Arquivo da categoria: Notícias

Relator do PGO no Conselho Consultivo da Anatel quer contrapartidas à consolidação

O membro do Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e relator do Plano Geral de Outorgas (PGO), Walter Faiad, acredita que o desafio do colegiado será elaborar um documento capaz de "dar voz ativa" a todas as representações que participaram dos debates promovidos até então. "Nossas oitivas ouviram um número maior de atores atingidos diretamente com as mudanças no regulamento. Nem o próprio conselho diretor conseguiu ouvir tantas representações", disse Faiad, que ocupa a vaga como representante dos consumidores.

O Conselho Consultivo da Anatel realiza nesta terça-feira (21), às 14h, uma reunião extraordinária para receber oficialmente a versão do PGO aprovada pelo conselho diretor da agência. Faiad lamenta que os debates tenham sido influenciados pelos agentes do mercado interessados na fusão entre Oi e Brasil Telecom. "É uma tarefa bastante difícil. Principalmente pelo contexto de que um fato econômico tenha tanto peso sobre as decisões sobre o novo PGO", afirmou o relator.

Por não ter poder deliberativo sobre as decisões da agência, Faiad considera que o conselho consultivo tem que apresentar um relatório rico em análise para dar suporte às decisões do Ministério das Comunicações e da Casa Civil. "Se o conselho é consultivo, ele dever cumprir o seu papel. Com todas as reuniões que promovemos até agora, foi possível perceber o que dá para exigir das concessionárias como contrapartida", alertou.

Segundo Faiad, a Anatel deve estabelecer metas de qualidades que não sejam baseadas apenas em informações técnicas das empresas, mas que sejam fundamentadas também nas referências de baixos índices de reclamações registrados pelos institutos de defesa dos consumidores. Ele também defendeu que a agência estabeleça um novo modelo de custos para garantir maior transparência sobre os cálculos das tarifas definidas para o usuário.

Duopólio é um dos grandes desafios da Anatel, diz Sardenberg

Um dos maiores desafios que Ronaldo Sardenberg, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enxerga no futuro da agência é a ameaça de um duopólio. "O que a gente pensava precisa passar por uma revisão. O que mais me preocupa hoje, na nossa região pelo menos, é uma tendência ao duopólio. Temos que trabalhar de forma a não cair nessa situação, e a mudança no PGO teve isso em mente", admitiu o embaixador em entrevista exclusiva a este noticiário, ao tratar da aprovação do novo Plano Geral de Outorgas. Ele acredita, inclusive, que este não seja um desafio a ser enfrentado apenas pelo Brasil. "Precisamos intensificar fortemente as nossas relações com os demais países, porque as empresas que atuam aqui, atuam nesses países também. Na hora de regular no Brasil é preciso olhar em volta". Sardenberg diz que procurará definir linhas de ação nesse sentido no período em que presidir o Regulatel, que congrega reguladores de toda a América Latina.

Para Sardenberg, a forma como o PGO foi aprovado não reflete casuísmo em relação à possibilidade de compra do controle da Brasil Telecom pela Oi. "Vejo a coisa pelo lado jurídico, e o PGO se dirige a todo o mercado, 'erga omnes'. Então, não é um instrumento destinado a apenas uma transação. Haverá outras, certamente".

Ele lembra que na discussão do PGO houve uma proposta da conselheira Emília Ribeiro para que se eliminassem todas as vedações a aquisições de concessionárias em diferentes regiões do País. "Ela perdeu essa proposta por quatro a um e isso não recebeu destaque", disse o embaixador. "O sentido é que a Anatel sinalizou que não aceitaria o cenário de monopólio total, e por isso foi importante o que aconteceu".

Este noticiário perguntou, então, por que um rearranjo de duas é melhor do que de três, ou porque simplesmente não se deixou da forma como está, sem a possibilidade de concentração entre concessionárias. Diplomático, Sardenberg ponderou: "Houve uma demanda específica do Ministro das Comunicações, ou melhor, uma recomendação fundamentada. É claro que nas teorias econômicas, a situação monopolista é sempre prejudicial ao consumidor. Há casos em que até se pode ter preços mais baixos, mas isso é por um tempo apenas e se perde a qualidade e a concorrência. Essa seria a minha resposta". Ele lembra ainda que se for colocada no plano regional a Oi não será tão grande. "A nova companhia, se houver, e eu sempre coloco um pé atrás, não será uma super-tele, será muito menor do que outras. Talvez, do ponto de vista econômico, ela seja até obrigada a sair do Brasil", disse, alinhando-se com os argumentos que a operadora e seus acionistas vêm defendendo.

E se?

Durante a audiência pública de votação do PGO, os conselheiros foram questionados pela Abramulti (a associação de provedores e prestadores de SCM, que conseguiu a liminar suspendendo parte da análise do documento por quase um dia inteiro) se a agência, na atual crise econômica, optaria por mexer no PGO se não houvesse a recomendação do Executivo e a proposta da Oi pela BrT. "Esta pergunta tem que ser feita na ordem contrária. A Anatel funciona na base de declarações de políticas públicas. Não é ela quem cria essas políticas, e não iria nesse sentido se não houvesse uma indicação por parte do governo. A Anatel é importante, mas não é o governo. Eventualmente ela pode alertar o governo sobre os riscos de uma política, mas isso não tem sido feito", disse Sardenberg, deixando claro que a mudança no PGO partiu, antes de tudo, de uma demanda do Executivo, com a qual a agência concordou, evidentemente. Mas ele faz uma ressalva: "fala-se muito em pressões. Que eu saiba, não houve nenhuma pressão nem por parte do governo, nem por parte das empresas para que se aprovasse o PGO. Isso é um mito que muitos de nós se refugiam. Mas cada um tem que assumir a sua responsabilidade".

Ele lembra que existe uma postura democrática, uma postura técnica e também um componente político dentro do colegiado da agência. "Todos negociaram até onde quiseram, e quando não havia mais negociação, fomos a voto. Há essa característica no trabalho da agência. Há um relacionamento político entre nós e entre nós e o governo, as empresas e os usuários".

Contrapartidas à BrT-Oi

Sardenberg não faz previsões sobre o prazo de anuência prévia para a compra do controle da Brasil Telecom pela Oi, quando o pedido chegar, mas faz uma observação: "Haverá contrapartidas sim e isso vai ser estudado e colocado no momento da anuência prévia. Na verdade, falaria em condicionamentos. O bom modelo é o edital de 3G, em que se oferece preços menores no edital em troca do atendimento de menor atratividade", disse o embaixador. "Na hipótese de haver uma concentração, analisaremos as condicionantes, caso a caso". Ele explica que no caso da aquisição da Brasil Telecom pela Oi, não há nenhuma análise em curso por parte da Anatel. "Há, sim, um acompanhamento, com solicitação de algumas informações pelas superintendências. Porque sabemos que vai chegar o momento, que pode ser muito próximo, em que essa anuência prévia se colocará".

‘Cumpri meu papel’, diz relator do PGO no Conselho Diretor da Anatel

O dia seguinte à votação do novo Plano Geral de Outorgas (PGO) deixou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em um clima de ressaca. Mas as 15 horas de votação parecem não ter abatido o relator da proposta, conselheiro Pedro Jaime Ziller, responsável pelos itens mais polêmicos do texto que acabaram sendo derrubados pela maioria dos demais membros do Conselho Diretor.

Ziller recebeu este noticiário nesta sexta-feira, 17, mais sereno do que há um mês, quando o conselheiro deu entrevista sobre o cronograma de votação do PGO. Com a análise concluída, Ziller está longe de se sentir derrotado por não ter conseguido convencer os demais conselheiros a incluir na proposta medidas mais contundentes como a separação empresarial entre STFC (telefonia fixa) e SCM (internet banda larga) e a separação funcional.

Ao ser questionado se encarava a retirada das separações do texto como uma derrota, Ziller foi direto. "Em absoluto. Essa discussão de separação começou há alguns anos e era vista pelas empresas como uma loucura. Agora todos concordam que de ter uma separação funcional. Todos os pareceres apontam para isso. Se vai estar no decreto ou não, isso é outra discussão. A sensação que tenho é de que cumpri o meu papel de levantar esse debate", avaliou o conselheiro.

De fato, a retirada dos artigos que tratavam da separação não conclui a discussão sobre este tema. A realização de estudos sobre o assunto está no Plano Geral de Regulamentação (PGR) aprovado ontem entre as metas de curto prazo. Além disso, o parecer da área jurídica e o laudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) apontam a separação funcional e até mesmo a estrutural como boas estratégias para o mercado brasileiro. E alguns conselheiros fizeram ressalvas de que viam a idéia com bons olhos, apesar de não concordar com a inclusão da separação no PGO.

Política pública

Nesse contexto, a polêmica sobre incluir ou não a separação na proposta de alteração do PGO acabou ficando mais no campo da interpretação jurídica do que na adoção concreta da medida, na opinião do conselheiro. As áreas técnica e jurídica da agência, apesar de favoráveis à idéia, interpretaram que o PGO não é o instrumento correto para esta medida por ser um documento do Executivo e não da Anatel, que teria por lei a incumbência de decidir esses assuntos.

Para Ziller, incluir a separação no PGO em nada reduz o poder da agência de regulamentar o assunto e, assim, não haveria confronto com a Lei Geral de Telecomunicações (LGT). A interpretação do conselheiro é que colocar o tema no PGO serviria para consolidar uma política pública voltada para a criação de estímulos à concorrência, o que seria perfeitamente aderente às premissas legais.

Ele lembra que algo idêntico foi feito com a portabilidade numérica: por decreto, o governo reforçou a necessidade de realização dessa medida como um item da política pública de telecomunicações e essa atitude não sofreu nenhuma contestação quanto a sua legalidade. "Eu defendo que a separação dos serviços deveria ser uma política pública", explica Ziller. "Tem coisas que nesses 10 anos que achamos que tem que ter uma política pública para corrigir isso. Há uma competição imperfeita hoje", complementa.

Sem direito adquirido

Um aspecto que ainda pode gerar muita discussão caso a separação continue na agenda da Anatel é a tese de que o STFC e o SCM não podem ser apartados por causa de um direito adquirido gerado pela LGT. O primeiro abalo nessa tese está no parecer da CGEE, onde os especialistas contestam a existência de qualquer direito instituído à prestação conjunta entre STFC e SCM. Em seu voto, Ziller reforça a dúvida usando a seu favor atos da própria Anatel.

Para o conselheiro, a troca das licenças do SRTT para o SCM não mantém o direito expresso no artigo 207 de prestação, no mesmo CNPJ, dos dois serviços. "O SCM não é o mesmo SRTT. Ele agregou outras funcionalidades como mobilidade e a criação de um plano de numeração, que são vantagens frente ao SRTT. A troca foi voluntária e, como toda troca, a concessionária abriu mão de algumas vantagens ao fazê-la", avalia.

Para comprovar seu entendimento, o conselheiro lembra que nem todas as concessionárias fizeram a troca: apesar de já ter solicitado à Anatel a troca pelo SCM, a CTBC ainda possui licenças de SRTT. Ziller não contesta o fato de a LGT permitir a prestação pela concessionária do SRTT. Apenas ressalva que no momento em que se criou um novo serviço (o SCM), as vantagens existentes no SRTT não foram carregadas para esta nova licença.

Outro exemplo usado pelo conselheiro em seu voto é a mudança do SMC pelo SMP. No serviço móvel pessoal, as empresas tinham vantagens de concessionárias: direito a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, correção de tarifas pelo IGP-DI e reajuste periódico da tarifa de interconexão, para citar alguns. Ao migrar para o SMP, as empresas da banda A perderam essas vantagens e não houve qualquer discussão sobre direito adquirido. "Por isso tudo, a tese do direito adquirido não prospera", afirma Ziller.

Escopo do PGO

Nos votos divergentes do relatório de Ziller, o artigo 84 da LGT foi invocado em várias ocasiões. O artigo em questão explicita quais itens devem estar presentes nos PGOs editados pelo Executivo. Este item da lei foi usado para explicar a necessidade de retirada de diversas propostas feitas por Pedro Jaime Ziller porque estas ultrapassariam o escopo definido em lei para o PGO.

Esses argumentos foram contestados pelo conselheiro-relator. Para Ziller, a lei define o que deve estar presente no PGO, mas isso não impede que o documento seja mais vasto do que o descrito na legislação do setor. Um dos pontos de claro atrito está nos artigos 1º e 2º do PGO aprovado, onde estão inseridas definições do STFC e regras de uso das redes. A inclusão dessas definições foi questionada no parecer jurídico da Anatel e considerada desnecessária. No entanto, os dois artigos são reproduções do que já existe nos dois primeiros artigos do PGO em vigor. Assim, se existisse ilegalidade na inclusão desses artigos no novo PGO, automaticamente o plano em vigor também estaria ilegal.

Outro ponto de contestação sobre a leitura do artigo 84 feita por parte dos conselheiros e do corpo da Anatel é que o PGO atual é flexível em alguns itens, especialmente ao criar um sistema de empresas-espelho para concorrer com as concessionárias e dispor sobre a atuação de empresas que não participaram do programa de desestatização (CTBC e Sercomtel). Esses artigos, por ultrapassarem o estabelecimento de regras para as concessionárias pós-privatização seriam uma demonstração, na opinião de Ziller, de que é possível fazer um PGO mais amplo do que o descrito no artigo 84.

"A base da minha lógica é que um decreto presidencial é presumidamente legal. Para dizer que um decreto é ilegal, é preciso que alguém entre com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), o que não ocorreu com o PGO atual", afirmou o conselheiro. Ziller evitou criar polêmica com os demais conselheiros nesse momento pós-votação. Não respondeu, por exemplo, se achava que a Anatel teria perdido uma oportunidade de fazer um novo modelo mais moderno para o setor ao rejeitar sua proposta. Disse apenas que não há como prever quais serão os próximos passos da agência e que só poderia falar sobre a sua visão desta reforma. "O que eu acho é que tinha que ser feito agora. Por isso apresentei este voto."

Teles elogiam Anatel por mudanças no PGO, mas provedores protestam

Enquanto a Telefônica e a Oi/Telemar elogiaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pela mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO), que abre caminho para a compra da Brasil Telecom pela Oi, associações de pequenos provedores de internet começaram, ontem, a articular um movimento nacional em defesa da concorrência no setor.

A reação dos pequenos é coordenada pelo recém-criado Conselho Nacional de Provedores de Serviços de Internet (Conapsi), que reúne cinco associações representativas das empresas. O objetivo do movimento é pressionar a Anatel a criar o Plano Nacional de Metas de Competição, previsto no texto do novo plano.

A Telefônica e a Oi apoiaram, sem reservas, o novo Plano Geral de Outorgas aprovado anteontem à noite pela Anatel. A Brasil Telecom e a Embratel não se manifestaram. A direção da Oi referiu-se ao novo PGO como uma "prova de maturidade" do setor e disse que manterá investimentos e planos de expansão, para ganhar escala.

Apesar de o novo PGO beneficiar seu concorrente, a Telefônica divulgou nota parabenizando a Anatel pela iniciativa. Na nota, ela reproduz afirmação do presidente mundial do grupo, César Alierta, de que o Brasil é prioridade de investimento e que o grupo confia no potencial de crescimento, na estabilidade econômica e nas regras de atuação empresarial do país.

Críticas ao PGO

Os pequenos provedores criticam a aprovação do Plano Geral de Outorgas sem a separação das redes de telefonia fixa e de banda larga das concessionárias, que havia sido proposta pelo conselheiro da agência Pedro Jaime Ziller, relator do processo. A proposta foi derrotada no conselho da Anatel por três votos a dois.

Fabiano Vergani, presidente da associação Internet Sul (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul), diz que a compra da BrT pela Oi, sem as medidas de garantia de competição, ameaça o direito de escolha dos usuários e a sobrevivência dos pequenos provedores.

"Dependemos do acesso à infra-estrutura de rede das concessionárias para oferecer o serviço de banda larga a nossos clientes. Como elas também são nossas concorrentes no serviço de banda larga, a Anatel precisa garantir condições isonômicas de competição", afirma Vergani.

A Associação Brasileira dos Prestadores de Serviços de Comunicação Multimídia (Abramulti) e a Global Info recorreram também à via judicial. A Abramulti chegou a obter liminar da 13ª Vara Federal em Brasília que retardou a votação do PGO por algumas horas. A liminar foi cassada pela Anatel.

O presidente da associação, Adelmo Santos, disse à Folha que entrará com nova medida judicial, cobrando a implantação do plano de metas de competição.

O presidente da Global Info, Jorge de La Rocque, diz que os pequenos provedores não se opõem à compra da BrT pela Oi, mas cobram que as teles dêem acesso às suas redes em condições de competição.

Os pequenos provedores sustentam que a compra da BrT pela Oi reduzirá a competição e elevará os preços para os usuários, a longo prazo.

Eles afirmam que, a partir de 1995, o custo do serviço de acesso à internet caiu de R$ 100 para R$ 14,90 ao mês, em conseqüência da competição, enquanto a assinatura mensal do telefone fixo, onde há competição, saltou de R$ 3,74 para cerca de R$ 40 com impostos.

Anatel aprova fusão BrT-OI sem contrapartidas polêmicas

Em uma sessão tensa e questionada judicialmente, o Conselho Direitor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou na última quinta-feira (16) sua proposta para os planos Geral de Outorga (PGO) e Geral de Atualização dos Regulamentos de Telecomunicações (PGR). O texto será enviado ao Executivo Federal para definição da redação final e publicação na forma de Decreto Presidencial.

Os conselheiros confirmaram a retirada da restrição à compra de operadora para atuação em mais de uma área, mecanismo que irá permitir a venda da Brasil Telecom à Oi. Foi mantido também o limite à atuação em uma terceira área. Na prática, tal mecanismo viabiliza legalmente a fusão BrT-Oi e impede que a nova tele possa ser comprada pela Telefônica ou pela Embratel, que exploram o serviço de telefonia fixa nas áreas III (São Paulo) e IV (longa distância em todo o território nacional).

Tal dispositivo, que aparentava ser consensual, foi questionado pela conselheira Emília Ribeiro, que defendeu a liberação irrestrita. Segundo Ribeiro, a flexibilização total seguiria a tendência mundial de promoção da concentração de propriedade como forma de sinergia entre os negócios e “ganho de escala” das corporações.

A proposta de ampliação da flexibilização foi duramente criticada pelo conselheiro Pedro Jaime Ziller, que argumentou preferir o monopólio estatal ao privado, referindo-se ao que seria a consequência da liberação total defendida por Emília Ribeiro. “O argumento da concentração como condição ao ganho de escala não tem sustentação com o que ocorre na realidade hoje. Várias empresas oferecem pacotes de serviços mesmo com cada um deles sendo ofertado por operadores diferentes”, disse.

Críticas

A crítica à viabilização legal da BrT-Oi, se não sensibilizou os conselheiros, conseguiu adiar a sessão. A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Autorizados de SCM (Abramulti) conseguiu, junto à 13ª Vara da Justiça Fedral do Distrito Federal, uma liminar impedindo a votação dos artigos do PGO referentes ao assunto. A procuradoria da Anatel passou o dia atuando para derrubar a decisão, o que só foi ocorrer após as 18h.

“Se não houvesse a declaração de compra [da Brasil Telecom pela Oi], a Anatel estaria fazendo o PGO como está agora? Caso a crise econômica restringisse os créditos, deveria ser o PGO alterado? Mas se Oi simplesmente desistir de comprar a Brasil telecom, a Telefónica poderia comprar uma das duas. Que garantia temos de que não será a Oi comprada pela Embratel e a BrT pela Telefônica, deixando nosso setor nas mãos do capital estrangeiro?”, questionou Adelmo Santos, presidente da Abramulti.

O conjunto de perguntas foi ignorado pelos conselheiros. Em entrevista ao site TeleTime no dia 17, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg deu sua resposta tardia. “Esta pergunta tem que ser feita na ordem contrária. A Anatel funciona na base de declarações de políticas públicas. Não é ela quem cria essas políticas e não iria nesse sentido se não houvesse uma indicação por parte do governo. A Anatel é importante, mas não é o governo. Eventualmente ela pode alertar o governo sobre os riscos de uma política, mas isso não tem sido feito”, lembrando que a diretriz partiu de um ofício enviado pelo Ministério das Comunicações em fevereiro deste ano. Este, por sua vez, foi uma resposta a um pedido da Associação Brasileira dos Concessionários do Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix).

A gênese do processo ser a solicitação da Abrafix comprova, para os críticos, a motivação particular da alteração selada pelo Conselho Diretor da Anatel. “O processo de revisão está viciado desde a sua origem. Em função da fusão, inverteu-se o projeto, pois mesmo antes de alterar a Lei Geral de Telecomunicações [LGT] alterou-se o PGMU [Plano Geral de Metas de Universalização] criando condições para subsídios ilegais e propiciando a apropriação de recursos públicos do Fust [Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações] para uma rede de infra-estrutura que servirá de suporte para a prestação privada do SCM. Destacamos indignação quanto aos reis motivos desta alteração: interesses econômicos de empresas privadas que com seus interesses tem levado a uma corrosão de garantias constitucionais”, bateu forte a advogada Flávia Lefévre, do Instituto ProTeste.

Contrapartidas derrubadas

As polêmicas contrapartidas à flexibilização propostas pelo relator do PGO no Conselho Diretor da Anatel, Pedro Jaime Ziller, foram derrotadas na sessão. Entre elas estava a obrigação de transferência de todas as outorgas detidas por uma operadora quando de sua compra por outra e duas modalidades de separação sobre o concessionário de STFC. A primeira, já presente no texto submetido a consulta pública pela agência, previa a criação de uma empresa diferente daquela detentora da concessão de STFC para explorar o serviço de SCM (banda larga). A segunda, inserida no voto do relator, estabelecia a separação funcional entre o uso da rede para dados e para o serviço de voz.

Pedro Jaime Ziller reafirmou a importância destas medidas para dificultar o controle abusivo das redes de transmissão por seus detentores e discordou do parecer da Procuradoria da Anatel, que apontou ilegalidade neste mecanismo. “A proposta tem amparo nos princípios fundamentais da LGT, pois ela diz que o poder público tem o poder de adotar medidas que promovam a competição. Nos artigos 5º e 6º, está que 'observar-se-ão os princípios da livre concorrência, defesa do consumidor, repressão ou abuso do poder econômico e organização dos serviços com base no princípio da livre e ampla competição'."

Mesmo assim, para os conselheiros Antônio Bedran, Emília Ribeiro e para o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, prevaleceu o argumento de que este tipo de contrapartida não deveria constar no PGO. “Debruçando-me sobre a questão da legalidade, há outros instrumentos mais próprios a contemplar tais dispositivos dos artigos 7º, 8º e 9º [que instituíam as contrapartidas]”, justificou Bedran. “A medida poderá ser objeto de estudos mais apurados e ser inseridas em outros instrumentos, como o Plano Geral de Metas de Competição”, sugeriu Emília Ribeiro.

A redação final terminou por remeter os mecanimos de regulação do acesso a redes a outros regramentos futuros da Anatel, estabelecendo como obrigação da concessionária “assegurar a outras prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo o acesso às suas redes de telecomunicações em condições não discriminatórias, isonômicas e coerentes com suas práticas comerciais, conforme dispuser o Plano Geral de Metas de Competição a ser editado pela Agência Nacional de Telecomunicações”.

PGR

Na sessão, os conselheiros também aprovaram o parecer do relator Antônio Bedran acerca do Plano de Atualização dos Regulamentos de Telecomunicações (PGR). A norma prevê medidas de curto, médio e longo prazos para o setor. Para a primeira etapa, nos próximos dois anos, a Anatel deverá encaminhar: (1) promoção de parcerias com entidades de defesa dos consumidores; (2) regulamentação do STFC; (3) elaboração do Plano Geral de Metas de Competição; (4) regulamentação do plano geral de autorizações do SMP (telefonia celular); (5) disponibilização de radiofrequências para a massificação de acessos à internet em banda larga; (6) regulamento de serviços para ampliação da oferta e da competição; (7) aprovação do regulamento da desagregação de elementos de redes de telecomunicações; (8) implementação otimizada do modelo de custos; (9) regulamentação de uso de radiofrequencias; (10) planejamento de outorgas para os serviços de TV por assinatura; (11) regulamentação do serviço móvel global por satélite; (12) regulamentação do poder de mercado significativo; (13) regulamentação para fomento à pesquisa e desenvolvimento e produção de tecnologia em telecomunicações; e a (14) regulamentação do SCM.