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Ministério defende mudanças no Fust para “universalizar estrutura”

O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, defendeu nesta terça-feira (25), mudanças na legislação do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) de modo a permitir que os recursos sejam utilizados além da finalidade restrita do acesso da população aos serviços públicos. “Será que não seria mais importante universalizar a estrutura, ao invés dos serviços?”, questionou o secretário durante o 16º Encontro Tele.Síntese, que acontece nesta terça-feira, em Brasília, para debater a revisão dos contratos de concessão e os serviços de banda larga. Para ele, esta seria uma das medidas importantes para alavancar a competição no setor de telecomunicação.

Embora considere que a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) reúna as diretrizes necessárias para promover a competição no setor, o secretário de Telecomunicações afirmou que é preciso buscar ajustes em regulamentos dos serviços de telecom para garantir a competição. Além de retirar restrições quanto à utilização do Fust, Martins avalia que também é preciso rever o regulamento do serviço de TV a cabo. “A Lei do Cabo inibe a competição ao impor restrições a novos entrantes.”

Martins também destacou a importância de construir uma análise criteriosa por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quanto aos novos Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) e Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). Ele considera que a medida ideal para promover a competição – ampliando o acesso a toda a população – se dá a partir da atenção projetada sobre as novas estruturas de redes nos meios físicos e de espectro, uso qualificado das próprias redes (unbundling) e interconexão entre as diferentes redes. Segundo Martins, a universalização foi o tema com maior número de contribuições na consulta pública realizada este ano pelo Minicom. O item concentrou 40% das 2.632 manifestações feitas pela sociedade.

Poder Judiciário diverge sobre “venda casada” de acesso e provedor

A briga pela necessidade de ter ou não provedor de acesso no serviço de banda larga das concessionárias fixas ganha novos rounds. Agora, o Ministério Público Federal no Mato Grosso informa que está recorrendo da decisão da Justiça Federal que permitiu à Brasil Telecom e à GVT exigir a contratação de provedores de conteúdo (BR Turbo, UOL, Terra, etc) como condição para a contratação do serviço de acesso rápido à internet (ADSL).

Para o MPF, ao exigirem do cliente que ele contrate um segundo provedor para ter acesso à internet, sem necessidade técnica, a Brasil Telecom e a GVT estão praticando "venda casada", prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Segundo a procuradora da República Priscila Pinheiro de Carvalho, o recurso que tramita no Tribunal Regional Federal – 1ª Região pretende acabar com essa exigência considerada ilegal e abusiva.

Para a procuradora, é certo que a conexão do usuário de internet via banda larga (ADSL) é feita pelo complexo estrutural da empresa concessionária de telecomunicação (Brasil Telecom e GVT), que é quem fornece ao usuário o endereço de IP, não como serviço adicional, mas como ferramenta essencial à viabilização do acesso à rede e, portanto, inerente a este serviço. Assim, segundo a procuradora, é dispensável a contratação dos provedores de conteúdo para a viabilidade da adequada prestação do serviço de acesso à rede.

No recurso, o Ministério Público Federal pede que as empresas sejam impedidas de exigir dos consumidores a contratação de provedores de conteúdo ou qualquer outro serviço similar como condição para o acesso rápido à internet, e que não suspendam a prestação do serviço ADSL em razão da não contratação do serviço de provedor de conteúdo ou similar.

O pedido do Ministério Público Federal inclui que todos os usuários sejam comunicados da possibilidade da contratação isolada do serviço de acesso à internet. O recurso pede, também, a devolução de todos os valores que foram pagos pelos usuários do estado de Mato Grosso, em função da exigência ilegal feita pelas empresas de telefonia.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também é parte recorrida. Contra ela, a procuradora da República requer seja imposta a obrigação de não exigir que a Brasil Telecom e a GVT submetam o usuário à contratação obrigatória do provedor de conteúdo como condição de acesso ao serviço de internet rápida.

Complexidade nacional

Sem uma posição uniforme no Judiciário, na semana passada, por exemplo, a Oi/Telemar foi notificada que terá de pagar uma multa de R$ 3 milhões à Justiça federal do Pará por descumprimento de decisão judicial. A concessionária foi notificada no dia 15 de outubro de que era obrigada, a partir desse dia, a dispensar a contratação de provedores adicionais para os clientes do serviço Velox em todo o país.

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA), autor da ação para mudar as regras do Velox, passou então a receber inúmeras denúncias e reclamações de clientes que tentaram cancelar os provedores adicionais, mas tinham os pedidos negados. A empresa alegava desconhecimento da decisão judicial.

A Telemar ainda ajuizou embargos de declaração – pedido da parte direcionado ao juiz para esclarecimento de um ponto da decisão considerado obscuro, contraditório, omisso ou duvidoso – argumentando que não ficou claro o prazo para o cumprimento da decisão judicial e questionando se a medida abrangeria o Rio de Janeiro, visto que esse estado foi excluído da petição inicial protocolada pelo MPF/PA.

O juiz federal Antônio Carlos Almeida Campelo, que atua em Belém, deferiu em parte o embargo da empresa, esclarecendo que a decisão não abrange o Rio de Janeiro, pois nesse estado tramita ação idêntica à que foi proposta pelo MPF/PA.

Já a alegação com relação ao prazo não foi considerada válida, pois o cumprimento é imediato após a notificação. As possíveis dificuldades de ordem técnica também foram descartadas pelo juiz, já que a própria Telemar confirma que “(…) o Velox não-residencial pode ser comercializado independentemente da contratação de um provedor de acesso pelo usuário”.

*Com informações do MPF

Concessionárias terão que instalar telefones em áreas rurais

Na revisão dos contratos de concessão, cujos novos condicionates começarão a valer a partir de janeiro de 2011, serão previstas metas para o atendimento às áreas rurais brasileiras, anunciou hoje o superintendente de Serviços Públicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gilberto Alves, durante o 16º Encontro Tele.Síntese, promovido pela Momento Editorial.

Segundo Alves, a proposta da agência é a de estabelecer metas de atendimento para os cinco anos subseqüentes à renovação dos contratos para a instalação de serviços de voz nas áreas que estão a mais de 300 metros das atuais áreas de tarifação básica da telefonia fixa.

Segundo ele, para financiar o custo desta expansão, a agência irá criar uma tarifa diferenciada – mais alta – para o usuário que fizer a ligação para esses telefones, além de permitir o uso das plataformas móveis nesse tipo de telefone, que terá um número próprio.

Ele salientou que os novos contratos irão prever também a modernização do serviço e que as mudanças irão manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Além disso, ressaltou, deverão ser criados novos condicionantes para o Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ).

Proibição de comerciais de fast-food diminui obesidade entre jovens

Um estudo realizado pela Universidade do Estado da Geórgia apontou que os comerciais assistidos na televisão influenciam no índice de obesidade dos jovens. No levantamento, publicado pelo periódico americano “The Journal of Law and Economics”, foi demonstrado que a proibição de anúncios de fast-food na TV aberta pode diminuir em até 18% o número de jovens acima do peso. Os números, se utilizados para os adolescentes, chegam a 14% do total, segundo noticiou o veículo “O Estado de São Paulo”.

Para a porta-voz do Conselho do Better Business Bureau, Elaine Kolish, a pesquisa retoma as discussões frente ao conteúdo das programações publicitárias destinadas ao público jovem. Na avaliação da especialista, decisões tomadas de forma isolada, como a das redes Mc Donald's e Burger King de criarem propagandas saudáveis na TV, por si só não remetem ao que é consumido pelo público. "Não posso deixar de pensar que o fato de duas enormes cadeias anunciarem maçã e leite para crianças deverá afetar as preferências do consumidor infantil", ressalta Kolish.


Seminário no RS discute realização da Conferência Nacional de Comunicações

O Seminário Pró-Conferência Nacional de Comunicação ocorrido no último sábado (21) reuniu representantes de movimentos sociais, culturais, sindicatos profissionais e estudantes no Plenarinho da Assembléia Legislativa, na capital. Eles discutiram os principais assuntos que dizem respeito ao setor e que deverão ser levados à Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação atribuída à sociedade civil organizada. O objetivo é promover uma grande discussão sobre a comunicação no país e colaborar na construção de políticas públicas para o setor, em época de convergência.

O evento de Porto Alegre discutiu “Reestruturação do Sistema, Controle Público e Conteúdo nos Meios Audiovisuais”. O jornalista Celso Schröder, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, uma das entidades a encabeçar a construção da conferência, destacou que a mesma precisa ser convocada pelo Executivo. A expectativa de uma das coordenadoras da Comissão no RS, Cláudia Cardoso, é de que o governo federal convoque a conferência ainda neste ano. Entre os painelistas, estiveram o ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt e a professora Maria Helena Weber, da Ufrgs.