Arquivo da categoria: Notícias

Congresso é negligente com reativação do CCS

Enquanto o país discute a realização da primeira Conferência Nacional de Comunicação Social, uma outra luta importante, que levou anos para se consolidar, está imobilizada. A ausência do Conselho de Comunicação Social (CCS) é sentida especialmente neste momento e sua reinstalação necessária. Há, na Câmara, uma proposta de audiência pública para debater a questão. O Congresso, porém, não dá sinais de reativar seu "braço auxiliar nos assuntos da comunicação". A sociedade representada no Conselho reclama.

Previsto na Constituição Federal de 1988 como um órgão auxiliar do Congresso Nacional para discutir as questões referentes à comunicação social no país, o CCS está inativo desde dezembro de 2006. Com o objetivo de reaver o debate, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara aprovou, em abril, o requerimento da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) para a realização de uma audiência pública que discutirá a atuação do Conselho, parado há dois anos e cinco meses. A reunião ainda não tem data marcada para acontecer.

Câmara não leva assunto à pauta

Há um ano, em maio de 2008, a CCTCI colocou o CCS em debate, mas desde aquela época nada andou. Na ocasião, o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Schröder, conselheiro na última gestão do CCS pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), enfatizou a urgência da retomada do mesmo. "Precisamos rearticulá-lo imediatamente, reorganizá-lo com um patamar mais democrático, como um espaço público de consenso, e não um local de votação e de decisões por maioria. Isso é ainda mais urgente que seu debate", avaliou Schröder.

Há quem pense que o Conselho não tem importância alguma, destaca a cineasta Berenice Mendes. "Esses se manifestam e agem no sentido de prejudicar suas atividades. Porém, isto sequer poderia ser questionado, já que o CCS é um mandamento constitucional e tem suas funções estipuladas na lei que o criou, no seu regimento interno", afirma Berenice, que já foi conselheira no CCS por duas gestões e é membro da coordenação executiva do FNDC.

Em dezembro de 2006, quando se reuniu pela última vez, o Conselho de Comunicação Social deveria ter realizado eleição para as vagas de sete conselheiros que terminavam seus mandatos e o presidente do órgão. Porém, a Mesa do Congresso Nacional, que deveria escolher os substitutos (os nomes já haviam sido indicados pelas instituições) não levou o assunto à pauta, inviabilizando a retomada dos trabalhos do CCS em 2007. Como o Congresso ainda não retomou o assunto, o Conselho passou 2008 e já chega à quase metade do ano de 2009 sem atuar.

"Vai fazer falta ao debate"

Para Berenice Mendes, esse descumprimento frontal à regra constitucional é absolutamente intolerável. Para ela, a inoperância do CCS é de responsabilidade geral, mas especialmente do Congresso. "É um descaso para com a sociedade brasileira. Já está passando das raias da arrogância e da negligência do atual Congresso para com o povo brasileiro", afirmou.

Na avaliação da cineasta, ainda, nunca o país viveu uma necessidade tão grande de ter um órgão auxiliar constitucionalmente representando a sociedade, como no atual momento, em que se vive a alteração dos modelos de negócio na área de comunicação, em função da digitalização dos meios. "A sociedade depara com uma avalanche de novas tecnologias que devem estar a seu serviço, e não usufruindo dela como objeto de exploração", comenta, avaliando que, efetivamente, a deputada Luiza Erundina mais uma vez se mostra uma pessoa de "altíssimo valor e altamente generosa para com a sociedade".

O conselheiro-presidente do CCS, Arnaldo Niskier, representante da sociedade civil no organismo, lamenta o silêncio em torno do CCS. "Ele poderia estar prestando grande contribuição ao debate. Não sei as razões", limita-se a comentar. O conselheiro Paulo Tonet Camargo, representante no CCS das empresas da imprensa escrita, reclama que o Conselho não venha conseguindo o devido reconhecimento do parlamento. "No momento em que o país se prepara para a Conferência Nacional de Comunicação, seria de grande relevância o papel do Conselho. Vai fazer falta ao debate", avalia.

"Um mínimo de fiscalização e controle"

Segundo Camargo, o Conselho é importante primeiramente porque é um órgão previsto pela Constituição, um fórum onde são debatidos e estudados os temas relativos à comunicação social. "Não bastasse isto, todos os temas de regulação da TV a Cabo, por lei, devem passar pelo conselho. Se não está funcionando, fica um vácuo. A razão do descaso, eu acho que deve ser perguntada ao parlamento", finaliza.

Representante das empresas de televisão no CCS, o conselheiro Gilberto Carlos Leifert avalia que o CCS faz falta em todos os sentidos: ao Congresso, como órgão auxiliar, que emite pareceres, realiza estudos etc.; aos cidadãos, que não devem abrir mão do colegiado atento a qualquer ameaça capaz de colocar em risco os direitos e as garantias estabelecidos pela Constituição Federal.

Leifert defende que não se deve prescindir desse fórum, local de competência para promover discussões amplas, plurais e isentas sobre aplicações de tecnologias que interessam ao Estado, à iniciativa privada, aos operadores e técnicos, à universidade e ao País. "Tão importante quanto a reinstalação do colegiado, será a sua composição.

Ao defini-la, o Congresso deverá designar cidadãos idôneos, dispostos a doar seu tempo, experiência e conhecimento sem nada receber em troca. Eu ousaria acrescentar que os que forem investidos deverão resistir à tentação de transformar as pautas do CCS em tribuna ou palanque para manifestações ideológicas. Embora eleitos pelo Congresso Nacional, os conselheiros do CCS não são parlamentares e a missão deles nem de longe se equipara à dos representantes políticos eleitos", conclui.

Ao defender o restabelecimento das atividades do Conselho, com a convocação de eleições para seus membros, a deputada Luiza Erundina destaca que o órgão precisa atuar como "um mecanismo de controle social, capaz de assegurar o mínimo de fiscalização e controle sobre a comunicação social no país".

EBC apresenta a produtores política para conteúdos independentes

Em reunião com representantes do segmento audiovisual realizada nesta segunda-feira (18/05), a diretoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou mudanças no relacionamento da TV Brasil com as produtoras independentes. Pelas novas diretrizes, a seleção de programas será feita por meio de concursos, conhecidos como pitchings. Além disso, será constituído um banco público de conteúdo de terceiros, com filmes, documentários, séries e animações.

“Conseguimos vencer alguns obstáculos e demonstrar aos órgãos competentes a necessidade de dispormos de instrumentos com a Norma de Concursos Audiovisuais, que nos permitirá realizar Pitchings. Estamos trabalhando em outra formulação desta natureza, para garantir lógica pública à escolha dos títulos a serem licenciados para exibição”, informou a presidente da EBC, Tereza Cruvinel.

Tereza garantiu que os preços que serão pagos são compatíveis com o mercado. Os contratos assinados sob o modelo antigo serão cumpridos e as propostas já encaminhadas serão analisadas, considerando a realidade orçamentária da empresa. Apesar de não dar detalhes, o superintendente de programação da TV Brasil, Roberto Faustino, adiantou que o tema de um dos primeiros pitchings será meio ambiente e sustentabilidade. Por sua vez, Tereza falou sobre a necessidade de um programa voltado para os jovens.

Co-produção

Questionada sobre o funcionamento das co-produções dentro das novas diretrizes, Tereza informou que o modelo é praticado pela TV Brasil, mas ele não faz parte dos objetivos das mudanças na equipe. “Não queremos que as relações interpessoais interfiram nas profissionais”, disse.

Porém, afirmou que irá examinar uma proposta apresentada pelo cineasta Roberto Farias, que sugeriu a criação de um fundo destinado à co-produção. “Com a garantia de exibição fica mais fácil a produção”, argumentou Farias.

Busca por audiência

A nova gestão da grade de programação buscará adequar os conteúdos às faixas de horário, com o objetivo de alcançar o melhor desempenho de audiência. Porém, Faustino defendeu que a natureza diferenciada da TV pública não será abandonada. Para manter o contato entre as partes envolvidas, ficou acertada a realização de reuniões periódicas entre a diretoria da EBC e os representantes do setor.

Título original: "TV Brasil muda modelo de seleção de programas independentes"

Presidência sugere seis mudanças no projeto de lei do Fust

A Presidência da República, por intermédio do coordenador para a inclusão digital, Cezar Alvarez, negociou seis mudanças no projeto de lei do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) que foi aprovado por comissão especial na Câmara. Segundo o relator do projeto, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), as mudanças  serão apresentadas sob forma de emenda de plenário.

Entre as mudanças estão presentes: a criação de um conselho gestor formado por diferentes órgãos do governo que irá definir a aplicação dos recursos e acompanhar a sua implementação; a destinação de 2% da quantia que for gasta para o Ministério das Comunicações para investimento em estudos de mercado; permitir que escolas que atendem portadores de deficiência auditiva e de fala também possam receber os recursos do Fust.

As outras alterações são apenas de redação, entre elas a de substituição do termo “subsídio direto e indireto ao serviço” que poderia usar o dinheiro do Fust por “pagamento direto e indireto”, além de outras mudanças acessórias.

Conforme o projeto de Lustosa aprovado na comissão, o dinheiro do Fust poderá ser usado para a implantação da banda larga e também para ampliar os serviços de voz, além de ser usado por estados e prefeituras. Agora, os deputados se articulam para fazer com que o projeto entre na pauta de votação do Plenário da Câmara dos Deputados.

Congresso define indicações para Comissão Organizadora

Segundo informações apuradas pelo Observatório do Direito à Comunicação, o Congresso Nacional já definiu os seus representantes na Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Cada uma das duas casas legislativas tem direito a dois titulares e quatro suplentes na instância.

O Senado será representado por Wellington Salgado (PMDB-MG) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) como titulare, e pelos por Lobão Filho (PMDB-MA) e ACM Júnior (DEM-BA) como suplentes. Completam a suplência os consultores legislativos Ana Luiza Saibro e Igor Freitas.

Já a lista da Câmara trouxe uma surpresa. Na última semana, circulou na casa a informação que o presidente Michel Temer (PMDB-SP) apresentaria os nomes dos deputados Paulo Bornhausen (DEM-SC) e Milton Monti (PR-SP) como representantes nas vagas de titular e as parlamentares Cida Diogo (PT-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP) na suplência.

Após pressão de parlamentares e da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação (CNPC), a lista foi alterada, com a deputada Luiza Erundina sendo alçada à condição de titular. Com isso, a composição contemplou um nome alinhado ao empresariado, o deputado Paulo Bornhausen, e outro vinculado aos movimentos pela democratização da comunicação, a deputada Luiza Erundina.

Um entendimento da mesa diretora da Câmara deve fazer com que os representantes do Congresso tenham uma condição especial na Comissão Organizadora. Uma vez que o Legislativo está em igual posição em relação aos outros poderes, seus integrantes não podem participar de uma comissão criada pelo Executivo da mesma forma que membros deste poder ou da sociedade. A partir desta compreensão, o Congresso indicou seus nomes para colaborar com a Comissão Organizadora, mas eles não deverão ter direito a voto.

Abert apoia regulamentação da Internet pelo PL 29

Após a divulgação do substitutivo do deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) ao PL 29 de 2007, que cria novas regras para o setor de TV por assinatura e produção audiovisual, alguns setores começam a dar sua posição. Na cerimônia de abertura do Congresso Brasileiro da Radiodifusão, que acontece esta semana em Brasília, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, se pronunciou sobre a proposta incluída no substitutivo de regular a Internet. "Não é porque a Internet é aberta que não precisa ser regulamentada", disse Slaviero, lembrando a plateia que o PL 29 agora também trata do assunto.

Com isso, fica evidente o apoio da principal associação da radiodifusão brasileira, que reúne as três maiores redes de TV (Globo, SBT e Record), à proposta de Rêgo Filho.  A inclusão da regulamentação da Internet foi uma das principais contribuições do novo relator ao projeto de lei e, até agora, não havia pistas de onde teria partido tal sugestão.

A proposta de Vital do Rêgo Filho, vale lembrar, cria regras para o serviço de comunicação audiovisual eletrônica por assinatura, que se caracteriza pela "emissão, transmissão e recepção, por meios eletrônicos quaisquer, de imagens estáticas ou em movimento, acompanhadas ou não de sons, que resulta na entrega de conteúdo audiovisual exclusivamente a assinantes".

Com isso, conteúdos pagos oferecidos na Internet estão sujeitos às regras colocadas para o novo serviço. Daniel Pimentel Slaviero destacou em seu discurso a possibilidade de gerar recursos para a radiodifusão através de conteúdo distribuído pela Internet. "Não podemos temer as novas formas de distribuição, especialmente a Internet", disse.

Conferência Nacional de Comunicação

O presidente da Abert destacou ainda que o principal assunto na agenda do evento é a 1ª Conferência de Comunicação (Confecom). Ele lembrou que haverá etapas regionais e chamou as associações estaduais a participar dos debates na defesa da radiodifusão. "Não somos contra a Conferência", disse, completando que a Abert deve ter uma participação pró-ativa. O setor teme, principalmente, que as discussões caminhem para uma revisão do modelo da radiodifusão atual. Slaviero cobrou que as discussões "olhem para frente". Em outras palavras, para as mídias do futuro.

Outros dois temas foram explorados pelo presidente da Abert. Slaviero falou da mobilidade na TV digital. Segundo ele, as transmissões para dispositivos móveis devem ser, em médio prazo, fontes de importante receita para a radiodifusão. Por fim, Slaviero comemorou a sede própria da associação em Brasília.