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Deputado diz que governo do Maranhão privilegia jornal da família Sarney

O deputado estadual do Maranhão Edivaldo Holanda afirmou, na última quinta-feira (2), que o governo do estado privilegia o jornal O Estado do Maranhão nos repasses de publicidade oficial. Para o deputado, o agravante no caso é que o veículo é de propriedade da família da governadora, Roseana Sarney.

“A governadora paga de um lado do balcão, entra para o lado de lá, e ela mesma recebe esse recurso e ainda discrimina todos os demais veículos de comunicação da nossa cidade. Isto é uma vergonha”, declarou Holanda.

Como medida para coibir tal ação, o deputado adiantou que irá apresentar, na próxima segunda-feira (6), um requerimento solicitado ao Poder Executivo informações sobre as regras para a distribuição das verbas de publicidade do governo, mais especificamente sobre os editais.

“Qual critério de escolha dos veículos para a publicação de editais? Há processo de licitação para selecionar empresas de publicidade? Em caso positivo, qual a empresa vencedora e qual o valor do contrato?”, questionou.

A assessoria do governo do Maranhão informa que as declarações do deputado são inverídicas, pois a atual gestão ainda não realizou gastos publicitários. Sobre a publicação de editais, o governo informa que apenas cumpre a lei. A legislação exige que a divulgação seja em jornais de grande circulação e auditados pelo IVC. Apenas O Estado do Maranhão cumpre os requisitos no estado.

Com informações do site da Assembleia Legislativa do Maranhão.

Definição do regimento é prévia de embates

O dia 9 de julho será decisivo para o futuro da Conferência Nacional de Comunicações (Confecom). Esta é a data em que necessariamente deverá ser aprovado o regimento da conferência, o que inclui a forma como os temas serão votados, a escolha dos delegados e, principalmente, os temas. Do ponto de vista do governo, segundo apurou este noticiário, a maior preocupação é em relação ao prazo apertado e à verba de R$ 1,6 milhão, considerada insuficiente para todas as etapas e necessidades de um evento desse porte.

Mas do ponto de vista dos agentes que participam, a disputa maior se dá em torno dos eixos temáticos que serão debatidos e dos critérios de deliberação da conferência. Resumindo uma longa história, os radiodifusores têm horror à ideia de que se tente, durante a conferência, estabelecer mecanismos de controle social da mídia. Já os movimentos de democratização das comunicações não querem que a conferência se torne um fórum para debate apenas dos desafios futuros da convergência e se deixe de lado questões referentes à realidade atual do mercado de comunicação, como concentração dos meios, produção regional e independente etc.

Esse confronto de reivindicações é mais do que esperado para o âmbito da própria Confecom. O problema é que existe uma disputa para que o regimento da conferência estabeleça balizas e premissas para a discussão que podem influenciar no resultado final dos trabalhos.

Regimento limitador

Há cerca de duas semanas, os radiodifusores exigiram que o regimento tenha como premissas a defesa da radiodifusão, do conteúdo nacional e da livre iniciativa no setor de comunicação. Se colocadas no regimento, essas premissas impediriam que temas que questionem a estrutura atual do mercado de comunicação e o papel dos radiodifusores sejam colocados em debate. Parte do governo, segundo apurou este noticiário, até acha que não se deve encampar todos os pontos defendidos pelas associações de rádio e TV, mas há por parte desses órgãos a vontade de privilegiar discussões de desafios futuros, e não questões estruturais imediatas.

Assim, a discussão de temas como internet, convergência, infraestrutura e multiprogramação em TV digital estaria amparada pelo regimento. Mas discussões como distribuição das concessões de rádio e TV, regulamentação e regulação do mercado atual não estariam no foco. Não se sabe como ficariam temas como qualidade de programação, classificação indicativa e publicidade. De qualquer maneira, a ideia destes setores do governo é evitar ao máximo pormenorizar os temas já no regimento, que começará a ganhar a redação final a partir de segunda, dia 6, em uma série de reuniões até o dia 9. Também existe a preocupação de que não se transforme a Confecom em um "muro das lamentações ou acerto de contas", segundo palavras de um representante do governo.

Votações

O outro foco de embates é sobre como serão tomadas as decisões. Os setores não empresariais da sociedade civil defendem a decisão por maioria simples e, no caso de alterações de regimento, 2/3 dos representantes. As associações de rádio e TV, Abra e Abert, propuseram que qualquer deliberação só possa ser tomada por 2/3 dos representantes mais dois. O governo deve propor que as deliberações se deem com 60% dos votos, com segmentação em quatro blocos: Executivo, Legislativo, empresariado e sociedade. Seria uma espécie de voto proporcional qualificado.

Esse aspecto de como serão as deliberações é importante porque é com base nessa metodologia que se darão as composições e articulações entre os diferentes interessados para a aprovação ou não de determinadas matérias. Existe a percepção, dentro do governo, de que de fato o interesse dos empresários é criar o mínimo de ruído e questionamento sobre o mercado atual. Assim, estes setores, se optassem por se ausentar de votações, poderiam inviabilizar o quórum e impedir a decisão sobre alguns temas. Por outro lado, os empresários sabem que parte do governo e do Legislativo tende a votar com as entidades de democratização da comunicação, o que gera certo desconforto. "O que se quer evitar é a dominação de um segmento sobre o outro. Tem que haver um equilíbrio", diz uma fonte do governo.

A única certeza é que todos esses pontos de divergência precisarão ser resolvidos até o dia 9. Caso contrário, o governo terá a palavra final sobre os aspectos polêmicos.

Ativistas preocupam-se com ofensiva contra liberdade na rede

Não poderia ser diferente. A décima edição do Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), realizado em Porto Alegre durante a semana passada, dedicou boa parte das suas discussões às chamadas leis de prevenção e controle de cibercrimes que se multiplicam mundo afora e também no Brasil. A maior preocupação é que estas leis abram espaço para o policiamento de conteúdos e a criminalização de atividades corriqueiras na rede mundial de computadores.

Projetos de lei que impõem diversas formas de controle sobre o uso da internet já estão em discussão em alguns países como Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, dentre outros. A França foi o primeiro país europeu a aprovar, em maio deste ano, uma lei que estabeleceu a suspensão do acesso à rede para pessoas reincidentes em “downloads ilegais”. A lei foi parcialmente modificada pelo Tribunal Constitucional francês, que impôs a obrigatoriedade de o processo que leva à suspensão passar antes pela Justiça.

No Canadá, um projeto de lei apresentado na última quinta-feira (25) visa obrigar os provedores a colaborarem com o armazenamento de dados sobre atividades feitas pelos usuários.

Para os ciberativistas, o conjunto destas propostas e também o crescente número de processos por “download ilegal” contra indivíduos e também contra empresas, como o caso do grupo sueco Pirate Bay, representam uma ofensiva mundial contra a liberdade na internet. Segundo Marcelo Branco, coordenador geral do 10º Fisl, em entrevista à agência de notícias do próprio evento, essa ofensiva teve início há oito anos com a assinatura da Convenção de Budapeste sobre o Cibercrime. Curiosamente, ressaltou Branco, a convenção aconteceu em um período marcado pelo medo, dois meses após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Segundo Oona Castro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a ofensiva na criminalização dos usuários de internet que realizam downloads é mundial e precisa ser contida. “Em todo o mundo, há setores querendo criminalizar usuários que fazem download e em diversos países estão conseguindo num primeiro momento. Temos que lutar para impedir que propostas como essa, revestidas por qualquer capa bonita que seja, sob justificativas as mais puritanas, ganhem legitimidade.”

O Brasil não está entre os 40 países signatários da Convenção de Budapeste, o que não isenta os usuários brasileiros da internet de ameaças à livre navegação. Tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei que tratam da tipificação dos cibercrimes. O mais recente é o PL 5361/09, de autoria do deputado Bispo Gê (DEM-SP). Ainda em estágio inicial de tramitação, o projeto é claramente inspirado na Lei Sarkozy e praticamente criminaliza todo tipo de download. O PL teve um relator recentemente indicado na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI).

Urgência

Mas os ciberativistas centram fogo no PL 84/99. Em estágio avançado de tramitação, a versão feita pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi aprovada no Senado e voltou à Câmara dos Deputados, onde avaliado por três diferentes comissões em regime de urgência. O “PL Azeredo” trata de diversos outros aspectos que não só os “downloads ilegais”. Questões como o armazenamento de dados do usuário pelos provedores por três anos (tempo muito superior ao acordado, por exemplo, na Convenção de Budapeste) ou a criminalização de quem baixa música na internet, na opinião dos ciberativistas, pode representar um risco à liberdade dos usuários da rede, ao invés de promover a segurança.

Relator do projeto na CCTCI, o deputado Júlio Semeghini (PSDB–SP) afirmou ao site Tele.Síntese que há a possibilidade de o texto que veio do Senado ser abandonado. Segundo o deputado, há questões – como a guarda de logs pelos provedores – que precisariam receber nova redação. Como um projeto aprovado no Senado não pode ser modificado pela Câmara, a saída seria apresentar um novo PL.

Dias antes destas declarações, Semeghini afirmou à Agência Câmara que parte substancial do PL Azeredo está sendo objeto de acordo e o projeto deverá ser encaminhado para votação ainda em agosto. Segundo o relator, seriam motivo de polêmicas, além da questão dos logs, a tipificação de crimes como acesso não autorizado a sistemas informatizados e a difusão e inserção de códigos maliciosos, com o objetivo de causar danos ou obter informações sigilosas das pessoas.

Lula diz ser contra

A disposição do Congresso em aprovar um PL de natureza restritiva ao acesso à internet contrasta com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 10º Fisl. Lula, que foi o primeiro chefe de Estado a participar de uma edição do Fórum, agradou os participantes do evento ao iniciar sua fala afirmando que “neste governo, é proibido proibir”.

Ainda segundo o blog Circuito Integrado, Lula teria dito que “a lei que está aí [referindo-se ao PL 84/99] não visa proibir abuso de internet. Ela quer fazer censura”. O presidente defendeu modificações no Código Civil para tipificar questões que envolvem o mundo digital e não “sair fazendo condenações”, porque “esse interesse é policialesco”. Lula ponderou ainda que a maioria dos usuários não pode ser prejudicada por atitudes isoladas de uma minoria.

Os participantes do Fisl fizeram questão de ressaltar que não há complacência com crimes cometidos através da rede mundial de computadores. Sérgio Amadeu, professor da Faculdade Cásper Líbero e um dos mais ativos organizadores dos atos contra o PL Azeredo, defendeu em Porto Alegre a criação de uma legislação para internet que dê conta de compreender a complexidade desse espaço e que, portanto, não provoque cerceamentos. A lei defendida por Amadeu é uma lei de “cidadania digital”, que assegure o direito à comunicação sem vigilância. “A internet não é terra sem lei. Na internet o código é a lei. Uma lei sem vigilância é ideal para que a rede funcione dentro dos princípios de neutralidade e imputabilidade de um terreno de liberdade”, disse Amadeu à agência de notícias do Fisl.

Liberdade e segurança

“Pelo Correto Equilíbrio entre Liberdade e Segurança” [leia na íntegra ] é também o título de um documento produzido por diversos ativistas das comunidades de Cultura Livre e Software Livre. No texto, o PL é considerado um AI-5 digital – em referência ao período mais repressor da Ditadura Militar brasileira. De acordo com documento, os artigos 285-A, 285-B, 163-A, 171 e 22 implantam uma situação de vigilantismo sem impedir a ação dos crackers e, ao mesmo tempo, abrem espaço para violar direitos civis básicos, reduzir as possibilidades da inclusão digital e transferir para toda a sociedade os custos de segurança que cabem aos que lucram com a eficácia proporcionada pela rede.

Ainda segundo o documento, os referidos artigos “não tratam do combate somente à pedofilia, os vírus, os spammers, as intrusões em bancos de dados e o ‘roubo’ de senhas. Visam outros objetivos, por isso, são tão confusos, permitindo várias interpretações. É necessário retirar da Lei sobre Crimes na Internet toda e qualquer possibilidade de seu uso para coibir o avanço da liberdade de expressão e de criação”, diz o manifesto.

A jornalista Mariana Tamari, membro do Coletivo Epidemia, diz que o objetivo velado do substitutivo do senador Azeredo seria tornar suspeitas as redes P2P (intermediadores para troca de arquivos), impedir a existência de redes abertas e reforçar o DRM (Gerenciador Digital de Direitos, na sigla em inglês). “Esse substitutivo, caso seja aprovado, tornará crime inúmeras de nossas práticas virtuais cotidianas. Ele atende fundamentalmente a interesses de bancos que têm sofrido prejuízos com fraudes pela internet e a reivindicações da indústria de direito autoral dos Estados Unidos, que exige a criminalização da quebra de travas tecnológicas”, afirma Tamari artigo publicado pelo coletivo.

Para Oona Castro, combater esses projetos de lei é antes de tudo uma luta por democracia na comunicação e no mundo. “A internet é o meio mais democrático em termos de produção e troca de cultura e conhecimento. Para que ela continue a cumprir o seu papel, temos que garantir que os nossos direitos como usuários sejam regulamentados: a privacidade, o direito de acesso, a universalização da banda larga. Essas são as matérias importantes para a comunicação democrática.”

O risco de que essas leis transformem a internet em mais um veículo de recepção e com interatividade limitada é alto. “Já tivemos outras oportunidades de democratizar a informação com canais mais interativos. O rádio, por exemplo, nasceu interativo, mas a sua regulamentação tornou-o o que é hoje: o espectro foi dividido pelas empresas e nós só ligamos o aparelho”, lembra Oona. “Não podemos abrir mão da internet como instrumento que nos permite, mais e mais, exercer o direito à comunicação.”

Universidade da Paraíba libera beta do OpenGinga

O Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenado pelo professor Guido Lemos, anuncia a liberação da primeira versão beta do código-fonte do software OpenGinga, implementação de referência do Ginga-J para PCs com Linux, já com as primeiras implementações de funcionalidades da nova API JavaDTV, definida em conjunto pelo Fórum SBTVD e a Sun Microsystems.

Distribuido sob licença GPL para uso não comercial. o OpenGinga é resultado de projetos anteriores da UFPB e segue sendo desenvolvido, atualmente, por integrantes do projeto GingaCDN, parte do projeto Ginga FrEvo, no âmbito do ProTic, em parceria com a empresa Mopa Embedded Systems, que já trabalha no desenvolvimento de implementações do middelware Ginga para conversores fixos e móveis.

Para quem chegou agora, o OpenGinga é uma plataforma de software para desenvolvimento de middlewares compatíveis com o Ginga, o padrão do Sistema Brasileiro de TV Digital. A idéia é permitir que os desenvolvedores de aplicações para TV Digital tenham um contato inicial como um ambiente que emula um terminal de acesso (Set-Top Box), de forma a difundir o middleware entre desenvolvedores de aplicações, sem a necessidade de um terminal de acesso.

Guido Lemos explica que esta é a primeira versão do OpenGinga liberada para o público. Durante os próximos meses, com o fim da consulta pública do Ginga-J na ABNT e a publicação da especificação, novas funcionalidades serão lançadas. Objetivo é ter, o quanto antes, uma implementação de referência do Ginga-J, incluindo a integração com elementos de hardware de forma a permitir a exibição de vídeos de alta definição e recepção de sinais de TV diigital por radiodifusão.

Uma primeira oficina com esta versão OpenGinga já com as APIs JavaDTV foi realizada no 10o Fórum Internacional de Software Livre, semana passada, em Porto Alegre.

Quem quiser ir se familiarizando com a tecnologia pode fazer o download do programa no site do projeto (http://www.openginga.org).

Empresas driblam proibição e cobram por ponto extra

As chances de os 6,4 milhões de assinantes de TV por assinatura não pagarem o ponto extra são praticamente nulas. Operadoras fazem adaptações para se adequar às novas regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), driblar as reivindicações e garantir a receita. A NET, por exemplo, já encaminhou aos clientes correspondência sobre a nova fatura. Nela, o ponto extra virou “conexão opcional”, que no asterisco com letras minúsculas explica: “Conexão opcional compreende a disponibilização dos equipamentos, decodificador, softwares e respectivos planos de assistência técnica”.

O presidente da NET, José Antônio Félix, disse que “existe uma adaptação”, já que a Anatel permite a cobrança de instalação, manutenção e decodificador. “Por causa da confusão que os clientes fazem com o nome ponto extra, resolvemos nos adaptar”, afirmou. Segundo ele, a NET é uma empresa privada e poderia cobrar o mesmo valor do ponto principal para o extra. Entretanto, pelo ganho de escala, por já estar na casa do cliente, não faz isso. “Não consigo uma caixinha de graça para cada lugar que o consumidor quer. É quase ingenuidade achar que isso pode acontecer”, frisou.

O gerente-geral de Regulamentação de Serviços por Assinatura da Anatel, Marconi Thomaz de Sousa, esclareceu que, em relação ao ponto extra e ao ponto de extensão, as prestadoras podem cobrar apenas pelos serviços de instalação e reparo da rede interna e dos decodificadores de sinal ou equipamentos similares. “A Anatel jamais tentou colocar na cabeça do assinante que ele teria benefício sem contrapartida. O ponto extra não é absolutamente de graça, mas o abuso será proibido. Não me venham mascarar outras cobranças”, frisou.

Na prática, significa que, mesmo com a queda da liminar obtida pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), na 14ª Vara Federal do Distrito Federal, que permite às empresas cobrarem pelo ponto extra, o cliente continuará arcando com os custos. “Sempre fico na expectativa de a cobrança cair. Pago contrariado”, lamenta o engenheiro Ricardo Machado, de 54 anos, cliente há 14 anos de uma operadora. O empresário de Belo Horizonte Frederico Papatella Padovani, de 25 anos, engrossa o coro contra a cobrança. Ele fez recentemente a assinatura da TV e reclama de ter que pagar o ponto extra. “Contratei o serviço para a minha casa, independentemente do cômodo onde quero assistir. Sou completamente contra o pagamento”, ressalta.

“Sem dúvida o consumidor continuará pagando. Mas as pessoas têm dificuldade em entender que o serviço é oneroso”, afirma o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg. Ele explica que a rede de TV a cabo é dimensionada para atender uma determinada área geográfica, 2 mil pontos em um célula, por exemplo. Para mais acessos que isso, seriam necessários mais investimentos para garantir a qualidade do sinal. “É como banda larga. Se tem mais de um computador conectado à rede, no caso, a velocidade cai. É uma complexa planilha de custo. O fato é que os serviços têm que ser e vão ser cobrados”, salientou.

Apesar da insatisfação quase unânime dos consumidores, o número de assinantes de TV paga no Brasil não para de crescer. Avançou 17,6% (950 mil novos clientes) no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2008, conforme pesquisa da ABTA e do Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (Seta). Ainda segundo o levantamento, o faturamento bruto das empresas de TV por assinatura chegou no primeiro trimestre do ano a R$ 2,5 bilhões, alta de 27% em igual base de comparação. A maior parte dos ganhos é proveniente da assinatura de programação básica (55%). “Eles só querem aumentar a receita porque alteraram o nome da cobrança na fatura, mas o valor não”, disse a coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci.

Por meio de comunicado, a Oi informou que “continua a oferecer aos clientes o ponto extra, em linha com o posicionamento da ABTA sobre o tema. A política de preços da companhia para pontos extras permanece inalterada.” Os preços praticados são R$ 13 por um ponto extra, R$ 7 por dois e R$ 5 a partir de três. A SKY explicou que oferece os chamados “combos, que incluem até dois pontos opcionais sem custo”. Mas o assinante que opta pelo ponto extra tem de pagar R$ 15,00 mensais pelo aluguel do equipamento mais R$ 9,90 pela manutenção de software. A outra possibilidade é a compra do equipamento por R$ 599 mais R$ 9,90 mensal pela manutenção de software.