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Governo quer posição da Anatel para agir contra liminar que suspendeu mudanças no PGMU

Depois da terceira derrota na justiça federal, em Brasília, o governo aguarda uma posição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), de hoje até segunda-feira, para agir no sentido de derrubar a liminar que suspende os efeitos do decreto do novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), que permitiu a troca dos Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) pela implantação de backhaul (infraestrutura de internet), pelas operadoras de telefonia fixa.

A liminar foi concedida em novembro à Pro Teste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor pela juíza federal Maria Cecília de Marco Rocha, da 6ª Vara do Tribunal Federal de Justiça do Distrito Federal. Esta semana, no julgamento de recursos da Anatel e do Ministério das Comunicações, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), dois desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) mantiveram a liminar. O entendimento dos três é de que não está clara a reversibilidade do backhaul no decreto.

Para o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, a procuradoria da Anatel precisa avaliar se recorre ao pleno do TRF ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corre o risco de sofrer mais um desgaste, ou inclui, por meio de termo aditivo, a cláusula da reversibilidade no decreto. "Para isso, é preciso fazer consulta pública", disse.

Barbosa disse que, embora governo e operadoras concordem que está claro a reversibilidade do backhaul, como se trata de direito público, é necessário que tudo esteja expresso.

Outra fonte do governo avalia que a confusão foi causada pela própria Anatel, que retirou a cláusula da reversibilidade do decreto na véspera da assinatura, por entender que se tratava de uma redundância. Essa fonte também considera perda de tempo recorrer da decisão.

O que todos querem evitar é que a suspensão da implantação do backhaul acabe interferindo demais no programa Banda Larga nas Escolas, que prevê a conexão em alta velocidade das 55 mil escolas públicas urbanas até 2010. Mesmo que esse programa não tenha sido atingido diretamente pela decisão da justiça, acaba sofrendo os efeitos indiretamente, porque as operadoras necessitam da complementação da infraestrutura para levar a internet às escolas. As metas dos dois programas já estão atrasadas.

A Anatel ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Emissora conquista espaço na rede pública

Emissoras educativas e culturais está trocando parte da programação da TV Cultura, de São Paulo, pela da TV Brasil. Desde meados de 2008, a Fundação Padre Anchieta (mantenedora da Cultura) anunciou que não mais subsidiaria a programação para as educativas de outros estados, passando a cobrar pela cessão de direitos. A proposta da TV Cultura foi bem aceita inicialmente pelas emissoras públicas, já que o valor cobrado não ultrapassa 3% de seus orçamentos. Com outras emissoras é estabelecida uma relação comercial, na qual a emissora fica obrigada a veicular o break nacional da TV Cultura. Mesmo assim, muitas emissoras estão trocando os contratos de compra de conteúdo da TV Cultura e se afiliando à TV Brasil.

A cessão de direitos de veiculação do conteúdo é uma importante receita para a TV Cultura. Conforme noticiou Tela Viva News em novembro, o faturamento com o licenciamento de conteúdo para outras emissoras é de aproximadamente um terço do que a TV Cultura fatura com publicidade.

Oferta vantajosa

Segundo Antônio Achilis, presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), a TV Cultura perdeu cerca de 38% de seus contratos de cessão de conteúdo para emissoras educativas, "e vai perder mais".

Procurada, a TV Cultura não se pronunciou sobre a questão, mas uma fonte importante da emissora paulista disse não identificar qual o real motivo da mudança. "A Cultura cobra muito pouco pelo conteúdo, perto do orçamento de algumas emissoras estaduais. Não acredito que o motivo (da troca) seja o preço", disse.

Achilis, que é também presidente da Rede Minas, diz que a proposta da TV Brasil é tentadora, já que ela não cobra pela cessão de conteúdo. Contudo, a questão, segundo ele, não é apenas preço. A TV Brasil, destaca, acena com a possibilidade de coproduzir com os estados. Em outras palavras, a TV Brasil deve passar a cofinanciar as produções locais dos estados.

Para Achilis, a TV Brasil ainda está em fase de construção, com poucos programas criados. "A implantação não é em velocidade de cruzeiro, mas a possibilidade de co-produção é interessante para as emissoras públicas", diz. Segundo ele, é muito difícil para os estados conseguirem distribuir seus conteúdos pelo país, o que se torna possível com a rede da TV Brasil.

A Rede Minas, diz Achilis, não tem contrato de afiliação "com ninguém". "Por enquanto, estamos analisando as propostas", diz. A rede mineira (que há décadas transmite boa parte da programação da Cultura) é uma das poucas educativas que conseguiu "exportar" seu conteúdo, contando com três programas exibidos pela TV Cultura e outro pelo canal pago da Fundação Padre Anchieta, a TV Rá Tim Bum. "A tendência é que esses programas venham a ser coproduções com a TV Brasil", diz, explicando que a TV Cultura não paga por este conteúdo. "Ela ainda poderá ter acesso aos programas, mas através da TV Brasil", explica.

Infantil

A fonte na TV Cultura também questiona como as emissoras de outros estados farão para substituir a programação infantil da Cultura, bem mais completa que a da TV Brasil, e formada, inclusive, por séries internacionais licenciadas pela Cultura.

Projeto do Executivo descriminaliza transmissão sem licença

No início do penúltimo ano do governo Lula, a equipe do presidente por fim mostra-se disposta a dar o primeiro passo para um processo de revisão das regras que impedem o crescimento das rádios comunitárias. Foi publicada hoje (15) no Diário Oficial da União mensagem do Executivo ao Congresso Nacional enviando projeto de lei que visa descriminalizar o ato de operar serviço de radiodifusão sem autorização do poder concedente.

A iniciativa responde a uma das históricas demandas dos ativistas da mídia comunitária. A perseguição dos órgãos reguladores e da polícia às rádios comunitárias é uma das principais reclamações das entidades representativas do setor, que inclusive denunciam um acirramento desta ao longo do governo Lula.

A versão final do PL só será divulgada após o seu acolhimento pelo Congresso, mas o texto que está sendo trabalho pelo Ministério da Justiça, com apoio da Casa Civil, altera o Artigo 183 da Lei Geral de Telecomunicações, excetuando de sanção penal a transmissão clandestina de telecomunicações que seja identificada como radiodifusão. O texto também revoga o Artigo 70 do Código Brasileiro de Telecomunicações, que criminaliza “a instalação ou utilização de telecomunicações, sem observância do disposto nesta Lei e nos regulamentos”, estabelecendo pena de um a dois anos, ampliada se houver dano a terceiros.

Os dois artigos modificados pela proposta são os dispositivos utilizados para justificar a prisão e abertura de processo criminal contra os responsáveis pelas emissoras comunitárias. Caso sejam aprovadas as modificações, quem colocar uma rádio no ar antes de receber a autorização do Ministério das Comunicações não poderá mais ser preso ou julgado por varas criminais.

A transmissão, no entanto, segue sendo considerada um ilícito civil. O projeto não faz distinção em relação à natureza da programação veiculada ou da organização responsável pela emissora considerada não-autorizada. Ou seja, seriam abarcadas por estas modificações tanto rádios comunitárias, como rádios e mesmo TVs de caráter comercial que operem sem licença apropriada.

Segundo o secretário de assuntos legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, o PL reflete a posição do governo, apoiada em resolução Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, de mudar a concepção atual da legislação. “Deve ser crime o que atenta contra os bens jurídicos da humanidade. A emissão de onda sonora em desacordo com legislação não afeta nenhum bem jurídico relevante, nada que possa privar a pessoa da liberdade. O mero funcionamento de uma rádio não pode ser considerado crime”, argumenta.

Seguindo esta lógica, a proposta do governo inclui no Código Penal o crime de operação de estação de serviços de radiodifusão que coloquem pessoas em risco de vida ou saúde ao atrapalhar ou inviabilizar o funcionamento de “serviços de telecomunicações de emergência, de segurança pública ou de fins exclusivamente militares” ou de “equipamentos médico-hospitalares”. Neste caso, também poderiam ser enquadradas emissoras autorizadas que provoquem interferências consideradas danosas.

Punições mais duras

O aspecto positivo do projeto – retirar da esfera penal a atividade de radiodifusão não-autorizada – pode ser ofuscado pelo endurecimentos das punições civis previsto na proposta. Para quem for pego transmitindo sem autorização, o texto propõe como sanções a apreensão dos equipamentos, multa e suspensão do processo de autorização da outorga ou a proibição de que aquela associação possa se habilitar para um novo processo até o pagamento da multa.

Além de prever esta punição à operação sem licença, o projeto aprofunda a rigidez das punições administrativas para as rádios comunitárias autorizadas em relação a outras infrações, divididas em três categorias: as regulares, graves e gravíssimas. No primeiro grupo, está a veiculação de publicidade e propaganda fora dos limites estabelecidos e o descumprimento de qualquer artigo da Lei 9.612, de 1998, que regulamenta o serviço. Atualmente uma emissora comunitária só pode receber recursos mediante patrocínio, na forma de apoio cultural, de estabelecimentos situados na área atendida. A pena para esta categoria é multa e a suspensão do funcionamento por 30 dias.

Já no grupo das infrações graves foram incluídos a operação dos equipamentos fora das especificações, que atinge aquelas estações que utilizam transmissores mais potentes do que o permitido, e a permanência por mais de 30 dias sem funcionamento sem motivo justificável. A pena prevista é multa e, em caso de reincidência, lacração do equipamento até a correção dos problemas.

Dentre as infrações gravíssimas constam a transferência da execução do serviço a terceiros e a realização de proselitisimo de qualquer natureza. A sanção para tais infrações é a cassação da autorização e a lacração dos equipamentos.

De acordo com Pedro Abramovay, a maior rigidez foi inserida na proposta seguindo a lógica de que o tratamento do desrespeito à legislação deve ser feita sob uma abordagem administrativa “Atualmente, estas punições estão baseadas no fato de que estávamos lidando com conduta criminosa. Agora, a Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] tem que ter poder de coercitividade para fazer valer a regra. Só achamos que este poder não pode ser a polícia, a cadeia”, explica.

Prioridade

O secretário de assuntos legislativos do MJ afirma que o projeto será uma prioridade do órgão neste ano. “Sabemos que o PL sofrerá resistências, mas o Executivo vai tratá-lo como prioridade”, diz.

Esta proposta deve aumentar a polêmica em torno de reformas na legislação das rádios comunitárias no Congresso, já instalada por conta do debate sobre o substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG). que reformula a Lei 9612/1998, em trâmite na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCTCI) da Câmara dos Deputados.

A CCTCI, no entanto, demonstrou no fim do ano que pelo menos a questão da descriminalização encontra apoio entre os parlamentares. A comissão aprovou por unanimidade o substitutivo do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) a projeto que tramitava na Câmara desde 1998 sobre a anistia de rádios comunitárias que estejam sendo processadas por operarem sem autorização. No novo texto, Pinheiro incluiu ainda a descriminalização da transmissão feita por rádios eminentemente comunitárias com potência de até 250W, modificando exatamente os mesmos artigos do CBT e da LGT revistos no projeto do Executivo.

TRF mantém liminar que impede troca de PST por backhaul no PGMU

Poucas horas antes de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reunir-se com representantes de várias instâncias do governo para discutir como está o andamento dos projetos de expansão do backhaul e o provimento de internet nas escolas, o governo recebeu uma notícia nada agradável. A União foi derrotada mais uma vez na briga para tentar derrubar a liminar obtida há dois meses pela associação Pro Teste suspendendo a alteração contratual que transforma o backhaul em uma meta de universalização.

A primeira derrota em segunda instância aconteceu na última segunda-feira (12). Nesta data o desembargador Souza Prudente rejeitou o agravo de instrumento apresentado pela Anatel, alegando que não está claro que o backhaul é reversível, o que pode causar prejuízos ao erário público. A segunda decisão contrária ao governo foi tomada nesta quinta-feira (15), pelo presidente em exercício do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, desembargador Antônio Ezequiel da Silva. E novamente o problema está na falta de clareza sobre a reversibilidade da infra-estrutura de dados.

Anatel e Ministério das Comunicações, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), recorreram à presidência do TRF1 pedindo a emissão de uma "suspensão de liminar", recurso especial em que o argumento é a possibilidade de grave prejuízo a ordem pública caso a decisão tomada em primeira instância fosse mantida. Representantes da Anatel estiveram com Ezequiel Silva na quinta-feira passada, dia 8, e uma equipe do Minicom acompanhou o encontro do desembargador com os responsáveis pelo caso na AGU nessa quarta-feira (14).

Sem dúvida

Nos dois encontros, um dos argumentos mais colocados foi o fato de que a União não tem dúvidas sobre a reversibilidade desta rede, que seria suporte ao STFC de acordo com as análises técnicas apresentadas pela Anatel e pelo Minicom. No entanto, a decisão da Anatel de retirar a cláusula contratual que dizia claramente que essa infra-estrutura retornará à União ao término das concessões, em 2025, pesou contra a derrubada da liminar.

Assim, segundo informações do TRF1, Ezequiel Silva decidiu manter a liminar concedida em primeira instância, negando os dois pedidos de suspensão feitos pela Anatel e pelo Minicom.

Um detalhe fundamental que aparece nas três decisões tomadas até agora (a emissão da liminar pela 6ª Vara de Justiça Federal de Brasília, a rejeição dos agravos e, desta vez, dos pedidos de suspensão pelo TRF1) é a existência de contribuições das empresas feitas na consulta pública preparatória para a revisão dos contratos dizendo explicitamente que a cláusula deveria ser retirada, pois o backhaul não estaria contemplado no estatuto da reversibilidade de bens.

Este fato tem sido crucial para a existência da dúvida entre os magistrados sobre a real garantia de reversão dos bens, o que coincide com um dos mais fortes argumentos apresentados pela Pro Teste para pedir a suspensão da mudança contratual.

Com a liminar em vigor e sem uma decisão de mérito, o governo vê ameaçado o seu programa de banda larga e começa a ficar sem opção. Uma possibilidade é que na regulamentação do backhaul (que deveria ter feita em agosto passado mas está atrasada) a Anatel tire completamente as dúvidas jurídicas sobre a reversibilidade.

Anatel e governo cobram das teles cronograma de implantação do backhaul

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e representantes do governo se reúnem hoje com as concessionárias de telefonia fixa se reúnem hoje para discutir a implantação da infra-estrutura banda larga (bakchaul) nas escolas públicas. Os dados oficias sobre o cumprimento das metas de universalização da banda larga para 2008 não foram divulgados ainda porque o governo cobrará, antes, as explicações das companhias de STFC por terem desrespeitado os cronogramas acertado com as próprias empresas e oficializado por meio de decreto presidencial. Até este momento, nem a Anatel e nem o Ministério da Educação (MEC) – responsável pela coordenação da implantação do backhaul em substituição aos postos de serviços de telecomunicações (PSTs) e os pontos de acesso à internet do Programa Banda Larga nas Escolas – divulgaram o balanço do ano de 2008.

A reunião marcada para a tarde desta quinta-feira (15), na sede da Anatel contará com a participação de técnicos da própria agência e dos ministérios da Educação, Comunicações e Planejamento, Orçamento e Gestão e representantes da Casa Civil, além dos executivos das concessionárias de telefonia fixa. O principal interesse do governo é saber, diretamente dos diretores da companhias, quais as razões para que as metas não tenham sido alcançadas e garantir o cumprimento do cronograma ao longo de 2009 e 2010.

Algumas fontes do governo afirmam que não serão admitidas quaisquer desculpas que inclua o argumento de redução na receita por conta do prolongamento da crise financeira. Isto porque, na avaliação do governo, a implementação dos programas não demandaria novos investimentos que estariam além do que foi programado pelas companhias, como ocorreu com as operadoras móveis com a compra de licenças 3G.

Em relação ao programa Banda Larga nas Escolas, os últimos dados divulgados pelo MEC foram do terceiro trimestre do ano passado com 9,6 mil escolas publicas atendidas. Até o fim de 2008, deveriam ter sido pelo menos 40%, que representaria o 22,6 mil pontos de banda larga. Para 2009, o cronograma estabeleceu outros 40% das escolas e, em 2010, o restante de 20%.