Arquivo da categoria: Notícias

Lula afirma que vai realizar Conferência de Comunicação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou hoje, em Belém, a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Em entrevista coletiva após sua participação em atividades relacionadas ao Fórum Social Mundial o presidente afirmou que o governo vai realizar a conferência.

“O que nós vamos fazer agora é uma grande conferência sobre comunicação no Brasil”, disse Lula, em resposta a pergunta sobre políticas na área de comunicação.

O presidente, entretanto, não falou em datas. Mais cedo, no entanto, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, havia citado a conferência de comunicação entre as que serão realizadas este ano pelo governo federal. A Secretaria-Geral é responsável pela coordenação dos espaços de participação direta do governo federal, inclusive as diversas conferências da área social.

A realização da I Conferência Nacional de Comunicação é uma reivindicação de diversas organizações e movimentos sociais. Há cerca de um ano e meio, um grupo de entidades e mais duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados (a de Direitos Humanos e Minorias – CDHM – e a de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI) criaram a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação. No início de dezembro, a comissão apresentou ao Executivo a sua proposta para a convocação e organização do processo [veja aqui ].

Desde terça-feira, havia rumores de que a convocação da conferência teria sido acertada em reunião entre o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o presidente Lula. A assessoria do ministério, porém, não confirmou a informação, informando apenas que o ministro faria uma coletiva para tratar do tema.

O site Tele.Síntese informa que há uma reunião marcada para 3 de fevereiro, no Palácio do Planalto, entre a Secretaria-Geral, a Casa Civil e o Ministério das Comunicações para acertar detalhes do decreto presidencial que deve convocar a conferência.

O decreto vai estabelecer a data de realização da etapa nacional e definir o órgão de governo responsável pela execução da conferência. Considerando as experiências das demais conferências, o texto pode, ainda, estabelecer o formato das etapas preparatórias, a temática e os objetivos da conferência, além de definir também o grupo de trabalho responsável por coordenar o processo.

* Colaborou Flávio Gonçalves, para o Observatório do Direito à Comunicação.

Canais abertos devem se abrir à produção independente

A TV aberta, contrária a projetos de lei que determinam cotas obrigatórias de produção independente na programação, deverá agora se abrir mais a essas parcerias. Afinal, para isso, contará com o benefício fiscal do novo artigo e não precisará colocar a "mão no bolso".

Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, defende que o Estado abra mão de parte da arrecadação para "transformar a cultura das redes, o que é complicado". "É assim em vários países. Não tenho dúvida de que esse artigo, em alguns anos, não será essencial para a TV, que verá que produção independente é bom negócio."

Presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV), Fernando Dias diz que sua expectativa é que aconteça "um aumento grande da parceria de TVs".

"Estamos sentindo já uma aproximação. Fizemos neste mês um evento com produtoras e tivemos a presença de vários canais em busca de novos projetos", conta.

Redes de TV organizam-se para aproveitar novo incentivo a produção independente

A Record acaba de comprar os jogos Pan-Americanos de 2015 e, de "brinde", pode levar dinheiro para uma minissérie.

Este é o pressuposto de um novo artigo da Lei do Audiovisual. Ele concede a canais que comprarem eventos esportivos internacionais ou obras estrangeiras (filmes, séries etc.) um incentivo fiscal para a produção de programas nacionais.

A TV paga já contava com outros mecanismos de fomento à produção nacional, mas é a primeira vez que emissoras abertas poderão usufruir diretamente de benefício fiscal na programação. Para isso, contudo, têm de fazer parcerias com produtoras independentes.

Isso quer dizer, por exemplo, que a próxima minissérie da Globo, "Som e Fúria", dirigida por Fernando Meirelles e feita por sua produtora, O2, poderia ser bancada por esse recurso.

Regulamentado em outubro do ano passado, o artigo 3º A está movimentando neste início de ano negociações na televisão. Record, Fox e Turner já abriram suas contas para receber o incentivo. ESPN está em processo de abertura, e MTV e HBO solicitaram informações para usufruir da verba.

A conta é aberta por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que terá de aprovar o programa a ser beneficiado. Valem minisséries, séries e documentários, entre outros. Serão vetados programas de auditório, novelas e reality shows.

O montante do fomento promete ser significativo. Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, diz que, "em uma previsão pessimista, sem contar a compra de eventos esportivos", os canais fechados devem movimentar neste ano algo perto de R$ 50 milhões. E nas redes abertas o valor deve ser maior.

O Pan-Americano da Record serve para dar uma ideia. A rede comprou os jogos de 2015 por US$ 20 milhões (cerca de R$ 46 mi). Terá desconto no imposto a ser pago pela remessa do dinheiro ao exterior e poderá ficar com US$ 2,1 mi (R$ 4,8 mi) para produzir um programa. A série "A Lei e o Crime", por exemplo, que estreou no último dia 5, custa de R$ 500 mil por episódio. Procurada, a Record disse não querer "ainda comentar".

As TVs estão procurando projetos independentes e negociando com seus fornecedores de obras importadas. O imposto é recolhido pelo canal brasileiro, mas em nome da empresa estrangeira. Por isso, é preciso que haja um acordo entre os dois para uso do desconto.

Globo e Disney

"Estamos em negociação com a Globo para ver como o recurso será utilizado", diz Rodrigo Saturnino, diretor da Columbia/Sony, distribuidora internacional de filmes da Disney, como "Piratas do Caribe", que tem contrato com a Globo.
Saturnino explica que, no caso de distribuidoras/produtoras de obras audiovisuais, é provável que o acordo seja de sociedade com os canais brasileiros na produção a ser feita com o novo incentivo fiscal.

Ele afirma ainda não ter um cálculo de quanto a parceria Globo/Disney renderá com o novo dispositivo. Mas fontes do mercado avaliam que só com esse contrato a emissora poderá utilizar no ano cerca de R$ 5 milhões -o que pagaria, por exemplo, a microssérie "Capitu", que custou R$ 4 milhões, desde que fosse feita com produtora independente. A Globo afirmou estar "examinando a possibilidade de aproveitar o 3º A, mas só tomará decisões a partir do segundo semestre".

Turner, SBT e Fox informaram estar avaliando de que forma irão utilizar o artigo. Band e MTV já pensam em quais programas poderão viabilizar. "Temos conversado com produtores independentes e pensamos em teledramaturgia ou animação", diz Juca Silveira, diretor de planejamento da Band.

Lara Andrade, diretora responsável pela aquisição de programação para MTV, Fiz e Ideal (canais Abril), diz que o recurso poderá "custear projetos mais caros, como os de alta definição, para os quais as emissoras nem sempre dispõem de orçamento". Andrade está em busca de projetos independentes e renegocia os contratos com fornecedores de conteúdo estrangeiro.

Já detentores de direitos de transmissão esportiva poderão, em tese, liberar integralmente esse recurso para os canais brasileiros, uma vez que seu negócio não é produção audiovisual. Se isso ocorrer, além de beneficiar as TVs abertas que compram grandes eventos, como Pan, Olimpíada e Copa, o novo artigo é "gol de placa" para canais esportivos.

É o caso da ESPN. O diretor-geral, Germán von Hartenstein, diz que a expectativa é que o vendedor de direitos esportivos "não entre como parceiro" das produções feitas com o incentivo fiscal. "Para eles, [a nova regra] não muda nada. Nas primeiras consultas que fizemos, não nos deparamos com resistência das empresas estrangeiras [na liberação do uso da verba]", afirma.

Apesar de se concentrarem na transmissão de competições, os canais ESPN, diz, têm projetos de produção nacional, como documentários. "Não há dúvida de que esse novo mecanismo irá ampliar o espaço de conteúdo brasileiro na TV."

Globosat vai vender programas na internet

A Globosat deixará neste ano de ser exclusivamente uma programadora de canais pagos.

A empresa da Globo passará a distribuir conteúdo pela internet e pelo celular. Investirá também em DVD e video-on-demand, serviço de TV paga em que o assinante compra programas e filmes sob encomenda.

Para cuidar dessa expansão, a Globosat terá a partir de segunda um diretor de novas mídias.

Segundo Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, a área será "a maior frente de investimento para este ano".

Uma das ideias é criar uma loja virtual de venda de conteúdo da Globosat, cujos canais (SporTV, Globo News, GNT, Multishow) exibem por mês mais de 500 horas de programação feita no Brasil. A "iTunes" da Globo vai vender programação por download (para baixar no computador) e streaming (para assistir no próprio site). "Estamos estudando um sistema de transmissão por cobrança na internet", confirma Pecegueiro.

A Globosat deverá seguir o modelo da Playboy do Brasil (da qual a Globo tem 60%), que desde dezembro oferece conteúdo erótico para celular.

Segundo Pecegueiro, a TV paga continuará sendo a prioridade da Globosat. Mas serão produzidos conteúdos exclusivos para as novas mídias.

Reportagens do SporTV ou da Globo News poderão ter versões curtas para celular e "extras" para internet.

Circulação de jornais cresce 5% no Brasil em 2008

Os jornais brasileiros encerraram o ano de 2008 com uma circulação 5% maior daquela registrada em 2007. Os dados foram retirados do consolidado anual divulgado pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), entidade que audita a tiragem, distribuição e circulação das publicações a ele filiadas.

No último ano, a circulação média paga de todos os jornais do país alcançou a marca dos 4.351.400 milhões de exemplares por dia, número 5% maior do que a circulação registrada no ano de 2007, de 4.144.149 milhões de exemplares diários. O mês de maior força do meio jornal foi o de abril de 2008, quando a circulação bateu a casa dos 4.469.054 milhões de exemplares diários. A menor taxa de circulação diária foi registrada no último mês de dezembro, quando os jornais alcançaram o patamar médio de 4.217.909 milhões de exemplares pagos diariamente.

Embora tenha conseguido encerrar o exercício com um crescimento, a variação da circulação de 2008 (5%) foi bem menos expressiva do que a computada em 2007, quando a circulação média dos jornais do Brasil aumentou 11,8% em relação ao índice verificado em 2006.

A variação de circulação de jornais no país ainda é maior do que os dados relativos ao crescimento global do meio jornal. De acordo com dados da World Association of Newspapers (WAN), a circulação média de jornais em todo o planeta no ano de 2007 cresceu apenas 2,7% em relação à taxa registrada em 2006.

Títulos nacionais

De acordo com os dados do IVC referentes ao último mês de dezembro, o ranking dos títulos nacionais – em termos de circulação – ficou da seguinte forma:

1º- Folha de S. Paulo (SP) – 299.427 mil exemplares/dia
2º- O Globo (RJ) – 293.287 mil exemplares/dia
3º- Super Notícia (MG) – 282.213 mil exemplares/dia
4º- Meia Hora (RJ) – 234.253 mil exemplares/dia
5º- Extra (RJ) – 221.911 mil exemplares/dia
6º- O Estado de S. Paulo (SP) – 220.032 mil exemplares/dia
7º- Zero Hora (RS) – 187.220 mil exemplares/dia
8º- Diário Gaúcho (RS) – 167.125 mil exemplares/dia
9º- Correio do Povo (RS) – 157.543 mil exemplares/dia
10º-Lance (RJ) – 121.820 mil exemplares/dia