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CCTCI aprova propostas de modernização na legislação

O que parecia pouco provável aconteceu. O relatório da subcomissão destinada a analisar os procedimentos de outorga e renovação dos serviços de radiodifusão da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados foi aprovado nesta quarta-feira (3) pelo plenário na Comissão. O documento contém propostas avançadas de democratização e garantia de maior transparência nos processos de concessões de rádio e TV, que vinham sendo alvo de intensas resistências por parte dos empresários de radiodifusão e dos parlamentares ligados a este setor.

O texto, elaborado pela deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), traz alterações concretas nos procedimentos de análise das outorgas, sugere mecanismos e iniciativas com vistas à melhoria das ações de fiscalização e recomenda mudanças legislativas em vário instrumentos que regulam a radiodifusão, sugerindo inclusive que sejam revistos dispositivos constitucionais.

O conjunto de iniciativas, alterações e medidas citadas no relatório reflete demandas de diversos setores da sociedade civil organizada, cuja penetração nas esferas de poder na área das comunicações tem sido, até hoje, muito pequena. Várias delas são bandeiras da Campanha Nacional por Democracia e Transparência nas Concessões de Rádio e TV, iniciativa que reúne diversos movimentos e entidades da área. [Veja também: "Entidades denunciam Estado e emissoras por irregularidades"]

Agora, passada a difícil tarefa de aprovação do relatório, coloca-se o ainda mais hercúleo trabalho de levar à cabo suas recomendações. “Foi muito importante a aprovação do relatório, mas ele só vai produzir efeitos a partir do encaminhamento concreto das suas recomendações”, reforça a presidente da subcomissão, deputado Luiza Erundina (PSB-SP). Passo importante nesta direção foi dado pela própria CCTCI, que aprovou também a manutenção da subcomissão exatamente para que esta monitore a aplicação das medidas contidas no relatório aprovado.

Resistências e polêmicas

Quando isso ocorrer, no entanto, as resistências devem ficar mais explícitas. Espera-se, por exemplo, que as sugestões de revisão de alguns artigos constitucionais suscitem disputas acirradas entre os defensores de mudanças nos marcos regulatórios e os interesse particulares estabelecidos no setor.

No topo da lista das potenciais polêmicas está a sugestão de que os parlamentares aprovem uma Proposta de Emenda Constitucional que "expressamente proíba que parlamentares sejam proprietários, controladores, diretores ou gerentes de empresa de radiodifusão sonora e de sons e imagens", vedação também estendida a qualquer ocupante de cargo público. A relatora justifica a medida afirmando ser a propriedade e direção de emissoras por parlamentares incompatíveis "com a natureza do cargo político e o controle sobre concessões públicas, haja vista o notório conflito de interesses".

Privilégios contestados

Outras PECs sugeridas pelo relatório e que também mexem em pontos considerados fulcrais pelos radiodifusores são a revogação dos parágrafos 2o e 4o do Artigo 223 da Carta Magna. O primeiro estabelece que a não renovação de uma outorga de rádio ou TV ocorra somente com 2/5 dos congressistas negando a nova autorização em votação nominal. Esta previsão cria uma exigência que, na prática, assegura uma blindagem à possibilidade dos parlamentares vetarem a renovação de uma outorga. "Considerando que nem mesmo as leis ordinárias demandam quorum qualificado e votação nominal para aprovação, não há como justificar a preservação desse privilégio, que, ressalte-se, é garantido somente às concessionárias e permissionárias de rádio e televisão", argumenta a relatora.

Já o artigo 4o estipula que apenas o Poder Judiciário tem a prerrogativa de cancelar uma outorga de rádio e TV. Ao restringir a possibilidade de cassação das licenças, tal exigência dá estabilidade aos concessionários e cria certo clima de impunidade. A relatora recomenda a retirada deste dispositivo do capítulo Da Comunicação Social da Constituição Federal, por identificar nele um privilégio injustificável, não existente no caso de nenhum outro serviço público.

O documento também discute a regulamentação do artigo constitucional que proíbe a prática de monopólio e oligopólio. Segundo o relatório, a legislação atual é insuficiente porque estabelece limites apenas em relação ao número de emissoras que uma mesma pessoa física ou jurídica pode controlar. Maria do Carmo Lara defende a aprovação do Projeto de Lei 4.026/2004, do deputado Cláudio Magrão, que institui o critério do limite máximo de 50% de audiência para a caracterização de monopólio ou oligopólio.

Critérios de análise

Além das revisões e regulamentações constitucionais, o relatório da subcomissão propõe também um Projeto de Lei para modificar os critérios utilizados na análise de outorgas e renovações.

Nas licitações para concessões de finalidade comercial, seria dado mais peso às propostas sobre "programas jornalísticos, educativos e informativos” e sobre “serviço noticioso". Seriam exigidos, também, "percentuais mínimos de regionalização da produção cultural, artística e jornalística e de produção independente a serem cumpridos pela emissora vencedora". A valorização dos aspectos de programação na definição das concorrências por um canal implicaria em uma redução da importância dos critérios técnicos e de preço, quesitos que reforçam a predominância do elemento econômico na escolha dos concessionários nas licitações. [Veja também: "Poder econômico determina quem ganha licitações de canais"]

Em relação às permissões para rádios e TVs educativas, o PL prevê que este serviço seja explorado por órgãos da União Federal, Estados, Distrito Federal, Municípios e universidades brasileiras. Apenas onde não houver o interesse destes entes, seria permitida a outorga de uma autorização a fundações privadas, "desde que seja demonstrada vinculação da entidade com instituição de ensino". [Veja também: "Decisão da Justiça questiona falta de licitação para outorgas"]

O projeto também visa ampliar a participação da sociedade neste momento inicial na escolha dos operadores de canais de rádio e TV. Para isso, prevê a realização de consulta pública antes da abertura do processo de licitação para colher as expectativas da população.

Mudanças imediatas

O relatório também apresenta medidas de caráter imediato para o aperfeiçoamento dos procedimentos adotados pelo Ministério das Comunicações na análise das outorgas de radiodifusão. Ele reforça as sugestões já constantes em sua versão parcial, aprovada em julho de 2007, como a publicização dos dados sobre os processos e a fixação de prazos uniformes e razoáveis para cumprimento das exigências pelas emissoras.

O texto aprovado agora também ressalta a obrigação das concessionárias manterem a regularidade fiscal durante todo o período da outorga e a necessidade de se agilizar a tramitação dos processos, com a redução da burocracia e a reabertura das delegacias regionais do Ministério das Comunicações. Por fim, como na sua versão anterior, o relatório prevê a criação de mecanismos de controle social para avaliar periodicamente o cumprimento dos preceitos constitucionais e exigências legais referentes à exploração destes serviços.

Em sua versão final, o relatório aprofunda duas indicações ao Minicom. A primeira delas visa melhorar o controle e a fiscalização da sociedade sobre os procedimentos. Para isso, deveria ser criada uma "estrutura administrativa descentralizada responsável pelo acompanhamento permanente da prestação dos serviços de radiodifusão, com a participação não somente de servidores do Ministério das Comunicações, mas também de entidades representativas da sociedade civil e das comunidades locais".

Além deste mecanismo, o texto recomenda "o estabelecimento de um canal multimídia no Poder Executivo para que o cidadão possa encaminhar denúncias de irregularidades na prestação dos serviços de rádio e televisão e apresentar sugestões para aperfeiçoamento da regulamentação, procedimentos e atividades pertinentes à radiodifusão comercial e comunitária".

As medidas elencadas no documento não se limitam apenas a mudanças no sistema, mas em uma avaliação densa sobre como este funciona hoje. Para isso, a relatora sugere uma auditoria operacional no Ministério das Comunicações, na Presidência da República e na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre os procedimentos de análise de outorgas e renovações de concessões, permissões e autorizações.

A iniciativa tem como objetivo verificar o cumprimento dos dispositivos legais e constitucionais, bem como as sanções decorrentes do seu desrespeito; avaliar a transparência, impessoalidade e eficiência do trâmite dos processos e analisar os procedimentos de verificação de denúncias. Esta auditoria seria feita de forma conjunta com o Tribunal de Contas da União.

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Jovens da elite querem interatividade na TV, inclusive internet

No dia em que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) completa um ano de início de sua implementação, a Philips divulga uma pesquisa sobre o futuro da televisão no País. Entre vários aspectos, o estudo “TV no Brasil: o Presente e o Futuro” conclui que os jovens das classes A e B não querem mais uma TV passiva, estática, mas sim moderna e interativa.

“A interatividade depende da forma como ela chega. Pode ser pela TV digital (Ginga, o middleware que permite isso) ou não”, observa Gabriel Aleixo, gerente de inteligência de mercado da fabricante de eletrônicos. Apesar de falar sobre os próximos passos da televisão no Brasil, a pesquisa não aborda a questão da TV digital – segundo o porta-voz, por ainda haver indefinições sobre o sistema e envolver questões políticas.

A interatividade a qual Aleixo se refere não é a mesma que deve ser proporcionada com a implementação do Ginga – com aplicativos que devem estar disponíveis na tela do aparelho, por exemplo. Mas sim a possibilidade de acessar a internet, algo que ele prevê que alguns fabricantes já comercializarão no próximo ano. Mesmo assim, não descarta a importância do SBTVD. “A TV digital deve viabilizar a interatividade desejada”, diz.

Estudo da Philips

Segundo a pesquisa encomendada pela fabricante ao instituto Voltage e feita com 400 consumidores paulistanos e cariocas das classes A e B+, 19% deles têm ao menos um aparelho de Flat TV (tamanho fino). Cerca de 45% deles pretendem comprar um aparelho do tipo, sendo que 98% são novos consumidores.

Já a pesquisa qualitativa sobre a TV dos sonhos, realizada com 20 consumidores da classe A de São Paulo e do Rio de Janeiro, com idades entre 20 e 40 anos, aponta que eles querem interatividade com o aparelho, como uso de comando de voz para ligar/ desligar e trocar de canal, acesso à internet, possibilidade de fazer ligações e até mesmo atender à campainha pela televisão.

Um ano de dúvidas

Em 2 de dezembro de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início às transmissões de áudio e som digitais da televisão brasileira. De lá para cá, muitas promessas, expectativas de vendas de conversores e pouca adesão. Apesar de já estar disponível para 40 milhões de telespectadores em todo o País, a estimativa do próprio Fórum SBTVD (entidade responsável pelas decisões sobre a implementação do sistema) é de que apenas 645 mil telespectadores recebam o sinal digital.

Para representantes do setor de software, como Nelson Wortsman, da Brasscom, a TV digital só vai emplacar de fato quando o público consumidor notar que vai fazer alguma diferença de fato em suas vidas. No final de setembro, o representante do Ministério das Comunicações, Augusto Gadelha, chegou a afirmar que o Ginga entrará no mercado até maio de 2009. O Fórum SBTVD não confirma, mas deve começar a trabalhar para que até lá já sejam vendidos conversores que permitam a interatividade na televisão.


Senadores e acadêmicos se opõem a líderes da indústria sobre propaganda de bebidas

Os convidados para a audiência pública sobre regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas no país, realizada nesta quarta-feira (3) no Senado Federal, mostraram que as opiniões estão divididas. Os posicionamentos dos representantes do meio acadêmico e do governo – favoráveis à regulamentação – se opuseram aos dos representantes da indústria e do setor de publicidade – que defendem a liberdade de expressão.

Promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e pela Subcomissão Permanente de Promoção, Acompanhamento e Defesa da Saúde, vinculada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), a audiência foi realizada a pedido dos senadores Papaléo Paes (PSDB-AP) e Antonio Carlos Júnior (DEM-BA). Segundo a “Agência Senado”, Papaléo se posicionou a favor "de uma regulamentação bem rígida da publicidade de bebidas". "Se a publicidade não influísse nas vendas, a indústria não gastaria milhões com ela", declarou.

Para o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Milton Seligman, não existe relação direta entre publicidade e consumo de álcool. Ele acredita que a renda disponível, o preço do produto e o clima seriam determinantes para aumentar o consumo de cerveja, e que  publicidade seria importante para construir marcas, posicioná-las no mercado e informar os consumidores. "Não existe relação direta entre publicidade e consumo de cerveja. Na França, foi proibida a publicidade de bebidas na televisão e, de lá para cá, não houve nenhum resultado positivo em relação ao consumo indevido de álcool", disse Seligman.

Já o coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira, alegou que a indústria do cigarro mentiu à população por anos enquanto negava que o consumo provocaria câncer, e elogiou a restrição à publicidade do produto. "Agora temos a oportunidade de fazer a mesma coisa em relação ao álcool. Não podemos deixar que nossas crianças sejam educadas pelo Zeca Pagodinho", disse Laranjeira referindo-se à propaganda de cerveja protagonizada pelo cantor.

Gilberto Leifert, presidente do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), chamou Laranjeira de militante e o considerou alguém que "não consegue conduzir de forma desapaixonada pesquisas científicas sobre o tema".

Os senadores Flávio Arns (PT-PR), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Augusto Botelho (PT-RR) se posicionaram a favor da regulamentação. Já o senador Romeu Tuma (PTB-SP) defendeu a ampliação do debate sobre o tema e admitiu que a proibição da publicidade de bebida o "assusta um pouco". Ele elogiou iniciativas já promovidas pela indústria, como a de pedir aos consumidores que não dirijam se consumirem bebidas alcoólicas.

Pinheiro alerta sobre manobra para dividir CCTCI em duas comissões

A sessão desta quarta-feira (3) na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) terminou com um apelo do presidente Walter Pinheiro (PT-BA) para que os deputados lutem pela manutenção da comissão na forma como ela existe hoje. O motivo da conclamação dos parlamentares seria, segundo Pinheiro, uma articulação que vem sendo feita nos bastidores da Câmara para dividir CCTCI, criando outras duas comissões temáticas. O deputado não esclareceu quais os temas seriam apartados nessa nova estrutura.

"Na Casa circula uma proposta entre alguns deputados de dividir a comissão em outras duas comissões. Eu, particularmente, tenho levantado posição contrária a isso. Não acho salutar essa separação", afirmou Pinheiro. Em sua apresentação dos fatos, o presidente da comissão disse que será um equívoco se a idéia perseverar apenas para se "ter mais comissões para distribuir os deputados". Além disso, o movimento poderia comprometer todo o trabalho feito pela CCTCI até o momento.

Projeto fica a um passo do regime de urgência

A estratégia de levar o Projeto de Lei 29/2007 para votação no Plenário da Câmara começou a funcionar nesta semana. Caso a manobra funcione, o projeto, que reformula o setor de TV por assinatura e do audiovisual, pode ser votado ainda em 2008 pelos deputados e encaminhado ao Senado Federal. Ao invés de colher as assinaturas dos deputados, o que exigiria a adesão de dois terços dos parlamentares da Comissão ou de membros da Mesa Diretora, as representações partidárias da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) decidiram procurar diretamente seus líderes.

Até o momento, as lideranças dos dois maiores partidos na Câmara, PT e PMDB, já teriam assinado o documento, de acordo com as informações do deputado Jorge Bittar (PT-RJ), relator na CCTCI e principal articulador do encaminhamento do PL-29 ao Plenário. O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também aderiu à proposta, assim como o PR do líder Luciano Castro (RR). Outros dois partidos, o PPS e o PSDB, estariam em vias de assinar o requerimento, segundo Bittar.

Pelo Regimento Interno da Câmara, apenas com a adesão do PMDB e do PT já se teria obtido o número mínimo para a solicitação de urgência: a regra para pedidos feitos por lideranças é que um terço dos parlamentares deve estar representado pelos líderes que aderiram à proposta. Este número corresponde a 171 deputados e somente o PMDB possui uma bancada de 94 parlamentares, enquanto o PT possui 80 deputados.

Acordo político

Mas, além da matemática regimental, pesa em favor dos requerimentos de urgência a capacidade de demonstrar consenso em favor da matéria, com a adesão do maior número possível de partidos. Por conta desse jogo político, os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia ainda pretendem engrossar a lista de assinaturas das lideranças ao longo desta semana, antes de apresentar formalmente o pedido de tramitação em urgência à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Vencida esta etapa, o segundo passo deverá ser a articulação com o presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para que o PL-29 em urgência entre rapidamente na agenda de votações. Isso é necessário porque a simples classificação do projeto como urgente não garante sua votação imediata, uma vez que existe uma infinidade de propostas com regime de urgência aguardando deliberação do Plenário.

Moderadamente otimistas

Apesar da proximidade do fim do ano, Bittar acredita que há chances de votação em 2008. "Estamos moderadamente otimistas, até porque há um movimento para que a Reforma Tributária, que é uma matéria importante para o país, seja votada apenas no primeiro semestre de 2009 a pedido da oposição. Se isso acontecer, é possível o PL-29 entrar na pauta do Plenário", analisa Bittar, esclarecendo que a conversa com a presidência da Câmara só ocorrerá quando a lista de assinaturas estiver robusta. "Cada coisa a seu tempo."

Texto acordado

Com relação ao texto que está sendo acordado nas negociações partidárias, prevalece a última versão construída em discussões com os deputados da CCTCI. Este texto não chegou a ser apresentado como um substitutivo, pois, no momento em que foi arrematado, o projeto havia sido redirecionado para a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), onde permanece ainda hoje em análise. Neste parecer paralelo, mantém-se o sistema de cotas de veiculação de conteúdos nacionais, mas deixa de existir o limite de programação dos canais brasileiros por uma única programadora, estipulado em 25% no último substitutivo oficial.

Também é alterado o teto de publicidade para as TVs por assinatura, que sobe de 10% para 25% no total da programação e de 15% para 30% em cada hora. Outra alteração importante é a retirada dos artigos que tratavam do carregamento das retransmissoras, que passa a não ter nenhuma regra de balizamento.

Segundo Bittar, esta última versão não foi alterada até agora, mas o deputado não afasta a possibilidade de que novos acordos sejam fechados. Porém, na opinião do parlamentar, este texto representa um consenso construído com os setores e com os parlamentares e está equilibrado o suficiente para a votação. "Não é um marco regulatório ideal para nenhum dos setores, mas estabelece uma medial muito boa. Todos têm consciência de que este marco regulatório é democrático", afirma o relator na CCTCI. Este noticiário apurou, contudo, que os grupos Record e Band teriam fortes resistências a um acordo que não colocasse limites de concentração na programação.

Sem "personalização"

Às vésperas de deixar a Câmara dos Deputados para assumir a Secretaria de Habitação da prefeitura do Rio de Janeiro, Bittar continua se dedicado à votação do PL-29. Mesmo com sua posição de liderança à frente do assunto, o deputado descarta que exista qualquer sentimento de "personalização" do PL entre os demais deputados. "É como dizem naquele programa humorístico: Este projeto já não me pertence mais. Ele pertence à Câmara e por todo trabalho construído, deve encher de orgulho os deputados", diz Bittar.

O deputado não acredita que exista constrangimento da parte da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) por conta da estratégia de solicitação de urgência para o projeto. Bittar lembra que o relator na CDC, deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), realizou audiências públicas sobre o PL-29 e pretende finalizar seu substitutivo ainda neste mês – a previsão divulgada na comissão é 10 de dezembro. Bittar conta que não chegou a conversar com o relator da CDC, mas que o representante do PMDB na CCTCI nas discussões sobre PL-29, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), tem mantido Rêgo Filho informado sobre as negociações.

Para Bittar, mesmo que não se consiga votar o projeto ainda neste ano, as negociações feitas nos últimos meses resultaram em um texto bastante robusto. "Na pior das hipóteses, vamos deixar um legado muito bom; um projeto redondinho e amadurecido", avalia o deputado, que assume o cargo no Rio em janeiro. Tecnicamente, o recesso parlamentar começa no dia 21 de dezembro, mas é possível que os trabalhos se estendam por mais alguns dias. Tudo dependerá da votação do Orçamento de 2009, já que os deputados só podem sair em recesso após a aprovação da peça orçamentária.