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Crise econômica atinge finanças e credibilidade da grande mídia

Após terem contribuído como artífices da legitimação da financeirização radical que ruiu como castelo de cartas a partir da crise do sistema hipotecário estadunidense, os grandes grupos comerciais de mídia agora sentem os efeitos do forte abalo em curso no modelo econômico neoliberal. Eles, que se notabilizaram pela defesa do modelo,vêm sofrendo os efeitos deste, em um fenômeno que vai da esfera econômica, com a crescente dificuldade de capitalização dos empreendimentos, à jornalística, com uma inédita perda de referência dos produtos e seus discursos.

Esta foi a avaliação realizada em coro quase uníssono pelos participantes do debate "A crise e a grande mídia", realizado nesta segunda-feira no 2º Fórum Mundial de Mídia Livre, evento que antecede o Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará.

Segundo Igácio Ramonet, do jornal francês Le Monde Diplomatique, a grande mídia internacional desempenhava papel fundamental no neoliberalismo, constituindo uma aliança com o poder econômico quase como uma espécie de "duopólio". "Com a crise que estamos vivendo no campo econômico, o neoliberalismo como teoria se vê golpeado, em minha opinião à morte, e o poder midiático, curiosamente, está se debilitando ante nossos olhos", afirmou.

O jornalista francês citou casos de diversos veículos tradicionais que vêm, em razão de seus balanços financeiros negativos, sendo repassados a empresários que não são tradicionalmente do ramo. Um caso exemplar foi a venda do New York Times ao empresário mexicano Carlos Slim Helú. O próprio Le Monde é um dos tradicionais veículos da mídia impressa que passa por sérias dificuldades financeiras.

Ramonet credita esta situação à aposta feita pelos grandes grupos comerciais na imagem pintada de calmaria e prosperidade neoliberal. Acreditando nela, investiram grandes montantes em estratégias de aquisição de grupos de mídia menores seguindo as tendências concentradoras do setor. Quando o crédito se esvaiu do mercado, estes conglomerados viram suas dívidas se transformando em um beco sem saída, apelando para a venda de empreendimentos seculares a neófitos no negócio da mídia.

Pacoal Serrano, do site espanhol Rebelion.org, foi mais longe e defendeu que a crise da grande mídia vai para além da dimensão econômica, atingindo sua própria credibilidade e autoridade junto aos seus públicos leitores, telespectadores e ouvintes. "Há uma crise de mediação. O cidadão já percebe que o discurso da mídia não se coaduna com interesses dos meios de comunicação. O leitor não se fia mais no que dizem os meios de comunicação", sugeriu Serrano.

Por fim, ele vê uma crise de informação que atinge os pressupostos históricos do jornalismo liberal, especialmente o da objetividade jornalística. Com o estouro do sistema hipotecário, os meios simplesmente se viram sem condições de explicar o fenômeno. "A dinâmica dos meios os impede de aprofundar, colocar os elementos de contexto para entender o que acontece", disse.

Armadilha

Na opinião do professor da Universidade de São Paulo (USP) Bernardo Kucinski, é irônico que a grande mídia, uma das atingidas pela crise, atue fortemente para alimentá-la. “Um aspecto mais perverso foi que a grande imprensa passou a alimentar a própria crise, através de um comportamento catastrofista e alarmista que levou empresários a rever seus planos.”

O editor do Portal Vermelho, Altamiro Borges, creditou este comportamento quase suicida à necessidade de legitimar uma saída conservadora do poder econômico à crise. “Estamos vivendo um choque do terror. A mídia está criando clima de pânico para gerar ações como demissões nas montadoras. Da mesma forma como aproveitou o Katrina para expulsar a população, ela aproveita a crise hoje para pautar ajustes mais duros. E isso é um perigo”, alertou.

Contraponto

Frente a este quadro, todos os participantes do debate propuseram a constituição de uma alternativa que possa enfrentar de igual para igual a ação dos grandes grupos midiáticos. "Queremos estar de igual para igual com os grandes meios. Não queremos ser marginais. A liberdade de expressão será uma realidade quando deixarmos de ser marginais", defendeu Pascoal Serrano, do Rebelion.

Joaquim Constâncio, do escritório uruguaio da agência internacional IPS, destacou que, para galgar esta posição, é necessário garantir a profissionalização da equipe de uma iniciativa deste porte, bem como uma estrutura robusta. "Represento uma agência com mais de 40 anos de vida, em mais de 100 países, e digo que com toda estrutura enorme, somos uma gota de água na batalha dos grandes meios. É preciso muito mais do que isso, construir meios alternativos realmente potentes e estruturados com força para gerar conteúdos", ponderou.

Ele defendeu que, apesar das novas possibilidades advindas da internet, não é possível disputar hegemonia contra os grandes meios apenas por iniciativas pontuais ou individuais. Luiz Fernando Navarro, do jornal mexicano La Jornada, foi na mesma direção. “É grande o desafio de não fazer apologia do marginal. Precisamos ser capazes em converter algo alternativo em hegemônico.”


Indústria terá que ampliar fabricação de aparelhos adaptados

O governo prepara novas medidas para acelerar a implementação da TV digital brasileira. Depois que os Ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia estabeleceram cotas de fabricação de celulares para a recepção dos sinais digitais de TV, agora será a vez dos fabricantes de aparelhos de TV também terem novas regras de produção.

A proposta, que está sendo capitaneada pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, é para que os fabricantes passem a ter também cotas crescentes de produção de televisores com a recepção digital, até que toda a produção nacional de TV fique exclusivamente digital. Duas são as alternativas em estudo pelo governo, que serão apresentadas aos fabricantes, antes de lançadas à consulta pública.

Em troca dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, a indústria começaria a incorporar o set-top box nos modelos de telas maiores. E seriam estabelecidos prazos para a incorporação das outras linhas de telas menores. Outra proposta em estudo seria a de apenas estabelecer um percentual anual de fabricação de aparelhos de TV digital deixando a critério da indústria a escolha dos modelos.

Nas duas propostas, porém, será definida uma data final de quando não poderá mais haver aparelhos de TV fabricados no Brasil sem a incorporação da recepção digital. E, segundo fontes do governo, essa data não deverá passar de 2014.

Regulamentação das lan houses pode dar novo impulso à inclusão digital

Transformar as lan houses na quarta onda da inclusão digital. Um movimento lento, gradativo e cheio de obstáculos nesse sentido começa a fermentar no governo federal. Suas bases foram lançadas pela Fundação Padre Anchieta durante a Campus Party Brasil 2009. E atende pelo nome de Conexão Cultura. Uma iniciativa que, a partir de março, cederá conteúdos qualificados – cursos profissionalizantes, serviços governamentais, conteúdo de apoio escolar -,vários deles produzidos pela TV Cultura, principalmente na área de entretenimento.

Por trás da ideia, além de Paulo Markun, presidente da Fundação, Cláudio Prado, coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e autor, na gestão Gilberto Gil no Ministério da Cultura, do projeto Pontos de Cultura. Prado vê as lan houses como potenciais pontos de cultura digital. Mas, para isso, é preciso que deixem de ser mero comércio de conexão e se transformem em fornecedores de serviços digitais para as comunidades onde atuam.

Caminho complicado, que precisa contar com o apoio dos governos municipal, estadual e federal para virar realidade.

De acordo com a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID), o Brasil possui cerca de 90 mil lan houses. Apenas 17% são formais, devidamente legalizadas. A imensa maioria (83%) vive na informalidade, à mercê da atuação das mais diversas forças sociais, boas e más; das tentativas de cartelização do custo do acesso; do alto custo das licenças de software, que leva à pirataria e entraves aos processos de legalização de suas atividades; e por aí vai…

Na prática, já hoje as lan houses cumprem o papel de centros de inclusão digital. Em 2007, o acesso à internet a partir delas ultrapassou o acesso doméstico: 49% contra 40%, segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI.br).

Ainda segundo o Comitê Gestor, mais de 49% dos 17 mil brasileiros ouvidos no último censo sobre uso da grande rede no país tiveram seu primeiro contato com a internet em centros públicos de acesso como as lan houses. Esse número é ainda maior quando se mede o acesso por extratos sociais. As lan houses são usadas por 78% dos entrevistados que ganham até R$ 380. A maioria, em busca de informações e serviços online. E não em jogos, como crê o senso comum.

A posposta de Markun e Cláudio Prado parece já ter sido bem assimilada pelo governo federal. "A lan house tem a capacidade de ampliar as possibilidades de inclusão digital. Precisamos trabalhar esse aspecto de entretenimento e difusão cultural”, disse Nelson Fujimoto,assessor especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República, presente aos debates sobre o tema realizados sexta-feira passada, na Campus Party.

Resta saber o que farão os governos estaduais e municipais.

ONG aponta que crimes de racismo e xenofobia na web cresceram mais de 100%

Um levantamento feito pela ONG Safernet através de denúncias de usuários de sites de relacionamentos aponta que os crimes de xenofobia cresceram 238,7% no Orkut entre o primeiro e o segundo semestre de 2008.

Já os crimes de racismo tiveram um crescimento de 167,2%, e os de homofobia aumentaram 131,4% nos últimos seis meses do ano passado. Segundo a ONG, os de pornografia infantil, que têm mais visibilidade, tiveram um aumento de 57,9%.

Segundo o advogado Luiz Guilherme Natalizi, a legislação brasileira quase não faz menção à crimes praticados pela Internet. "Uma das poucas leis foi relacionada à criação e divulgação de práticas pedófilas, que alteraram o artigo 240 e 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, implementada pela Lei 10.764, de 2003", declarou Natalizi ao jornal O Globo.

Sobre as outras violações, como a xenofobia e o racismo, ele explicou que os criminosos podem responder de acordo com as leis já existentes. No entanto, a vítima deve se munir de provas – por exemplo, imprimindo a página com conteúdo criminoso e obtendo uma certidão de pessoa com fé pública, assinada por um policial e duas testemunhas.

As práticas que envolvem furtos, como os praticados por crackers, também são analisadas de acordo com a legislação atual. "Algumas das práticas podem ser consideradas crimes se analisadas a partir de seu resultado, como no caso dos crackers – que burlam um sistema de segurança na internet de uma instituição financeira e desviam valores de contas – fica configurado o furto", concluiu.

Governo afirma que arquivos da ditadura estarão disponíveis pela internet

O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou, na última quinta-feira (22), que os arquivos da ditadura conseguidos pelo governo federal estarão disponíveis na internet em fevereiro de 2009. A declaração foi concedida em um debate sobre Leis de Anistia do Brasil e América Latina, promovido pela 6ª Bienal de Cultura da União dos Estudantes (UNE), em Salvador (BA). A informação é da Agência Estado.

Na ocasião, Vannuchi ressaltou que a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, publicará um edital para convocar a apresentação dos documentos, com garantia de sigilos às pessoas que enviarem. O governo ainda prevê punições aos que ocultarem informações sobre o período. "Será dado um prazo para a apresentação e quem se negar e for descoberto estará cometendo irregularidade", disse Vannuchi.

De acordo com as informações do governista, o acesso aos dados da ditadura ficará restrito, por meio de cadastro e senha, a historiadores, pesquisadores e jornalistas, para que a ação não cause danos à intimidade dos envolvidos.