidade a iniciativas de sua gestão, como o SAC Eletrônico e o São Paulo Mais Fácil, que visam desburocratizar atividades. Também afirma que irá dobrar o número de telecentros na cidade -para 600 unidades-, tornando-os acessíveis a todos os cidadãos, "com um projeto de instalação de 159 softwares especiais de leitura, que possibilitarão aos deficientes visuais não apenas acesso à leitura, como também aos programas para a criação de planilha eletrônica, editor de textos e internet".

Geraldo Alckmin (PSDB) pretende "ofertar banda larga em todo o município como política pública, seja por redes de fibra óticas, por linhas telefônicas digitais, modems de TV a cabo, satélite e redes sem fio". O candidato afirma, ainda, que irá ampliar o uso de tecnologia na administração, para facilitar abertura e fechamento de empresas, obtenção de alvará de construção e licença de funcionamento, marcação de consultas médicas e fiscalização, entre outros.

No Rio de Janeiro, a candidata Jandira Feghali (PC do B) pretende integrar os serviços públicos, dar acesso à banda larga para o bairros, com pontos de habilitação ao uso do equipamento, integrar escolas à rede de ensino e pesquisa, além de dar incentivo fiscal e tributário para as empresas de base tecnológica.

O candidato Fernando Gabeira (PV) também ressalta a universalização da banda larga, além da criação de "infovia" entre órgãos da prefeitura, para integrar estruturas tributária, financeira e administrativa. Gabeira também pretende criar um sistema georreferenciado, para que a população receba sugestões ou solicite providências quando se deparar com um problema na cidade.

Em Recife, Mendonça (DEM) promete criar um documento com chip capaz de armazenar todas as informações necessárias à relação do cidadão com a prefeitura, como os dados biométricos para a saúde e a situação cadastral.

Emissoras insistem na escolha do Iboc como padrão digital

A escolha do padrão digital a ser adotado pelas rádios brasileiras pode estar próxima. As emissoras de rádio do país pretendem concluir até o dia 15 de outubro o relatório final sobre a bateria de testes feitos com os sistemas digitais disponíveis no mercado. E, como já era previsto, a conclusão das empresas é que o padrão Iboc é o mais adequado para o mercado brasileiro.

"Vamos defender a adoção do único sistema capaz de atender AM e FM. Não tem outro", informou o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Slaviero. A preferência pelo Iboc era flagrante desde o início dos testes. A maioria das empresas ganhou autorização da Anatel para testar este sistema, sendo que a alternativa européia, o DRM, foi testada na maior parte das vezes por universidades.

Slaviero negou que o Iboc tenha apresentado interferência na convivência com as transmissões analógicas. O alto índice de interferência encontrado em testes analisados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) teria levado a agência reguladora, no passado, a contestar os resultados apresentados por parte das rádios. Segundo Slaviero, o problema ocorreu em um caso específico, o da Rádio Cultura em São Paulo, mas não teria nenhuma relação com o uso do Iboc.

O presidente da Abert explicou que, por uma decisão da Justiça, uma outra rádio opera hoje muito próxima da faixa de freqüência designada para a Rádio Cultura. Essa seria a origem da interferência e não o sistema digital usado pela emissora. A Abert teria insistido em colocar a Cultura entre as emissoras de teste, mesmo com as interferências, por ela operar em AM e estar no centro de São Paulo, o que faz dela um bom termômetro de como o sistema se comporta em regiões de grande concentração.

Após a entrega do documento, ficará a cargo do governo decidir se adota ou não o Iboc. A escolha do padrão digital para rádios tem se arrastado nos últimos anos, o que coloca em risco o setor, na opinião de Daniel Slaviero. Para o presidente da Abert, a digitalização é uma "questão de sobrevivência" para as rádios AM e não pode ser mais protelada.

A associação também aguarda a decisão governamental para poder tratar de outro percalço na adoção do modelo: de onde sairá o dinheiro para a troca dos equipamentos. A estimativa é que a migração custará a cada emissora de rádio de US$ 80 mil a US$ 120 mil, valor muito alto para as pequenas emissoras. A esperança das rádios é que, após a escolha do padrão, o governo negocie a criação de linhas de financiamento e planos de desoneração tributária, aos moldes do que foi feito na digitalização das televisões.

Abert aponta padrão Iboc para rádio digital no Brasil

O segmento de radiodifusão vai entregar até o dia 15 de outubro ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, e para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, o relatório final dos testes realizados para adoção de padrão de rádio digital.

A informação foi anunciada pelo presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, nesta terça-feira, 23/09, durante coletiva à imprensa para apresentar a pesquisa do perfil sócio-econômico do serviço de rádio.

Segundo Slaviero, os dados estão sendo consolidados, mas por exclusão, o padrão que melhor se adaptou para transmissão de AM e FM foi o sistema norte-americano IBOC (In-Band-On-Channel). "Com base nos dados dos testes será possível para o Governo decidir qual será o padrão implementado no país", frisou.

Os testes aconteceram a partir de uma iniciativa que reuniu a Abert, o Minicom, a Anatel e o Instituto Mackenzie, de São Paulo. O diretor da Abert, Flavio Cavalcanti, enfatizou que não há no mundo outro padrão que, hoje, opere com qualidade as faixas de AM e FM.

Por sua vez, o presidente da entidade destacou que o custo para a implantação da tecnologia digital pelas rádios vai variar de US$ 80 mil a US$ 150 mil/ por emissora. "No primeiro momento isso é um custo relevante.A tendência natural é que esse valor caia ao longo do tempo, como já aconteceu nos Estados Unidos", exemplificou Slaviero.

Apesar de acreditar numa queda gradual do custo de adoção da tecnologia digital, a Abert vai trabalhar para que seja liberada uma linha de financiamento de crédito, capaz de viabilizar a migração num tempo mais curto das pequenas e médias emissoras."Depois da deliberação do governo quanto ao novo padrão, a Abert vai discutir a política de implantação, de desoneração fiscal e de financiamento", completou o presidente da entidade.

Programação tem pouco conteúdo educativo, informativo e cultural

A Constituição Federal estabelece em seu artigo 221 que “a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão preferencialmente a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, além de indicar como princípios a promoção da produção regional e independente. Entretanto, segundo pesquisa sobre o perfil sócio-econômico das rádios comerciais brasileiras divulgada nesta terça-feira (23) pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), o cumprimento desta diretriz constitucional pelas emissoras é baixo.

Segundo o estudo, nas estações FM os conteúdos jornalísticos e de utilidade pública ocupam, respectivamente, 9,3% e 4,8% do tempo. Do total de tempo gasto com utilidade pública, 60% é de mensagens de origem governamental de veiculação obrigatória. Em termos comparativos, os programas de variedades ocupam mais tempo do que os dois gêneros citados somados, representando 20% da grade. No levantamento, conteúdos educativos sequer são tratados como um gênero, dada sua baixíssima ocorrência nas grades das emissoras.

A música nacional tem participação de 37,5% no total de horas transmitidas, enquanto a estrangeira é veiculada em 17,8% da programação semanal. Se considerada a música como conteúdo artístico, o índice de atendimento das preferências previstas na Constituição subiria para 69,4%. No entanto, embora este estudo não traga os dados detalhados por gêneros musicais, pesquisas mais antigas mostram que a programação musical foca-se nas obras que freqüentam "as paradas de sucessos", apresentando pouca variedade.

No caso do AM, a presença do jornalismo e de mensagens de utilidade pública aumentam, respectivamente, para 17,5% e 7,8%. Mas a soma total dos conteúdos artísticos, culturais, informativos e educativos, considerando as horas ocupadas com música nacional e estrangeira – 21% e 3,3% -, chegam apenas a 49,6% das horas transmitidas. Destacam-se entre os itens fora das preferências constitucionais no AM os gêneros variedades (24,2%), religioso (14,4%) e esporte (9,3%). Também nesta faixa de freqüência não aparece qualquer menção ao gênero educativo.

Questionado pelo Observatório do Direito à Comunicação sobre o fato, o presidente da Abert, Daniel Slaviero, considerou o patamar de conteúdos de utilidade pública e jornalismo “razoável”. Ele anunciou que a pesquisa servirá como subsídio para combater no Congresso Nacional projetos de lei que prevêem a obrigatoriedade de veiculação de determinados tipos de conteúdos, como programas de caráter ambiental ou informações sobre repasses dos governos federal e estadual aos municípios.

Faturamento maior

Outra disputa para a qual os radiodifusores usarão os subsídios da pesquisa será a da regulação da publicidade. “Os dados vão subsidiar trabalho da Abert no Legislativo e no Executivo com relação aos projetos que restringem a publicidade”, disse Slaviero. O estudo confirmou que esta é a principal fonte de receitas das emissoras, representando 89,2% das verbas arrecadadas, sendo 58,2% de anúncios vendidos via agência e 31% comercializados diretamente.

Reiterando informação conhecida no setor, a pesquisa revelou que o faturamento das rádios é maior do que se estimava: atingiu R$ 1,67 bilhão em 2007. A fonte com maior referência na área, o Projeto Intermeios, havia registrado um total de rendimentos de R$ 767 milhões no mesmo ano. “É a primeira vez que vemos o real tamanho do faturamento, surpreendeu pelo volume e pelo crescimento em relação à base do Intermeios.”

O principal anunciante é o comércio varejista, responsável por 45% das receitas das emissoras. O Estado é o segundo maior financiador das estações, originando 17,8% das verbas arrecadadas, sendo 6,7% de governos estaduais, 6,2% de governos municipais e 4,9% do governo federal. Em seguida vêm setores como telecomunicações (8,2%), bancos (6,6%), perfumaria e farmácia (7%) e educação (4,4%).

Os dados foram obtidos a partir da consolidação de questionários respondidos por 917 das 1.556 emissoras contatadas pela equipe da Fundação Getúlio Vargas, que executou a pesquisa. Embora haja 3 mil rádios cadastradas no Sistema de Controle de Radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o coordenador do estudo, Márcio Lago Couto considerou a amostra representativa do setor.

Pesquisa mostra que mais de 70% dos brasileiros são a favor do diploma de jornalismo

Uma pesquisa de opinião nacional realizada pela FENAJ/Sensus divulgou um dado alentador para a maioria dos jornalistas que defendem o diploma e a regulamentação da profissão: dos dois mil entrevistados, 74,3% se disseram a favor do certificado.

Divulgada na última segunda-feira (22), a pesquisa foi realizada entre 15 e 19 de setembro, em 24 estados das cinco regiões brasileiras, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de cerca de 3%.

Apenas 13,9% dos entrevistados se mostraram contra o título profissional e 11,7% não souberam ou não responderam. Para Sergio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), "esses números da pesquisa mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o país e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".

Ele espera que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que votarão a exigência do diploma, reconheçam os desejos da população e entendam que "o  jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".

"Notícia precisa de jornalista", diz professor

José Coelho Sobrinho, professor de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), afirmou ao Portal Imprensa que é um defensor do diploma. "É evidente que hoje, com a possibilidade das pessoas se comunicarem a um custo baixo, transformando qualquer informação em formato de notícia, é importante que haja um valor agregado, que é o do jornalismo. Quanto mais as pessoas têm facilidade de conseguir a informação, mais a notícia precisa de um jornalista".

Além disso, Coelho disse que "o jornalista tem o sagrado dever de ajudar" quem não tem acesso aos meios de comunicação democratizados, como a Internet. "É um compromisso ético com a sociedade. Defendo que o jornalista esteja nas escolas, sempre defendo nossa áera. Acredito em uma leitura correta do jornalismo", declarou o professor.

"Diploma é mercado garantido para universidades", afirma Marcelo Soares

Marcelo Soares, jornalista que já trabalhou como redator do caderno Brasil do jornal Folha de S.Paulo e atualmente faz freelancers para as revistas CartaCapital e Expressão, além de atuar em projetos paralelos – como a produção de livros e tradução de histórias em quadrinhos, declarou ao Portal IMPRENSA que a única coisa que assegura a obrigatoriedade do diploma é que haja mercado para as faculdades.

"Por princípio, melhores jornalistas são os que conhecem melhor o jornalismo, e a faculdade seria um lugar privilegiado para supostamente obter conhecimento", afirmou Soares. Entretanto, ele diz não saber se as faculdades brasileiras oferecem "o grau de profundidade e o conhecimento necessário em um momento em que o jornalismo está passando por tantas mudanças, no Brasil e no mundo".

Para ele, as faculdades em geral não estão preparadas para isso, mas o diploma continua sendo um mercado crescente e garantido. "Não existe receita para formar o jornalista, e é bom que não exista. As faculdades são necessárias para a profissão, mas precisam se fazer necessárias pelo que acrescentam aos seus alunos", declarou Soares.

Credibilidade estremecida

A Pesquisa FENAJ/Sensus também questionou o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.

A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. 42,7% dos entrevistados disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.