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Para Telefônica, uso da rede estatal faz sentido, mas concessionária estatal não

"Se existe uma rede de fibra óptica disponível, por que não usar?". Essa foi a frase que o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, usou para começar a falar sobre o projeto do Plano Nacional de Banda Larga, em elaboração pelo governo. Isso não quer dizer, contudo, que a Telefônica apoie a ideia de uma rede estatal de telecomunicações.

"Acho desnecessária uma concessionária estatal. Existe uma parte da população que será atendida com banda larga pela capacidade econômica e outra que precisará de ajuda. A discussão sobre quantos estão em cada lado é o que temos que fazer agora", disse Valente.

Ele lembrou que o modelo atual, vigente desde 1998, teve sucesso em trazer serviços à população, "sem nenhum centavo de investimento público". Mas reconheceu também que os serviços de telecomunicações estão mudando e que é natural que o Estado passe a pensar em outras prioridades. "Os vetores que nortearão as telecomunicações no futuro serão capacidade de banda e mobilidade".

Comissão conclui aprovação das novas regras para TVs por assinatura

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática concluiu nesta quarta-feira a votação do projeto de lei que estabelece novas regras para a televisão por assinatura (PL 29/07). Foram mantidos os pontos mais polêmicos da proposta – as cotas de produção nacional e o fomento para essa produção. O texto principal do projeto fora aprovado na semana passada.

Para o relator da proposta, deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), as novas regras para o setor vão beneficiar os consumidores porque haverá mais competição com a entrada das operadoras de telefonia nesse mercado e, consequentemente, menores preços para o serviço.

As cotas de programação nacional, acredita o relator, vão desenvolver a indústria audiovisual brasileira. "Nós não podemos perder de vista que o português é falado em poucos países, o que diminui a nossa capacidade de competição mundialmente. Então, nós temos que estabelecer que pelo menos no nosso mercado a nossa produção tenha primazia, tenha prioridade, e isso, na nossa avaliação, não vai ser feito às custas de impactos nos custos do serviço para os cidadãos.”

No entender do relator, “a entrada de todo um contingente novo de consumidores – que hoje não recebem esse serviço porque a infraestrutura não está disponível, porque há limitações para novos investidores – vai baratear o custo porque haverá ganho de escala".

Um terço dos canais

Pelo projeto aprovado, um terço dos canais de filmes, séries e documentários, oferecidos nos pacotes de TV por assinatura deverão ser brasileiros. Além disso, três horas e meia de programação, no horário nobre, de todos os canais que transmitem esse tipo de conteúdo qualificado, deverão ser nacionais, metade de produção independente. O texto prevê também que 11% do que as empresas já pagam nas taxas de fiscalização serão transferidas para o fomento da produção audiovisual.

O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), comemorou a rápida tramitação da matéria, que chegou a ser discutida por um ano e meio na comissão, mas foi redistribuída. De volta ao colegiado, o texto foi aprovado em poucos meses.

"Não foi só um projeto que teve uma tramitação rápida na sua segunda estada aqui na comissão, ele abriu aqui, através do grupo de trabalho, uma porta de debate com todos os segmentos envolvidos. Não posso dizer que está perfeito, mas para as instâncias que ele irá tramitar a partir de hoje, basta que tenham 20% dos esforço que foi feito aqui que está uma beleza"

Tramitação

O projeto que cria o novo marco legal para a televisão por assinatura segue agora para análise, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

FML discute sustentabilidade dos projetos de mídia livre

A sustentabilidade das mídias livres foi um dos temas mais debatidos durante o II Fórum de Mídia Livre, que foi realizado em Vitória, neste último fim-de-semana (4 a 6). Toda uma manhã e uma tarde do encontro foram dedicadas à discussão do problema do financiamento, que já foi responsável pelo fechamento de veículos e projetos alternativos importantes. O caminho apontado pelos participantes deve ser o de aproximar os chamados midialivristas da rede de economia solidária e criar uma rede própria, da comunicação. Até a criação de uma moeda social surgiu nas conversas.

A questão não é simples. Além de pensar formas de captar verba para criar e manter projetos de comunicação comunitários e alternativos, ainda há o impasse sobre como o modelo de financiamento pode manter a independência e autonomia dessas mídias. O que fazer diante de tal situação? Recorrer ao mercado tradicional? Criar outro tipo de mercado? Cobrar investimentos do Estado? Essas foram algumas das dúvidas que guiaram o debate.

Tomando como exemplo experiências construídas com mais freqüência em outras áreas, a prestação e a troca de serviços e produtos entre os grupos midialivristas foi bastante citada nos debates do Fórum de Vitória. Um dos pontos positivos desse modelo é a possibilidade de conseguir recursos a partir de algo que o grupo cultural ou midiático já produz. Isso pode diminuir a necessidade de buscar auxílio em editais abertos por órgãos ou empresas públicas, por exemplo, que não necessariamente podem atender o conjunto de produtores de uma determinada área e também podem variar de acordo com os governos vigentes.

Algumas iniciativas já estão sendo realizadas neste sentido, pelo menos dentro de outros circuitos, como os dos Pontos de Cultura. O projeto iTEIA, idealizado pelo Instituto InterCidadania, vai criar a partir do ano que vem um ambiente digital em seu site para que os grupos divulguem e troquem produtos e serviços entre si. “A gente já trabalha com a troca presencialmente. O que o Pontão do iTEIA pretende fazer agora é criar um módulo onde isso pode ser feito de maneira virtual”, explica o coordenador de Articulação e Treinamento do projeto, Pedro Jatobá. Ele também diz que isso será feito em parceria com o grupo Cirandas, que mantém um portal de economia solidária na internet.

Essa espécie de “escambo moderno”, porém, pode também trazer seus riscos para determinados grupos. É o que avalia Marco “Amarelo” Konopacki , integrante do Coletivo Soylocoporti. Sua análise parte da perspectiva de que nem todos os produtores culturais e de mídia livre podem estar interessados em oferecer um produto. “A gente não pode ficar sempre refém de que toda cultura vai se tornar um produto de entretenimento e que vai poder ser vendido”, diz.

Além disso, ele acredita que a prática precisa ser pensada a partir de quem a utiliza. “É diferente falar de cooperativas e associações que fazem alguma disputa política. A cooperativa tem a função de trabalho, que utiliza seu tempo para organizar trabalhadores e obter renda com isso. Agora, associações tem basicamente uma função política. Então, se elas passam a prestar serviço e às vezes tem que adaptar seu discurso para ir para o mercado e obter renda, é perigoso”, compara Amarelo. E defende: “De fato, o caminho do meio poderia ser uma boa alternativa. Ou seja, parte um financiamento público e parte do financiamento do mercado.”

Embora não discorde da eficiência do modelo, o gerente de Comunicação e Mobilização Social da Fundação Banco do Brasil, Claiton Mello, reforça a importância do Estado no fomento às mídias livres. Ele lembra que as empresas de comunicação, além de subsídios, recebem recursos públicos por meio de publicidades vindas dos governos e de empresas e autarquias ligadas a eles. “Essa é uma forma de garantir que esse segmento industrial exista”, diz Claiton. Por isso, seria justo reivindicar que essas verbas também contemplassem as mídias livres.

Talvez a tese mais aceita para solucionar o problema da falta de sustentabilidade seja a combinação das várias saídas possíveis, já que cada uma delas tem seus poréns. “O problema da gente é achar, às vezes, que virá uma resposta que é uma regra geral que todos devem copiar. É o que tem acontecido com os editais. Parece que todo mundo tem que parar suas ações, que já são sustentáveis, e botar uma equipe de cinco, seis pessoas escrevendo projeto para todos editais e criando idéias mirabolantes”, acredita Pedro Jatobá.

O conselheiro do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, Antonio Martins, mais do que apresentar uma proposta, fez uma observação sobre a atual conjuntura, que acelera esse tipo de debate. “Há um declínio do trabalho assalariado para algo que pode ser muito bacana, mas pode ser muito ruim”, analisa.

EBC indica representantes e apresenta pauta para a Confecom

[Título original: Representantes da EBC participam da I Conferência de Comunicação (Confecom)]

Os representantes da EBC participaram, terça-feira, na Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), da reunião preparatória da Comissão Organizadora com os delegados que encaminharão as propostas do Governo Federal na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) que se realizará, entre os dias 14 e 17 próximos, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

A diretora-presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, nomeou o diretor de Serviços, José Roberto Garcez, como coordenador da delegação da empresa. A Confecom será transmitida ao vivo pela NBR, desde a abertura, que será feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até o encerramento dos trabalhos.

A delegação da EBC está composta por nove titulares e dez suplentes. São eles: Titulares: Tereza Cruvinel – diretora-presidente da EBC; Luis Henrique Martins dos Anjos, diretor-jurídico; Helena Chagas, diretora de Jornalismo; José Roberto Garcez, superintendente de Rede-Diretor de Serviços; Laurindo Leal Filho, ouvidor geral; Adriano de Angelis, assessor especial da EBC Serviços; Lincoln Macário, jornalista e apresentador do Repórter Brasil; Eduardo Castro, gerente-executivo de Jornalismo; Lourival Macedo, representante dos funcionários no Conselho Curador. Suplentes: Helenise Brant, gerente-executiva da EBC Serviços; Marco Fioravante, gerente-executivo da área jurídica; Bráulio Ribeiro, assessor da Superintendência de Rádio; Rogério Brandão, superintendente de Programação; Marco Antonio Coelho, gerente-executivo de Expansão e Rede; Joaquim São Pedro, coordenador da Assessoria de Comunicação e Marketing; Maria Luisa Busse, ouvidora-adjunta; Manoel Roberto Seabra Pereira, Conselho Curador; Vivian Grassi Sampaio, de gerente de Contratos e Convênios, e Marilena Chiarelli, gerente-executiva da TV Brasil internacional.

A comitiva da EBC coordenará oito grupos temáticos dentro da delegação do Governo Federal. Segundo o secretário-executivo da Secom, Ottoni Fernandes, todas as propostas encaminhadas pela EBC foram acatadas pelo Governo e que serão debatidas nos grupos temáticos, juntamente com as propostas dos demais segmentos públicos e privados que participarão do evento.

Uma das principais propostas da EBC é simplificar a contratação de conteúdos regionais e independentes pela empresa e outras empresas públicas gestoras de canais de rádio e TV. Para Tereza Cruvinel, a medida seria um importante incremento à produção da cultura nas diversas regiões do país, gerando emprego e propiciando o surgimento de novos talentos nas diversas áreas da produção audiovisual. As propostas da EBC ou da empresa em parceria com outros órgãos do Governo para a Confecom são as seguintes:

* Apoiar a aprovação do Plano Nacional de Cultura. O Plano Nacional de Cultura foi estruturado, defendido na 1ª Conferência Nacional de Cultura (CNC) e está em debate no Congresso Nacional;
* Simplificar a contratação de conteúdos regionais e da produção independente pela EBC e outras empresas públicas gestoras de canais de rádio e TV;
* Promover as reformas necessárias dos marcos regulatórios e normativos para o setor de Comunicação, que dêem conta da convergência e da natureza específica de cada segmento;
* Apoiar a criação, por lei, de uma política que garanta a veiculação de conteúdos nacionais e regionais, com produção independente, nos meios de comunicação eletrônicos, independentemente da plataforma em que operam, conforme assegurado pela Constituição Federal de 1988;
* Estender a todas as emissoras e empresas de rádio e televisão educativas, vinculadas à administração pública, os princípios, direitos, deveres, objetivos, modelos de gestão e de financiamento, dispostos na Lei 11.652/08, que autorizou a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
* Aperfeiçoar o sistema de fiscalização do sistema de radiodifusão e fortalecer a estrutura administrativa responsável pela sua implementação;
* Fortalecer os meios de comunicação não-comerciais, por meio da revisão da Legislação vigente – no que se refere a fontes de financiamento e pilares da programação – e das exigências relativas às outorgas;

* Apoiar a implantação dos canais previstos no Decreto nº 5.820/06 ( Poder Executivo, da Cultura, da Educação e da Cidadania );
* Universalização do acesso à banda larga;
* Apoiar programa governamental para o desenvolvimento de uma infraestrutura de rede de banda larga universal para acesso à Internet e canal de retorno de TV Digital;
* Instituir a figura do Operador Nacional de Rede Digital Pública a ser gerido pela EBC, cabendo a este operador propiciar as plataformas comuns de operação para todas as emissoras públicas de televisão;
* Viabilizar canais analógicos existentes, sobretudo nos centros urbanos onde há congestionamento, propiciando a prestação de serviço de radiodifusão pelo sistema público;
* Disponibilizar e garantir equipamentos, criando uma rede digital sociocultural em espaços públicos, para promover a democratização do acesso à informação em meio digital;
* Apoiar a criação de um centro de estudos, pesquisas e sistematização de informações, dados e indicadores, vinculado à administração pública federal, para o setor de Comunicação.

Hélio Costa contemporiza problemas do setor das comunicações

Exatamente uma semana antes da abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontece no próximo dia 14 em Brasília, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, expôs a sua análise sobre a conjuntura das comunicações no país. Costa participou do programa de entrevistas da TV Cultura, Roda Viva, e falou de praticamente todos os temas sobre os quais o ministério tem sido cobrado publicamente. No geral, as respostas do ministro deixam claro as afinidades de Costa com a pauta do empresariado das comunicações

Em alguns casos, o ministro das Comunicações fez declarações que poderiam ser postas na boca de porta-vozes do setor empresarial. Por exemplo, o ministro classificou como “relativamente pequena” a quantidade de reclamações de usuários de telecomunicações quanto à qualidade dos serviços, tanto de telefonia quanto de internet. “Tivemos 16 milhões de reclamações em 210 milhões de linhas. Isso não é muito”, afirmou. Em seguida, defendeu os problemas nas centrais de atendimento ao cliente, alvo da fiscalização dos órgãos de defesa do consumidor do Ministério da Justiça, que tem aplicado multas pesadas às operadoras de telefonia: “As empresas têm mais de 100 mil funcionários em call centers tentando receber as reclamações. Mas não podemos querer que as empresas respondam em um minuto uma reclamação e, em função disso, até levarem uma multa milionária”. Ainda segundo o ministro, este é um problema mais presente nas operadoras de celular.

O ministro também tentou contemporizar problemas recorrentemente denunciados e comprovados ao longo dos anos por pesquisadores e organizações da sociedade civil. Declarações como a de que ele não consegue achar nos arquivos do Ministério das Comunicações “um político que seja integralmente ‘dono’ de uma rádio ou de uma TV” e também que a Constituinte de 1988 todas as oportunidades para rever os critérios de concessão, mas ela não quis discutir a questão da propriedade cruzada, soam até estranhas vindas da maior autoridade do principal órgão regulador do setor.

Dois pesos e duas medidas

Contrariando o que dizem os radiocomunicadores comunitários e também informações do próprio ministério , que apontam a existência de processos de legalização de emissoras comunitárias que há dez aguardam por resposta, Costa afirmou que em 180 dias pode-se conseguir uma autorização para colocar no ar uma rádio comunitária. A afirmação foi feita quando o ministro expunha as razões pelas quais ele é contrário à descriminalização das rádios “piratas". Segundo ele, os grupos que colocam no ar rádios sem autorização agem de má fé, já que o prazo para a legalização seria razoável.

Já com relação ao projeto de lei de sua autoria que propõe que as concessões de rádios com potência de até 50 KW e as de emissoras de TV que não são cabeças de rede possam ser repassadas a terceiros ou ter sua composição acionária modificada sem autorização prévia do Poder Executivo e do Congresso, desde que não possuam acionista estrangeiro (PLS 222/05), Costa falou que a proposta que fez, há cinco anos, quando chegou ao Congresso, tinha por objetivo justamente resolver a questão da demora nos procedimentos no Ministério das Comunicações – demora que, antes, ele havia negado existir na legalização das emissoras comunitárias. “Tinha 40 mil processos para serem analisados. A sugestão veio daí, para simplificar os procedimentos".

PNBL

Sobre a interiorização das telecomunicações, respondendo a perguntas dos telespectadores, Costa afirmou que, até o final deste ano, todos os municípios brasileiros deverão ter cobertura de telefonia celular de segunda geração. O ministro reconheceu que os serviços tanto de telefonia como de acesso à internet ainda são muito caros.

De novo, ao falar sobre os preços, Costa escorregou para a posição de porta-voz dos empresários, dizendo que a questão tem de ser resolvida com desoneração tributária. Só que, para o ministro, o problema é dos estados, que cobram ICMS muito alto.

Já em relação à internet, Costa disse que espera que o Plano Nacional de Banda Larga resolva a questão dos preços. Até agora, a proposta defendida pelo Ministério das Comunicações junto à Presidência da República, em oposição às propostas que estão sendo feitas pelo Ministério do Planejamento, caminha justamente na linha proposta pelo empresariado, de desoneração fiscal e investimento público para garantir a expansão das redes privadas.

Ainda sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o ministro declarou que governo não tem a pretensão de ser a última milha na banda larga, ou seja, que ele não será prestador na ponta do serviço. “Mas o governo quer garantir que as pequenas comunidades não fiquem desprovidas de banda larga. Os pequenos provedores, as empresas locais serão chamadas para participar", afirmou Costa.

A declaração do ministro tenta enviesar o debate sobre a formatação do plano, já que, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não tem informações suficientes sobre as duas propostas de PNBL que existem dentro do governo e que, portanto, só posteriormente se posicionaria sobre o assunto.

Confecom

Como não poderia deixar de ser, a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi uma das pautas recorrentes da entrevista. Já de início, Costa lamentou mais uma vez publicamente o fato de a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) e a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), dentre outras representantes do setor empresarial, terem deixado a Comissão Organizadora da Conferência. Contudo, reforçou que isso não trouxe prejuízo à Confecom, pois a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) conseguiu representar o setor em todo o país, bem como a Telebrasil, cumpriu com esse papel também com relação às empresas de telecomunicações.

O ministro pontuou ainda que a Abra – que reúne os grupos Bandeirantes e RedeTV! – representa um segmento empresarial tão importante quanto a Abert (Globo e Record), e que esta, por sua vez, perdeu a oportunidade de participar. “Nada podemos fazer quando oferecemos a uma entidade a oportunidade de participar e ela não quer participar. Foi o que aconteceu com a Abert e com a ABTA”, disse.

Ao falar sobre a saída da ABTA, Costa deixou transparecer o que o ministério aposta como a tônica da Confecom: um ambiente de negociação sobre algumas questões importantes para o setor privado. “A ABTA talvez [tenha saído] porque soubesse que estaríamos votando o PL-29 antes da Confecom. Talvez por isso ela tenha tido mais tranqüilidade, porque o novo marco regulatório para o setor de TV por assinatura deve ser votado antes da Confecom”, disse o ministro.

Sobre um dos pontos mais polêmicos das discussões esperadas para a Confecom, que é o controle social dos meios de comunicação, Costa fez coro com os interesses empresariais e falou que esta era “uma das discussões mais temerosas” que surgiram ao longo do processo de convocação da conferência. Para o Ministro, é preciso evitar qualquer mudança nas comunicações brasileiras que leve a qualquer procedimento parecido com o de outros países da América do Sul. Segundo ele, existem setores dentro do Congresso que querem controle social da mídia, e até provocam essa discussão, fazem projetos de lei, mas para Confecom, Costa acredita em um certo “acordo de cavalheiros” entre as partes, na hora do voto – com 40% de votos dos empresários, 40% de votos das entidades sociais e 20% de votos do Poder Público – vai garantir que não seja discutido o controle social da mídia. “Pelo menos do ponto de vista do governo, não vamos levantar essa questão”, garante o ministro.

Ainda sobre as propostas que o Governo Federal defenderá na Confecom, o ministro foi categórico ao dizer que as propostas apresentadas no site da conferência e saudada por parte da sociedade civil não empresarial, não representam as propostas do governo como um todo, mas apenas de setores do governo. Ou seja, novamente, como na discussão do Plano Nacional de Banda Larga, o Ministério das Comunicações deixa claro que não assume pautas nem propostas vindas de outros ministérios e que possam interferir nos rumos da concertação entre o órgão e o empresariado.

Hélio Costa falou ainda que espera da conferência resoluções sobre a sublocação da grade de programação das emissoras, o que, para ele, vem acontecendo muito com relação à conteúdos religiosos. Costa admitiu que é uma questão delicada e informou que o ministério está tentando coibir os excessos “com multas quase diárias”. O ministro, entretanto, afirmou que não considera a sublocação das programações – mesmo entendendo que as emissoras têm obrigatoriedade de cumprir com uma grade de programação – uma infração grave a ponto de acarretar na perda da concessão.