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Pedidos de salvaguardas às teles e aos direitos do consumidor marcam audiência pública

O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura, Alexandre Annenberg, defendeu a implantação de medidas que estimulem a competição no setor de telecomunicações antes de se abrir amplamente o mercado de TV por assinatura às empresas de telefonia. Annenberg participou hoje de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei 29/2007, que define novas regras para o setor.

"Que venham as teles, mas com algumas salvaguardas para impedir que o monopólio das teles transborde para o setor de TV por assinatura", afirmou. Entre essas medidas pró-competição estariam a abertura das redes das concessionárias de telefonia fixa a outras empresas e o fim de subsídios cruzados que ocorreriam, segundo ele, entre os serviços de telefonia fixa e de banda larga.

A diretora da Associação Neo TV, Neusa Risette, disse que é preciso aprimorar o substitutivo apresentado pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ) na Comissão de Ciência e Tecnologia. Ela criticou o sistema de cotas sugerido pelo deputado com o objetivo de se garantir espaço para a programação nacional na grade das operadoras de TV paga. "Em vez de ter cotas, que vão onerar a cadeia toda e não trarão qualidade, por que não criar um incentivo fiscal para o operador que carregar mais e mais conteúdo brasileiro?", questionou.

Annenberg também criticou o sistema de cotas. "Tem formas muito mais eficazes para se ter mais conteúdo nacional", afirmou. "As cotas acabam criando uma reserva de mercado, que é o pior modelo para garantir a qualidade de qualquer coisa", acrescentou.

A representante da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Proteste, Vanessa Alves, lamentou que o projeto de lei trate do direito dos assinantes de TV paga em apenas três artigos. "É preciso tornar a lei o que está em resolução da Anatel", disse ela, referindo-se ao regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações que estabelece uma série de direitos dos clientes de TV por assinatura.

A Comissão fará mais duas audiências públicas neste mês para debater o assunto. Na semana passada, participaram dos debates representantes das empresas de telefonia, que foram unânimes em defender alteração nas regras do setor para permitir a participação integral delas na distribuição de conteúdo.

O projeto de lei tramita na Câmara desde o início de 2007 e já passou pelas comissões de Desenvolvimento Econômico e de Ciência e Tecnologia. Nesta última, o parecer de Bittar não chegou a ser votado porque a comissão de Defesa do Consumidor solicitou que a proposta fosse apreciada prioritariamente por seus integrantes e depois voltasse à Comissão de Ciência e Tecnologia.

Com saída de Bittar da Câmara, projeto pode tomar novo rumo

Sem seu principal defensor, o Projeto de Lei 29/2007, que trata dos serviços de TV por assinatura e do audiovisual, pode sucumbir à falta de acordo em torno da proposta. O defensor em questão é o deputado Jorge Bittar (PT/RJ), que irá se licenciar da Câmara dos Deputados em 2009 para assumir a Secretaria de Habitação da prefeitura do Rio de Janeiro. A estratégia montada por Bittar para agilizar a votação não tem encontrado guarida entre os demais deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTI). E mesmo quem se coloca ao lado do parlamentar tem ressalvas sobre a viabilidade de aprovação ainda neste ano.

É o caso do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE). Porta-voz do partido na CCTI quando o assunto é PL-29, Lustosa vê com bons olhos a idéia de pedir que o projeto tramite em regime de urgência. Mas pondera se este é o momento certo para apresentar a proposta ao Colégio de Líderes Partidários. "Só vai prosperar a idéia de entrar em regime de urgência quando o projeto estiver maduro", afirma.

Lustosa conta que Bittar está seguro de que já existe consenso sobre a maior parte dos pontos polêmicos. Um único item ainda seria tratado como um assunto delicado, segundo o parlamentar: a transmissão via internet. "Segundo ele, Bittar, o projeto está ok", conta Lustosa. No entanto, a opinião do deputado é que a tramitação em regime de urgência, tão desejada por Bittar, é apenas o primeiro e mais simples passo em direção à votação. "O regime de urgência apenas não adianta muita coisa, porque tem uma fila para entrar na pauta e tem uns 400 projetos na fila. Uma coisa é a urgência; outra é o Arlindo Chinaglia (presidente da Câmara) querer incluir o projeto na pauta."

Só no Plenário

A tramitação em regime de urgência permite que qualquer projeto seja levado diretamente ao Plenário da Casa para votação, mesmo que a análise pelas comissões temáticas ainda não tenha sido concluída. O regimento possibilita ainda que o texto seja analisado concomitantemente pelas diversas comissões temáticas, o que agiliza a tramitação. O foco atual de Bittar, segundo sua equipe, é lançar mão dessa segunda alternativa. Assim, o PL-29 voltaria à CCTI e, por conseqüência, para a relatoria de Bittar. Atualmente, o texto está em análise na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) onde o relator o deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB/PB), que também preside o grupo.

Com relação ao encaminhamento do PL após uma eventual aprovação do regime de urgência, os deputados que têm negociado com Bittar são unânimes: só faz sentido mudar o regime da proposta para levá-la diretamente ao Plenário. Para o presidente da CCTI, deputado Walter Pinheiro (PT/BA), é preciso ter pleno consenso sobre a proposta antes mesmo de apresentá-la como candidata à urgência. "Tem que existir um parecer consensual sobre o mérito da proposta para levá-la ao Colégio de Líderes. E isso ainda está sendo construído", afirma Pinheiro, que não acredita haver mais tempo hábil para resolver toda a questão ainda neste ano.

Agenda tumultuada

Em alguns círculos políticos o ceticismo é ainda maior sobre o destino do projeto. Nesta quarta-feira (13), o DEM decidiu entrar em obstrução – não votará projetos até segunda ordem e a presença de seus deputados não será contada para a formação de quórum no Plenário – e, segundo fontes, o posicionamento se refletirá também no trabalho das comissões. A decisão nada tem a ver com o PL-29. A decisão pela obstrução faz parte da disputa em torno das regras de fidelidade partidária.

Com a decisão tomada hoje, é improvável que o DEM feche qualquer acordo sobre o encaminhamento de projetos ao Plenário, segundo contam fontes da liderança. Além do mais, o entendimento do partido é que o projeto não está maduro para ser votado no momento, contrariando os prognósticos de Bittar.

Outra peça no quebra-cabeça da votação do PL-29 é a proximidade do fim do ano legislativo.

Faltando pouco mais de um mês para o recesso de fim de ano, a previsão dentro do Congresso é que os deputados comecem a se dedicar apenas ao Orçamento de 2009, reduzindo drasticamente os trabalhos das comissões a partir da próxima semana. Vale lembrar que, regimentalmente, os parlamentares só podem sair em recesso após aprovado o orçamento do próximo ano.

Sucessão

Um último aspecto tem alterado os ânimos em torno do PL-29: a sucessão no Congresso. PMDB e PT têm negociado a sucessão e o perfil das comissões dependerá da configuração das mesas das presidências. Com a iminente troca de comando nas comissões, há quem defenda que a melhor atitude agora é aguardar 2009 para mexer com projetos polêmicos como o PL-29.

O novo ano legislativo traz também a necessidade de troca dos relatores dos projetos, caso os deputados não permaneçam nas mesmas comissões ou não tenham conseguido se reeleger. No caso do PL 29, é inevitável a escolha de um sucessor para a relatoria na CCTI. Um dos nomes cotados é o do peemedebista Paulo Henrique Lustosa, que além de ser de um partido aliado ao governo, tem participado ativamente das negociações. "Depende da composição da mesa, mas é possível sim", afirma Lustosa ao ser questionado sobre o assunto.

Fontes contam que o atual relator na CDC, Vital do Rêgo Filho, não estaria satisfeito com a insistência de Bittar em se manter à frente das negociações do PL-29 enquanto o texto tramita em sua comissão, o que teria estremecido as relações com o PMDB sobre o tema. Lustosa nega que haja qualquer constrangimento. Mas uma eventual escolha de outro peemedebista para a relatoria poderia resolver definitivamente qualquer saia-justa com relação ao PMDB, analisam observadores.

Despedida

Enquanto isso, Bittar se despediu hoje informalmente de suas atividades como parlamentar em uma carta aberta divulgada em seu blog. No documento, além de falar de seus novos desafios na administração carioca, o deputado manda um recado para os agentes envolvidos nos debates do PL-29.

"A partir de janeiro de 2009, ao assumir o cargo de secretário municipal de Habitação, por força de Lei terei que abdicar das atividades parlamentares. Isso não significa, contudo, que me tornarei alheio a essas questões", afirma o deputado depois de descrever seu trabalho no PL-29 e em outros projetos na Câmara. "Compromisso assumido e palavra empenhada devem ser honrados, senão diretamente, ao menos indiretamente. Mesmo ausente fisicamente da Câmara dos Deputados, não deixarei de acompanhar a tramitação dos projetos que considero importantes e de fazer gestões juntos aos colegas parlamentares para que sejam aprovados com urgência."

Indiretamente, o próprio Bittar reconheceu, assim, que a batalha este ano está encerrada.

Anatel deve autorizar três padrões tecnológicos para banda larga via rede elétrica

Seguindo a tendência mundial, o Brasil não escolherá um único padrão de PLC (Power Line Communications) para o país. Os textos discutidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em consulta pública não prevêem a escolha entre o padrão japonês, o americano e o europeu.

A decisão pode estar ligada ao crescimento da classe C, que tem atraído grupos estrangeiros interessados em explorar a banda larga por rede elétrica no país.

Um desses grupos é a Panasonic que planeja produzir modems no padrão japonês. De acordo com Eduardo Kitayama, chefe de negócios industriais da multinacional, todos os padrões são viáveis mesmo que não se comuniquem entre si. "O que temos visto pelo mundo são a adoção não só de vários padrões de PLC, mas também a adoção de várias tecnologias diferentes para expandir a penetração da banda larga”, diz o executivo.

Ele também disse que a produção local será iniciada assim que houver escala no mercado interno. “Como o Brasil tem extensas áreas rurais onde é caro construir uma infra-estrutura de cabos para banda larga, a rede elétrica mostra um grande potencial, pois serve de infra para levar o sinal”, diz Kitayama.

A AES Eletropaulo colocará em funcionamento uma casa conectada à web pela rede elétrica ainda essa semana. O serviço será explorado em parceria com uma operadora de internet já presente no mecado.

Com informações do Plantão Info.


Eletropaulo espera regulamento da Anatel para lançar serviço de banda larga em 2009

Enfim, o serviço de banda larga via rede elétrica começa, de fato, a ganhar contornos comerciais. A Eletropaulo Telecom, empresa ligada à AES com atuação em São Paulo, anunciou nesta quinta-feira (13), que está "pronta" para ofertar o serviço comercialmente e aguarda tão somente a regulamentação oficial por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Uma decisão estratégica foi tomada pela Eletropaulo: A empresa não vai vender o serviço diretamente para os usuários, mas sim para as operadoras e prestadoras de serviços que, hoje, já contratam a capacidade da provedora para comprar circuitos de backhaul (backbone) e de última milha. "Houve a decisão de não competir diretamente com os nossos clientes", afirmou a diretora Geral da AES Telecom, Teresa Vernaglia.

Desde novembro de 2007, a Eletropaulo Telecom testa a tecnologia BPL( Broadband Powerline) que é baseada no modelo europeu, mas na prática bastante semelhante à PLC (PowerLine Communications), de origem norte-americana. "Não há diferenças gritantes. Elas são bem parecidas", garantiu a executiva.

Hoje, segundo ainda Teresa Vernaglia, 300 prédios na grande São Paulo estão "iluminados" e prontos para receber, comercialmente, o serviço, que potencialmente estaria disponível para 15 mil clientes. A companhia, que demonstrou como funcionará a tecnologia no dia-a-dia de uma família com a conexão ativada num apartamento, localizado no Bairro do Itaim, na Zona Sul da capital paulista, testa o produto com aproximadamente 150 clientes.

Teresa Vernaglia explicou que a Anatel autorizou a realização desses testes – no modelo indoor (com a tecnologia dentro dos prédios) e para atender o escopo da iniciativa, a Eletropaulo Telecom construiu uma rede de 70 Kms de fibra óptica, de forma a levar o acesso de última milha.

À prova de interferências

Para a executiva, do ponto de vista tecnológico – os equipamentos utilizados pela Eletropaulo Telecom são da norte-americana Current, mas o sistema, garante Teresa Vernaglia está preparado para ser multivendor – a oferta do serviço banda larga via energia elétrica está testado e os problemas detectados anteriormente, entre eles, a interferência de eletrodomésticos no acesso à Internet, foram resolvidas.

"Posso assegurar que as interferências cessaram. O teste neste prédio, por exemplo, foi feito porque ele tem 50 anos. O que significa uma fiação elétrica mais antiga. E foram necessários poucos ajustes para termos o serviço apto", declarou Teresa Vernaglia.

A expectativa da Eletropaulo Telecom é que a Anatel publique a regulamentação do serviço indoor de banda larga via energia elétrica ainda este ano. Assim, a empresa estaria apta a vender o produto para as operadoras e prestadoras de serviços ainda no primeiro trimestre de 2009. Mas, de qualquer forma, a companhia já solicitou ao órgão regulador a renovação do período de testes por mais um ano.

Para montar o produto, a Eletropaulo Telecom investiu R$ 20 milhões. Agora, novos aportes só devem acontecer após a definição da regulamentação. Todos os equipamentos utilizados pela Eletropaulo Telecom estão homologados e certificados junto à Agência Reguladora.

Questionada se haveria a necessidade de uma integração entre a Anatel, reguladora do setor de Telecom, e a Aneel, agência do setor elétrico, a diretora da Eletropaulo Telecom diz que os órgãos estão trabalhando para fomentar as oportunidades. Mas, há, sim, pontos a serem ainda esclarecidos. Entre eles, a questão da possibilidade de colocar equipamentos outdoor, ou seja,nos postes da Eletropaulo Distribuidora.

Essa regulamentação, afirma Teresa Vernaglia, ampliaria o raio de atuação da prestadora. "Hoje já pagamos para a Eletropaulo Distribuidora pelo uso do poste. Agora temos que ver como será a regulamentação para instalarmos um equipamento para o serviço de banda larga", esclarece. A regulamentação da Anatel – a consulta pública sobre o tema foi recém-encerrada – deverá sair antes de uma definição da Aneel.

BPL: Competitividade com qualquer serviço

O serviço de banda larga via rede elétrica é estudado há tempos, mas há poucas ofertas comerciais mundialmente. Executivos da AES, empresa controladora da Eletropaulo Telecom, informam que há serviços em Hong Kong, em Bombai, na Índia, e em Cincinatti, nos Estados Unidos, todos com modelos comerciais diferenciados. Em Hong Kong, por exemplo, a tele vende o serviço para o cliente. Já na Áustria, o produto é comercializado diretamente pela empresa de energia.

O produto, na prática, segundo explicaram os executivos da Eletropaulo Telecom, será 'regulado' no aspecto de oferta de velocidade a partir da configuração do modem, que será conectado à tomada. A operadora definirá as velocidades possíveis – 1Mb, 2Mb, 5Mb, 20 Mbs, 40 Mbits, de acordo com os seus planos de serviços. O diferencial, hoje, da banda larga via energia é a velocidade equivalente para download e upload.

Atualmente o upload sempre possui uma velocidade menor, se comparada à do download de arquivos. Indagada se o BPL seria competitivo com o FTTH( Fiber to the home), serviço que a Telefônica, por exemplo, está instalando nos Jardins, na Zona Sul de São Paulo, e que permite acesso à internet com velocidades de 30 Mbits, Teresa Vernaglia garantiu que sim.

"Fizemos estudos de caso e somos bastantes competitivos, além de sermos uma opção para levar o produto em áreas onde a infra-estrutura convencional não chega ou não atende à demanda como é o caso de bairros em São Paulo como Alphaville, Granja Viana, Alto da Boa Vista, entre outros", afirmou a executiva.

A Eletropaulo Telecom não é a única empresa ligada ao setor elétrico interessada em explorar o potencial da oferta de banda larga via sua infra-estrutura de última milha. Outras companhias também desenvolvem projetos no país, como a Eletronorte, na região Norte, e a Copel, no Paraná.

Na Câmara, projeto sobre crimes na internet é criticado

Especialistas e parlamentares criticaram na Câmara, nesta quinta-feira (13), o Projeto de Lei 84/99, que define condutas criminosas na internet. Eles consideram que a proposta pode restringir a liberdade dos usuários das redes digitais. Participantes da audiência pública das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI); e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) ressaltaram que a redação da proposta, já aprovada pelo Senado, vai dar margem a uma interpretação da lei que proibirá condutas corriqueiras dos internautas, como, por exemplo, a transferência de músicas de um CD para o Ipod, somente para uso pessoal.

O projeto define crimes como o roubo de senha pessoal, a difusão de vírus e o acesso não-autorizado a qualquer tipo de informação por meio da internet. O professor Sérgio Amadeu da Silveira, da Universidade Cásper Líbero, disse que os termos gerais e amplos do projeto vão acabar com as redes abertas, como é o caso de conexões sem fio abertas e até mesmo as chamadas cidades digitais. "Ele cria uma série de dispositivos que bloqueiam as redes abertas, criminaliza condutas que são corriqueiras na internet e remete a regulamentos obscuros. Não se sabe o que vai acontecer." O professor acrescenta que o projeto cria insegurança jurídica e dificulta a manutenção de projetos de inclusão digital em curso.

Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), três aspectos são inadmissíveis no projeto: a violação dos dispositivos de segurança; o alto controle sobre a internet; e os dispositivos penais como estão redigidos. O deputado destacou que esses pontos precisam de ajustes. "O projeto pretende diminuir a utilização da rede e aumentar os controles, mas acaba fazendo com que a internet, que é o lugar da democracia, seja restringida por alguns mecanismos.”

Na opinião do professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas Thiago Bottino, a redação dos artigos que prevêem a tipificação dos crimes cibernéticos está muito ampla e geral. "Inclui comportamentos que não são o objetivo da lei, porque não constituem crimes." Ele também considera que pode gerar insegurança jurídica, "pois prevê uma série de condutas que não poderão ser punidas, simplesmente porque o Estado não terá condições de fiscalizar e prender todas as pessoas incluídas.” Para o professor, é preciso especificar exatamente o que será considerado crime.

Na redação dos artigos, é incluído, por exemplo, o acesso a dispositivos de comunicação sem autorização. Ele deu como exemplo o caso de um menino que use a senha de acesso do pai para utilizar o telefone celular dele e ligar para a mãe. Conforme a redação atual do projeto, isso poderia ser considerado crime, pois o texto é muito amplo e permite essa interpretação.

Eficácia contra criminosos

O professor Sérgio Amadeu ressaltou ainda que muitas medidas previstas no projeto não serão eficazes contra os criminosos, pois concorda que os artigos foram redigidos de forma ampla demais.

Já o delegado da unidade de repressão aos crimes cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, defende a rápida aprovação de uma proposta que estabeleça punições para crimes cibernéticos. Ele identifica dois desafios para o Legislativo: a manutenção da liberdade na internet com a simultânea punição para as condutas criminosas; e a garantia de maior velocidade de acesso da Polícia aos dados essenciais para investigação de crimes.

Sobral explica que essas medidas são essenciais porque, quanto mais rápido e quanto menos informações forem necessárias para se chegar ao criminoso, mais preservada estará a intimidade e a privacidade das pessoas. "Gostaríamos de ter a origem da comunicação porque, encontrando o possível local do criminoso com as diligências de campo, nós não precisaríamos avançar com outras medidas, como a vigilância e as interceptações telemáticas e telefônicas."

Segundo o delegado Sobral, a exigência de autorização da Justiça para que a Polícia peça aos provedores a manutenção de dados atrasa ainda mais o trabalho policial.

Tramitação

De autoria do ex-deputado Luiz Piauhylino, o PL 84/99 foi aprovado pela Câmara e enviado ao Senado, que o aprovou na forma de substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o devolveu à Câmara. Agora o projeto está sendo analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Mas o PL pode ser votado pelo Plenário a qualquer momento, pois tramita em regime de urgência. Como veio do Senado, o projeto não pode ser modificado. Os deputados podem apenas aceitar ou rejeitar o que foi incluído na proposta pelos senadores.