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Candidato à Prefeitura do RJ recorre ao TSE para ser entrevistado pela Globo

Paulo Ramos, candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PDT, afirmou nesta quarta-feira (1º/10) que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ser entrevistado pelos telejornais "RJTV 1" e "2", da TV Globo.

A ação ocorreu porque a TV pretendia realizar um debate eleitoral no Rio de Janeiro com apenas os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas – o que só é permitido pela lei eleitoral se houver um acordo entre os candidatos.

De acordo com uma nota divulgada pela emissora na última terça-feira (30/09), "para que aqueles com menos densidade eleitoral abrissem mão do debate, a TV Globo ofereceu cobertura muito maior do que aquela a que fariam jus inicialmente, se apenas critérios jornalísticos fossem levados em conta".

No entanto, Paulo Ramos foi o único candidato a não aceitar o acordo, "apesar de ter se beneficiado do critério de cobertura proposto a todos os candidatos", diz o comunicado, o que impediu a realização do debate "com um número razoável de participantes".

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou ao candidato do PDT cinco minutos de participação no programa, contrariando a decisão do juíz da 8ª Zona Eleitoral, que lhe concedia o direito ao tempo de entrevista.

Segundo o JB Online, Ramos afirmou que "a Globo não é detentora do direito de imprensa. Ela estabelece aleatoriamente o que ela quer. Daqui a pouco não vai ter mais eleição. Basta o órgão de pesquisa entregar o resultado e dizer quem vai ganhar".

Sobre a nota divulgada pela emissora, atribuindo ao candidato a não realização do debate à Prefeitura do Rio, ele disse que "estão sepultando os debates. Pesquisa de opinião não é dado objetivo. Simplesmente quero o meu direito de participar democraticamente".

Candidatos dizem que Globo foi contra a lei ao propor debate

A tentativa de a Rede Globo realizar o debate com os prefeituráveis das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza sem a presença de todos os candidatos que têm representação na Câmara dos Deputados provocou a reação de quem não aderiu à proposta.

As assessorias de Ciro Moura (PTC), Ivan Valente (PSOL) e Renato Reichmann (PMN) dizem que a TV Globo quis ser contrária à lei.

“Nós exigimos que a Rede Globo cumprisse a lei. Cabe a ela provar que o debate seria mais proveitoso com apenas cinco candidatos e para quem”, afirmou a assessoria de Ciro Moura.

A Rede Globo, em nota à imprensa, argumentou que o cancelamento do debate se deu pela exigência de se convidar todos os candidatos que têm representação na Câmara dos Deputados e também por um melhor aproveitamento do debate. Confirmou o debate do segundo turno, para todas as capitais, em 24/10.

A assessoria de Ivan Valente diz que a Rede Globo também não deu mais espaço para o candidato, para compensar a ausência dele no debate. “A compensação foi antidemocrática”, disse. Argumentou, dizendo que o candidato teve menos espaço que os cinco primeiros colocados na pesquisa eleitoral, desde o começo, nas entrevistas e programas como Antena Paulista e Bom Dia São Paulo.

O candidato Renato Reichmann rebate a afirmação de que o debate seria mais proveitoso com cinco candidatos. “Duas das maiores emissoras concorrentes da TV Globo, TV Bandeirantes e TV Record, realizaram debates com os oito candidatos, com eficiência e organização, demonstrando que é perfeitamente possível efetuar-se o evento com esse número de participantes”.

Rio

Do Rio de Janeiro, o candidato Paulo Ramos (PDT) também afirma que a Rede Globo se utilizou de um “critério antidemocrático, afrontando a lei”. Teria dado, ainda, a idéia da realização de dois debates: com dois grupos, em dias seguidos. “A Globo não quis. Lamentavelmente os outros submissos aceitaram. A Globo intimida muito. Qualquer dia, para a Globo, não tem eleição”, disse o candidato.

Rede Globo

Nesta quarta (1o), a Rede Globo deu a seguinte resposta aos candidatos: “(A TV Globo) acrescenta apenas que a lei é clara: as emissoras devem convidar para debates todos os candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados ou com eles entrar num acordo se desejarem realizá-los com um número menor de participantes. Não havendo acordo, as emissoras não são obviamente obrigadas a realizar debates.”


Globo cancela debates em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba

A TV Globo vai cancelar o debate com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba. Talvez a cidade de São Luiz também fique de fora.

Em comunicado, a Rede Globo afirma que não conseguiu um acordo com os candidatos com pior colocação nas pesquisas e que têm representação na Câmara dos Deputados, para que desistam do debate.

O fato é que, pela Lei Eleitoral, qualquer emissora é obrigada a chamar todos os candidatos que têm representação na Câmara, mas a Globo queria fazer o debate com os mais bem classificados nas pesquisas. Seis, no caso do Rio, cinco, no caso de São Paulo. Nas demais cidades, o comunicado da Rede Globo não informa quantos candidatos estavam previstos.

“A imprensa deve cobrir o que é notícia, de forma livre e espontânea: aqueles que, ao longo do processo, ganham densidade eleitoral são mais bem cobertos, crescem nas pesquisas e asseguram um lugar nos debates. É assim a dinâmica no mundo democrático. É como deveria ser aqui também”, justifica a Rede Globo.

A emissora argumenta que, para que um acordo fosse feito, deu mais cobertura nas prévias eleitorais para os candidatos com menor visibilidade nas campanhas. “Esta cobertura já foi ao ar”, diz a Rede Globo.

“A experiência comprova que debates com mais de cinco não são proveitosos: o tempo destinado à discussão de cada assunto se torna exíguo demais, e o debate acaba simplesmente não acontecendo”.

No Rio, dos dez candidatos, um não assinou o acordo: Paulo Ramos, do PDT. Em São Paulo, dos oito candidatos, três se negaram a assinar o acordo: Ciro Moura, do PTC, Ivan Valente, do PSOL, e Renato Reichmann, do PMN.

A Rede Globo não informa quais seriam os candidatos que não aprovaram o acordo em Fortaleza ou Curitiba.

No caso de um segundo turno, o debate está garantido e acontece em 24/10 (sexta-feira).

A Rede Globo pede que os governantes revejam a lei eleitoral: “A TV Globo lamenta que estas restrições na lei eleitoral a impeçam de promover um evento que tem se mostrado valioso em eleições passadas – e espera que a sociedade e seus representantes, em Brasília, reflitam sobre a questão.”

Jornalistas protestam contra produção para mais de um veículo

Durante a gestão de Eugênio Bucci à frente da Radiobrás (2003-2007), a empresa passou a estabelecer como prática na Agência Brasil e nas emissoras de rádio da empresa a produção de notícias para mais de um veículo. Assim, a chamada "cobertura multimídia" contava com repórteres da agência gravando matérias para as rádios e vice-versa. O acúmulo de funções foi contestado já na direção de Bucci, mas trabalhadores e dirigentes não chegaram a um acordo a respeito.

Após a transformação da Radiobrás em Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a mudança do comando do jornalismo do órgão, a diretriz foi mantida. A crítica dos repórteres também continuou e aqueles que se recusavam a produzir notícias para dois veículos começaram a sofrer ameaças de punições. O acirramento das tensões por conta da contestação dos repórteres chegou ao seu ponto máximo até agora no início desta semana.

Após reunião no dia 27, os jornalistas da Agência Brasil em Brasília decidiram por uma paralisação das atividades multimídia a partir da manhã de terça-feira (29) até que fossem "feitas as adequações remuneratórias e a instrumentalização de regras claras sobre os momentos e condições nas quais este tipo de atividade será executada, e com a contratação de mais profissionais exclusivos para as rádios". Seus pares em São Paulo aderiram à deliberação, o que não ocorreu na redação do Rio de Janeiro.

Pauta de reivindicações

A direção reagiu e reuniu-se ainda na terça-feira com os funcionários. A diretora de jornalismo da EBC, Helena Chagas, condenou o movimento, ouvindo em resposta duras considerações sobre o acúmulo de funções e a falta de critérios e condições para exercer a “cobertura multimídia”. Um dos pontos mais tensos do encontro foi a ameaça de que a adesão à paralisação poderia ser repreendida com uma advertência formal por parte da empresa.

Ao final, os jornalistas decidiram interromper a paralisação e se comprometeram a apresentar uma proposta em até uma semana. A direção de jornalismo também assumiu compromisso de dar resposta ao documento que será elaborado pelos trabalhadores em igual prazo.

A proposta deverá detalhar em que casos a acúmulo de funções poderá ser admitido e quanto será a remuneração adicional de um jornalista que produzir matérias para mais de um veículo. A Comissão de Funcionários da EBC foi procurada mas preferiu não adiantar pontos da proposta por ela estar ainda em formulação. A direção da EBC também foi procurada, mas até o fechamento desta matéria não se pronunciou oficialmente a respeito.

Isonomia salarial

No texto que anunciou a paralisação, divulgado nesta segunda-feira, a Comissão de Funcionários da EBC listou também outras reivindicações que deverão entrar na pauta de negociação entre funcionários e a direção da empresa. Uma delas é a melhoria de condições de infra-estrutura. Na sede em Brasília, a equipe de rádio funciona em uma sala no subsolo considerada de condição altamente insalubre.

Outra bandeira forte dos trabalhadores é a "isonomia salarial e de tratamento dentro da empresa para profissionais que exercem funções semelhantes, tenham eles vínculo permanente ou não com a estrutura administrativa". Por conta da contratação de vários jornalistas durante a transição ter sido feita de maneira excepcional às regras tradicionais da administração direta, os funcionários reclamam da existência de fortes disparidades salariais.

Proinfo pode fomentar o surgimento de Cidades Digitais

Ele já existia há dez anos, chamado de Programa Nacional de Informática na Educação. Mas somente quando mudou de nome, passando a ser conhecido como Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo Integrado), é que começou a fazer mais diferença na vida de escolas e professores de todo o Brasil. Foi na mesma época em que seus três pilares ficaram mais bem definidos, integrando formação de professores, produção e fornecimento de conteúdo e a instalação de laboratórios de informáticas nas escolas públicas urbanas e rurais do País.

Atualmente, o programa, tocado pela Secretaria de Educação a Distância (Seed) do Ministério da Educação (MEC), já capacitou presencialmente 100 mil professores, e a meta é alcançar a marca de 300 mil educadores treinados, em todas as cidades brasileiras, até meados de 2009. Laboratórios de informática chegarão a todas as escolas públicas urbanas e rurais do Brasil. Além disso, foi lançado o Portal do Professor, repositório de recursos, materiais e sugestões para professores, respondendo, assim, à necessidade de conteúdo.

Essa universalização do trinômio capacitação — laboratórios — conteúdo aproxima cada vez mais o Proinfo Integrado das Cidades Digitais. "Um fomenta o outro", define José Guilherme Moreira Ribeiro, diretor de infra-estrutura em Tecnologia Educacional da Seed. "As Cidades Digitais começam por meio de um fomento. E vemos que isso muitas vezes acontece por causa de um aparentemente simples laboratório de informática", avalia.

Segundo ele, como o Proinfo Integrado vem instalando laboratórios em todas as escolas, a cultura de muitas pessoas e cidades vem mudando. "Ao começarem a utilizar os recursos de tecnologia, as pessoas passam a ver a necessidade da internet. Alguns prefeitos enxergaram isso e muitas Cidades Digitais podem ter saído daí", acredita. "E, nas cidades digitais que já existiam, os laboratórios do Proinfo encaixam-se perfeitamente, atendendo inclusive a demandas de mais pontos de acesso", completa.

A relação das Cidades Digitais com a área de educação (assim como com a da saúde) é sempre forte. A maioria dos municípios que têm projetos de digitalização já interliga ou tem planos de interligar suas escolas. Iniciativas como as de Tiradentes e de Barbacena, ambas em Minas Gerais, nasceram praticamente dentro e em função da área educacional. "Eu diria que temos aí dois exemplos de Cidades Digitais que surgiram em torno da educação", diz o diretor da Seed.

Aprovação

A iniciativa em três pilares do Proinfo Integrado vem passando em um teste difícil: a aprovação dos professores. De acordo com o secretário para Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (Contee), José Thadeu de Almeida, "esses componentes [capacitação, laboratórios e conteúdo] são complementares e, portanto, se bem aplicados, têm um potencial significativo para o processo de qualificação do ensino".

Ele ressalta que a capacitação de pessoal para aproveitar os laboratórios escolares de informática é uma oportunidade. "Considerando a realidade atual, em que encontramos muitos dos laboratórios de informática já instalados mal ou subutilizados, a inclusão da formação profissional e de conteúdos digitais poderá significar um importante salto de qualidade", avalia.

A presidenta da União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Justina Iva de Araújo Silva, avalia a condução atual do Proinfo Integrado como "extremamente positiva". "De fato, simplesmente repassar equipamentos, sem associar formação e conteúdos, tornaria o processo incompleto. Seria, portanto, insuficiente para os objetivos da tecnologia a serviço da educação", acredita.

Ela lembra que é importante incorporar tecnologias nas escolas, para refletir o mundo cada vez mais tecnológico. "Os alunos da rede pública raramente têm acesso a essas tecnologias em casa. Se não têm também na escola, ficam sem condições de inserção nesse mundo", acredita. Justina elogia ainda a aproximação que o Proinfo Integrado fez com as secretarias municipais de educação, já que antes o contato era mais intenso com as secretarias estaduais.

De fato, é através da Undime que o Proinfo Integrado vem sensibilizando os professores mais facilmente para as capacitações que vêm acontecendo semanalmente em todo o País. As mais recentes delas foram em Florianópolis (SC) e Natal (RN), em final de agosto e início de setembro, respectivamente. Segundo Ribeiro, da Seed, elas estão estruturadas em duas vertentes: antes, alfabetização digital e, depois, aplicação das tecnologias nas aulas.

"Na primeira etapa, o professor e a professora perdem o medo do computador. É um curso de 40 horas no qual educadores ganham ambiência com recursos tecnológicos e com o uso da internet, além de aprenderem sobre o sistema Linux Educacional, software livre criado especialmente para as escolas públicas brasileiras", conta o diretor da Seed. "Onde tem um laboratório de informática e um grupo de 20 professores, estamos lá", brinca ele.

A segunda vertente, com 100 horas de curso, trata de orientar professores a aplicarem o que aprenderam e outros recursos educacionais tecnológicos nas suas próprias aulas. "Ou seja, depois que os professores perderam o medo, ensinamos como aplicar as tecnologias que aprenderam junto a seus alunos", resume Ribeiro. "E fornecemos conteúdo para isso", diz. É possível ter ainda uma terceira vertente, dependendo da localidade, com mais 40 horas dedicadas à complementação local e elaboração de projetos.

Portal do Professor

É na questão do conteúdo que entra o Portal do Professor. Inteiramente dedicado a educadores, reúne uma série de recursos tecnológicos que eles podem aplicar no seu dia-a-dia. Existem sugestões de roteiros de aulas inteiras, minuto a minuto, incluindo que vídeo mostrar, que atividades posteriores fazer com os alunos e outras dicas. Em outras palavras, é ali que o professor encontra o conteúdo para utilizar através das tecnologias que aprendeu nas capacitações. Para o futuro, o plano é estimular os professores a levarem cada vez mais as tecnologias para a sala de aula, não se restringindo aos laboratórios. Para isso, está sendo construído o projetor interativo, idéia do MEC em execução por pesquisadores das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Santa Catarina (UFSC). "Trata-se de um equipamento que conjuga todas as tecnologias em uma só: DVD, data show, computador e internet. Com a vantagem do preço ser baixo", conta José Guilherme Moreira Ribeiro, diretor de infra- estrutura em Tecnologia Educacional da Seed. Segundo ele, em outubro, as duas universidades já apresentarão uma primeira versão do equipamento para o ministério.

Tudo isso prepara o campo para a chegada da internet a todas as escolas públicas urbanas até 2010, possibilitada por acordo do Ministério das Comunicações com as concessionárias de serviços de telecomunicações. Para José Thadeu de Almeida, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (Contee), essa perspectiva faz "ressaltar o papel da formação e do aproveitamento correto de tão importante ferramenta". Para ele, a chegada da internet a todas as escolas urbanas é um elemento a mais na formação de uma nova realidade educacional. "Colocar à disposição da comunidade escolar esses laboratórios, de forma orientada, ampliaria o papel social da escola, daria maior possibilidade de acesso para além dos alunos e trabalhadores em educação, o que permitiria melhor acompanhamento das famílias no desenvolvimento intelectual dos estudantes", diz, revelando algumas das possibilidades comuns em Cidades Digitais.

"Dentro dessa realidade de disseminação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) que desejamos fomentar, o advento da banda larga nas escolas vai facilitar", prevê o diretor da Seed, para quem esse cenário vai servir para estimular não só as atividades do Proinfo e seus laboratórios, mas também a formação de novas Cidades Digitais a partir daí.