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Reversibilidade de bens volta à pauta do Conselho Consultivo

O Conselho Consultivo da Anatel retomou nesta sexta-feira, 23, o debate sobre a reversibilidade dos bens das concessionárias de STFC. A última vez que o assunto constou da pauta do grupo foi há seis meses, quando se instalou uma polêmica sobre a possibilidade de o conselho firmar uma posição sobre o tema. O debate de hoje, porém, continuou sem consenso. Dois pontos centralizam o embate entre os conselheiros.

O primeiro envolve uma eventual mudança de conceito com relação à reversibilidade de todos os bens. Desde o início do ano, correntes dentro e fora da Anatel reforçaram o discurso em favor de um conceito mais flexível sobre a reversibilidade, abandonando a visão patrimonialista usada hoje pela agência reguladora para dar lugar a uma análise que leva em conta a "essencialidade" do equipamento para a oferta do STFC.

Essa análise conta com o apoio da Abrafix, que há seis meses esteve no Conselho Consultivo defendendo a mudança. Dentro do próprio conselho, a visão tem a simpatia do conselheiro Luiz Perrone, representante das empresas. Na Anatel também estaria em gestação uma mudança do Regulamento de Bens Reversíveis, que pode ou não levar a esta flexibilização. Apesar dos diversos apoios, a proposta não é defendida por todo o Conselho Consultivo.

Backhaul

A reversibilidade do backhaul, que já foi contestada na Justiça, o que fez com que a Anatel recolocasse uma citação expressa sobre o assunto nos contratos de concessão, também voltou à berlinda. O conselheiro Luiz Perrone defendeu a teoria de que nem todo o backhaul é reversível, polêmica levantada anteriormente pelo ex-superintendente de Serviços Públicos da Anatel, Gilberto Alves, no auge da controvérsia sobre o assunto. "Nem todo o backhaul é usado pelo STFC. E o que não é usado pelo STFC não é reversível", declarou Perrone.

A tese foi criticada pelo conselheiro Bernardo Lins, representante da Câmara dos Deputados. "Quando você diz que uma parte do backhaul é reversível e outra não, você entra em um conceito complicado e de difícil digestão", protestou. Fez coro o representante do Executivo, Roberto Pinto Martins, que defendeu um mapeamento claro, por parte da Anatel, da rede que retornará à União. "A legislação é clara: serviço público; os bens são reversíveis", declarou.

O conselheiro Walter Faiad, representante dos usuários, também protestou contra a hipótese de um backhaul reversível e outro não. Para ele, não pode haver essa dissociação uma vez que o backhaul é fruto de uma meta de universalização e, por isso, sua construção é financiada com a tarifa. Ao se usar recursos vindos dos consumidores, obviamente a rede é de posse da União e não das concessionárias ao final da concessão, em 2025.

Na impossibilidade de pacificar as correntes, o conselho decidiu adiar mais uma vez a deliberação de um posicionamento oficial do grupo sobre o assunto. O tema não tem data para retornar à pauta do Conselho Consultivo, que se reunirá mais duas vezes neste ano. As datas das próximas reuniões foram acertadas hoje e são 20 de novembro e 4 de dezembro.

Confira o panorama das conferências estaduais após o adiamento da etapa nacional

Após a decisão da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação de estender até 22 de novembro o prazo para a realização das etapas estaduais, o calendário em vários estados está sendo revisto.

Das 27 unidades da federação, seis ainda não confirmaram a data da conferência. Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins não fecharam nenhuma data. Já em São Paulo e Rio Grande do Sul, há impasse entre o governo e os movimentos sociais em relação à mudança ou não do calendário. O governo paulista ainda não confirmou se acata o pedido dos movimentos sociais para alterar a data da conferência para os dias 21 e 22 de novembro, enquanto os gaúchos reinvidicam que a data original (3 e 4 de novembro) seja mantida.

O estado com o quadro mais preocupante talvez seja Rondônia. A data, em teoria, é 12 e 13 de novembro, decidida pela comissão organizadora. Mas o Estado não publica a portaria e se nega a participar do processo da conferência até o momento.

Acre, Amapá, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco já confirmaram a data da realização das conferências locais.

Veja o calendário da Confecom nos estados.

TV deixa de ser item mais importante entre os jovens

A TV, o eletrodoméstico de maior penetração no país, já não é considerado o item mais importante do dia a dia para a população jovem (de até 34 anos), segundo resultado de pesquisa feita pelo Ibope sobre hábitos de consumo de meios de comunicação.

Para a faixa etária de dez a 17 anos,o computador com acesso a internet é o aparelho mais relevante (com 82% no ranking de prioridade), seguido pela TV (65%) e telefone celular (60%). Dos 18 aos 24 nos, o líder do ranking passa a ser o telefone celular (78%), com computador ligado à rede (72%) e TV (69%) em sequência, o que tem pequenas diferenças em relação ao próximo grupo, dos 25 aos 34: celular (81%), TV (73%) e computador (65%). Na média geral da população, a TV fica na liderança da pesquisa, com77% de preferência.

Para Dora Câmara, diretora comercial do Ibope, os resultados também são explicados por um processo de convergência: quanto mais jovem a população, maior é a capacidade de acomodar os meios de comunicação de forma simultânea.

"Metade dos jovens de 12 a 19 anos costuma acessar a internet enquanto veem TV ou ouvem rádio", diz.

Apesar disso, 82% dos 800 entrevistados preferem consumir um meio de cada vez. Dora brinca que, apesar da evolução dos meios, "o homem ainda é versão 1.0", o que de certa forma explica essa preferência. "Estamos cada vez mais midiáticos, mas isso não significa que abandonaremos os meios mais antigos. Apenas incorporamos os novos em nossa rotina", diz Dora.

Ministério das Comunicações analisa contribuições ao edital

[Título original: Edital de Cidades Digitais: contribuições estão sendo analisadas]

O Termo de Referência do edital de Cidades Digitais ficará pronto até final de outubro, adiando em algumas semanas a previsão feita pelo coordenador do projeto no Ministério das Comunicações (Minicom), Carlos Paiva, que havia manifestado, no início deste mês, a intenção de estar com o texto pronto em 15 de outubro. A informação foi passada ao Guia das Cidades Digitais pelo próprio representante do Minicom, por meio da assessoria de imprensa do órgão.

No último dia 13, acabou o prazo para empresas fazerem contribuições ao texto do edital (disponível em www.mc.gov.br, seção Inclusão Digital, subseção Cidade Digital). Printscom, FTD, Embratel, Cisco, Motorola, WxBR e a Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix) apresentaram contribuições ao texto, número menor do que as 17 empresas que haviam participado da audiência pública realizada para discutir o edital, em 30 de setembro, no Minicom.

As contribuições da iniciativa privada são díspares. Enquanto algumas empresas pedem a definição explícita, em edital, da tecnologia de transmissão de sinal a ser adotada, a maioria pede que os serviços sejam os pontos especificados, deixando que o fornecedor decida qual tecnologia será usada para provê-los. O texto do edital, da forma como foi submetido para contribuições das empresas, fixa a tecnologia Wi-Fi como aquela a ser usada pela empresa vencedora.

Um pedido comum entre as diferentes contribuições é o maior detalhamento dos itens do edital, como especificações da robustez esperada dos equipamentos, serviços que as redes municipais devem comportar, qualidade esperada do serviço etc. Aspectos de segurança de rede e física também são objeto das contribuições da iniciativa privada.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), que representa as grandes empresas da telefonia fixa, solicitou mais 30 dias de consultas à sociedade. A entidade também sublinhou que o edital "não está sincronizado" com os compromissos de disponibilização de backhaul (assumidos pelas concessionárias de telefonia fixa com o governo, no ano passado) e "não assegura a conexão do município à internet", pois o modelo contemplaria somente a rede dentro do município, sem garantir "a conexão desta rede a um backhaul com conectividade para a internet".

A entidade – que representa Oi, Telefonica, Sercomtel, CTBC e Brasil Telecom – pede que o edital seja extremamente detalhado e defina: os municípios a serem atendidos, os pontos de presença nos órgãos públicos em cada municípios, os hotspots, o número máximo de pontos de presença privados e a velocidade e o padrão de qualidade das conexões dos pontos.

Carlos Paiva informou, por meio da assessoria de imprensa do Minicom, que o governo federal vai "responder a todas" as contribuições apresentadas. Elas podem ser encontradas clicando aqui.

Comissões protestam contra mudanças no regimento interno da Confecom

[Título original: Comissões estaduais pedem revisão da Resolução 08 e questionam a não votação de propostas nas etapas]

Encerrou no sábado (24) à tarde a Plenária das Comissões Estaduais e Nacional Pró-Conferência, que aconteceu nos dias 23 e 24 (sexta e sábado) no Hotel Nacional, em Brasília. A atividade reuniu as entidades nacionais e representantes das comissões estaduais Pró Conferência de 24 estados do Brasil e do Distrito Federal.

Na abertura, que aconteceu sexta-feira pela manhã e contou com a participação da deputada federal Luiza Erundina e de mais seis membros da Comissão Organizadora Nacional, foi apresentada a metodologia da Conferência Nacional de Comunicação e esclarecidas as dúvidas dos estados sobre a dinâmica da Confecom.

A alteração no Regimento Interno aprovada na terça-feira (20) estabelecendo que todas as propostas apresentadas nas conferências estaduais serão enviadas para a Etapa Nacional, sem votação, gerou muitas críticas entre os participantes da Plenária, que decidiu pedir a revisão da decisão, junto a Comissão Organizadora Nacional da Confecom.

Também foi solicitado por representantes do Movimento negro presentes na plenária, que as etapas estaduais da Confecom contemplem a mínima proporcionalidade étnico racial e de gênero na eleição dos delegados e delegadas, de acordo com as estatísticas do IBGE para cada estado, considerando os presentes na plenária e o critério de auto-declaração de gênero e étnico racial nas fichas de inscrição.

Na plenária também houve troca de informações entre os estados e o mapeamento das propostas do conjunto da sociedade civil, buscando a articulação entre os movimentos e Ongs que atuam nas comissões estaduais pró conferência. Mais de 70 pessoas se credenciaram no evento. As conferências estaduais começam a acontecer na próxima semana, a partir do dia 29 de outubro e serão realizadas até o prazo limite do dia 22 de novembro. Já a nacional acontece de 14 a 17 de dezembro em Brasília.