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Nova versão permite contrato de exclusividade com canais

 

Uma nova versão do Projeto de Lei 29/07, que estuda novas regras no setor de TV paga, apresentada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara pelo deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) incorpora mudanças propostas pelos seus companheiros de parlamento. Entre elas, está a liberação do comércio exclusivo entre programadoras e empacotadoras de canais pagos, antes proibido, e a fixação do limite de publicidade na programação dos canais pagos em 25%, assim como existe na TV aberta. Já as relações entre empresas nacionais e estrangeiras ficam mais restritas para empresas e agências de publicidade estrangeiras.

 

Uma das alterações no PL-29 permite a comercialização exclusiva entre programadoras e empacotadoras de canais brasileiros do espaço qualificado. Um canal nestes moldes não poderia ser vendido individualmente à empacotadora – responsável por organizar os pacotes a serem distribuídos em seguida -, o que impedia a exclusividade nas vendas dos canais.

 

Ao retirar a noção de individual, libera-se o bloco de canais – por exemplo, com os canais GNT, Sport TV – para ser comercializado de forma exclusiva. “Para uma plena democratização do mercado, cada canal deve estar disponível para negociação com várias empacotadoras”, avalia Lara Haje, pesquisadora do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília.

 

Espaço qualificado foi uma terminologia criada no PL-29 para caracterizar locais que devem ter, no mínimo, 3h30 diárias de programação nacional na TV por assinatura. Por enquanto, canais de filmes, documentários, e agora auditório, são assim classificados.

 

Outra mudança atinge a cota jornalística, a qual determina que na venda de pacote que contenha um canal de jornalismo, por exemplo, Globo News, obrigatoriamente, então, deve vir outro canal também de jornalismo junto, como Band News ou Record News. A obrigação permanece, mas agora eles poderão ser oferecidos de forma avulsa, a la carte. “Isso faz com que na prática deixe de existir as cotas [as jornalísticas]”, entende Lara.

 

A pesquisadora também observa que o capítulo sobre cotas pode ser votado à parte. “É um risco real a retirada do capítulo – e a manutenção das cotas no substitutivo demandará muito trabalho político”, ressalta Lara.

 

A votação do projeto deve decidir assuntos polêmicos como estes e outros, como a atribuição do PL-29 que destina recursos à Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine). “As emendas mostraram que ainda existem vários pontos de atrito”, aponta Lara.

 

Mesmo assim, ela acredita que a votação na CCTCI será concluída este ano. “Há um fato novo no mercado, que pode acelerar a votação: a compra da GVT pelo grupo francês Vivendi, um dos líderes mundiais da indústria do entretenimento, com foco em conteúdo. Hoje, como a produção de conteúdo é livre no país, inclusive para as prestadoras de serviços de telecomunicações, a Vivendi é uma ameaça para a Globo. O PL 29/07 impõe restrições à produção de conteúdo por parte de prestadoras de telecomunicações. Acredito que este fator será levado em conta agora pelo Grupo Globo, que até o momento vem sistematicamente colocando obstáculos à aprovação do PL 29”, avalia a pesquisadora. 

 

O projeto atual entrou na pauta da CCTCI essa semana, mas não foi votado porque houve um pedido de vistas conjunto sobre ele feito pelos deputados Ratinho Júnior (PSC-PR), Índio da Costa (DEM-RJ), Solange Amaral (DEM-RJ), Cida Diogo (PT-RJ), Luiza Erundina (PSB-SP) e Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO) . Com isso, ele será novamente analisado na próxima reunião da Comissão, na quarta-feira (25).

Empresas estrangeiras na mira

As empresas estrangeiras e o mercado de audiovisual também tiveram relações estreitadas. As restrições já estabeleciam que as empresas de telecomunicações não poderiam ter mais de 30% na participação de empresas programadoras e produtoras brasileiras, o que não impedia participação majoritária, nem a restrição às empresas estrangeiras. Porém, a nova redação fixa em 30% o limite de participação das teles em empresas estrangeiras com sede no Brasil.

Outra brecha corrigida no substitutivo deixa clara a cobrança de instalação e manutenção dos serviços de TV a cabo. Da forma como estava no substitutivo anterior de Lustosa, que é o atual relator do projeto, podia-se entender que estes serviços seriam ofertados pelas próprias prestadoras de TV a cabo pagarem por esses serviços. O que seria bem diferente do que acontece hoje para quem quer assinar um pacote de TV paga.

Para os serviços estrangeiros, a nova versão também proíbe as prestadoras de serviço a cabo de distribuírem conteúdo produzido ou programado por empresa estrangeira que contenha publicidade contratada no exterior. Assim, é obrigatório o acerto do serviço com agência publicitária nacional, nem que seja para estar diretamente envolvida no contato com agência do exterior.

Publicidade tem limite definido

No substitutivo anterior ao apresentado na segunda-feira, dia 16, havia apenas uma sinalização de que o tempo limite de publicidade na TV paga seria de 25%. Agora, o novo texto deixa fixo este valor, que é a mesma quantia da TV aberta. Além disso, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) não poderá intervir para estabelecer limites menores.

A Ancine também não poderá mais interferir em processos de controle às infrações cometidas em processos de produção, programação e empacotamento de canais para a TV a cabo. Ela poderia ser ouvida em casos referentes à concorrência entre os três serviços, no entanto, isto mudou. Segundo o consultor da CCTCI, José de Sousa Pai Filho, a adaptação feita por Lustosa considerou o fato de que o próprio Senado está discutindo um projeto sobre prestação de serviços e concorrência.

Câmara aprova 33 concessões de radiodifusão

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou ontem 33 projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam, pelo período de dez anos, concessões de serviços de radiodifusão em 11 estados brasileiros. As propostas, da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, tramitam em caráter conclusivo e serão encaminhadas para o Senado.

Foram aprovadas:

AMAZONAS
Rádio e Televisão Rio Negro Ltda. – Manaus

BAHIA
Associação dos Produtores Rurais – Una

CEARÁ
Associação Comunitária e Cultural para o Progresso de Ocara – Ocara

ESPÍRITO SANTO
S.M. Comunicações Ltda – Cachoeiro de Itapemirim

MATO GROSSO
Associação Comunitária Cuiabana- Cuiabá

MINAS GERAIS
Associação Comunitária de Radiodifusão de Patrocínio – Patrocínio
Associação Comunitária e Educativa de Santo Tomás de Aquino -São Tomás de Aquino
Associação Despertar para o Desenvolvimento Social, Cultural e Artístico de Cambuquira – Cambuquira
Associação dos Moradores do Bairro Pedra Negra – Ijaci
Comunidade Cultural Educativa Vilanovense – Manhuaçu
Rádio FM Mania Ltda. – Uberlândia

PARÁ
Fundalivre – Fundação Comunitária Antena -Uruará
Rede Metropolitana de Rádio e Televisão Ltda. – Breu Branco
SBC – Radiodifusão Ltda. – Chaves

PARANÁ
Associação Comunitária de Comunicação e Cultura de Arapoti -Arapoti
Associação Comunitária de Comunicação e Cultura de Ramilândia – Ramilândia
Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Altônia – Altônia
Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Quarto Centenário -Quarto Centenário
Associação Comunitária de Radiodifusão e Cultural de Ivaí – Ivaí
Associação de Desenvolvimento Comunitário da Cultura, Esporte e Lazer de Fazenda Rio Grande – Fazenda Rio Grande
Associação de Integração e Desenvolvimento das Comunidades de Balsa Nova – Balsa Nova
Associação de Radiodifusão Comunitária Artística e Cultural de Realeza – Realeza
Associação Fraternal e Cultural de Fazenda Rio Grande – Fazenda Rio Grande
Associação Rádio Comunitária Cincão -Londrina
Associação Rádio Comunitária Novo Cêrro Azul – Cêrro Azul
Difusora Ouro Verde Ltda. – Curitiba
Radiodifusão Cidade de Palmital Ltda. – Palmital

PERNAMBUCO
Associação Comunitária e Cultural Maracatu Glorioso do Timbó – Igarassú
Associação dos Moradores da Agrovila Riacho do Mel – Capoeiras
Associação dos Pais de Alunos e Moradores do Bairro Alto da Caixa D''Água – Parnamirim

SANTA CATARINA
Associação Comunitária de Radiodifusão Amigos da População – Santa Rosa de Lima
Associação Rádio Comunitária Schroeder Strasse FM – Schroeder

SÃO PAULO
Associação Cultural Comunitária Everest – São Paulo

Pedido de vista adia para próxima quarta a votação do PL 29

Como o esperado, um pedido conjunto de vista adiou para a próxima quarta-feira (25) o início da votação do PL 29/07, que unifica as regras da TV por assinatura e permite a entrada das teles no setor, na sessão de hoje da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. A previsão do relator da matéria, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), é de que a votação poderá ser concluída em um único dia, mas admite que alguns pontos serão apreciados separadamente.

Um deles, diz respeito ao sistema de cota de produção nacional. O outro, ao limite de publicidade, que no texto atual está igual ao permitido à TV aberta, de 25% do total da programação. Um terceiro sobre as novas atribuições dadas à Ancine(Agência Nacional de Cinema), de fiscalização da programação. E o quarto, que trata do fomento a produção nacional, por meio do remanejamento de recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) para o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional).

Lustosa disse que ainda está avaliando se modifica a questão do fomento. Isto porque, pelo texto apresentado, a Condecine, que era paga basicamente pelos produtores de audiovisual e agências de publicidades, será estendida também para os distribuidores,  pegando a radiodifusão como um todo. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) já solicitou alterações no texto, alegando que as emissoras abertas, que prestam um serviço gratuito, não podem arcar com mais um imposto. O relator, entretanto, acha que a adoção da contribuição para toda a cadeia é um princípio de isonomia.

Já na questão das novas atribuições da Ancine, não há disposição de mudança por parte do relator. Ele alega que já retirou todas as tarefas que havia atribuído a essa agência na defesa da concorrência e todo tipo de discricionariedade relativa àrodução, mas acha que esse órgão é o melhor qualificado para medir o cumprimento das cotas e do tempo de propaganda. “Sem uma instância administrativa, haverá uma judicialização da lei”, acredita Lustosa.

Sobre a ampliação do tempo de publicidade, incluído no último parecer, Lustosa explica que a medida tenta atender aos programadores, que alegam a necessidade de equilíbrio das contas em função dos gastos extras que terão para cumprir o sistema de cotas. “Sei que haverá destaque sobre esse tema, que recebeu uma série de emendas, inclusive pedindo a proibição total”, disse. Em relação às cotas, o relator acha que ninguém é contra, mas há divergências apenas sobre a dosagem delas.

Após a votação na CCT, o projeto irá para a Comissão de Constituição e Justiça. Segundo o relator, até agora não há movimentação para levar o projeto ao plenário antes de ir para o Senado. Lustosa acha que há um clima favorável para a votação do projeto. Até o momento, o cronograma estabelecido pelo relator está sendo cumprido. 

Bornhausen quer tirar cotas e fomento à produção nacional

O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) informou hoje que apresentará dois destaques ao substitutivo do PL 29/07, que unifica as regras da TV por assinatura e permite a participação das teles no setor. Ele que a supressão dos capítulos cinco (que trata das cotas) e seis (que dispõe sobre o fomento da produção nacional) do texto.

Bornhausen, autor do projeto original, acha que a adoção de cotas é um atraso, uma política discricionária e que não trará benefícios ao país. “Aparentemente favorável à produção nacional, o sistema de cotas ao longo do tempo se transformará em um privilégio difícil de ser retirado”, avalia.

Sobre o capítulo seis, o deputado disse que é contra a criação de mais um imposto. “O projeto cria o financiamento para a produção nacional e a obrigação para as pessoas que assinam o serviço assistir o que vai ser produzido”, sustenta.

Apesar de convicto da melhoria no projeto caso seus destaques sejam aprovados, Bornhausen não tem esperança de que isso vá acontecer. “Acho muito difícil que eles consigam o apoio do número suficiente de deputados para a garantir a aprovação”, disse. Para ele, ninguém está preocupado com os contribuintes.

ABTA

O presidente da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), Alexandre Annenberg, também é contrário às cotas no PL 29, mas não acredita que elas sejam retiradas. Na sua opinião, o pior é o aumento de atribuições da Ancine (Agência Nacional de Cinema), que no texto novo, terá a tarefa de medir o cumprimento das cotas e do tempo de propaganda. “Esse aspecto não foi discutido suficientemente”, disse.

Outra queixa de Annenberg é o impedimento das operadoras de MMDS de prestarem serviços importantes, como o de banda larga, incluído na última versão do texto. “Acho que os ajustes terão que ser feitos em outras instâncias”, disse, admitindo a aprovação do projeto na CCT da Câmara, prevista para a próxima quarta-feira. Ele acha que o debate será reaberto quando a matéria chegar ao Senado.

Etapa mineira encaminha 700 propostas à Confecom

Ansiada por muitos e temida por alguns, a Conferência Estadual de Comunicação de Minas Gerais (Confecom-MG), realizada entre os dias 13 e 15 de novembro, apesar de alguns problemas, foi um passo importante para a democratização da comunicação no Brasil. Movimentos sociais, empresários e poder público reuniram-se, por três dias, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para discutir políticas públicas de comunicação e falar livremente sobre a democratização da mídia no Brasil.

A Conferência Estadual, transmitida ao vivo pela TV Assembleia para todo o estado e também via internet, elegeu 64 delegados da sociedade civil, 64 do segmento empresarial e 16 do poder público. Minas Gerais será a segunda maior delegação na Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília, atrás apenas da delegação de São Paulo.

Quase 700 propostas foram encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional. Foram aprovadas 16 das 19 moções apresentadas, todas elas pelos representantes dos movimentos sociais. Entre elas, destaca-se a moção que condena a censura à imprensa mineira pelo Governo Estadual, aprovada por contraste visual. Entre as propostas discutidas, destacam-se as que procuram garantir a universalização do acesso à internet, as que criam conselhos municipais e estaduais de comunicação e as que garantem controle público e social da comunicação.

A organização do evento foi bastante elogiada pelo presidente da Comissão Organizadora Nacional, Marcelo Bechara, mineiro, que participou dos três dias do evento em Belo Horizonte. “O espírito de participação democrática dos três segmentos aqui em Minas está servindo de exemplo para o resto do Brasil”, comentou Bechara acerca do bom entendimento entre empresários, poder público e movimentos sociais durante a realização de uma reunião extraordinária da Comissão Organizadora Estadual de Minas Gerais (COE-MG), feita no primeiro dia do evento, para solucionar problemas no credenciamento de participantes da sociedade civil.

Apesar da avaliação positiva de Bechara, o governo do estado não garantiu passagem nem hospedagem para os participantes do interior, o que prejudicou a mobilização das pessoas. Nesse sentido, foi proposta uma moção – não aprovada – sobre a falta de apoio à participação dos participantes do interior do estado.

Votação de moções foi a verdadeira conferência

Apenas na plenária final, no domingo (15), foi possível vislumbrar o embate entre movimentos sociais e o que na Confecom é definido como "sociedade civil empresarial". Impedidos de votar propostas pelo regimento elaborado pela Comissão Organizadora Nacional, que definiu que as etapas estaduais apenas reunissem as proposições que serão levadas para apreciação dos delegados em Brasília, restou aos participantes da Confecom-MG debater e votar apenas as moções.

O murmurinho, os gritos e a agitação tomaram conta do plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais enquanto as propostas de moções eram defendidas pelos representantes dos movimentos sociais. Os empresários não apresentaram moções e tiveram pouca participação na votação dessas. Pouquíssimos fizeram defesas contrárias às moções e grande parte delas foi vencida por contraste visual.

Aos brados de "abaixo a censura", aprovou-se a moção contra o cerceamento da imprensa pelo governo do estado de Minas Gerais. O governo de Aécio Neves é acusado em diversos sites da web e em vídeos do Youtube de censurar e mandar embora jornalistas de veículos mineiros. Perguntado sobre a aprovação desta moção, Hugo Teixeira, representante da Superintendência Central de Imprensa do governo do estado, apenas disse: "Você realmente acredita que nós mandamos essas pessoas embora? Não há nenhum dado concreto que prove isso."

Apresentada pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a moção de repúdio à criminalização dos movimentos sociais e em favor da reforma agrária também foi aprovada em plenário. Outra moção que movimentou o plenário foi a que pedia a transparência nos gastos realizados pelo governo do estado para a realização da Confecom-MG.

Os movimentos sociais perderam na votação de apenas três moções e apenas uma foi ganha por unanimidade: a moção em favor da participação da sociedade nos Conselhos Gestores da TV Minas e Rádio Inconfidência.

Metodologia ruim, debates prejudicados

A série de exigências e resoluções propostas pela Comissão Organizadora Nacional não permitiram que, durante as reuniões dos grupos de trabalho, se estabelecesse um debate real entre os segmentos que participaram da conferência. As mais de mil propostas encaminhadas à Conferência Estadual de Minas Gerais pelas etapas municipais e intermunicipais não podiam ser alteradas, melhoradas ou suprimidas. Se qualquer alteração fosse feita, a proposta anterior e a reformulada precisavam ser encaminhadas.

Todas as propostas encaminhadas, por uma decisão da COE-MG, tiveram de ser lidas no início dos trabalhos, o que tomou bastante tempo das discussões. Dos três grupos, dois só terminaram seus trabalhos após as 19h, somando mais de cinco horas de atividade. Além disso, os três GTs tinham grande número de participantes (mais de 100 cada um), o que inviabilizou a possibilidade de fala para todos os que estiveram presentes.

Durante os debates do Grupo de Trabalho 3, que tratou do eixo “Cidadania: direitos e deveres”, houve uma tentativa dos presentes de garantir a soberania do grupo e permitir que as propostas alteradas ou suprimidas por consenso prevalecessem sobre as originais. No entanto, o representante dos empresários na mesa de condução do GT foi contrário à proposta apresentada.

Diante da insistência dos demais presentes, que queriam garantir a alteração e reformulação a despeito das propostas originais, quatro representantes da “sociedade civil empresarial” que se encontravam no GT informaram que impediriam qualquer consenso, o que inviabilizou uma sistematização adequada das propostas.

A sistematização e eliminação de propostas equivalentes ficará a cargo da Fundação Getúlio Vargas, contratada pelo governo federal para auxiliar na organização da Conferência Nacional.

Eleição de delegados

Contrastando com a presteza e facilidade com que empresários e poder público escolheram seus delegados, a “sociedade civil não empresarial” só conseguiu apresentar seus nomes nos minutos finais da Confecom-MG.

A escolha foi feita a partir de uma chapa única, baseada em critérios regionais, representatividade das entidades e participação na construção da conferência, apresentada por Kerison Lopes, do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. Pelo menos três reuniões envolvendo os participantes dos movimentos sociais foram realizadas para se chegar a um acordo acerca dos nomes e dos critérios. Foi grande a disputa entre regiões do interior e mesmo entre os diversos segmentos, que queriam garantir a maior participação de seus representantes.

Jornalistas e comunicadores comunitários terão o maior peso na chapa mineira. Os representantes do Triângulo Mineiro, que tinham a maior representação do interior, negociaram até o final para conseguir oito representantes, o que dificultou o processo de finalização da chapa.

Ao final, com a desistência de dois delegados que já constavam na chapa, mas que preferiram deixar de participar para garantir a unidade dos movimentos sociais (havia o risco de se dividir os participantes e fazer uma disputa de chapas no momento final) chegou-se a um consenso e os movimentos sociais apresentaram os nomes dos delegados que representarão a “sociedade civil não empresarial” em Brasília.

*** SAIBA MAIS: ***

Resumo de algumas propostas dos eixos:

Eixo “Meios de Produção”:

  • regulamentação da distribuição da verba destinada à publicidade e propaganda oficial dos governos municipal, estadual e federal, garantindo a reserva de 30% para rádios e TVs comunitárias, jornais de bairro de baixa tiragem, internet e outras mídias comunitárias.

  • garantia de subsídio estatal para a aquisição de equipamentos para as rádios comunitárias através de linha de crédito ou subsídio direto.

  • regulamentação de artigo da Constituição que estabelece a regionalização da produção cultural, artística e jornalística.

  • criação do Fundo Nacional de Comunicação Comunitária, financiado com impostos a serem cobrados das empresas comerciais de comunicação.

  • acesso gratuito e universal de banda larga para todos os brasileiros.

  • elaboração de novo marco regulatório para a televisão por assinatura que contemple a eliminação das restrições contidas na Lei Geral de Telecomunicações que impedem a prestação do serviço de TV a cabo por parte das prestadoras de serviços de telecomunicações.

  • estabelecimento de uma Rede Única de Comunicação Pública para a Rede Minas e a Rádio Inconfidência, com participação efetiva da sociedade civil em conselhos de gestão e editorial e, principalmente, com autonomia para gestão dos recursos previstos em lei.

  • observação, no ato de outorga de radiodifusão, do impedimento do controle, gerência ou direção de empresa por pessoas físicas investidas em cargo público ou no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial, e seus parentes até 3º grau, em nome próprio ou de terceiros.

  • definição de critérios legais para a publicidade oficial; reserva de, no mínimo, 30% das verbas de publicidade oficial para veículos de baixa circulação comercial e não-comercial.

  • ampliação e fortalecimento das rádios comunitárias.

  • valorização e implantação dos conselhos de comunicação federal, estadual e municipal.

  • estabelecimento de uma política estadual de comunicação com foco no controle público dos meios de comunicação, por meio de um projeto de lei na Assembleia que garanta a participação popular de maneira institucionalizada.

Eixo “Meios de Distribuição”:

  • valorização e implantação dos conselhos de comunicação federal, estadual e municipal, de caráter deliberativo e abertos à participação popular.

  • rediscussão do fim da exigência de diploma para o exercício da função de jornalista.

  • regulamentação do artigo 223 da Constituição Federal, com a alocação de 40% do espectro para emissoras públicas; 40% para emissoras privadas, divididos entre comerciais e sem fins lucrativos; e 20% para as emissoras estatais.

  • estudo de novos parâmetros para a distribuição de concessões de rádios e TVs; e desburocratização das concessões das rádios comunitárias.

  • criação de política pública orientada para a universalização dos equipamentos utilizados para acesso à internet, por meio de redução de carga tributária.

  • fim da proibição de veiculação de publicidade nas rádios comunitárias e educativas.

  • inclusão de todas as emissoras de televisão do campo público no projeto de operador de rede; e garantia de que as emissoras legislativas estejam todas no mesmo transmissor, na estrutura do operador de rede, a fim de permitir a criação de uma rede legislativa.

  • garantia de acesso ao sinal aberto pelas TVs comunitárias; e criação de um fundo nacional para o desenvolvimento da comunicação comunitária.

  • uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funtel) para políticas públicas de democratização da comunicação social.

  • modificação da legislação da Anatel a respeito do acesso à rede mundial de computadores via rede elétrica, de maneira a garantir a universalização gratuita ou de baixo custo por esse meio.

  • universalização da internet de banda larga como política pública, usando os recursos do Fust e demais fundos públicos.

Eixo “Cidadania: direitos e deveres”:

  • criação de conselhos municipais e estaduais de comunicação deliberativos.

  • garantia, pela sociedade e seus representantes, do direito do controle social na comunicação, por meio de conselhos e outros mecanismos democráticos.

  • efetivação das políticas públicas de acesso gratuito à internet, como telecentros, garantindo também o acesso à aquisição de equipamentos por meio de financiamentos.

  • proibição do monopólio e oligopólio na área de comunicação por meio de mecanismos que identifiquem os reais concessionários e permissionários.

  • formulação de uma nova política de outorgas e de renovação de outorgas de emissoras de radiodifusão e de novas tecnologias de comunicação, na qual constarão, entre outros dispositivos, a previsão de realização de audiências públicas e de apresentação de pesquisa com avaliação dos serviços prestados à comunidade.

  • criação, em âmbito nacional, de comissão intersetorial de controle social dos conteúdos veiculados nas TVs, rádios, mídia impressa e programas de auditório e humorístico, a fim de coibir as discriminações por gênero, orientação sexual, etnia, deficiência e religião.

  • produção de nova legislação sobre direito de resposta e produção de uma nova lei de imprensa que garanta a liberdade de expressão.

  • efetivação da autonomia das instâncias de controle social das políticas públicas de comunicação (conferências, conselhos, audiências), desatrelando-as do Executivo e Legislativo.

  • várias propostas relativas à “educomunicação” (análise crítica dos meios), inclusive com a inserção de conteúdos nos currículos escolares.

  • implantação de mecanismos de acessibilidade na comunicação, a fim de garantir o direito à plena participação; e criação de publicidades oficiais inclusivas, não apenas com a existência de recursos mínimos (audiodescrição, legenda, braille e intérpretes de libras), mas com a presença de negros e pessoas com deficiência em todas elas.